CAPÍTULO 1
Mira tinha aprendido a se fazer pequena.
Pequena o suficiente para não ser notada quando o conselho se reunia. Pequena o suficiente para desaparecer atrás dos servos que carregavam bandejas de taças de prata e carne assada. Pequena o suficiente para sobreviver a uma alcateia que nunca a quis e a um futuro que já tinha sido decidido por homens de mãos limpas e olhos frios.
Esta noite, ser pequena não era o suficiente.
O salão da Blackridge Keep brilhava com a luz das tochas e o fogo-de-lobo; as chamas eram azuladas nas bordas, onde uma magia antiga vivia na pedra. Nobres e guerreiros enchiam o grande salão em um borrão de veludo escuro, couro polido e dentes brilhantes. A música pulsava da galeria acima, mas soava distante sob o murmúrio baixo das vozes e o raspar das botas contra o chão.
Todos observavam o estrado central.
Todos observavam ela.
Mira manteve o queixo erguido e as mãos dobradas na cintura, embora seu pulso estivesse batendo contra as costelas com força suficiente para doer. A pulseira de prata em seu pulso parecia apertada demais. Não porque machucasse a pele, mas porque a marcava.
Propriedade do Acordo de Silvermoon.
Prometida aos dezesseis anos a um homem que mal conhecia e com quem passou os últimos três anos tentando não pensar.
Do outro lado do salão, Lorde Aldren Vale estava parado ao lado da mesa do conselho, em trajes cerimoniais pretos. Ele era bonito da mesma forma que lâminas frias são bonitas: lisas, precisas e perigosas se você tocasse no lado errado. Sua boca se curvou quando ele olhou para ela, mas o sorriso nunca chegou aos seus olhos pálidos.
Ele estava esperando por esta noite.
Ela também.
"Dê um passo à frente", disse a Alta Vidente.
Mira se moveu.
A bainha de seu vestido pálido sussurrou sobre o piso de pedra enquanto ela atravessava o salão. Ela sentiu a mudança no ambiente; a atenção se apertou como uma corda de forca. Um dos guerreiros mais jovens lançou um olhar para ela e rapidamente desviou o rosto. Outro deu um sorriso de lado atrás de sua taça. Todos eles sabiam o que ela era.
A garota sem lobo.
A linhagem fracassada.
A luna prometida que ainda não tinha se transformado, embora todas as mulheres em Blackridge o tivessem feito antes do seu vigésimo inverno.
Ela chegou ao estrado e parou na linha marcada na pedra, logo abaixo do banco do conselho. Acima dela, cinco anciãos sentavam-se em suas cadeiras esculpidas. Seus rostos eram banhados pela luz do fogo e pareciam mais velhos do que realmente eram. Ao centro estava o Ancião Marrow, aquele que tinha assinado seu contrato de noivado. Seus dedos tamborilaram uma vez contra o braço da cadeira.
"Mira da Casa Thorne", ele anunciou, sua voz ecoando pelo salão. "Na véspera do seu vigésimo primeiro aniversário, você receberá a marca de vinculação e será formalmente entregue à proteção de Lorde Aldren Vale."
Proteção.
A palavra fez seu estômago revirar.
Lorde Aldren deu um passo à frente, suas botas não fazendo nenhum ruído apesar de seu peso. "É uma honra", disse ele, e então seus olhos deslizaram pelo rosto dela como se estivesse avaliando um cavalo para venda, "assumir a responsabilidade pelo que há muito é devido."
Um leve murmúrio de divertimento percorreu o salão.
Mira não recuou. Pelo menos não externamente.
Por dentro, algo cru e quente pressionava suas costelas.
Devido. Como se ela fosse uma dívida cobrada por um homem que ela nunca amou.
A Alta Vidente levantou uma lâmina de prata de uma almofada de veludo. "Ajoelhe-se."
