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Capítulo 7 - O casamento


Acordei naquele dia me sentindo diferente. Era uma mistura de inquietação com ansiedade. Mais uma vez, minha vida estava prestes a mudar. Estávamos noivos e morávamos juntos há dois anos. Mas hoje, no final do dia, nós estaríamos casados. CASADOS!

Durante a nossa festa de despedida de solteiro, nossos amigos nos convenceram a dormirmos longe um do outro por alguns dias. Eles disseram que era pra ficarmos com saudades e tornar a noite de núpcias mais romântica. Fazia uma semana que estávamos dormindo separados. Desde que voltei da China, essa era a primeira vez que ficava tanto tempo longe de Arthit. No fim do dia serei um homem CASADO. Pensei mais uma vez.

Durante algum tempo, planejamos como queríamos nosso casamento. Decidimos que não faríamos nada muito tradicional. Seria algo simples, com amigos e familiares. A cerimônia do nosso casamento seria na casa de praia da minha família.

Nossas mães se juntaram e insistiram em preparar tudo para a gente. Só pedimos que respeitassem nossa vontade e fizessem algo verdadeiramente simples, deixando o resto por conta delas. Portanto, tudo seria uma surpresa.

Como não iríamos precisar sair de casa, mamãe havia preparado um dia especial. Ela contratou uma equipe de profissionais para nos arrumar aqui mesmo. Pela manhã tivemos uma sessão de massagem. Após o almoço cortei o cabelo, fiz a barba e fui tomar um banho. Minha mente era povoada pelas imagens de Arthit fazendo o mesmo ritual. Não via a hora de ver meu futuro marido. Queria ligar para ele e dizer que não ousasse chegar atrasado, mas me contive. Hoje à noite estarei casado. Pensava a todo instante.

À medida que a hora da cerimônia se aproximava, a ansiedade voltava a tomar conta de mim. Só queria Arthit ao meu lado. Tinha acabado de me arrumar quando mamãe entrou no quarto e, me olhando da cabeça aos pés, disse que eu estava tão bonito quanto o meu noivo. Ele havia acabado de chegar. Ao ouvi-la dizer que meu noivo havia acabado de chegar, uma emoção inundou o meu coração, quase me levando às lágrimas. Mamãe me disse que tinha muito orgulho do homem que eu havia me transformado. E me ver casando com o amor da minha vida, fazia o coração dela transbordar de alegria. Ouvi-la falando assim terminou me fazendo chorar. Depois de secar minhas lágrimas ela simplesmente me deu um beijo, me abraçou e perguntou se estava pronto pra encontrar meu noivo. Nem precisei responder, apenas sorri e saímos do quarto de braços dados.

Arthit estava aguardando na sala, ao lado da mãe dele. Ele sempre foi lindo, mas naquele dia estava mais lindo do que nunca. Nossas roupas eram do mesmo modelo, uma bermuda e um blazer por cima de uma blusa, mudava apenas a cor. Enquanto eu usava uma cor mais clara, para contrastar com minha pele que tinha um tom mais moreno, ele usava uma cor azul marinho para contrastar com sua pela branca. Seus cabelos negros estavam penteados com gel, emoldurando seu rosto quase perfeito. Seus olhos quase negros, não se desviavam do meu. Sua boca, que eu tanto amava beijar, tinha um tom que ficava entre o rosa e o vermelho. Sorrindo para mim, ele veio em minha direção. Deu um beijo em meu rosto, um abraço apertado e, sussurrando em meu ouvido, perguntou se estava pronto para o nosso futuro. Enquanto sorria e balançava a cabeça afirmativamente, eu sentia como se milhares de fogos de artifício explodissem dentro do meu peito.

Com tudo pronto, estava na hora de compartilhar com nossos amigos e familiares esse momento tão especial. Nossas mães entraram juntas para se encontrarem com nossos pais, que já estavam acomodados em seus lugares.

Chegamos de mãos dadas e fomos surpreendidos pela beleza do que nossas mães prepararam para nós. Tudo estava simples. Uma tenda lindamente decorada com algumas flores. Um monge estava à espera para celebrar nossa união. No caminho até a tenda, estava reproduzido o guarda corpo e alguns postes da ponte de Rama, parecendo o local onde começamos a namorar. Acho que isso deu um toque especial, quase poético, para a cerimônia. Nossas mães tinham pensado em cada detalhe.

Dizem que quem entra de pés descalços no casamento se entrega de corpo e alma. E foi assim que entramos no nosso, de mãos dadas e pés descalços.

