Regras de Etiqueta • hyunchan

Resumo

Hyunjin não era um submisso ruim, mas precisava aprender algumas regras de etiqueta.

Status
Completo
Capítulos
1
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capítulo único


𝐈


Era comum que empresários seguissem uma série de regras, principalmente sobre seus comportamentos em reuniões, conferências ou simples jantares com negociantes. Mas Hwang Hyunjin seguia muito mais do que apenas as normas comuns da empresa.


Para entender exatamente o que isso quer dizer, é importante saber quem era Hwang Hyunjin; um empresário coreano de vinte e oito anos que residia no Japão, sendo o único representante da filial de sua empresa há seis anos.


A empresa Hwang era uma das mais famosas no ramo de cosméticos, sempre fora muito bem falada, seja na Coréia ou no Japão. A primeira geração da empresa pertenceu à bisavó de Hyunjin, Hwang Eunsoo, que era uma mulher visionária, muito à frente de seu tempo, ela sempre tinha ótimas ideias em relação à empresa e em como liderar. A prova de sua excelência era onde havia chegado, com filiais ao redor do mundo, o nome Hwang sendo conhecido mundialmente e uma fortuna que daria para seus tataranetos viverem muito bem sem ao menos trabalhar.


Hyunjin não era nada diferente de sua bisavó, o rapaz tinha um talento intrínseco quando se tratava dos negócios da família, e até mesmo seu pai, que cuidava da filial coreana, tinha menos lucro que Hyunjin, o que provava que ele era mesmo o melhor naquele ramo.


Contudo, apesar de ser um ótimo empresário, Hyunjin deixava algumas coisas a desejar, seu comportamento não era dos melhores e ele sempre precisava de muita calma quando as coisas saiam de seu total controle. Sua infância sempre foi cercada de cobranças, ele havia sido criado para ser um líder e era isso que ele tentava fazer sempre, mesmo tendo seus — na época — apenas oito anos, ele já não brincava como as outras crianças e preferia aprender à fazer textos bem escritos, gráficos e acima de tudo, estudava inglês para seu futuro em uma empresa global. Hyunjin se isolava naquela época e seus pais não viam problema nenhum nisso, deixando a criança fazer o que bem entendia desde que isso significasse que o futuro dele seria exatamente como eles queriam que fosse. Aos doze anos de idade, Hyunjin começou a estudar outro idioma: o japonês. Ele sabia que seus pais planejavam abrir uma nova filial na capital daquele país e como esperado, ela ficaria realmente pronta a tempo, até que ele estivesse com idade suficiente para assumir a liderança.


Enquanto seus pais o guiavam para um futuro brilhante, Hyunjin cursava sua faculdade de administração. Após a conclusão do curso, assumiu a liderança da empresa como já era esperado. No Japão, deu início à sua segunda faculdade, sendo ela de relações internacionais, com isso, foi fácil para ele saber exatamente como trabalhar em uma multinacional como aquela.


Apesar de parecer ter a vida ganha, nada era assim tão fácil para o coreano. O trabalho constante o fazia ficar frustrado em relação à própria vida pessoal e como ele a levava. Não haviam festas, amigos demais ou diversão. Hyunjin apenas trabalhava noite e dia, raramente aceitava sair com Qian Kun, um homem oito anos mais velho e que fora a única companhia do Hwang desde que ele se mudou para o Japão, há oito anos atrás. Qian era alguém em quem Hyunjin confiava, mas não alguém com quem ele podia se divertir como realmente queria — mas este ainda não é um tópico importante.


Do outro lado da história, há Christopher Bang, sócio de Hyunjin. O Bang era o completo oposto do coreano; vivia em festas, apesar de ser alguém bastante responsável, e não se matava trabalhando com muitas horas extras seguidas, como Hyunjin tinha costume de fazer. O Bang era conhecido por sua lábia, não havia ninguém melhor que ele quando o assunto era fechar um contrato milionário, sempre conseguia, e mesmo quando falhava, a pessoa voltava atrás apenas com um olhar do Bang.



O australiano chegou até onde estava depois de uma faculdade de enfermagem ser deixada pela metade por uma completa de administração, e se fosse para falar com toda sinceridade possível, Christopher não fazia ideia do que estava fazendo enquanto estudava. Ele apenas queria fazer algo que o trouxesse alguma paz, e a enfermagem realmente não trazia nada disso para ele. Felizmente sua família nunca foi do tipo que se importava com suas escolhas, os Bang eram realmente liberais quanto a isso, eles apenas guiavam em relação às escolhas que poderiam ferir ou causar danos, mas fora isso eles não se importavam.