O comando a atingiu com mais força do que deveria. Cada instinto em seu corpo ficou rígido. Em uma sala cheia de lobos, ajoelhar-se não era simbólico. Era uma rendição.
As pontas de seus dedos se curvaram.
Do outro lado do salão, um dos guardas do conselho se moveu, o couro de sua alça de ombro rangendo. Ela não olhou para ele. Não precisava. Ela sabia quem estava na parede distante, na sombra entre dois braseiros.
Damon Black.
Alfa de Blackridge.
O ambiente mudava sempre que ele entrava, embora a maioria das pessoas fingisse não notar. Ele não estava no estrado. Ele não tinha falado. Ele não tinha oferecido bênção ou aprovação.
Ele apenas observava.
Isso era quase pior.
Mira tinha sentido seu olhar antes mesmo de vê-lo; uma pressão na base do seu pescoço, sombria e constante. Ela passou anos fingindo não notar a maneira como seu corpo reagia à presença dele. A forma como sua respiração falhava. O jeito que o calor se acumulava no baixo ventre sempre que ele chegava perto demais.
Proibido. Ridículo. Perigoso.
Ele não era dela. Nunca poderia ser.
Ele era o alfa que uma vez a arrastou de um motim quando ela tinha treze anos, com sangue nos nós dos dedos e um corte na bochecha, e que depois olhou para ela com uma expressão tão ilegível que a assombrou por anos.
Ele também era o único homem naquele salão que poderia acabar com ela com apenas uma palavra.
"Ajoelhe-se", a Alta Vidente repetiu, desta vez com mais rispidez.
O salão tinha ficado tão silencioso que Mira podia ouvir o crepitar do fogo-de-lobo nas arandelas. Seu coração deu um salto, forte. Ela se abaixou lentamente sobre um joelho.
Um murmúrio passou pela multidão.
Não era o suficiente. Ela sabia disso. Eles queriam que ela se abaixasse mais. Queriam que ela fosse humilde. Queriam que ela fosse grata.
A Alta Vidente baixou a lâmina em direção ao pulso esquerdo dela.
Antes que o aço pudesse tocar a pele, as portas do grande salão se abriram com um estrondo.
O impacto ecoou pela câmara como um trovão.
Todas as cabeças se viraram rapidamente.
O ar frio entrou, trazendo o cheiro de neve, ferro e algo muito mais perigoso.
Damon Black estava parado na entrada.
Não estava com trajes cerimoniais. Nem com o preto do conselho. Ele usava couro de viagem escurecido pela chuva e uma capa jogada para trás sobre um ombro largo, como se tivesse vindo do fim do mundo e não tivesse se dado ao trabalho de diminuir o passo por ninguém. Seu cabelo estava úmido nas têmporas. Sua mandíbula estava tensa. Seus olhos, um âmbar feroz sob a luz das tochas, estavam fixos no estrado.
Nela.
Mira esqueceu como respirar.
Ele não deveria estar aqui.
O alfa não tinha sido anunciado. Nem convidado. Nem esperado. Só isso já causou um calafrio no salão. Lobos abaixaram as cabeças em resposta instintiva. Alguns dos guerreiros mais velhos se endireitaram, cautelosos. A boca de Aldren se contraiu.
"Alfa Black", disse o Ancião Marrow, com uma irritação mal contida, "o rito de vinculação está em progresso."
Damon não se moveu do batente. Ele não se curvou. Ele nem sequer olhou para os anciãos.
"Eu posso ver isso."
Sua voz era baixa. Áspera. Ela rolou pelo salão e se assentou na pele de Mira como calor.
A Alta Vidente se recuperou primeiro. "Então você sabe que está interrompendo um procedimento sagrado."
"Eu sei", disse Damon.
Seu olhar nunca deixou o rosto dela.
A garganta de Mira doeu. Ela odiava o fato de que a atenção dele parecia ser pega em uma tempestade e, ao mesmo tempo, ser aquecida por ela.
