O Fisioterapeuta (Portugues - BR)

Capítulo 12 - Vida normal (tentativa 1)

Um ano e meio havia passado do acidente e Krist estava mais uma vez, junto com Singto, a caminho do hospital. Dessa vez iria receber os resultados dos seus últimos exames, e, se tudo estivesse bem, receberia alta definitivamente do Dr Pete. Além dos exames terem mostrado que tudo estava bem, a fisioterapia tinha sido um sucesso total; Krist se encontrava em plena forma física e mental. A única coisa que não tinha voltado foi a lembrança do acidente. Segundo Dr Pete, este tipo de ocorrência é bastante normal em acidentes que envolvem pancadas na cabeça e Krist deve estar ciente que talvez nunca lembre de como o acidente ocorreu. Com tudo esclarecido, Krist recebeu alta do Dr Pete. Os dois homens saíram do consultório médico rindo como crianças. Hoje, teriam muito para comemorar. Krist ligou para seus pais convidando-os para jantar com ele, Singto e Myna.

O jantar foi muito animado e todos estavam felizes. Krist olhava emocionado para cada integrante de sua família que estava sentado à mesa. Muitas coisas mudaram na vida de todos. O acidente que ceifou a vida de Anong também foi o mesmo que lhes deu novas oportunidades. Os pais ganharam um novo filho e uma neta. Um bebê ganhou um novo pai, uma tia, primos e novos avós. Um dos homens ganhou uma filha e o outro ganhou novos pais.


XX/XX/XXXX

Hoje fui ao hospital fazer minha última consulta. Os exames deram todos normais e recebi alta definitivamente. Só não tenho lembranças ainda do acidente, mas o Dr Pete falou que talvez eu nunca lembre totalmente. Shing falou que tínhamos que comemorar. Estava tão feliz quanto eu. Pegamos Myna em casa, convidamos nossos pais, e fomos todos jantar fora. Achei romântico demais, parecíamos um casal com filho e acompanhado dos pais lol lol lol lol lol, eu via os olhares das pessoas em nossa direção, mas não me importei nem um pouco com isso e eles também pareciam não se importar. Só de estar na companhia deles já estava valendo a pena. Os olhos de Shing não paravam de brilhar... ele estava lindo demais!! Quando ele me olha e sorri pra mim eu sinto que meu coração quer sair pela boca. Não sei como nem quando aconteceu, mas acho que estou apaixonado pelo Shing!!!!!! Acho que, quando Anong mandou eu abrir meu coração e aproveitar a chance, ela devia estar se referindo a eu me abrir ao amor de Shing.


Tudo parecia caminhar em ordem, exceto o coração de Krist. As palavras de Prae ficavam ricocheteando em sua cabeça: “se você sentir que pode haver algo entre vocês, uma chance que seja, permita-se amar e ser amado”, assim como as palavras de Anong: “Abra seu coração. Não desperdice essa chance” e as de Myna: “ele te ama e está sofrendo”. Ele não sabia como, mas tinha que deixar Singto saber dos seus sentimentos. Após algumas pesquisas na internet para saber o que fazer, decidiu que o mais simples geralmente é o mais seguro.

Quando Singto chegou da clínica, encontrou a mesa posta para três e a casa com um suave e delicioso cheiro de incenso. Krist estava brincando com Myna no terraço. Ele não sabia dizer o quê, mas o semblante de Krist estava diferente do normal. Seu rosto estampava um sorriso que destacava suas covinhas, deixando-o mais iluminado que o normal. Enquanto Singto falava com Myna, Krist pediu que ele fosse tomar banho para que pudessem relaxar durante e após o jantar. Mesmo sem entender o motivo, Singto disse que faria como ele estava pedindo e foi tomar seu banho.

Após terminar o banho e se arrumar confortavelmente, Singto se dirigiu novamente ao terraço para encontrar com Krist e Myna e mais uma vez foi surpreendido pelo sorriso de Krist, que se levantou e enquanto caminhava pra sair do terraço falou pra ele:

- Você pode ir acomodando nossa filha na cadeirinha dela enquanto eu sirvo o jantar?

- Claro! Respondeu Singto com um sorriso que ia de orelha a orelha. Sempre que ouvia Krist chamar Myna de nossa filha, seu coração palpitava. Ele não dizia minha filha ou sua filha, era nossa filha. Isso enchia o coração de Singto de esperança.

O jantar ocorreu do jeito que Krist havia programado, com um menu de comidas simples e um vinho tinto. Tudo para agradar o paladar de Singto. Os dois se divertiam enquanto conversavam e alimentavam Myna. Quando o jantar terminou, Krist pediu que Singto ficasse tomando conta de Myna enquanto ele tirava e arrumava a mesa. Singto quis protestar, mas ele disse que já tinha passado o dia todo com a menina e que era a vez dele de aproveitar esse tempo pra curtir a garotinha.