Christopher testava tudo o que sentia vontade de testar, e sempre que quebrava a cara ele ria, sabendo que iria tirar proveito daquilo para futuramente educar seus filhos tão bem quanto foi criado. Era uma pessoa bastante calma, nunca teve acessos de raiva ou qualquer coisa parecida, mas isso não significava que ele era alguém que não se importava com nada ou não tomava providências quando necessário; todos na empresa tinham medo de fazer algo que poderia deixá-lo irritado, uma vez que Christopher era bastante rígido para tudo, suas regras e opiniões sempre eram levadas à sério por causa disso. Logo, ele era a melhor pessoa para liderar ao lado de Hyunjin, já que conseguia manter a calma que o coreano acreditava ser impossível de ter.


Hyunjin e Christopher se conheceram quando o Bang era apenas um acionista majoritário de uma empresa rival, recebeu o convite para trabalhar com Hyunjin e em apenas um ano ele já havia sido promovido vezes o suficiente para assumir boa parte das ações, além de estar apenas alguns níveis abaixo de Hyunjin na hierarquia da empresa. Com todos os jantares e reuniões, os dois acabaram se aproximando bastante e naquele mesmo ano eles se tornaram amigos, o que deixou Kun um tanto enciumado, porém orgulhoso de Hyunjin, já que ele estava menos pilhado com tudo depois que o Bang conquistou sua confiança.


A relação dos dois realmente se construiu dentro da empresa e em tudo o que eles faziam juntos fora dela. Claro que no começo não foi tão fácil assim, uma vez que Hyunjin era uma pessoa realmente difícil de se lidar, mas Christopher era alguém paciente e não se importou tanto com a dificuldade que ele tinha em confiar nas pessoas. Acabou por não se amedrontar com as caras feias que ele fazia para si sempre que tentava agradá-lo com algo, seja algum docinho, depois de um almoço de negócios, ou simples abraços quando estavam passeando fora da empresa. Com o passar dos dias, Hyunjin começou a ficar mais acessível e até mesmo carinhoso com o Bang, o que era bastante inesperado, até mesmo o Kun se assustou com a abertura que o Hwang estava dando para o australiano, aquilo era realmente muito além do esperado, mas eles sabiam que Hyunjin, no fundo, era somente alguém que precisava de carinho e afago de alguém que não havia visto-o praticamente crescer, como Qian.


Com a relação dos dois realmente firmada em uma amizade duradoura, Kun não ficava mais tanto tempo cercando o mais novo, deixava que Hyunjin seguisse com seus próprios instintos, apesar de se sentir meio negligente por isso. De qualquer forma, ele estava indo bem.


Nos últimos sete anos, Hyunjin encontrou algo que o deixava menos frustrado. No começo eram apenas contos lidos na internet, relatos ou livros de baixa qualidade que sempre eram doados por ele ter odiado, mas acabou se enjoando de apenas ler e resolveu ir atrás da verdade. Foi nesse momento que ele descobriu que não era nem um pouco fácil. Não encontrava ninguém confiável para conversar e quando parecia ser, era duas vezes pior que os que claramente não eram confiáveis. Sua única alternativa foi pagar e, felizmente, dessa vez deu certo. A mulher que conversou com ele por quase sete meses tinha muitas dicas e realmente colocou Hyunjin naquele meio, o apresentou para pessoas que tinham maior conhecimento e foi assim que ele passou a se sentir parte da comunidade BDSMer.


Sua relação com o BDSM começou por causa do estresse, ajudava bastante a desfocar do que causava irritação. Então ir nos eventos tirava boa parte de sua frustração diária, além de trazer mais aprendizado sobre as práticas que ele gostava.


Para descobrir sua posição durante a atuação das cenas, Hyunjin precisou passar por uma bela crise existencial, mas no fim, ele estava feliz por ter entendido melhor e ter noção de que gostava de ser subjugado, e que isso não tinha nenhuma interferência na vida vida baunilha, fora das quatro paredes onde deveria praticar. Depois de se entender e até o ano atual, ele teve dois dominadores, mas nenhuma dessas relações durou mais que um ou dois meses, pois nunca se sentiu seguro e soube que não era aquilo que queria, não era daquela forma que ele queria ser dominado. Demorou um tempo até ele entender que tudo aquilo que tinha vivido não passava de sessões falsas com dominadores red flag.


Diferente do coreano, Christopher tinha uma relação diferente com a dinâmica; sendo seis anos mais velho que Hyunjin, o Bang sabia muito mais que ele e tinha bons anos de estudos há mais. Descobriu o BDSM quando tinha dezesseis anos, através de uma amiga de sua mãe, apesar da situação ter sido um pouco estranha, já que ela era bem mais velha, talvez beirando seus quarenta e cinco anos, e falava de sua vida privada como se estivesse contando sobre uma nova receita de bolo que descobriu. A mulher era switcher, atuava como dominadora e submissa, pelo que Christopher se lembrava, mas ela tinha algumas preferências; não dominava outras mulheres, apenas homens, mas servia normalmente como submissa independentemente do gênero da pessoa que fosse dominá-la.


