O Mundo de Camz

Summary

A vida de Camila está uma bagunça! A namorada a traiu com a vizinha, seu carro passa mais tempo na oficina do que com ela e sua chefe vive trocando seu nome. Recém-formada em jornalismo, ela trabalha como recepcionista na renomada Fatos&Furos. Mas, em tempos de internet e notícias instantâneas, a revista enfrenta problemas e o quadro de jornalistas diminuiu drasticamente. É assim que a coluna do horóscopo semanal cai no colo dela. Embora não tenha a menor ideia de como fazer um mapa astral e não acredite em nenhum tipo de magia, Camila aceita o desafio sem pestanejar. Afinal, quão complicado pode ser criar um texto em que ninguém presta atenção? Mas a garota nem desconfia dos perigos que a aguardam e, entre muitas confusões, surge uma indesejada, porém irresistível paixão que vai abalar o seu mundo. O romance perfeito se não fosse com a garota errada. Sem saída, Camila terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia: o amor.

Genre:
Romance / Humor
Author:
Asuka
Status:
Ongoing
Chapters:
4
Rating:
n/a
Age Rating:
18+

Capítulo 01

Eu odeio meu trabalho! Eu odeio minha chefe! Eu odeio minha vida!

Ah, eu também odeio segundas-feiras.

Existem pessoas que têm sorte e conseguem trabalhar naquilo que gostam. E existem pessoas como eu, que chegaram perto, mas tão perto, que quase tocaram o sonho, só para vê-lo evaporar feito fumaça.

Onde é que eu estava com a cabeça quando pensei que trabalhar na revista Fatos&Furos fosse a melhor coisa do mundo? Tudo bem que eu tinha acabado de sair da faculdade e a grande redatora-chefe Lauren Jauregui era uma deusa entre os estudantes de jornalismo e isso me incluía, de modo que trabalhar com ela era uma espécie de sonho coletivo. Se ao menos eles soubessem quem é a verdadeira Lauren...

Soltei o ar com força, equilibrando o celular entre o ombro e a orelha enquanto ligava o computador arcaico sobre a minha mesa, posicionada na entrada da revista, em frente a um painel repleto de capas antigas da Fatos&Furos. As instalações ali não eram grandes. A antessala, onde eu fora exilada, contava apenas com uma mesa, uma cadeira rosa e o imenso painel. O coração da revista funcionava numa sala espaçosa dominada por diversas mesas. A copa era minúscula e só comportava uma pessoa de cada vez. E havia ainda a sala da Lauren, a única que tinha um pouco de privacidade, apesar da janela alta com visão total da redação.

Eu sabia que estava de mau humor, mas quem poderia me culpar?

Qual é a probabilidade de você encontrar a garota que te traiu durante meses com a vizinha em uma cidade com quase dez milhões de habitantes? Uma em um zilhão?

Claro que, com a sorte que eu tinha, eu toparia com ela. E é evidente que a Hailee estaria linda e radiante, os cabelos escuros ligeiramente ondulados bem-comportados, os olhos castanhos, o mesmo com carisma e de sapato novo, e eu obviamente não estaria em um dos meus melhores dias, estava chovendo, e meus cabelos cacheados se revoltavam ao menor sinal de umidade. E era por isso que eu evitava a todo custo chorar em público.

“Me dá mais uma chance, Camila. Eu mudei!”, ela implorara um pouco mais cedo, em frente ao prédio de fachada cinzenta no centro da cidade, onde eu trabalhava. Era mais fácil acreditar que palestinos e israelenses dariam as mãos e dançariam nus em volta da fogueira de Beltane, na Escócia, do que em qualquer coisa que aquela canalha dissesse. De modo que soltei um sonoro e altivo “Me esquece, porra!” e a deixei falando sozinha.

Eu ficara tão zangada que podia matar qualquer um que se atrevesse a me olhar por mais de dois segundos, então passei a mão no celular e liguei para minha amiga antes que pudesse voar sobre um dos engravatados que trabalhavam no andar debaixo do da revista, em um escritório de advocacia, e que me lançavam sorrisinhos idiotas enquanto entrávamos juntos no elevador.

