Como se Fosse Verdade - Livro 1

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Summary

Katherine Laurentis é uma amante dos livros, que sonha em ir para uma faculdade bem longe de casa e encontrar um amor. Kate não leva uma vida fácil. Depois que seu pai foi embora, a mãe, Judie, não é mais a mesma e seu irmão, Mike, vive desaparecido. Rose é a única que Kate pode contar para dar algumas boas risadas e usa seus livros para se lembrar de sonhar. Benjamim Hunter é o tipo de cara que vive sorrindo e se dá bem com todos, mas tem seus fantasmas do passado que o impedem de ser completamente feliz. Após a morte da mãe, seu pai se tornou a pessoa que ele mais quer evitar e Ben tem que trabalhar duro para sustentar os dois. Apesar de tudo, ele conta com uma dona de padaria e um vizinho idoso para ter algum esperança na vida. Sua paixão pela música e seu violão foram as duas coisas que não deixaram-no se perder. Quando os dois caminhos se cruzam, no lugar favorito deles, uma forte conexão nasce. Eles são cativados pelo lado quebrado um do outro, mas será que a paixão é o suficiente para se chegar a felicidade? Será que Kate e Ben conseguirão passar por suas dificuldades e traumas? Será mesmo que o final feliz tão sonhado dos livros existe?

Genre:
Romance / Other
Author:
Clara B. Alves
Status:
Ongoing
Chapters:
1
Rating:
n/a
Age Rating:
13+

Capítulo 1

“É preciso viver o presente”. Eu gostaria que fosse assim tão fácil. Estava concentrada no mundo de Entre o Agora e o Nunca pela vigésima vez. Não, é sério, eu contei. É meu livro favorito e acabei perdendo uma noite inteira de sono por causa dele. De novo. Mas isso é algo que faço com muito prazer. Não são muitas coisas que importam na minha vida. Não mais. Reviver a história de Andrew e Camryn é nostálgico. Me faz querer ter o mesmo que eles: um amor de verdade.

A batida na porta da frente me tira dos meus devaneios e me lembra que é hora de ir para a escola. Último ano, graças a Deus.

— E aí, baby? — Rose acaba de chegar e me cumprimenta na entrada da minha casa. Ela tem longos cabelos ruivos e olhos verdes; o corpo com todas as curvas nos lugares certos. As pessoas olham primeiro para ela e só depois de trinta minutos de conversa, me notam. Eu realmente não me importo. Não lido muito bem em ser o centro das atenções. Rose nasceu para isso. Era também dona de um sorriso contagiante e sincero. Normalmente, eu não sorria.

Resmungo um oi. Devo parecer uma aberração com minhas olheiras e minha cara de poucos amigos. A última parte com certeza é verdade.

— Vamos? — pergunta com os dentes à mostra, sabendo que vai me deixar mais mal humorada. Não é que eu não goste de sorrisos, mas acho desnecessário àquela hora da manhã quando não se pode terminar pela vigésima vez seu livro preferido porque tem que ir para a aula.

— É... Vamos. — deixo escapar um suspiro.
Ela ri. Apesar de ter que acordar cedo quando preferia estar com a cara enfiada num livro, estou feliz que hoje o dia esteja um pouco nublado. Prefiro o frio e o dia sem sol.

— Passou a noite acordada lendo, de novo?
Começamos nossa caminhada. A meu lado, Rose parece ser baixinha, mesmo usando suas botas de salto fino. Sou uma garota alta e nem um pouco feliz com isso. Ela está vestindo jeans e uma camiseta preta. Os óculos de sol só complementam o peculiar Visual Rose. Eu apenas coloquei um moletom marrom, meu jeans surrado e tênis.

— Você me conhece bem demais. — respondo entre um bocejo.

— Não precisa ser um Sherlock para saber disso. Sua cara está horrível — mesmo com o insulto, a última parte saiu mais como um carinho.

— Valeu por não me deixar esquecer, Ro.

— Às suas ordens — bate uma continência. Não consegui segurar a risada.

— Qual o livro da vez? — a garota é ótima em dirigir uma conversa e eu a amo por isso.

— Não adivinhou essa? Estou decepcionada, detetive.

— Você é tão engraçada, Kate — ela revira os olhos.

— Ei! Eu posso ser muito engraçada quando quero.

