O Fisioterapeuta (Portugues - BR)

Capítulo 13 - Vida normal (tentativa 2)

Naquele fim de semana, Singto não voltou pra casa nem atendeu as ligações de Krist. Na segunda feira ele também não compareceu à clínica. Apenas ligou dizendo que tiraria alguns dias de licença e que suas consultas fossem repassadas para outros profissionais. Mesmo sem querer envolver sua mãe em seus problemas, Krist não teve outra opção a não ser ligar pra ela, quando, uma semana depois, ele continuava sem notícias ou qualquer contato de Singto. Ele precisava desesperadamente do apoio dela.

Quando a Sra Marila chegou na casa de Krist, encontrou o homem incrivelmente abatido. Com olheiras profundas, olhos vermelhos e inchados, além de ter perdido bastante peso. Se ela não o conhecesse seria capaz de dizer que ele tinha sofrido um acidente ou estava bastante doente. Era visível o sofrimento pelo qual Krist estava passando. Ela caminhou até ele puxando-o para um abraço, o que fez ele chorar ainda mais.

- Shhhh! Não chore, meu filho. Vai ficar tudo bem! Falou a Sra Marila enquanto esfregava as costas de Krist numa tentativa de consolá-lo

- Ele me odeia. Ele não atende minhas ligações nem responde minhas mensagens. Falou Krist, tentando controlar o choro.

- Ele está magoado! Só precisa de um pouco de tempo. Falou a Sra Marila.

- Magoado? Ele falou o que houve? Perguntou Krist.

- Falou sim. Respondeu a Sra Marila.

- Ele também disse o que falou pra mim? Quis saber Krist. Ou ele acha que as palavras dele não me magoaram?

- Eu disse que vocês deveriam conversar, mas ele está bastante chateado. Disse a Sra Marila.

- E você está bem com isso? Perguntou Krist.

- Com vocês dois brigados? Claro que não! Respondeu a Sra Marila com uma voz bem zangada.

- Não com a briga. Falou Krist de forma tímida, com seu olhar virado para o chão.

- Ah... de vocês se tornarem um casal? Claro que estou bem. Acho que Singto não podia gostar de alguém melhor do que você. Mas vamos ser honestos, Krist. Ninguém faz uma declaração de amor dizendo que quer mostrar gratidão!

- Não, mãe! Ele entendeu tudo errado. É claro que eu sou grato. Sou grato por tudo! Sou grato por ele ter assumido a Myna, sou grato por ele ter cuidado de mim, mas, principalmente, por ele ter tido paciência em esperar que eu me apaixonasse por ele, sem nunca pedir nada em troca. Ele nem me deu a chance de terminar o que estava falando. Só fez me agredir com palavras. Quando ele insinuou que eu queria dormir com ele, como forma de pagamento, só pra agradecer o que ele fez por mim, ele me comparou a um prostituto. Eu jamais faria isso, principalmente com alguém como ele. Terminou de falar Krist, já chorando de novo.

- Oh, meu bebê! Falou a Sra Marila, dando um novo abraço em Krist e percebendo o quanto Singto foi injusto quando se precipitou no seu julgamento.

- Mãe, você me ajuda com uma coisa? Perguntou Krist.

- Claro, meu querido. O que você quiser! Respondeu sua mãe.


Quando a Sra Marila chegou em casa com Myna o Sr Krekkay e Singto correram pra abraçar a garota. De forma sarcástica, Singto perguntou:

- Ele deixou você trazer a Myna? Pensei que ele fosse usá-la para querer falar comigo.

- Não! Foi bem diferente disso! Ele falou que jamais iria separar Myna da gente. Inclusive, ele disse que se você quiser já pode voltar pra sua casa. Falou a Sra Marila jogando a chave da casa pra Singto.

- O quê é isso? Perguntou Singto.

- Não reconhece mais a chave da sua casa? Não achei que tivesse passado tanto tempo assim a ponto de não reconhecer mais a chave da sua casa. Respondeu sua mãe.

- Eu sei que é a chave de casa, mas porque você está me devolvendo? Questionou Singto enquanto olhava para sua mãe de forma indagadora.

- Simplesmente porque Krist não vai mais precisar dela. Ele está indo embora de Phuket. Eu o deixei no aeroporto. Respondeu sua mãe.

- Como assim? Ele não pode ir embora! Falou Singto.