Lorde Aldren desceu do estrado, sua expressão transformada em uma ofensa educada. "Se há uma preocupação em relação ao contrato, Alfa, deveria ter sido tratada em particular."
Os olhos de Damon finalmente se desviaram.
O olhar que ele lançou para Aldren era tão frio que Mira quase sentiu pena dele.
Quase.
"Há muitas coisas que eu trataria em particular", disse Damon, "se a sua casa não tivesse o hábito de escondê-las em público."
Uma respiração ofegante percorreu o salão.
O pulso de Mira tropeçou. Escondê-las? Do que ele estava falando?
Os dedos do Ancião Marrow se apertaram no braço da cadeira. "Fale claramente."
Damon finalmente atravessou o limiar.
O salão pareceu diminuir ao redor dele. Ele se movia como um predador que conhecia cada ponto fraco em uma sala cheia de presas e não precisava ter pressa. Guerreiros perto do corredor recuaram automaticamente. A luz das tochas deslizou sobre seu rosto, sobre a linha rígida de sua garganta, os ombros largos sob o couro escuro, a cicatriz grossa que cortava um dos nós dos dedos.
Mira não conseguia parar de olhar.
Ele veio ficar na base do estrado, diretamente à frente dela, e por um segundo suspenso o ar entre eles pareceu carregado. Carregado demais. Ela tornou-se consciente de tudo: o batimento cardíaco em sua garganta, o tremor em seu pulso onde a pulseira de prata repousava, o fato de que ele poderia estender a mão e tocá-la se quisesse.
Ele não o fez.
Mas o esforço parecia quase doloroso.
"O que é isto?", ele perguntou, sem desviar o olhar dela.
A pergunta não foi dirigida aos anciãos.
Mira engoliu em seco. "Uma cerimônia."
Sua boca se contraiu, mas não havia humor nisso. "É isso que chamaram quando disseram para você se ajoelhar para um homem que nem estava aqui?"
Suas bochechas queimaram. O salão ouviu cada palavra.
A voz de Lorde Aldren tornou-se mais afiada. "Cuidado, Alfa."
Damon finalmente se virou completamente para ele. "Você primeiro."
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
A vergonha de Mira mudou, transformando-se em um medo diferente. Não por ela mesma. Pelo que estava por vir. Os anciãos estavam rígidos agora, ofendidos, mas por baixo disso ela sentiu algo mais: inquietação.
Damon Black não tinha entrado no salão sem motivo.
Ele meteu a mão dentro da capa e tirou um envelope dobrado, selado com cera preta. Segurou-o entre dois dedos.
O rosto do Ancião Marrow empalideceu.
Mira percebeu. Todos os outros também.
“O que é isso?”, ela perguntou antes que pudesse se conter.
O olhar de Damon passou pela boca dela e desviou tão rápido que quase a desestabilizou. “Seu contrato.”
O salão mergulhou em um burburinho de surpresa.
“Não”, disse Aldren imediatamente. Rápido demais. Áspero demais.
Os olhos de Damon se estreitaram. “Não?”
O alfa abriu o documento com um movimento brutal e deixou o pergaminho se desenrolar. A escrita preta brilhava à luz das tochas. Mira não conseguia ler de onde estava ajoelhada, mas viu o suficiente para saber que era importante.
O jeito que os anciãos desviaram o olhar.
O jeito que Aldren tinha ficado imóvel.
A voz de Damon soou como ferro. “Este vínculo foi ratificado sob falso testemunho.”
A cabeça de Mira levantou num solavanco. “O quê?”
A palavra saiu fraca, descrente.
O Ancião Marrow se levantou num salto. “Você está acusando o conselho de fraude?”
“Estou acusando o seu conselho”, disse Damon, “de selar uma linhagem que vocês não compreendem.”
Um murmúrio explodiu pelo salão.