Rose bufa. — Sim, certo.

— E para a sua informação, eu estava lendo Entre o Agora e o Nunca — viro meu rosto para cima, para sentir o vento frio em meu rosto.

— De novo? Sério? — Mesmo não podendo ver, sei que ela está fazendo uma careta.

— É meu preferido. — dou de ombros.

— Esquisita. Alguma notícia do Mike? — quis saber. Abro meus olhos a tempo de vê-la desviando de um buraco na rua, que não é muito movimentada.

— Ainda não. Ele não me ligou, mandou mensagem ou algo do tipo. Faz duas semanas desde que deu alguma notícia. — Aquilo saiu mais melancólico do que esperava.

— É um bundão ingrato mesmo — afirma revirando os olhos. Rose nunca gostou de Mike e sempre fez questão de demonstrar isso. E, bem, ninguém pode culpá-la, mas sinto falta do meu irmão. Éramos muito próximos.

— Como vão as coisas com o Sean? — mudo de assunto para não ter que pensar muito em Mike. O olhar de Rose deixou claro que ela sabia o que eu estava fazendo, mas resolveu deixar passar. Agradeço mentalmente por isso.
Viramos a esquina da padaria da senhora Flora. Ela não parece gostar muito de mim e de Rose depois que quebramos uma das prateleiras de doces alguns anos atrás.

— Bem. Assistimos um filme na casa dele ontem. — Rose fala com um olhar cheio de lembranças.

— E foi só filme mesmo? — não tenho certeza de que quero ouvir a resposta.
Rose namora Sean há um ano, mas brigam tanto que às vezes me pergunto como eles ainda mantém esse relacionamento. Ele estuda em Fayetteville State University e está no segundo período. Fico preocupada com essa situação toda, mas Rose diz que não é necessário e que ela sabe se cuidar. Ainda me preocupo, não importa o que diga.

— Claro que não. Me conhece há sete anos e ainda me faz essa pergunta? Puxa, Kate, pensei que fosse minha melhor amiga! — brinca.

— Ah, não enche — replico. Damos risadas.

Um carro passa por nós e buzina. Rose mostra o dedo do meio. — Sua mãe ainda está chateada por você ter escondido a garrafa de Jack dela? — me pergunta. Eu não estava num humor para falar sobre minha mãe.
Dou de ombros. — Na mesma.

— Sinto muito. — Ela põe uma mão em meu ombro e me olha com emoção. Essa ruiva sabe o histórico da minha vida. Esteve presente antes e depois do meu mundo se transformar em um maldito caos.

— Tudo bem. — Desvio o meu olhar do dela. Rose comenta alguma coisa sobre sua mãe estar de rolo com um cara, mas não presto muita atenção. Minha mente está com outros pensamentos, pensamentos sombrios dos quais não me livro fácil. Eu realmente não quero ter uma crise agora.

Avistando a escola, reprimo um suspiro. A primeira aula é de química e não estou num bom humor para começar o dia desse jeito. Posso ser boa em muitas coisas, mas química não está entre elas. A minha escola é a E.E Smith High School. Fayetteville, Carolina do Norte, não é um lugar exatamente interessante. Fica bem distante da praia e gostaria de poder tomar um banho de mar quando eu quisesse.

— Não pareça que está indo para uma prisão, Kate — viro para a ruiva que me encara como se fosse minha mãe.

— Você só vem as aulas para comprovar que veio. Não presta atenção em nada do que os professores falam. — reviro os olhos.

— Isso não vem ao caso — ela faz um movimento de dispensa com a mão.

— É claro que não — murmuro.

— Acabei de me lembrar que... — Still Loving You do Scorpions, interrompe o que quer que Rose estivesse prestes a dizer. Ela pega o seu telefone e atende. — Hey! — uma pausa. —Hum... Tem certeza? — suas sobrancelhas se unem. Ela suspira — Tudo bem. Tchau.— desliga.

— Algum problema?

— Não. Então, vamos para a aula? — prende meu braço com o dela e começa a me puxar.

— Não.

Rose ri. — É só uma aula de química, Kate. O que de ruim pode acontecer? — Eu poderia fazer uma lista para ela, mas decidi apenas mexer as pernas e seguir adiante.

