O Fisioterapeuta (Portugues - BR)

Capítulo 5 - Novas responsabilidades

Alguns dias depois de ter levado Myna para casa, Singto foi chamado para conversar com o Dr Pete mais uma vez. Dessa vez, foi informado que o seguro saúde de Krist não estava mais cobrindo as despesas do tratamento e ele iria ser transferido para um hospital público. Em sua mente, ele só pensava que não queria que ninguém o levasse para longe dele. Não podia permitir isso. Pediu permissão para transferir seu paciente para sua clínica, que apesar de ser de fisioterapia, também era preparada para acomodar alguns pacientes que precisassem de internação para tratamentos especializados. Como Krist só estava precisando de monitoramento, além das sessões de fisioterapia, ele considerou que essa seria a melhor opção para o pai de Myna. Dr Pete disse que havia pensado nessa hipótese, mas não quis falar logo porque ficou com medo que ele se sentisse pressionado. Com tudo arrumado, após os últimos exames para transferência, que ocorreu com Singto o tempo todo ao seu lado, Krist passou a ser seu paciente em tempo integral. Mesmo que por um motivo triste, tomar conta de Krist e de Myna fazia os dias de Singto serem mais felizes.


Quando o quarto começou a aquecer Krist levantou-se e foi em direção à porta. Já sabia que os barulhos ficariam mais claros. Primeiro ouviu o som do farfalhar das asas, que voltou a aparecer na janela quando a mesma se iluminou. Apesar do medo que sentia, eram esses momentos que traziam paz pra ele. Só pensava que um anjo estivesse ao redor lhe protegendo. Ainda envolto nas emoções que estava sentindo, ouviu um barulho na porta, que o fez correr para o outro lado da sala. Myna apareceu na porta e ficou olhando para ele.

- Eu me lembro de você. Você estava com Anong quando ela veio se despedir de mim. O que você quer? Perguntou Krist.

- Eu quero que você perca o medo e dê uma chance pra ele. Respondeu enquanto sorria tranquilamente.

- Eu não entendo. Dá uma chance pra quem? Quis saber Krist.

- Pro nosso anjo. Ele vai cuidar de vocês! Respondeu Myna.

- Mas eu estou com medo. Disse enquanto se encolhia no canto da sala.

- Não se preocupe. Em breve você vai estar pronto. Dando um adeus pra Krist, Myna saiu do quarto fechando a porta atrás de si.


À medida que Myna foi crescendo, Singto a levou para conhecer o pai e depois começou a levá-la sempre que possível, queria que Myna crescesse sabendo quem era seu verdadeiro pai. O tempo foi passando e os médicos iam perdendo a esperança que Krist viesse a acordar. Depois de algum tempo Singto percebeu que, mesmo sem querer, estava envolvido emocionalmente por Krist. A voz de sua irmã ainda ecoava dentro da sua cabeça: “Eles precisam de você e você precisa deles”. Jamais iria desistir de ajudá-lo. Acima de qualquer coisa, ele queria ver Krist curado.

Já havia se passado um pouco mais de nove meses do acidente e o quadro do paciente permanecia inalterado. Quando entrou no quarto naquele dia, Singto sentia-se triste e desanimado. Ele não iria desistir de cuidar de Krist, mas estava começando a perder as esperanças. Enquanto olhava para aquele homem deitado naquela cama, sentiu uma enorme vontade de chorar. Por que tinha que se apaixonar por alguém que nem sabia que ele existia? Mas não deixaria sua tristeza atrapalhar o tratamento e fez tudo como sempre. Enquanto começava a fazer os exercícios ia falando com ele.

- Bom dia, Kit! Como você está se sentindo hoje? Pronto pra começar os exercícios?

Enquanto ia fazendo os exercícios, Singto ia conversando e contando pra ele como era o seu dia de trabalho e cuidando de Myna. A família toda ajudava. Estavam todos apaixonados pela garota. Como sempre, enquanto Singto tocava nele, o monitor mostrava uma alteração nos batimentos cardíacos de Krist. Quando terminou os exercícios, antes de soltar a mão dele, teve uma crise de choro. Quando se levantou pra ir embora, já mais calmo, colocou sua mão sobre o coração de Krist e se aproximando do ouvido dele, sussurrou:

- Por favor, volta pra gente! Eu preciso de você! Eu te amo!


Quando a porta da sala abriu e Myna entrou, Krist apenas olhou para ela. Depois de várias visitas, ele já não se assustava mais com ela. Só estava pensando sobre as sensações que sentia junto com aquele calor.

- Agora chega! Disse Myna enquanto caminhava em direção a ele.

Dando alguns passos pra trás e arregalando os olhos, perguntou:

- O que você quer dizer com isso?

- Que chega de ter medo. Está na hora de sair daqui. Além do que, ele está sofrendo muito com você aqui! Disse enquanto segurava a mão de Krist e o puxava para porta.

- Quem está sofrendo? Ainda não entendia o que se passava.

- Nosso anjo! Ele te ama e está sofrendo com você aqui. Está na hora de voltar. Não se preocupe que ele vai cuidar bem de você!

- Quem é esse anjo? Quem vai cuidar de mim?

- “Shing”! Respondeu e o empurrou pra fora do quarto.

Enquanto sentia uma sensação de queda naquela escuridão, sentiu algo em sua mão. Ele se segurou apertando o mais forte que pôde enquanto gritava o nome do anjo que Myna falou.


Singto não percebeu o aumento da frequência cardíaca do monitor até que sentiu sua mão sendo apertada e ouviu quando Krist falou:

- “Shing”

- Estou aqui, Kit! Respondeu Singto, enquanto explodia em um choro de alegria.

Enquanto abria os olhos, a primeira coisa que Krist viu foi o rosto de um belo homem que chorava e sorria na sua frente. Singto gritou pela enfermeira fazendo Krist piscar os olhos assustado. Quando May entrou no quarto ele mandou que ela entrasse em contato urgente com Dr Pete para dizer que o paciente deles havia acordado e que viesse o mais rápido possível. Singto olhou pra Krist e começou uma conversa. Não queria arriscar que ele voltasse a fechar os olhos novamente.

- Como você está se sentindo? Perguntou.

- Estranho! Respondeu de forma arrastada.

- Não se preocupe! Você vai ficar bem! Falou Singto. Só não invente de dormir de novo! Falou enquanto sorria.

- Cansado. Falou Krist.

- Eu sei. O médico deve estar chegando. Aguarde mais um pouco.

Quando Dr Pete chegou Krist estava dormindo novamente e Singto contou exatamente o que houve, sem falar o que havia sussurrado em seu ouvido. Enquanto conversavam, Krist voltou a acordar e respondeu algumas perguntas do Dr Pete, que decidiu que o melhor seria ele voltar para o hospital por alguns dias pra fazer novos exames. Singto sentia uma felicidade que nem conseguia explicar. Ele tinha certeza que a partir de agora tudo iria mudar.

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