Mira o encarou, com todos os pensamentos colidindo ao mesmo tempo. Falso testemunho? Linhagem? Do que ele estava falando? Seu pai morreu quando ela era pequena. Sua mãe nunca falava do noivado, além de repetir que dever era dever. Ela foi ensinada a obedecer como se fosse uma prece. Ela suportou a espera, os sussurros, a humilhação de não se transformar, porque acreditava que havia pelo menos uma coisa em sua vida que era certa.
Agora, Damon estava destruindo essa certeza diante de todos.
O controle de Lorde Aldren começou a rachar. “Você não tem autoridade para interferir.”
“Eu tenho autoridade suficiente”, disse Damon, “para impedir que você coloque as mãos em uma mulher marcada por uma mentira.”
A última palavra caiu como um golpe.
Marcada por uma mentira.
Mira sentiu o bracelete subitamente pesado, feio, como uma corrente.
O Grande Vidente levantou-se, com as palmas das mãos espalmadas. “Isso é um ultraje. A garota pertence à Casa Vale por lei.”
“Então apresente a lista de testemunhas”, disse Damon, “e explique por que ela inclui um homem morto.”
Um silêncio chocante.
Mira prendeu a respiração. Homem morto?
Ela olhou de Damon para os anciãos e, pela primeira vez em anos, viu pequenas rachaduras na história polida que lhe tinham contado. Marrow não encontrou seus olhos. A boca do Vidente estava contraída. A expressão de Aldren tinha ido além da raiva, transformando-se em algo mais frio.
Medo.
Não por ela.
Por ele mesmo.
O estômago de Mira revirou.
“Saia do estrado”, disse Aldren, com a voz cortante de tanto esforço. “Você está fazendo um espetáculo.”
Damon, em vez disso, deu um passo à frente.
A distância entre eles desapareceu.
Mira deveria ter desviado o olhar. Ela não conseguiu. A presença dele preenchia o espaço ao pé do estrado, toda linhas rígidas e violência contida, e cada instinto nela parecia se inclinar para ele, enquanto sua mente gritava para que ela se afastasse.
“Espetáculo?”, murmurou Damon. “Você colocou uma mulher de joelhos e chamou isso de cerimônia.”
Sua voz tinha baixado, rouca por algo mais sombrio.
Mira sentiu isso como uma mão contra sua espinha.
As narinas de Aldren dilataram. “Ela é minha por contrato.”
O olhar de Damon cortou Aldren com uma calma letal. “Ela está pisando em terreno emprestado enquanto você mente sobre os termos. Isso faz com que ela não pertença a ninguém.”
O salão ficou tão silencioso que Mira podia ouvir o chiado das tochas.
Então, um dos guardas do conselho lá no fundo se moveu, alto demais. Metal raspou. Ela viu movimento perto da galeria lateral, viu duas figuras desconhecidas em mantos cinzentos escorregarem entre os pilares.
Não era da alcateia.
Seus instintos gritaram antes que sua mente pudesse processar.
“Damon...”, ela começou.
Tarde demais.
Um assobio cortou o ar.
Algo atingiu a pedra ao lado do estrado com um estalo metálico agudo e explodiu em uma nuvem de pó escuro.
Suspiros ecoaram. Lobos rosnaram. As tochas de fogo-de-lobo brilharam em verde, depois enfraqueceram.
Veneno.
A visão de Mira ficou embaçada nas bordas enquanto o salão entrava em caos. Alguém gritou pelas portas. Outra voz berrou para proteger os anciãos. Cadeiras foram derrubadas. A música morreu no meio da nota com um guincho terrível e dissonante.
Uma mão bateu em sua cintura e a puxou para trás.
Mira atingiu um peito rígido enquanto o mundo girava.
Damon.