- Claro que pode. E depois que eu o vi e conversei com ele, não tiro a razão dele em ir embora e deixar um idiota como você pra trás. Sinceramente, Singto, quando você contou o que aconteceu eu até entendi você, mesmo achando que você estava exagerando. Mas depois que conversei com ele eu tive certeza absoluta. Falou a Sra Marila.

- Mas eu não quero a gratidão dele! Retrucou Singto.

- E qual o problema dele ser grato por você ter assumido Myna? Por ter cuidado dele? Por ficar ao lado dele e esperar pacientemente enquanto ele se apaixonava por você, sem pedir nada em troca? Me diga qual o problema nisso? Sua mãe falava de maneira bastante ríspida. Nem quando ele chegou do hospital eu o vi tão quebrado, Singto Prachaya. Mas acho que isso não é mais um problema pra você. Você está livre dele. Ahh... ele também mandou avisar, que deixou tudo que você deu a ele. Ele prefere não dever tanto a você.

As palavras que sua mãe falava, machucaram o coração Singto. Nesse instante ele percebeu o quanto foi injusto com Krist. Ele tinha que fazer algo. Não podia deixar o homem que amava partir para longe dele. Imediatamente ele ligou o aparelho telefônico e começou a ligar para Krist. Nenhuma das chamadas foram completadas.

- Por favor, mãe. Pra onde ele está indo? Quis saber Singto.

- Ele está voltando para Bangkok. Respondeu a Sra Marila.

- Qual a hora do voo? Singto perguntou em seguida.

- Isso eu não sei. Apenas o deixei no aeroporto. Ele ia comprar a passagem para o próximo voo. Talvez ele já tenha até embarcado e a culpa é unicamente sua. Já que ele passou a semana inteira tentando falar com você. Respondeu sua mãe.

- Vou pra lá agora. Tenho ao menos que tentar impedi-lo.

- Se você quiser minha opinião, acho que sozinho você não vai ter muita chance. Ele realmente está muito magoado. Se quiser tentar algo, acho bom você ir preparado com uma artilharia mais pesada.

- Eu vou levar Myna comigo. Tenho certeza que ele vai ceder. Falou Singto quase como se fosse um trunfo.

- Tem certeza disso? Perguntou sua mãe. Lembre-se que ele já se despediu dela. Isso prova quanto ele está disposto a ir embora. Mas, é uma tentativa. Agora não perca mais tempo e corra pra lá, mas vá com segurança. Lembre-se que Myna está no carro com você.

Enquanto saía em direção ao aeroporto, Singto bolou um plano alternativo e ligou para seu amigo Tew que o atendeu sem muita demora.

- Meu amigo Singto Prachaya. A que devo a honra dessa ligação? Perguntou Tew.

- Eu cometi um erro enorme e, já que o orfanato é mais perto do aeroporto, estou precisando de um grande favor seu. Falou Singto sem muitos rodeios.

- Diga lá o que você deseja desse seu amigo. Falou Tew, esperando saber do que se tratava.

- É o seguinte...


Quando ouviu a chamada para o embarque do seu voo, Krist levantou-se da cadeira e pegou sua mochila com a pouca roupa que decidiu trazer. Lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto, chamando atenção de alguns passageiros. Quando começou a caminhar para o portão de embarque ele ouviu uma criança chamando seu nome enquanto corria em sua direção.

- Tio Kit! Tio Kit!

Pego de surpresa, Krist correu em direção a Fiat e ajoelhou-se para ficar da altura do garotinho. O menino envolveu seus braços ao redor do pescoço de Krist, fazendo-o chorar mais ainda.

- O que você está fazendo aqui, meu querido? Perguntou a Fiat.

- Eu vim passear com tio Tew e me perdi. Por que você está chorando? Você está triste? Está machucado? Perguntou Fiat, enquanto passava sua mão no rosto de Krist enxugando suas lágrimas.

- Não, meu bebê! Só estou feliz em ver você. Mentiu Krist, tentando parar de chorar enquanto ensaiava um sorriso.

- Eu também estou feliz que encontrei você, tio Kit. Agora não estou mais com medo! Falou Fiat com um sorriso no rosto.

- Não precisa ter medo. O tio Kit não vai deixar você sozinho, ok? Agora precisamos achar o tio Tew. Vamos lá? Perguntou Krist dando um sorriso pro lindo garotinho que não largava sua mão.

De longe, Tew sorriu vendo os dois interagindo. O plano deu certo. Fiat fez tudo exatamente como combinado e Krist iria perder o voo. Agora bastava continuar se escondendo até Singto chegar com Myna.

