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UM ANJO NA CASA

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Summary

EIS O HOMEM... O SEXO FRÁGIL. Na Inglaterra vitoriana, uma epidemia se espalhou pelo mundo e todos os homens se tornaram irracionais. Sem pensamentos próprios, agora eles são criados e treinados para servirem às mulheres. Aos dezoito anos, Amanda Fairfax se prepara para a cerimônia anual de seleção, onde terá que escolher seu servo. Porém, ao ser escolhido, o jovem Callum põe sua ama em uma difícil situação. Ele parece ser o primeiro homem normal em anos, e quer lutar pela liberdade de todo seu gênero. Enquanto o ajuda a esconder seu comportamento anormal, Amanda vai matando sua curiosidade sobre como se comporta um homem que, diferente de um servo exemplar, tem vontades e desejos. Aos poucos, nasce desse relacionamento um improvável e perigoso romance, que cresce na inocência desses dois jovens que, ao descobrirem um novo mundo, podem encontrar a cura para uma sociedade mais justa.

Genre:
Romance / Scifi
Author:
Beca Aberdeen
Status:
Excerpt
Chapters:
17
Rating:
n/a
Age Rating:
18+

1

Inglaterra, 7 de maio de 1892

Amanda examinou seu reflexo no grande espelho do saguão da pousada George Inn. O brocado do vestido prateado ajustava-se ao corpinho e baixava ao longo da saia. Era a primeira vez que ela usava um vestido e, por esse motivo, ainda não se acostumara com a sensação de se mexer na roupa pesada. Ela acariciou o belo tecido enquanto balanceava para brincar com a saia volumosa.

Naquele ano, Amanda completava 18 anos. Era a única vez em que uma dama abandonava o conforto das suas calças para retornar aos vestidos que as mulheres de antigamente estavam obrigadas a usar. Vestidos pesados e desconfortáveis que, como era contado na escola, representavam uma gaiola para as mulheres. Naquela época, usavam calças e roupas práticas para trabalhar. Exceto no dia da cerimônia de conversão à idade adulta, quando uma dama escolheria o homem que a acompanharia e a serviria por toda a vida.

Era uma celebração de grande importância, e se realizava na maior pousada do centro de Crawley. Um acontecimento anual, todos os dias 7 de maio, para as jovens que comemoravam os seus 18 anos. A celebração começou à meia-noite e foi até o amanhecer, e pela primeira vez as aniversariantes poderiam beber vinho.

Amanda contemplou a taça do doce líquido vermelho que acabara de depositar sobre o móvel, culpando-o pelo seu torpor. As imagens chegavam-lhe turvas, como se estivessem estáticas. Ela prometeu a si mesma que nem uma gota mais tocaria seus lábios avermelhados pelo tom do vinho. Não queria que o álcool dificultasse a sua escolha.

Logo elas deixariam o salão da pousada George, onde haviam comido e bebido a noite toda, para ir ao Andrónicus e começar a tão esperada cerimônia de seleção.

Andrónicus era a residência de todos os homens menores de 18 anos. Ali eles eram criados e treinados para servir as suas amas.

— Você esta preparada? ― Jane perguntou, atrás dela.

Amanda olhou a sua amiga através do espelho. Jane era uma das jovens mais lindas Crawley. Do seu coquealto caiam cachos de cabelos pretos. Amanda sempre desejou ter os cabelos da amiga, muito bem cuidado com o creme de Henkel & Cie. Sendo que o seu era loiro e pouco atraente como o das outras jovens na Inglaterra que sempre tentavam dissimular a falta de encanto com penteados bouffant ou pompadour e com tratamento para o cabelo como o óleo de masacar, preparado com flores de ylang-ylang trazidas da Índia. Jane tinha a sorte de poder soltá-lo sempre que quisesse. A obrigação de levar os cabelos recolhidos em um recatado coque havia passado de moda, talvez porque não houvesse homens que considerasse o cabelo solto uma provocação.

— Estás nervosa?

— Eu estou, — respondeu Amanda. ― O vinho ajudou a dissipar os meus nervos, mas ainda estou preocupada. Minha mãe diz para eu escolher o jovem mais forte; você, o que mais me atrair. Eu nem sei o que isso significa.

Jane tinha um ano mais que Amanda, já havia passado pela cerimônia de seleção. Desde esse dia ela sempre estava acompanhada por William, um rapaz lindo de cabelos avermelhados e olhos verdes vivos.