Depois do teste surpresa de química, que tenho certeza de que tirei nota baixa porque respondi apenas 3 das 20 questões, o resto do dia se passou ridiculamente normal. Aulas, conversas com Rose, almoço e caminho para casa. A rotina mexe com meus nervos. Juro que vou enlouquecer se isso não acabar logo.

Rose disse que tinha que ajudar a mãe em casa com alguma coisa cuja a qual não me recordo. Praticamente correu para casa. Fui, sem pressa, para a minha.

Eu moro numa área tranquila. Minha casa não é lá essas coisas, mas é confortável. Ela apenas não tem o significado de lar para mim. Não depois de tudo. Pensar nessas coisas me deixa ansiosa então, deixando os pensamentos de lado, pego a roupa e vou para o banheiro do meu quarto.

Às vezes, penso que seria legal ter mais amigos. Não que Rose não dá conta do recado. Minha amiga é ótima. É só que ela namora e não é minha babá para estar todo o tempo comigo. Não seria de todo ruim ter alguém com você e saber que você não está atrapalhando uma boa noite de sexo dessa pessoa.

Termino meu banho e visto um short de malha rosa e uma blusa branca. Estava na dúvida se iria reler Harry Potter ou algum clássico. Mas decidi focar minha preocupação na minha atividade de química. Eu juro que eu tento mas não consigo entender. Se continuar assim posso repetir e dar adeus faculdade ano que vem. O que não é uma opção. Simplesmente não posso continuar a viver aqui. Com o lápis na boca e franzindo a testa para as fórmulas no caderno.

— Mas que droga! — O que foi mesmo que o professor disse sobre fissão e fusão nucleares?

Duas horas depois, eu consegui fazer metade da atividade. Preciso de alguém para me ajudar com isso. Rápido.

Olho a hora no relógio do celular. São 16:30. Tenho que ir para a casa de Rose agora para ajudá-la com Inglês antes que fique tarde demais para o jantar. Pego o que preciso e saio.

Passo por seis casas até chegar no meu destino. Antes mesmo que eu posso bater, ela se abre.

— Kate!

— Ah, oi, Sean. — o namorado de Rose era um cara bonito, só vestia preto e couro, tinha olhos escuros e o cabelo bem raspado. Não chegava a ser careca, apenas curto. Só queria que, assim como a beleza exterior, sua personalidade fosse legal. Sean fumava, um hábito que eu odiava bastante quando ele fazia por perto.

Sinceramente, não sei o que Rose viu em Sean além da aparência. O cara parece não querer nada com a vida.

— Rose está lá dentro se arrumando. — deixa a porta aberta e passa por mim, com suas botas pretas, em direção ao seu jeep. Como eu não o notei ali?

— Se arrumando? Vocês vão sair?

— Sim — se encosta na porta do motorista e pega um cigarro do bolso. Sério mesmo?

— E para onde vocês vão?

— Por que quer saber? — sopra fumaça. O bastardo sabe que isso me irrita e faz mesmo assim.

— Bem, porque temos estudo marcado para esta mesma hora. — não deveria ter que explicar nada para ele.

— Bem, então você tem que falar com ela. — como eu detesto o desgraçado.

Deixando-o com seu cigarro imundo e seu humor patético, me viro e marcho para dentro. Rose vai ter que me dar uma boa explicação para isso tudo. Passo pela sala estilosa e subo as escadas de madeira até seu quarto. Não me incomodo em bater na porta, apenas abro e entro.

— Rose, que história é essa de que você e Sean vai sair no momento da nossa hora do inglês?

— Oi para você também, Kate — ela estava terminando de prender o cabelo longo em um rabo de cavalo no seu espelho da penteadeira.

— Então, vai me dizer para onde vão ou não? — jogo o material na cama king size.

— Kate, me desculpe, ok? — passa as mão pela roupa. Rose escolheu uma blusa florida azul e jeans skinny. — Nós discutimos e vamos sair para ficarmos bem.

— Vocês discutiram de novo? — isso era quase insano.

— Casais brigam, Kate. Isso é normal. Eu tenho que ir. Podemos marcar para outro dia? Não quero ficar num clima chato com Sean, nem com você.

— Tudo bem. Faça o que quiser.

— Kate — suspira e caminha na minha direção. — Olha só, não era a minha intenção furar com você, ok? Eu ia te mandar uma mensagem para você não precisar vir aqui. Por favor, baby, não fique chateada. Eu estudo mais do que o dobro se você quiser.