Enquanto procuravam por Tew dentro do aeroporto, Krist não suspeitou que fosse um plano de Singto para evitar que ele pegasse o voo. Ele não se incomodou quando percebeu que havia perdido o embarque e, consequentemente, o voo para Bangkok. Sempre teria tempo pra remarcar a passagem, quando encontrasse Tew e entregasse Fiat a ele.

Eles tinham acabado de lanchar, depois que Fiat disse que estava com fome, e já se preparavam pra sair da lanchonete quando Krist sentiu uma criança agarrar na sua perna e chamá-lo de papa. Nesse instante ele percebeu que tinha caído em um golpe de Singto. Enquanto pegava Myna nos braços, ele olhou pra Fiat e perguntou olhando direto nos olhos dele.

- Você não estava perdido, né? Vocês armaram pra cima de mim?

- Eu não sei do que você está falando tio Kit. Eu nem sei o que o tio Sing conversou com tio Tew. Respondeu Fiat de maneira bem inocente e fazendo beicinho pra Krist. Você está com raiva de mim? Quis saber Fiat.

- Não meu amor, claro que não. Respondeu Krist enquanto bagunçava o cabelo de Fiat e dava um beijo em sua cabeça. Vamos embora, acho que está na hora de ir pra casa! Continuou Krist, sabendo que ninguém iria aparecer pra pegar as crianças se ele insistisse em permanecer ali.

Os três se dirigiram para a saída do aeroporto e pegaram um taxi em direção a casa de Singto. Depois de acomodado, ele mandou uma mensagem para Singto. Disse que estava levando as crianças pra casa e que ele estivesse lá para recebê-los, já que ele não tinha mais as chaves da casa. Quando o taxi parou na frente da casa, já era noite e as duas crianças estavam dormindo, não facilitando em nada para Krist retirá-las de dentro do carro. Tanto o portão de entrada quanto a porta da casa encontravam-se abertos, mas não tinha a presença de ninguém dentro. Krist conseguiu acomodar Fiat em sua cama e depois levou Myna para o quarto dela. Quando voltou para a sala, viu que a porta estava fechada e trancada. Isso significava que Singto estava em casa. Mesmo com algumas lágrimas escorrendo pelo rosto, Krist falou tentando não demonstrar nenhum sentimento.

- Por favor, não vamos tornar isso mais difícil. Já que você está em casa, você assume as crianças daqui pra frente. Basta abrir a porta que eu vou embora.

Quando a música começou a tocar e as luzes da sala foram diminuídas, Krist não aguentou mais. Já em prantos, ele falou:

- Chega, Shing! Eu só quero ir embora.

- O Sr me dá a honra dessa dança, Kit Perawat? Perguntou Singto entrando na sala e oferecendo sua mão para Krist.

- Não, Shing. Eu não quero mais dançar com você. Eu só quero ir embora. Por acaso você tem ideia do que eu passei essa semana? Acha que uma música vai resolver tudo? Que vai apagar o que eu sofri? Ou agora você está querendo cobrar o que fez por mim? Perguntou Krist de maneira bem agressiva.

- Eu sei que mereço ouvir o que você está falando. Eu fui muito egoísta, só pensei em mim e esqueci dos seus sentimentos. Fui embora sem nem deixar você falar. Por favor, me desculpe. Falou Singto.

- Você é um idiota! Continuou Krist.

- Eu sei! Retrucou Singto, se aproximando mais um pouco.

- Eu te odeio! Disse Krist, já mais calmo.

- Eu também te amo! Falou Singto sorrindo e puxando Krist para um abraço. Prometo que se você me der outra chance, sempre vou ouvir você até o fim e nunca vou tirar conclusões precipitadas. Por favor, só não vá embora. Eu não vou aguentar ficar longe de você.

- Promete? Perguntou Krist.

- Você tem a minha palavra! Respondeu Singto, enquanto aproximava seus lábios aos de Krist.

- Outra coisa; você não tem vergonha de usar o Fiat pra me enganar? Quis saber Krist, enquanto afastava os lábios de Singto dos seus.

- Se ele não tivesse chegado a tempo, você teria desistido de viajar? Perguntou Singto.

- Não! Respondeu Krist.

- Então eu não me arrependo! Disse Singto, enquanto abria o seu sorriso e puxava Krist para um beijo apaixonado.



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