— Na realidade, tem que ser uma mistura das duas coisas. Você quer que ele seja forte para te ajudar com o seu trabalho, mas pense que você o terá ao seu lado em todo momento; Você não quer escolher alguém que você ache pouco atraente.

— Lembre-se de que você vai conceber com esse homem.

Ela pegou o copo de vinho que Amanda tinha deixado sobre o chiffonier com detalhes dourados que estava debaixo do espelho e tomou um gole.

— Eu sei, — concordou Amanda. ―Mas minha mãe insistiu em que eu escolha o mais forte e o que pareça inteligente. Ela tem mais anos de experiência nisso do que nós.

— O mais inteligente? ―Jane repetiu enquanto ria.

— Eu também achei estranho. Nunca ouvi falar da inteligência de um homem antes.

Jane cruzou os braços sobre o peito.

— Que bobagem! Todos os homens são iguais, não há um mais inteligente que o outro. Todos eles têm a bactéria no cérebro.

Amanda não sabia o que dizer, e Jane a segurou pelo ombro e a girou para que ficasse de frente a ela.

— Amanda, não se preocupe. Quando você o ver, você saberá.

Isso me preocupa ainda mais. E se alguém rouba-lo de mim?

Sua amiga pegou a pela mão e a puxou de volta para a sala principal, onde as outras garotas conversavam e bebiam animadamente a última colheita que havia chegado da bodega de vinho Ridge View. Uma alegre melodia de violinos e harpas ressoou no corredor.

Amanda pegou outra taça de Port que estavam disponíveis nas mesas ao lado da parede leste da sala. Era um vinho misturado com conhaque que fora muito popular entre os homens. Talvez por essa razão eles o servissem naquela noite.

— Você sabe como funciona a cerimônia e eu te expliquei todos os truques possíveis. Respire fundo, acalme-se e tudo ficará bem.

Quinze minutos mais tarde o grupo de garotas abandonou a pousada para ir ao Andrónicus.

A luz inesperada forçou-a a piscar várias vezes, deixando seus olhos se ajustarem à mudança e sua mente registrando a presença do novo dia.

Foi uma caminhada curta, já que nenhuma das garotas queria atrasar o momento com distrações.

Somente as mulheres de Crawley que fizesse aniversário e fossem escolher seu servo naquela manhã podiam ir para a sala principal, onde os rapazes esperavam ser eleitos. As damas que estavam acompanhando as jovens deveriam esperar na outra sala ou ir embora.

Amanda respirou fundo ao entrar no salão de seleção. Seu nervoso voltou mais forte que antes, ela tinha medo que isso e a falta de sono lhe causassem um desmaio e isso sim que não podia acontecer. Nem nas provas da escola, ela precisava estar tão atenta como agora para a decisão que estava prestes a ser tomada.

Acalmou-se um pouco quando entrou no salão de seleção do Andrónicus e observou que não havia homens dentro. Somente estavam as garotas que emanavam como formigas das portas duplas e quebravam o silêncio do salão com o eco de suas vozes.

O incipiente sol da manhã entrava energicamente pelos milhares de janelas que rodeavam a sala. Cortinas de veludo cor-de-rosa adornavam as laterais das janelas e várias cadeiras enfeitadas com detalhes brancos e salmão circulavam a sala, deixando praticamente todo o espaço central disponível. Um imenso quadro cobria uma grande parte da parede com uma senhora do século passado que usava um lindo vestido branco e volumoso. Não fazia ideia de quem o havia pintado, mas seu estilo lembrava Jan Vermeer, com cores intensas e um grande contraste entre luzes e sombras. Deve ter sido a ancestral de uma família importante na história de Crawley. Amanda estava absorta em seus olhos afáveis e em seu sorriso plácido. Aquela mulher tinha vivido entre homens oprimida por eles, mas ela parecia resignada em seu vestido desconfortável.

Seus pensamentos foram interrompidos pela chegada de uma mulher de meia-idade e formas arredondadas, que surgiu de uma porta no outro extremo da sala e limpou a garganta para ser notada. As vozes das jovens foram desaparecendo gradualmente até ficarem completamente em silêncio.