— Você gosta mesmo dele, não é?

— Muito. — ela abre um sorriso brilhante. Seus olhos estavam cheios de emoção apenas por mencionar o nome de seu namorado.

Deixo escapar um longo suspiro. — Desde que ele se lembre que você é a melhor pessoa do mundo, não te faça sofrer e não te roube mais de mim nas horas de estudo, ok, eu não vou ficar chateada. Apenas desta vez. — Rose dá gritinhos e me abraça.

— Você sabe que eu te amo, não sabe?

— Sim, sim. Eu também te amo. Agora vai logo antes que eu mude de ideia e te prenda aqui. — mal registrei quando ela me solta e corre até as escadas.

— Até amanhã!

Rindo, pego o caderno e livro da cama de Rose e saio do quarto. Quando estou do lado de fora da casa dela, não vou para a minha.

Faço meu caminho para o meu lugar preferido de paz: o banco em frente ao lago do Mazarick Park. Sinto um aperto no peito e parece que o ar some. Respiro fundo algumas vezes. Seguro os livros mais firmes. Não surte agora! Um pouco mais de calma, continuo a minha caminhada. A energia daquele lugar no lago, vai fazer eu me sentir melhor. Maldito seja o passado por me quebrar desse jeito.

~~~~~~~~~~~~~~~×~~~~~~~~~~~~~~~

“Meu coração é, e sempre vai ser, seu.” Suspiro. Eu vivo imaginando o meu final feliz, desde pequena. Talvez seja por que eu leio muitos romances e sonho com o cara perfeito, mas gosto de pensar que terei um bom futuro. Isso parece até um sonho bobo, do qual eu anseio desesperadamente viver.

Termino mais um capítulo do livro Razão e Sensibilidade, escrito por Jane Austen. Nunca me canso de ler as obras dela. Sempre trazem uma reflexão e paixão em cada página. O mais legal é que ela era uma mulher escritora do século XVIII.

Fazia uma semana desde a última vez que tentei entrar em contato com Mike. Eu já estava cansada de tudo isso.

Levanto da cama, onde estava lendo deitada, e caminho até a minha parede de prateleiras à minha frente. Meu quarto não é muito decorado. Do contrário, não sobraria espaço para a minha mini biblioteca. Eu tinha quatro prateleiras: uma para séries de fantasia e drama, outra para os clássicos e duas para romances. Na parede seguinte, que fica ao lado da porta, havia uma estante média onde eu guardava os de suspense, terror, ficção e poesia. Minha mesa de escrivaninha ficava abaixo das prateleiras e também tinha livros em cima dela. Minha mochila do colégio guardava mais três livros e meu Kindle.

Eu tinha muito orgulho da minha coleção. Desde criança, eu amava ler. Sempre foi meu sonho ter uma biblioteca em casa, então papai começou a comprar livros para mim. Ele me deu meu primeiro livro quando eu tinha 5 anos. Ainda tenho o exemplar gasto de Harry Potter. Era um dos favoritos dele. Naquela época, eu não sabia ler, então papai lia para mim todas as noites. Com os anos, comprei novos exemplares, mas aquele vai ficar sempre comigo.

Olho para cada um dos meus amigos feitos de papel. A maioria foi meu pai quem me deu. Tenho lembranças da minha felicidade quando ele chegava com um livro novo. Balanço a cabeça para afastar os pensamentos. Fungando, coloco Razão e Sensibilidade na segunda prateleira, entre Persuasão e Orgulho e Preconceito, duas outras obras da Jane.

Saio do quarto e desço as escadas em direção à cozinha. Escuto sons que parecem... Não. Não pode ser. Me apresso nos últimos degraus, praticamente correndo. Chegando lá, encontro minha mãe sentada no balcão da cozinha, beijando um cara, que estava entre as pernas dela. Ele me parecia estar na casa dos 40, mas usava roupas mais jovens. Seu jeans era rasgado e as mangas de sua camisa azul marinho estavam nos cotovelos.

— Mãe? — eu sabia que era ela, mas tinha que ver seu rosto para meu cérebro acreditar que aquela era realmente a minha mãe.

As duas cabeças se viram na minha direção quando escutam minha voz. A mulher que me deu a luz me olha com boca e olhos arregalados, enquanto o homem teve a decência de parecer envergonhado.