Normani atendeu no segundo toque e eu fui contando tudo aos trancos ao seguir rumo ao oitavo andar.

— Eu não acredito que a Hailee teve a cara de pau de te procurar de novo, Camila — minha amiga comentou, indignada. — Quando essa garota vai cair na real e perceber que você tá muito melhor sem ela? Qual foi a mentira que ela contou dessa vez?

— As mentiras de sempre. Disse que não foi culpa dela, que quando se deu conta a mão já estava no decote da Samara, que foi um acidente e que não passou de uma única vez.

— Você não caiu nessa, né?

— Era só o que me faltava, Mani! — reclamei ao celular. — Não acredito no que a Hailee diz faz tempo.

— Ah, graças a Deus! Fiquei com medo de que você tivesse uma recaída e me obrigasse a te manter em cárcere privado para não fazer nenhuma bobagem.

Eu ri. A Normani era a melhor amiga do mundo, e também minha colega de quarto, por assim dizer. Dividíamos o apartamento havia cinco anos. Nós nos conhecemos quando moramos na mesma república, eu cursava jornalismo e ela, arquitetura. Ela era engraçada, sempre me entendia e era a única pessoa que, vez ou outra, usava palavras como “inócuo”, “acurado”, “loquaz”, “incólume” e esse tipo de coisa que ninguém nunca usa sem parecer idiota. Eu me apaixonei por ela — não, não desse jeito! — imediatamente.

Minha amiga estava se dando bem na vida, conseguira uma vaga na renomada Oliver Design como estagiária anos antes e acabou sendo efetivada, além de se tornar assistente do figurão. Normani planejava em breve assumir alguns projetos sozinha. Enquanto isso, eu seguia em meu emprego medíocre.

— Escuta só essa — eu continuei, girando de um lado para o outro na cadeira rosa. — A Hailee disse que esses últimos três meses foram horríveis e que sente muito a minha falta. E que ela acha que a gente pode superar isso tudo.

— Talvez ela possa mesmo — concordou Normani, — mas você não.

— Não levo muito jeito pra mulher de malandra. Eu queria tanto bater nela quando ela disse que ainda me amava que a minha mão chegou a coçar.

Tá legal, parte de mim, aquela parte idiota e romântica que acredita em finais felizes e que chocolate diet não engorda, quis acreditar nela. A gente foi feliz juntas... Isso é, antes dela começar a me trair com a vizinha e tal... Além do mais, dois anos de relacionamento tinham que ter significado alguma coisa. Antes de eu flagrá-la se enroscando com a Samara, a vizinha balzaquiana de pernas longas e gigantescos (e olha que não é despeito não, mesmo os meus seios sendo quase inexistentes), eu chegava a me perguntar se daríamos o próximo passo em breve, talvez morar juntas por um tempo. Mas eu não conhecia a verdadeira Hailee. O fato dela ter tido uma amante por mais de seis meses e eu nunca ter desconfiado de nada era prova disso.

— Ela é uma grande idiota, simples assim — Normani resmungou ao telefone.

— É, é sim, e eu... — A porta dupla de vidro se abriu e bateu com uma pancada surda. — Ai, droga, a demônia nerd chegou. Preciso desligar! Tchau, Mani!

Minha chefe, também conhecida como demônia nerd, cão chupando manga e babaca sem noção e isso tudo nos dias bons, entrou na redação e lançou seu tradicional:

— Bom dia, Luna.

Eu cheguei a pensar que fosse explodir como uma lata de refrigerante quente sacudida ao vê-la passar em frente à minha mesa.

Na recepção.

Eu era a porcaria da secretária da redação. Condenada a anotar recados havia cinco meses. Eu, jornalista por formação, era uma reles menina de recados.

Eu odiava a minha vida. Odiava ainda mais minha chefe idiota que nem sabia meu nome.

Lauren Eu-Sou-Foda Jauregui, uma mulher totalmente desprovida de simpatia e de senso de moda, achava que o mundo devia obedecê-la sem questionar.