Ele a tirou do estrado antes que ela pudesse assimilar o movimento, com um braço travado ao redor de sua cintura e o outro a protegendo atrás de seu corpo enquanto ele se virava para enfrentar o salão. A capa dele se moveu ao redor das pernas dela, envolvendo-a no calor e no cheiro de chuva e fumaça.
Outra explosão estilhaçou perto da mesa do conselho. Um dos anciãos gritou enquanto vidro negro se espalhava pelo ar.
O pulso de Mira batia tão forte que ela mal conseguia ouvir qualquer outra coisa.
“Fique abaixada”, ordenou Damon.
O comando deveria tê-la deixado irritada.
Em vez disso, ele deslizou sobre sua pele, hipersensível pelo terror e pelo fato impossível de estar sendo segurada contra ele. Ele era sólido em toda parte, inabalável e vivo. Suas costas pressionavam a linha rígida do peito dele. O braço dele era ferro ao redor de sua cintura.
Perto demais.
Perto demais mesmo.
E, ainda assim, uma parte traiçoeira de seu corpo já tinha decidido que aquilo era segurança.
Não. Não, ela não estava pensando nisso.
Uma figura de manto cinzento avançou das sombras perto da parede lateral, com uma adaga erguida. Damon girou com uma velocidade que roubou o fôlego de Mira. Ele a empurrou para baixo, atrás da base esculpida do estrado, e enfrentou o atacante de frente.
O aço brilhou.
O salão tornou-se um borrão de movimento — gritos, rosnados, taças derrubadas, o som de corpos colidindo. Mira atingiu o chão com força suficiente para tirar o ar de seus pulmões. Ela sentiu gosto de poeira e sangue onde tinha mordido o lábio. Por um segundo terrível, ela só viu botas, sombras e o flash de prata.
Então, uma mão fechou-se ao redor de seu pulso.
Ela se sobressaltou, com o pânico crescendo.
Um estranho a puxou em direção ao corredor lateral.
Mira gritou e chutou, atingindo algo sólido. O aperto apertou a ponto de deixar marcas.
“Fique quieta, garota”, sibilou uma voz.
Não era da alcateia.
Seu coração travou.
Ela arranhou a mão que a segurava. O estranho praguejou. No caos, ninguém viu. Ninguém...
Um rosnado baixo ecoou pelo salão, tão profundo que parecia vir do próprio chão.
O aperto desapareceu.
O estranho atingiu a parede com força suficiente para rachar o gesso.
Mira recuou, ofegante, e olhou para cima.
Damon estava sobre o homem, com uma das mãos enterrada no manto cinzento na garganta dele, levantando-o do chão. Os pés do atacante chutavam inutilmente. A expressão de Damon estava despida de qualquer restrição agora, de qualquer política, de qualquer cerimônia. Ele parecia algo antigo e implacável.
“Quem enviou você?”, ele perguntou.
O homem cuspiu sangue.
O maxilar de Damon se contraiu e, no mesmo movimento, ele bateu o homem contra a pedra com força suficiente para fazer a sala tremer.
Mira se encolheu, apesar de si mesma.
A cabeça dele se levantou. Seu olhar encontrou o dela instantaneamente através do caos, fixando-se com tamanha intensidade que parecia impossível respirar.
“Você está ferida?”
Não deveria importar que ele perguntou.
Mas importava.
Seus lábios se abriram, mas nenhum som saiu.
Ao redor deles, o salão estava desmoronando. O conselho estava se dispersando. Guardas estavam sacando armas. Alguém tinha acionado o selo de emergência nas portas laterais, e barras de ferro estavam caindo no lugar com um clangor ensurdecedor.
Uma armadilha.
Mira viu tudo com uma clareza horrorizada.
O veneno não era o ataque.
Era apenas a distração.
O rosto de Damon mudou quando ele percebeu a mesma coisa. Ele empurrou o atacante inconsciente para o lado e girou bruscamente em direção ao estrado.
Em direção a ela.
“Mira”, disse ele, e agora havia algo diferente em sua voz.