— Bom dia e bem-vindas à sala de seleção Andrónicus — exclamou a mulher em tom firme e claro. ― Agora vocês irão conhecer o grupo de homens nascidos no ano de 1874. Todos eles atingem a maioridade este ano e foram devidamente treinados durante este tempo nas diferentes disciplinas que, por decreto real, são esperados de um servo. Como vocês já sabem, essas disciplinas incluem: leitura, canto, dança e instrumentos musicais, bordados, várias atividades físicas, inglês. Portanto, eles não devem ter nenhum tipo de dúvida quando se tratar de obedecer às instruções da sua ama. Lembrem-se, de que sua Majestade, a Rainha Vitória, indica como um delito punível qualquer pedido a um servo que esteja fora da lei. Isso é maltratar ou prejudicar os servos através de suas ordens. Vocês devem sempre cuidar da saúde dos seus servos e lembrar sempre de que eles são seres vivos e com sentimentos e necessidades semelhantes aos de qualquer mulher.

A mulher fez uma pausa para olhar a porta de onde tinha saído e Amanda achou que a senhora havia terminado o discurso e que chamaria os rapazes. De fato tudo aquilo era desnecessário porque nas escolas elas aprendiam a como dar ordens e cuidar dos servos. Além disso, elas cresceram, vendo seus parentes e conhecidos tratando-os a diário.

Mas a mulher ainda não havia terminado de falar.

— Quando os rapazes entrarem, vocês poderão se relacionar com eles e eleger vários candidatos. Façam isso o mais rápido possível, pois em uma hora o sino pode soar em qualquer momento.

Às vezes, tocamos depois de apenas vinte minutos. Uma vez que o sino soar, vocês devem prender o cordão do seu cinto ao do jovem que vocês tenham elegido. Por favor, peço-lhes para evitar as disputas, uma vez que não vamos lidar com quaisquer queixas. O rapaz será definitivamente da dama cujo cinto esteja preso ao dele.

Amanda respirou fundo, apertando a mão em um punho no gancho do cinto que pendia sobre a barriga. O fato de não saber quando o sino tocaria a encheu de nervosismo e insegurança.

Ela olhou para as outras jovens ao seu redor. Algumas pareciam tão assustadas quanto ela. Outras pareciam dispostas a matar pelo objeto de seus desejos.

Apesar das advertências da zeladora do Andrónicus, sempre havia disputas entre as jovens para eleger os candidatos mais atraentes e fortes. Era parte da diversão e havia certas regras para evitar brigas e competições entre as jovens ocasionando algum problema.

Amanda conhecia bem as regras, e vinha se preparando para aquele momento há anos. Havia memorizado os conselhos de todas as suas amigas que já haviam completado os seus dezoito anos.

Elas tinham como máximo uma hora para observar os rapazes na sala, para pedir-lhes que realizassem algumas tarefas como levantar coisas pesadas, massagear um músculo dolorido e, às vezes, até mesmo, brigas entre eles para perceber qual era mais forte e ágil. Apesar de que não estava bem visto que elas os fizessem brigarem e poderia implicar uma multa por parte das cuidadoras do Andrónicus. Depois de dezoito anos sendo responsáveis da educação e formação dos moços, era normal e compreensível que as cuidadoras tivessem carinho por eles.

Durante essa hora as jovens não podiam eleger o servo. Elas começavam a fazer como um jogo para despistar umas das outras. Comentando, entre sim quais deles eram os melhores e louvando certas qualidades que garantiam ter visto neles. Inclusive dizendo claramente qual era o seu favorito.

O problema era que na maioria dos casos elas estavam mentindo, tentando confundir as outras jovens e desviar a atenção de seu verdadeiro ponto de interesse. Outras vezes elas diziam a verdade. Era impossível saber com certeza.

Amanda não era a mais segura das garotas. Desde pequena ela duvidava do seu bom senso, e sempre procurava uma segunda opinião antes de decidir fazer alguma coisa. Sua amiga Jane era sua conselheira. Mas agora ela não podia acompanhá-la.

A decisão mais importante de sua vida teria que levá-la sozinha e cercada de concorrentes.

Ela temia que não lhe dessem a oportunidade de escolher, sendo muito lenta, desajeitada, ou tendo azar. O que aconteceria se, quando o sino tocasse, ela tivesse que se conformar com um rapaz que não gostasse? Ninguém a havia preparado para essa possibilidade.

Esfregou as palmas soadas das mãos contra o vestido, e o tecido de renda raspou a pele delicada com a crueldade do momento em que ela estava vivendo.

A zeladora do Andrónicus aproximou-se da porta dupla que bloqueava a entrada dos rapazes e abriu-a.