Ninguém jamais ousava contrariar uma de suas decisões, às vezes o Justin contestava, mas enfim, nem quando ela estava errada. E, bem, a grande Lauren Jauregui nem sempre estava certa, como ficou evidente na última edição da Fatos&Furos, quando na reunião de pauta ela sugeriu, na tentativa, segundo ela, de tornar a revista mais ousada, que a Ariana, a repórter responsável pela coluna de comportamento sexual, escrevesse um artigo sobre sexo sado na terceira idade. Ela só se deu conta de que a matéria não seria bem recebida depois que a ruiva tomou guarda-chuvadas de uma vovó na portaria da revista.

Eu teria dito a ela que a ideia era ruim se tivesse tido a chance, mas, depois da embaraçosa entrevista de emprego, eu nunca mais lhe disse nada além de “bom dia, Lauren”, ao que ela respondia “bom dia, Luna”. O que era totalmente compreensível. Eu era apenas a garota da recepção, afinal, e ela, a redatora-chefe.

Quem se importaria com o nome da telefonista? O fato de eu odiá-la com todas as minhas células não poderia mudar, ainda que ela acertasse meu nome.

Lauren era alta, curvas nos lugares certos, apesar de parecer um pouco estranha demais sob as camisetas estranhas, e tinha um rosto forte e marcante. Se ela não fosse quem era, a chefe idiota que nunca acertava meu nome, eu até a acharia bonita. Mas tinha os óculos. Eu odiava aqueles óculos! Eram grandes, pretos e fora de moda havia pelo menos uns dez anos. Isso sem mencionar que, para uma redatora-chefe renomada, Lauren parecia uma indigente. Quando não estava vestindo uma camiseta com estampas esdrúxulas, esculhambava com moletons, a camiseta que tinha um teclado de computador estampado era a melhorzinha. O que nunca variava eram os jeans. Todos iguais, cortes tradicionais combinados com os coturnos pretos. Eu nunca tinha visto seus cabelos penteados desde que começara a trabalhar ali. Eles apontavam para todas as direções de um jeito estranho, como se ela acordasse e simplesmente os deixasse daquele jeito.

— Bom dia, Lauren — respondi, para não quebrar o roteiro.

— Quero todo mundo na sala de reuniões em vinte minutos — anunciou ela, com o tom grave e autoritário de sempre.

— Certo, mas nem todo mundo chegou ain...

— Eu disse vinte minutos.

Se um meteoro atingisse a Terra, me peguei pensando, será que haveria alguma possibilidade de cair, digamos, bem na cabeça da minha chefe?

Vinte e cinco minutos e sete telefonemas histéricos depois, consegui acomodar toda a equipe da Fatos&Furos na sala de reuniões fria e impessoal, porém bem iluminada graças à imensa vidraça que ia de uma parede a outra. As paredes nuas e brancas contrastavam com as cadeiras negras, a longa mesa de madeira cor de mel dominava todo o espaço, e, no canto, um quadro branco se equilibrava sobre um tripé metálico, no qual se lia, em tinta azul, a pauta da semana.

A equipe de jornalistas encolhera recentemente. Naquela quarta-feira e devo ressaltar que Lauren havia mudado o roteiro, porque as reuniões sempre aconteciam às segundas e quintas-feiras, o quadro de repórteres se resumia a Justin Bieber, o queridinho do chefe; Demetria Lovato, que conseguia flagrantes de celebridades com a mesma rapidez que conseguia processos judiciais; Júlia Lisboa, a garota por trás da coluna de cultura e estilo de vida; Ariana Grande, que escrevia sobre sexo e tudo o que se relacionasse ao tema; Karen Pestana, que sempre descolava uns produtos de beleza bem bacanas com os anunciantes de sua coluna de moda e beleza; e Zayn Malik, o designer gráfico caladão que passava o dia com a cara enfiada na tela do computador ou nos panfletos que Ariana recebia de algum sex shop.

Eu estava organizando os copos de água mineral sobre a mesa quando Lauren entrou, batendo a porta branca atrás de si.