Aos vinte anos — tendo estudado por quatro anos — Christopher teve sua primeira experiência como dominador, seria apenas para testar e saber se era daquilo que ele gostava, e felizmente era. Após a primeira sessão avulsa, ele fez mais algumas com homens e mulheres antes de conhecer alguém, que mais tarde veio a ser seu primeiro submisso.


Han Jisung tinha sua idade e estudava desde os treze, que foi quando descobriu o BDSM no tumblr e se identificou bastante com tudo que viu naquele blog. A relação deles durou quatro anos e acabou quando Jisung quis tomar um rumo diferente, ele queria manter uma relação parcial enquanto Christopher queria uma relação integral. Os dois resolveram encerrar o acordo, mas ainda continuaram amigos. O Bang não encontrou um submisso integral por muitos anos, então passou a fazer apenas sessões pagas e avulsas. Naquela época, ele ainda não tinha uma fortuna nos bolsos e as mulinhas pagavam bem para servir a ele.


Mas isso mudou quando ele conheceu Hyunjin de verdade. Enquanto eles iam descobrindo mais um sobre o outro, e enquanto ele notava pequenos detalhes no mais novo, Christopher percebeu que podia falar sobre suas escolhas e gostos pessoais mais escondidos. Ele começou aos poucos, citando um ou outro fetiche, falando sobre algumas fantasias e desejos que nunca perdeu… E quando notou, já estava negociando com o Hwang.


No começo parecia que não daria certo, Hyunjin tinha muitas barreiras e medos, pouca experiência e quase nada de confiança em si mesmo, mas Christopher se propôs a ajudá-lo a superar aquilo e mostrar como realmente deveria ser uma relação entre um dominador e seu submisso. Ele realmente fez isso, começou com conversas bobas sobre fetiches e como gostava de praticar, mas sempre dava um jeitinho de fazer o mais novo falar do que gostava e como gostava, qual era a melhor forma de praticar para ele e etc… E aos poucos eles estavam decidindo melhor quando iam realmente começar.


A primeira sessão foi bastante difícil para os dois, não por ser algo complicado de fazer, mas por Hyunjin precisar ir com calma e por Christopher ter muita responsabilidade sobre o que faria. Ele sabia que se errasse em qualquer coisa, ele poderia estragar tudo e corromper a confiança que Hyunjin depositou em si. Felizmente nada saiu errado e do começo até o final da cena, Hyunjin se sentiu confortável e seguro, o aftercare bem feito e longo também ajudou a deixar tudo melhor e depois disso, Hyunjin finalmente aceitou tentar ser o submisso de Christopher, ganhando uma coleira de posse com as iniciais dele um mês depois. E desde então eles estão juntos, passados cerca de três anos, quase quatro.


Nos dias atuais, Hyunjin e o Bang dividem seu tempo entre a empresa e a dinâmica que escolheram. Hyunjin se sente um agente duplo usando sua coleira social no trabalho, enquanto tem que dar ordens para Christopher.


Atualmente, ambos estão envolvidos na organização de uma recepção, cada um em sua própria casa, se preparando para a noite cheia de falsos elogios vindos dos acionistas, interessados e sabe-se lá mais quem.


Christopher estava na sala com seu melhor amigo. Eles realmente se conheciam desde crianças, estudaram juntos em praticamente todas as escolas em que passaram. Johnny sempre foi muito receptivo e Christopher amava atenção, foi realmente fácil iniciar uma amizade naquela época. Houveram pequenas brigas que sempre terminavam com os dois chorando ou com uma febre culposa, totalmente dominados pela tristeza infantil e aquela ideia de que brigar por um giz de cera realmente ia acabar com a amizade deles para sempre. Mas, no fim de tudo, eles faziam as pazes e então iam brigar de novo dois dias depois.


Nos dias atuais, eles não eram tão diferentes de quando estavam na infância, mas havia menos brigas, o que realmente não mudou nada foi a constante implicância que tinham um com o outro, eles não se importavam de estarem na beira dos quarenta anos e agindo como adolescentes de quinze. Eram amigos e eram felizes sendo assim.


— Isso vai ser realmente cansativo. Você lembra da última vez como foi? — O Bang comentou jogado no sofá de sua sala, Johnny estava olhando algo no celular, mas parou para prestar atenção no que ele estava falando.