— Jovens passem — ela ordenou, afastando-se para que eles pudessem entrar.

Amanda ficou na ponta dos pés e esticou o pescoço para poder ver a porta entre as cabeças das jovens alvoroçadas que, como ela, estavam inclinadas para vê-los entrar. Tentou fixar o olhar em seus rostos e ver pela aparência os seus possíveis favoritos. Uma pontada de dor perfurou a parte de trás do pescoço por causa dos movimentos bruscos, ela não foi capaz de ver nada além de orelhas, nuca e ombros com elegantes casacos e coletes.

As outras garotas não pareciam ter tanta vergonha quanto ela, pois não demoraram mais do que dois minutos para começar a examinar os rapazes de perto, a dar-lhes ordens e comentar entre si quais eram os mais interessantes.

Amanda conseguiu reagir depois de vários minutos, quando sua respiração e pulsações se acalmaram, dando a sua mente uma trégua. Nesse momento, o grupo de dez homens tinha-se desfeito em pequenos grupinhos e estavam rodeados pelas jovens.

Infelizmente, Amanda estava interessada em vários garotos de diferentes grupos, então ela não sabia qual deles abordar primeiro.

Depois de vinte minutos vagando pela sala, todas as garotas pareciam ter enlouquecido por um dos rapazes. Este tinha cabelos loiros brilhante, acompanhado por grandes olhos verdes e lábios carnudos. Seu rosto era redondo e suave e para Amanda parecia muito feminino e jovem. Ele era sem dúvida o mais bonito, mas ela não o achava o mais viril e forte.

No entanto, sua presença lhe convinha. Distraíam um bom grupo de jovens impedindo-as de perceber as outras joias da coleção. E, sem dúvida, havia vários a considerar.

Três rapazes chamaram sua atenção. Talvez eles não fossem tão impressionantes como o loiro, mas Amanda preferia um rosto mais masculino, para ser apreciado pouco a pouco, que um rosto suave e perfeito que ela rapidamente perderia o interesse. Além disso, os três rapazes eram mais vigorosos que o loiro. Especialmente um deles, cuja robustez era evidente, mesmo com o casaco.

O problema era que Amanda não sabia qual dos três eleger. Dois deles eram como os cavalheiros ingleses típicos com pele e olhos claros. Um era ruivo e Amanda não se sentia atraída por ruivos, e o outro, era o mais fornido da sala, tinha o cabelo muito bonito castanho médio. O terceiro rapaz era fora do comum, tinha uma beleza impressionante não parecia inglês, pela sua pele morena maravilhosa.

Tudo nele era escuro. Seus cílios negros, grossos e compridos, os olhos grandes e levemente rasgados, como os de um árabe.

Sua mãe lhe avisara para não se deixar levar pela beleza e para eleger o mais forte, e se tivesse dúvidas entre dois servos, para escolher aquele que parecesse mais inteligente. Nesse caso, ela pensava como Jane. Os homens estavam contaminados por uma bactéria invisível que vivia no interior de suas cabeças e os mantinham em uma espécie de transe. Por esse motivo, eles não pensaram; Eles eram seres irracionais. Buscar inteligência em um deles era missão impossível.

No entanto, sua mãe lhe assegurou que havia diferenças entre as habilidades de uns e outros; e que alguns tinham dado um mínimo de sinais de inteligência, como rapidez na execução de uma ordem, boa localização e até mesmo algum que outro vestígio de pensamento independente em relação a pequenas decisões, como mover uma carga pesada ou tarefas domésticas.

Ela descartou o ruivo, ficando com as outras duas opções.

A primeira opção teria sido a escolha da sua mãe, a segunda de Jane. Por que era tão difícil para ela decidir por si mesma?

Amanda olhou para o jovem de aparência latina e caminhou lentamente direto a ele, esperando que fossem pelos motivos certos que a levaram a selecioná-lo. O fato de que também era forte e não apenas a beleza de suas características exóticas.

Ao seu redor havia várias jovens examinando-o, apalpando seus braços e costas. Amanda se perguntou como iria livrar-se delas.

Era difícil atravessar a sala cheia de gente e chegar até onde estava o rapaz.

À sua direita, duas jovens começaram a brigar, chamando a atenção de todos os presentes, inclusive a dela. A zeladora aproximou-se delas e pegou o rapaz pelo qual elas estavam discutindo para leva-lo a outra parte da sala. As moças belicosas seguiram seus passos, reclamando pela sua intervenção, mas a mulher não se deixou intimidar e ameaçou em expulsá-las da sala. A ameaça fez com que elas parecem de discutir, já que isso significaria ficar com os dois últimos servos que ninguém se houvesse interessado.