O monge conduziu a cerimônia com tranquilidade. Falava de amor, respeito e cumplicidade. Disse que casamento é algo especial e espontâneo. Ninguém é obrigado a ficar junto, mas todos devem ser obrigados a amar. Até que chegou a parte mais emocionante da cerimônia… recitar os votos para o amado. É um sentimento muito forte de olhar nos olhos do seu amor e prometer que você vai fazer o seu melhor todos os dias de suas vidas. Arthit, a pedido do monge, foi o primeiro a falar.

- Kongpob, nunca fui muito bom em dizer aquilo que realmente sinto. – Por um instante Arthit perdeu a voz enquanto algumas lágrimas escorreram dos seus olhos, que foram secadas por Kong – Mas já deveria ter te falado isso há muito tempo. Quando nos conhecemos eu era um completo babaca. Ainda assim, você viu algo em mim que te fez querer permanecer do meu lado. Você conheceu meus defeitos, minhas manias e algumas das minhas ações já te magoaram sem que você merecesse. Apesar de tudo, você sempre escolheu estar ao meu lado. Nunca teve dúvidas. Você me transformou, com o seu amor, em alguém melhor. Hoje sou uma pessoa mais leve, mais alegre e, principalmente, mais feliz. O meu nome significa sol, mas é você quem brilha. Quando eu te olho, sei exatamente a direção que devo tomar. Muitas vezes duvidei que fosse a pessoa certa para você. Eu te amo mais que tudo, e prometo fazer o que puder pra que você nunca duvide da decisão de ter se casado comigo.

Eu prestava atenção a cada palavra que Arthit pronunciava durante seus votos e quando ele terminou era a minha vez de falar.

- Quando somos crianças, os adultos sempre nos dizem que um dia iremos encontrar aquela pessoa que fará toda diferença em nossa vida. Eles chamam isso de destino. E eu nunca acreditei muito nisso. O que poucos aqui sabem é que nossa história começou antes da minha entrada na faculdade, quando um jovem e belo rapaz, me vendo nervoso, sentou ao meu lado para me acalmar. Quando aquele mesmo rapaz entrou pela porta como meu veterano e líder do trote, passei a acreditar em destino. Quando assumimos nosso namoro, um amigo perguntou porquê eu nunca havia dito a ele que gostava de rapazes. Eu respondi que eu não gostava de rapazes, gostava apenas de Arthit. O nosso amor não foi premeditado, apenas aconteceu. Amar Arthit é fácil! Basta conhecê-lo! Quando prometi que sempre estaria ao seu lado, embarquei na melhor aventura da minha vida. E hoje, é só mais um passo em nossa jornada juntos.

Quando terminamos de falar, Jane, minha sobrinha, trouxe nossas alianças, que estavam guardadas dentro de pequenas engrenagens douradas. Uma com o número 0206 e outra com o número 0062, representando nossos números de matrícula na faculdade. Realmente nossas mães pensaram em tudo. Após abençoar nossa troca de alianças e dizer que, junto com nossos amigos e familiares, era testemunha dos nossos votos e da nossa decisão, o monge nos declarou casados. Arthit segurou em meu rosto e me deu um beijo, que pareceu demorar uma eternidade, até que nossos amigos começaram a assoviar, gritar e bater palmas, deixando a nós dois corados.

Do outro lado do jardim, foi montada outra enorme tenda onde ocorreria a festa. Seguimos direto pra lá. As mesas foram arrumadas de forma a deixar o centro da tenda com um espaço vazio, que iria servir como local de dança. No lado esquerdo estava uma mesa decorada com diversos doces e salgados. No centro, havia um bolo de dois andares e sobre ele, no local dos tradicionais bonecos de noivos, estavam duas engrenagens. Uma branca e outra azul marinho. Dessa vez, contendo os número 57 e 59 que representavam o número da turma do nosso curso. Nossos amigos foram se acomodando nas mesas que estavam reservadas com seus nomes. Enquanto percorríamos o salão cumprimentando a todos, Tutah, nosso mestre de cerimônia, pega o microfone e nos convida ao centro do salão pra que tenhamos nossa primeira dança de casados. Caminhamos de mãos dadas em direção a Tutah e quando chegamos ao centro do salão todas as luzes foram apagadas. Quando a música começa, um único facho de luz é aceso em nossa direção e enquanto dançávamos pelo salão a luz ia nos acompanhando. Arthit não parava de sorrir e me olhar. Nem parecia o homem tímido, que estava acostumado a ver. Quando a música parou ele me beijou e depois, sussurrando em meu ouvido, disse que não via a hora de fazer amor com o marido dele. Nessa hora eu corei, não sei se imaginando que todos pudessem ter ouvido seus desejos, ou se imaginando o que viria depois.


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