— Muito bem, vamos resolver essa merda de uma vez.

Assustada, derrubei um dos copos ao som de seu rugido, ainda bem que estava lacrado. Infelizmente apenas o copo permanecia assim, mas lacrar a boca do Lauren era um sonho que eu acalentava com carinho durante os últimos cinco meses.

Eu pretendia sumir dali rapidinho, como sempre, mas, quando me movi rumo à saída, dei de cara com a Lauren. Ela me lançou um olhar frio por sobre os óculos, de modo que achei melhor ficar no fundo da sala, colada à parede.

Tá legal, eu não era a pessoa mais corajosa do mundo.

— Convoquei essa reunião de emergência para deixá-los a par das mudanças ocorridas de ontem para hoje. — E falou sobre a perda de dois grandes profissionais devido aos recursos financeiros escassos de que a revista dispunha.

Soraia, a menina do horóscopo, aceitara a proposta de um grande jornal de circulação nacional, e Cleber, o fotógrafo-faz-tudo, tinha debandado para a principal concorrente da Fatos&Furos, a revista Na Mira. E Lauren estava furiosa com isso.

— Eles receberam propostas que não pude cobrir — Lauren continuou, fitando cada rosto. Exceto o meu, claro. — Se alguém aqui está pensando em seguir os mesmos passos, que fale agora mesmo.

Ninguém abriu a boca.

— Sempre fui honesta com vocês e pretendo continuar assim. Estamos sem caixa. O número de assinaturas estagnou. As vendas nas bancas subiram apenas três por cento no último trimestre. Esta revista estava prestes a fechar as portas quando assumi o cargo de redatora-chefe, e com muito esforço conseguimos tirar a Fatos&Furos do buraco. Só que ainda não chegamos lá! Alguns anunciantes estão passando por dificuldades e não renovaram os contratos. Vamos ter que batalhar por novos patrocinadores. As próximas edições serão cruciais para nós. Não haverá novas contratações.

— Como assim? — Demi perguntou, retorcendo com o indicador uma mecha do cabelo liso e castanho.

Os lábios de Lauren se transformaram numa linha pálida.

— Pensei que tivesse sido clara, Demi. A equipe se resume aos que estão nesta sala.

Por um momento, cheguei a pensar que ela estava me incluindo. Mas não. Lauren nem sequer notava minha presença ali no fundo, de pé.

— De agora em diante — ela prosseguiu, cada um de nós desempenhará mais que a própria função. Vamos nos adaptar e tentar sobreviver até que os investidores renovem os contratos e as vendas melhorem. Não vou mentir. Nosso rabo está na reta.

Justin, o cara mais fera no que se relaciona a cenário político, resmungou:

— É só uma crise, vai passar.

— Sim, é o que todo mundo diz. A população está cortando gastos supérfluos, e isso inclui assinaturas de revistas. Com a internet trazendo notícias em tempo real, eu duvido que ainda tenhamos meios de comunicação impressos em trinta ou quarenta anos. — Seus olhos focavam cada rosto naquela sala enquanto ela falava.

Menos o meu, claro. Não sei nem por que eu ainda me dava o trabalho de notar essas coisas. — Estou trabalhando para modernizar a Fatos&Furos, e em breve lançaremos a revista digital, mas, até que isso aconteça, temos um problema mais imediato a sanar do que a extinção de revistas e jornais. A extinção do nosso emprego.

Engraçado como ela sempre incluía a equipe toda nos problemas. Era sempre “nós” isso, “nós” aquilo, nunca “eu”.

Uma bagunça generalizada se instalou. Todos falavam juntos.

— Não posso fazer as entrevistas e as fotos ao mesmo tempo. — Justin coçou a cabeleira.

— Já contratei uma freelance, Justin — explicou Lauren. — É tudo o que podemos pagar no momento. Ela deve aparecer por aqui amanhã e vocês se acertam. Júlia, sua coluna tem recebido boas críticas. Tenho certeza que você pode melhorar ainda mais.

— Parece que o meu melhor nunca é o bastante — ela resmungou e soltou um suspiro.