À sua esquerda, três garotas comparavam o tamanho de dois servos que, atordoados, obedeciam a todas as ordens. Houve muito movimento ao redor da sala; Cotovelos e costas a empurravam de um lado para o outro. Quando ela viu de novo seu objetivo entre várias cabeças, ele já estava mais longe. Sarah Richardson, a jovem mais famosa de Crawley, agora estava pendurada no braço dele. O coração de Amanda se afundou quando o viu. Se Sarah o quisesse, então ele seria dela; Era o tipo de mulher que sempre consegue o que quer.

Sua cabeça começou a girar. A qualquer momento o sino iria tocar e as jovens agarrariam o servo de sua escolha. Seu coração latejava rápido, com a emoção da caça.

Estava apenas a um metro e meio do jovem exótico. Um grupo de garotas cruzou seu caminho, forçando-a dar meia volta. No final do seu gracioso giro, em vez de encontrar espaço disponível, ela encontrou algo sólido. Um peito musculoso e umas mãos grandes que de repente a seguraram, impedindo que ela caísse no chão. As mãos eram tão fortes que lhe apertavam como se o dono quisesse esmagá-la.

Quando ela levantou os olhos para ver quem havia bloqueado o seu caminho, ela encontrou um par de olhos verdes que penetraram na sua alma.

O seu coração se encolheu pelo devastador olhar do jovem, de repente, não havia mais espaço suficiente dentro dela.

Aqueles olhos tinham algo mais que beleza tinha uma inteligência gravada nas suas pupilas que ela só tinha visto em outras mulheres, mas nunca em um homem.

O sino tocou e, sem saber muito bem de onde vinha à ordem, o braço dela levantou com o gancho da corrente que pendia do seu vestido e se juntou ao cinto daqueles olhos tão cheios de vida.

As três garotas que o assediavam o tempo todo, olharam para ela com ódio, mas rapidamente correram para encontrar outras opções.

Suspirou aliviada ao perceber que era um de seus candidatos, o de cabelos castanhos que se destacava por ser o melhor de todos. Amanda havia checado sua força e seus reflexos chocando acidentalmente com ele.

Finalmente ela cumpriu o desejo de sua mãe.

— Qual é o seu nome, rapaz?

— Callum― Respondeu-lhe. A sua voz lhe soou agradável e masculina perfeita para ouvi-lo ler pelas noites.

Seus olhos também eram um pouco curvos, e maiores do que os do outro servo. Seu rosto era completamente inglês e, embora fosse menos perceptível que a do outro jovem exótico, Amanda descobriu que adorava a forma triangular de seu queixo e a cova discreta que o adornava. Seu rosto era proporcional e perfeito, como se os anjos que fazem nariz, lábios e olhos para Deus tivessem modelado cada uma de suas feições com a intenção de juntá-las. Mas o melhor do seu rosto, sem falar da cor de seus olhos, era seus lábios. Esses lábios eram tão masculinos e estavam tensos em uma linha rígida enquanto ele a observava.

Ela pestanejou para recuperar a consciência.

— Você vem para casa comigo, Callum — ela disse e teve que reprimir um sorriso, de tão feliz que estava com a ideia.

O rapaz devolveu-lhe uma olhada tão cheia de vida que a fez estremecer. Era como se ela pudesse ver sua alma através de seus olhos.

Normalmente o olhar de um servo, era como se estivesse vazio pelo efeito da bactéria. Mas os olhos de Callum não, e essa anomalia lhe parecia adorável.

Hipnotizada pelos seus olhos verdes, como se fossem a porta para um novo mundo ou a capa de um grande livro misterioso ainda por ler, ela levantou os olhos e franziu a sobrancelha curiosamente imaginando o que estava acontecendo na mente do jovem.

No entanto, assim que ele percebeu, desviou os olhos dela e os perdeu no horizonte, inerte como qualquer outro servo teria feito.

Amanda suspirou um pouco desapontada. Talvez tivesse sido sua imaginação.

A bactéria havia-se espalhado muitos anos antes dela nascer, e nunca em sua vida viu ou ouviu o caso de um homem com certo grau de consciência. Callum não seria diferente. Mas ela ficaria contente em que de vez em quando ele a olhara desse jeito.

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