— Kate! — exclama ela.

— Mãe, quem é ele? — procuro conter a minha raiva.

Sua postura vacila e o cara pigarreia, o que a lembra de descer do balcão. Ela ajeita suas roupas.

— Não é da sua conta! — ralha ao mesmo tempo que ele diz “Richard.”

— Não é da minha conta? — ecoo, ignorando Richard. — Vocês estão praticamente se comendo aqui na cozinha enquanto eu estou em casa e isso não é da minha conta? A porcaria que não, mãe.

— Olhe o tom! — diz como se realmente agisse como minha mãe nos últimos tempos. — Nós não sabíamos que você estava em casa.

— É claro que não. — zombo. — Por acaso, você olhou as mensagens que deixei no seu celular hoje? A que dizia “Vou ficar em casa hoje” não chegou até você?

— Eu estava ocupada.

— Oh, sim, sim. — solto uma risada sarcástica. — Ocupada demais para ligar para a sua filha porque estava numa boa com o Richard. — o nome do sujeito saiu em desgosto. Ele foi para um canto mais afastado e deixou que minha mãe e eu tivéssemos nossa discussão habitual. Seus olhos iam para todos os lugares, menos para mim e ela. Babaca.

— Kate, olhe os modos!

— Os modos? Você quer me dar lição de moral sobre modos?

Ela passa, novamente, as mãos pela roupa.

— Bem, eu...

— Olha só, não quero ouvir mais nada. Mudei de ideia, vou sair agora. Assim, vocês podem continuar a festinha que estavam fazendo antes de eu interromper. — dou meia volta e sigo para a liberdade.

— Kate! Kate, volte aqui! Katherine! — minha mãe vem atrás de mim, mas bato a porta da frente, deixando ela e seus gritos para atrás. Ainda escuto quando ela pede perdão a Richard pelo meu comportamento. O meu comportamento? Quase rio da hipocrisia.

Me apresso nas escadas da entrada e caminho até a casa de Rose. Não leva muito tempo até conseguir ver o jeep de Sean. Solto um longo e cansado suspiro. Ok, minha mãe é uma vaca e Rose está ocupada com o namorado. Novo plano: Mazarick Park. Talvez o meu lugar de paz consiga realmente me trazer essa paz. Começo minha caminhada.

Às vezes eu penso que minha vida é como a dos personagens que eu leio. Ela está uma merda agora, mas vai ficar melhor. É nisso que eu tenho que acreditar, preciso que seja assim. Eu não tenho um sentido, um propósito e isso me faz pensar: qual a razão de continuar aqui? São pensamentos sombrios, mas que está sempre lá, em algum canto na minha mente, esperando para que possa me perturbar.

Passo pelo portão do Mazarick e ando mais um pouco até chegar no meu lugar. Me sento, cruzando as pernas e olho para o lago.

— Por que, pai? Só quero saber o porquê. — lágrimas da angústia que venho guardando, por não saber o motivo do meu pai ter ido embora, começam a borrar minha visão. — Por que você nos deixou? Por que não falou comigo nenhuma vez, a sua garotinha? Por que, pai? Por que? Por que? Por que? Por que? — os soluços vem. A dor corta meu peito e fica difícil de respirar. Minhas lágrimas já cobriram as minhas bochechas. — Por que, pai? — estou sentindo pena de mim mesma. Isso é uma grande merda.

Coloco os joelhos contra meu peito e abraço minhas pernas. Meu choro não para, sinto cada vez mais dor.

— Será que eu posso te perdoar? — o vento sopra em meu rosto, como se quisesse limpar minhas lágrimas, que não paravam de cair. — Desde que você foi embora, eu só tenho sentido dor, pai. Das quais você morreria se soubesse. — sempre evito pensar naqueles momentos. Eles me trazem uma sensação horrível de desespero e angústia.

Permaneço naquela posição, olhando para o lago por muito tempo e não sabia exatamente quando parei de chorar. Apenas quando ficou relativamente escuro, que percebi que devia ir para casa. O parque já ia fechar.

Levanto do banco, me sentindo vazia, e faço meu caminho de volta.
Ainda me lembro de como era a minha vida antes, quando eu tinha uma família feliz. Olhando para ela agora, é como se fosse um verdadeiro pedaço de merda.


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