— Exato! — confirmou Lauren. — Agora um de vocês terá que assumir o horóscopo.

— Ah, cara, tô fora — Justin avisou. — Não vou escrever aquela merda.

— Nem eu. De jeito nenhum. — Demi cruzou os braços.

Todos os repórteres começaram a se esquivar, alegando compromissos, falta de tempo, de conhecimento e blá-blá-blá, até que a Lauren perdeu a calma.

— Fiquem quietos! Um de vocês vai assumir a porra do horóscopo!

— Por que você mesmo não faz isso? — Justin sugeriu, com um sorriso sádico.

Ele era o único que se atrevia a enfrentar a Lauren, pois era o bem mais precioso da revista e sabia disso. Justin fazia o tipo bonito e paquerador e era o dono da banca de apostas da redação. Não que a Lauren soubesse qualquer coisa a respeito das apostas. Justin fora o grande trunfo contra a falência da revista. Lauren insistira que precisávamos de uma coluna sobre política, que mulheres inteligentes acompanhavam os acontecimentos importantes do cenário político, e não apenas as novas tendências de moda da estação. Era esse o nosso diferencial em relação a outras revistas femininas. De fato, as vendas começaram a subir.

— Você também é jornalista, Lauren. E das boas! — Justin acrescentou.

O olhar que Lauren lhe lançou me fez encolher os ombros, mas Justin permaneceu impassível.

— Alguém tem que acalmar os anunciantes que ainda temos, fazer com que não caiam fora, arranjar novos investidores. E isso me toma muito tempo, Justin.

— A Camila é jornalista — falou Júlia, me fazendo ficar em posição de alerta no mesmo instante. — Recém-formada, mas é. Por que você não dá uma chance para a menina? Ela é esperta. — E a garota minúscula de cabelos ao estilo joãozinho e rosto de fada me lançou um sorriso meio torto. Eu adorava a Júlia. — Ela pode se sair bem.

— De quem você tá falando? Quem é Camila? — perguntou Lauren, fitando-a como se ela tivesse falado japonês.

Tá legal, Deus, se você fizer com que aquele meteoro caia na cabeça da Lauren neste minuto, eu prometo não comer chocolate durante... um mês. Inteirinho!

Eu esperei e, como Deus não fez a parte dele, usei a imaginação para atingir a cabeça despenteada da minha chefe com pedras de tamanhos variados.

— Lauren, é a garota ali na parede te olhando com cara de assassina — Justin sussurrou e riu ao mesmo tempo, apontando para mim com o indicador.

Lauren se virou e me avaliou da cabeça aos pés, como se só então percebesse a minha existência.

— Não, essa é a Luna.

Maravilha! Duplamente humilhada na frente de todos.

— Humm... Não... — falei devagar. — Eu sou a Camila.

Sua testa vincou. Ela olhou ao redor em busca de confirmação. Quando Justin assentiu, as bochechas da chefe assumiram um tom rosado.

Lauren estava corando? Eu nem sabia que ela era capaz disso. De sentir vergonha, quero dizer.

— E por que você me deixou continuar te chamando pelo nome errado? — me perguntou, irritada.

— Porque quero uma chance na revista. Se preferir, pode continuar me chamando de Luna, desde que me dê alguma coisa além de recados para escrever.

Sua testa se franziu de leve.

— Você sabe alguma coisa de horóscopo?

— Mais ou menos...

— É o suficiente. Você fica com o horóscopo. — E, se voltando para o Justin, acrescentou: — Quero uma matéria de primeira linha até o fechamento da edição. Faça jus ao salário astronômico que te pagamos.

Justin respondeu alguma coisa, mas eu já não ouvia mais nada.

Eu tinha uma coluna.

Eu tinha uma coluna!

Tá legal, não era lá grande coisa criar o horóscopo, mas era um começo. O fato de eu não saber, entender ou acreditar em nada referente a astrologia era totalmente irrelevante. Eu iria escrever e não seriam recados. Eu teria meus textos publicados!

Ai, meu Deus!
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