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Capítulo 9 - Os netos

Criar filhos pode ser descrito basicamente com duas palavras: medo e alegria. O medo vinha toda vez que virávamos uma noite, esperando a febre de algum dos garotos baixar. Quando eles adoeciam e corríamos a um hospital. Quando chegavam chorando porque estavam machucados, por qualquer que tenha sido o motivo. A alegria era diária. Vinha após a recuperação de cada susto passado, com beijos e abraços recebidos, com os sons das risadas, com as confidências, com o brilho dos olhos e tantas outras coisas mais. Vê-los crescendo felizes fazia tudo valer a pena. Não éramos perfeitos, mas fizemos um ótimo trabalho como pais. Criamos dois homens gentis, educados e respeitadores. Estivemos juntos nos melhores e piores momentos. Não havia nada que quiséssemos mudar.


No primeiro dia de aula da faculdade, Somchai chegou com um olhar bobo. Disse que tinha conhecido a mulher da sua vida. Nunca havia visto uma garota como aquela e iria se casar com ela. Todos achamos graça, mas, cinco anos depois, Somchai cumpriu o que falou e casou-se com Lawan. Durante algum tempo, os dois tentaram ter filhos, sem sucesso. Apesar de ter conseguido engravidar por duas vezes, não conseguiu levar a gestação até o fim. O médico disse que ela tinha um problema no útero e dificilmente conseguiria ter filhos. Rapidamente concluíram que havia chegado a hora de pedir ajuda a alguém bastante especial. E lá fomos todos visitar nossa querida irmã Nam, que tinha se tornado uma pessoa muito presente em nossa família e, de quebra, tinha se tornado diretora do orfanato. Como sempre, nos recebeu de braços abertos e um enorme sorriso no rosto. Sempre que tínhamos uma oportunidade, visitávamos o orfanato. Passávamos horas conversando com a irmã Nam, enquanto os meninos ficavam brincando com as crianças de lá. Algumas vezes também a recebíamos em nossa casa, principalmente nas datas comemorativas. Naquele dia, a visita ao orfanato teve um motivo bastante pessoal e irmã Nam tinha a solução. Sem que eu soubesse, Arthit, Somchai, Lawan e irmã Nam já tinham conversado e tinham acertado alguns detalhes sobre o nome do bebê que iriam adotar. Eles queriam que o bebê se chamasse Singto, em homenagem a meu pai, que havia falecido alguns anos atrás. Isso me deixou muito emocionado, me levando às lágrimas.

Voltamos pra casa com um novo integrante na família e muitas lembranças na cabeça. A grande diferença era que dessa vez seríamos vovôs. O nosso papel seria o de mimar o nosso neto. Mas, como a vida gosta de dar voltas e aprontar algumas surpresas, nove meses depois, contra todas as previsões, Lawan deu a luz à Siriporn (Gloriosa Benção), nossa primeira neta. Singto tinha acabado de fazer um ano e estava começando a andar. Nossa casa teria crianças correndo por ela novamente.

Kalan, ao contrário do irmão que era mais romântico, sempre falava que não iria casar até terminar sua pós graduação, que pretendia fazer em outro país. Quando foi para o exterior conheceu Kamon, que também fazia uma pós graduação na mesma universidade e voltaram noivos. Não demorou muito e já estavam casados. Após dois anos nasceu Krist, dessa vez foi uma homenagem ao pai de Arthit.

Com nossos filhos trabalhando na empresa da família, decidimos que havia chegado a hora de desacelerar nosso ritmo. Começamos a ir cada vez menos à empresa e curtir cada vez mais os nossos netos. Os meninos preenchiam nossos dias e, sem esperar, recebemos a notícia que Kamon estava grávida novamente. Mais um neto estava a caminho. Kim chegou em nossas vidas pouco antes de Arthit fazer setenta e cinco anos.


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