Enquanto Myna brincava na sala, levando seus brinquedos de um homem pro outro, eles continuam bebendo e conversando e Krist relembra do que ocorreu no dia do cemitério e das lembranças que ele trouxe à tona. Até que Myna se senta no colo de Singto e esfrega seu rostinho em seu peito, se preparando pra dormir. Com a desculpa de deixar o ambiente mais agradável para Myna dormir, Krist diminuiu a luz da sala. Aproveitou para criar um clima mais romântico, além de tentar não mostrar constrangimento durante a conversa na hora que falou que quando Myna empurrou ele para fora do quarto era porque seu anjo estava sofrendo.

- E estava mesmo. Eu quase perdi a esperança que você acordasse! No dia que você acordou eu estava muito triste e tinha chorado bastante, mas nunca ia desistir de cuidar de você. Falou Singto enquanto se levantava para levar Myna, que já estava dormindo em seus braços, para o seu quarto.

- Cuidado com o que você fala. Se P’Prae ouvisse você falando assim ia enlouquecer e me provocar muito. Quando ela esteve aqui, depois do aniversário de Myna, me disse que você estava apaixonado por mim. Falou Krist!

- E se eu estiver? Singto deixou a pergunta no ar enquanto saía da sala e deixava Krist sozinho.

Quando retornou à sala, encontrou Krist em pé ao lado da estante. Estava colocando uma música lenta. Virando-se em sua direção, estendeu sua mão e falou com uma voz suave:

- Me dá o prazer dessa dança, Sr Shing Prachaya?

Singto caminhou em sua direção com um enorme sorriso estampado no rosto. Naquele instante, ele estava vendo seu sonho se realizar: Krist estava retribuindo o seu amor. Quando Krist segurou sua mão, ele foi puxado lentamente para junto dele, até que seus corpos tenham ficado juntos. Sem soltar sua mão, Krist passou seu outro braço ao redor da cintura de Singto e, encostando sua cabeça no pescoço de Singto, começaram a deslizar ao ritmo da música. Com medo que Krist estivesse sob efeito do álcool, Singto perguntou:

- Kit, por acaso você sabe o que está fazendo?

- Se você está com medo de que eu esteja bêbado, minha resposta é não. Não estou bêbado. Respondeu Krist enquanto ia movendo sua cabeça pelo rosto de Singto

- Talvez um pouco animado, mas não bêbado. Suas testas já estavam coladas, seus narizes roçando.

- Eu sei bem o que estou fazendo! E como Singto não fazia nenhum movimento para desviar seu rosto, Krist foi aproximando seus lábios dos de Singto.

- Eu sei o que eu quero! Falou colando seus lábios aos de Singto, que, não aguentando mais, invadiu a boca de Krist com sua língua, numa luta frenética. Até que, quando se separaram para tomar ar, Singto falou quase sem pensar:

- Eu te amo, Kit! Você não sabe a quanto tempo eu esperei por isso!

- Eu sei! Respondeu Krist. E hoje quero te mostrar toda minha gratidão. Continuou Krist, partindo para beijar Singto mais uma vez quando sentiu a mão de Singto empurrando seu peito e se soltando dele.

- GratIDÃO? Perguntou Singto. GRATIDÃO? Perguntou novamente elevando sua voz, pegando Krist de surpresa.

- Não, Shing! Você... Tentou falar Krist

- EU NÃO QUERO A PORRA DA SUA GRATIDÃO! Falava Singto quase aos gritos, sem deixar Krist falar nada. Você pensa que eu sou o quê? Você acha que eu estou comprando você? Que eu fiz o que fiz esperando algo em troca? Você realmente não me conhece, Krist Perawat. Você pode pegar a porra da sua gratidão e.... e... faça bom proveito dela! Nesse instante Myna começou a chorar no quarto, provavelmente sendo acordada pela altura das vozes. Ainda nervoso, Singto olhou pra ele e continuou:

- Sua filha está chorando. Acho que você deve ver o que ela quer! Dando as costas e, em seguida, indo em direção ao seu quarto.

Pego de surpresa, Krist simplesmente congelou e não conseguia falar nada. Singto nunca o havia chamado de Krist. Ele tinha que se explicar, mas quando Myna chorou mais uma vez, ele correu para o quarto para pegar a menina. Enquanto embalava a garotinha em seus braços, ele ouviu o barulho da porta da sala sendo aberta e depois fechada com outra forte pancada. Nesse instante, lágrimas começaram a cair de seus olhos. Singto tinha entendido tudo errado.


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