O Fisioterapeuta (Portugues - BR)

Capítulo 4 - Responsabilidades

Fazia exatamente um mês do acidente e a pequenina tinha se recuperado muito bem. Já pesava dois quilos e setecentas gramas. A garotinha iria receber alta hospitalar e a assistência social teria que arrumar um orfanato para levá-la. Essa situação deixou Singto desesperado. Apesar de tudo ter começado com o sonho, onde sua irmã pedia para ajudá-los, terminou com Singto completamente envolvido com a menina e não conseguia imaginá-la em um orfanato. Não pensou duas vezes em se oferecer para cuidar dela até que Krist se recuperasse. Como se tratava de uma pessoa bastante conhecida e respeitada na região, não foi difícil conseguir o apoio da assistência social e a autorização do Juiz para levar a criança para casa sob sua tutela. Sua vida mudou completamente a partir desse momento. Havia virado pai, mesmo que temporariamente. Saiu do hospital com uma cara de felicidade, enquanto segurava aquele pequeno ser que tanto mexia com seus sentimentos. Como não estava preparado para aquela situação, na hora que chegou em casa só tinha uma pessoa a quem ele poderia ligar pedindo ajuda. Sua mãe atendeu a ligação após o terceiro toque.


- Bom dia, meu filho! Falou sua mãe.

- Bom dia, mãe. Estamos precisando de você! Falou sem rodeios.

- Como assim: estão precisando de mim? Quem está precisando de mim? O que houve? Você está me deixando preocupada.

- Você virou vovó e agora estamos precisando de sua ajuda! Ele dizia sorrindo consigo mesmo enquanto olhava para menina em seus braços.

- Singto, meu filho. Preciso que você seja mais claro. Ainda não estou entendendo o que está acontecendo. Insistia sua mãe.

- Eu acabei de pegar a guarda da bebê que estava cuidando e vou ficar com ela até o pai dela se recuperar. Preciso que você venha aqui para a gente comprar o que for necessário.

- Estaremos aí o mais rápido possível. Respondeu sua mãe sem questionar mais nada.

Quando a Sra Marila e o Sr Krekkay chegaram à casa do filho só queriam saber onde estava sua mais nova netinha. Perguntando em seguida:

- Como é o nome dessa princesinha linda da vovó? Fazendo com que Singto arregalasse os olhos antes de responder um pouco desconfiado e com a voz mais baixa do que o normal.

- Como é um nome que eu não sabia se seria permanente, já que não foram os pais que escolheram, eu quero chamá-la de Myna. Disse, esperando ver a reação de sua mãe.

Com os olhos marejados ela olhou pra garotinha e disse:

- Acho que esse seu papai torto não podia ter escolhido um nome melhor pra você. Disse para garotinha, enquanto enchia sua barriga de beijos. Virou para o filho em seguida, deu-lhe um abraço apertado, e, enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto, sussurrou em seu ouvido:

- Quando eu penso ser impossível você me surpreender com mais alguma coisa, você arruma uma só para me deixar ainda mais orgulhosa. Eu tenho muito orgulho de você, meu filho!


Enquanto Singto ficou com Myna em casa, seus pais foram às compras e trouxeram tudo que acharam necessário para o bem estar da garota. Do berço à roupas. Compraram, também, brinquedos, comidas e alguns remédios básicos. Enquanto sua mãe cuidava da menina, Singto e seu pai montaram o berço e arrumaram o quarto da garotinha. Estava feliz assumindo a responsabilidade de cuidar de Myna, mas de uma maneira estranha, isso trouxe um misto de felicidade e tristeza para Singto. Queria que o pai dela também estivesse ali com eles. Isso não saía de sua cabeça. Não conseguia entender o que se passava com ele, mas pensar em Krist dessa forma não era algo que achasse ruim.

Naquela noite, quando Singto chegou ao hospital para fazer a fisioterapia de Krist, tinha novidades para contar ao seu paciente.


- Olá, Krist. Pronto pra mais uma sessão de exercícios? Hoje eu tenho boas novas pra te contar. Hoje, sua filhinha recebeu alta do hospital. Ela está ótima. Eu a levei pra casa e vou tomar conta dela até você se recuperar. Não precisa você se preocupar que ela não ficou sozinha. A minha mãe, que por sinal já assumiu o posto de uma verdadeira vovó, ficou tomando conta dela enquanto eu vinha cuidar de você. Portanto, não nos decepcione e melhore o mais rápido que você puder. Tenho certeza que nossa princesa está louca pra conhecer o papai dela.

Enquanto conversava com ele, o monitor mostrava, como todas às vezes, uma alteração no ritmo cardíaco do seu paciente. Isso o enchia de esperança.

- Por favor, não desista! Falou bem perto ao seu ouvido, quase num sussurro, antes de ir pra casa.


Quando começou a sentir a sala esquentando, Krist prestou atenção ao barulho do lado de fora. Ele sabia que iria ouvir o barulho de asas que vinha logo em seguida. Levantou-se e foi para perto da porta tentando ouvir melhor os sons que vinham de fora. Dessa vez conseguiu ouvir quando a voz falou seu nome: Krist... isso meio que o assustou e voltou a se afastar da porta. Entendeu, também, quando a voz falou outras palavras: filhinha... hospital... vovó.... papai... Por favor, não desista! Ouviu claramente dessa vez. Desistir de quê? Dessa vez não sentiu apenas o quarto aquecer, seu corpo também se aquecia em alguns lugares, mãos, braços, pernas, pés... Esse calor o fazia se sentir seguro e confortável. O que era aquilo? O que estava acontecendo? Por que ainda sentia tanto medo? Novamente, sentiu o quarto voltar a esfriar e tornou a se encolher em um canto enquanto o som ao redor voltava a ficar confuso.

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