Os Terrores e Outros Contos

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Summary

Pequenos contos de horror. Ps: Brazilian Portuguese.

Genre:
Horror / Fantasy
Author:
Charles Gomes
Status:
Ongoing
Chapters:
1
Rating:
n/a
Age Rating:
18+

O Anão

"Eu deveria ter pego outro carro.." - pensava com os lábios.

Não é fácil roubar carros quando se é um anão, mas era por essa razão que as pessoas não me temiam e pouco percebiam que as chaves de seus mustangs, mercedes e bmws estavam na minha cara todo o tempo. Não me leve a mal pelas minhas escolhas de carreira, não serviria para palhaço de circo ou de cinema, do meu ponto de vista, todo mundo era um cuzão.

Cresci, não consigo dizer sem sorrir, transformando minha desvantagem em vantagem, só creio talvez que não devesse ter feito isso no casamento de meu irmão e essa lata velha não fosse do sogro dele.

"Carros novos são muito difíceis de roubar" - Me consolava.

O problema de roubar carros é que você não sabe em que condição eles estão, mal sabia que o sogro era mão-de-vaca e não havia colocado combustível suficiente para uma viagem pouco mais longa que ao “titty bar” que esse cretino que bate em mulher frequentava. Não demorou e eu tive de parar no breu da estrada.

"Vie de merde..” - exclamava em outra língua para mostrar que meu descontentamento era cósmico.

Como que um anão dirige um carro? Ah, isso é simples, só sentamos em nossas bolas e alcançamos o pedal do acelerador pensando na sua mãe. É meu segredo de um milhão de dólares e você não precisa descobrir como faz.

Um carro se aproxima, se eu tiver sorte é a polícia e eu posso dizer que fui sequestrado. De que outra forma posso explicar um anão perdido na estrada? Anões não costumam correr em trilhas e acampar. Eu mal havia conseguido fazer um quilometro desde o carro.

Felizmente era só dois motoqueiros e me permiti fazer um sinal para que me dessem carona, esses tipos são ingênuos demais para fazer perguntas e poderiam me levar na mochila. Eles pararam, Deus é bom, o mundo é cheio de tolos.

"Estão indo para a cidade?" - Corri a eles e gritei com força para compensar a falta de ar que pequenas e ansiosas pernas podem causar.

Um deles desce da moto, se aproxima até que eu comece a perceber que se trata de uma mulher.

"Oh, boy..." - minha face decepciona.

Mulheres motoqueiras não são idiotas, elas geralmente são o dobro do homem que sou... o que mesmo assim não é muito.

Um sotaque germanizado, transformando “s” os “z” me fala: ”Sabíamos que não iria longe. Suba na moto!"

Eu não questionei, mesmo ela estava sabendo mais que eu e não deveria perder a oportunidade por mais arriscada que pudesse ser, era melhor que passar mais horas na estrada. O outro motoqueiro estava longe e sequer olhou para trás.

Subi e ao me agarrar percebi que a motoqueira tinha um corpo bastante atraente apesar de tanto couro. Talvez poderia tirar algo bom dessa noite: mulheres geralmente tem fantasias com seu Teddy Bear quando despertam, acabei descobrindo do melhor jeito.

Eu já estava ouvindo roncos de motor quando comecei a perceber que eles não estavam me levando à cidade mas em um acampamento cheio de cabanas onde parecia haver uma festa. Deveriam fazer parte de uma gangue de motoqueiros. Menos mal, criminosos entendem um ao outro.

Descemos e elas (descobri que o outro motoqueiro era uma “ela”) foram falar com o líder e os roncos das motos não me deixaram escutar.

A festa tinha algo diferente no ar, havia símbolos indígenas por toda parte, e uma formação de rochas em volta de um poço profundo. Coisa de gangue deve ser. Mas não demorou para três homens me revistarem e sem aviso me jogarem naquele poço onde cai paralisado.

“Tire-me daqui, imbecis!” Gritava de dor em vão, percebendo que entrei em uma enrascada. Nem tentei escapar para evitar falsas esperanças, estava nas mãos do destino mais uma vez. Eu não escolhi ser anão, não escolhi meus pais nem minha cara de trouxa, assim como agora não posso escolher como vou morrer, preferiria que fosse sufocado pelas co... mas é uma má hora de ficar com tesão.

Só pude assistir as sombras serpenteando: a festa estava boa afinal, ao menos alguém se sentiria bem.

Passavam-se horas e eu comecei a me lembrar do meu irmão. Foi uma festa bonita mas eu era feio e não fazem festas feias. Percebi que não era bem vindo logo de cara quando o garçom derrubou champanhe nos meus cabelos. Festas boas são só as ruins.

Os roncos pararam e só então percebi que não estava sozinho. Um som de ruminação baixo denunciava que eu já estava com meio corpo dentro da boca de um verme me cobrindo como um cobertor ensopado. Os motoqueiros vieram assistir o meu sacrifício e suas sombras escureciam todo o interior do poço, esse era meu fim.

Eu tinha muito pouco tempo para fazer as pazes com o universo, com meus irmão e com as feministas de magazine que lerão essa merda. Paralisado e começando a ficar sufocado gritei com o último ar que inspirei para a audiência das estrelas:

- Foda-se.

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