— Lembro. Teve aquele cara que você odeia fazendo discurso, ele estava tão bêbado que mal ficava de pé. Foi deprimente, mas o nome dele nos jornais no dia seguinte deve ter sido muito mais. — Johnny disse rindo ao se lembrar das fotos do homem chorando completamente alcoolizado no palco montado para aquela ocasião.


— Temos que ir para a empresa logo. Se eu chegar dois minutos atrasado, o Hyunjin vai comer meu fígado. Você sabe. — Se levantou, ajeitando o terno do dia a dia no corpo. De qualquer forma, ele só mandava em Hyunjin quando não era algo sobre a empresa, o que era a maior parte do tempo, mas ele ignorava esse fato. — Porra, queria ter nascido rico e não ter que ir trabalhar.


— Hyunjin nasceu milionário e trabalha mais do que você. — Johnny disse rindo, pegando o maço de cigarros e indo até a varanda do apartamento.


— Cala a boca! E para de fumar aqui! Mesmo você indo aí, o cheiro fica em tudo. — Christopher resmungou — Não quer carona?


— Hoje é minha folga, nem a pau que vou ver sua cara. Vou descer e pegar um táxi pra casa do Mark. — O Suh riu do olhar irritado que o Bang deu em sua direção, mas resolveu sair com ele até o hall.


— Você e essa criança…


— Chris, ele tem vinte e cinco anos. Deixou de ser uma criança há muito tempo. — Johnny corrigiu sutilmente, entrando no elevador.


— Você tem trinta e sete.


— E você trinta e seis! Qual o problema? — O Bang deu de ombros. Não tinha problema nenhum, ele só era ciumento e sentia que Mark roubava seu melhor amigo. — Relaxa… Ele não vai ser meu melhor amigo, não é isso que eu quero dele.


— E o que você quer? — Christopher perguntou, olhando para o maior, que mexeu as sobrancelhas de modo sugestivo como resposta. — Porra, você não é hetero?


— Chris, de onde você tirou isso? Eu te contei sobre o meu primeiro namorado! — O Bang franziu o cenho, ele realmente não se lembrava disso.


— Talvez tenha contado para o Mark… — Deu de ombros, saindo do elevador com pressa. — Não quer mesmo carona?


— Não, a casa dele fica do outro lado da cidade, vai te atrasar. — Johnny respondeu, tirando a carteira do bolso para checar se seus cartões estavam lá. — Bom trabalho, baixinho.


— Vai se foder. — Resmungou saindo de perto do mais velho. Ainda tinha que ir até o estacionamento pegar seu carro.


Não muito longe dali, Hyunjin também reclamava da recepção que fariam à noite. Ele não via problema nenhum em trabalhar o dia todo, mas trabalhar tendo que aguentar música e um monte de gente falando ao mesmo tempo era insuportável. Hyunjin não sabia lidar bem com isso e apenas ficava pior quando tinha contratos envolvidos, novas parcerias e novos funcionários. Ele ainda morava com Kun, então o mais velho era obrigado a ouvi-lo reclamar sobre cada pedacinho chato que era trabalhar daquela forma. Felizmente, o Qian já havia aprendido a se desligar quando o moreno começava a falar como uma maritaca.


— Sério! Qual a dificuldade de deixar apenas o Chris trabalhando nessa porra de festa? Ele sabe tanto quanto eu! — Os cabelos pretos estavam jogados para trás naquele momento, enquanto o Hwang passava uma base no rosto para esconder as marcas de quem dormiu menos que quatro horas na última noite.


— Seu pai não gosta quando você deixa as coisas nas costas do Bang, você sabe disso. — Kun disse revirando os olhos para o drama do mais novo. Conhecia o Hwang desde que ele nasceu e se importava bastante com ele, mas não tinha tanta paciência assim, gastou tudo que tinha estocado quando o mais novo atingiu a puberdade. — Pare de reclamar, Hyunjin. Apenas faça seu trabalho.


— Hyung… — Hyunjin choramingou, passando a mão pelos cabelos, colocando-os no lugar. — Eu não quero…


— Antes era difícil fazer você parar de trabalhar, agora eu não consigo fazer você trabalhar. — Qian riu, vendo a carinha irritada que Hyunjin fazia. Ele ainda parecia aquela criança birrenta de dez anos. — Vamos. Eu vou dirigir agora, porque não vou para a conferência de noite. Te trago pra casa antes pra você poder se arrumar e ir passar raiva com velhos bêbados.


— Você me odeia, não é? Hyung? — Hyunjin disse baixo e em coreano, seguindo o maior para fora do apartamento.


Kun apenas riu e não disse mais nada durante o percurso até a empresa. Hyunjin acabou dormindo no caminho e ele preferiu deixá-lo dormir, merecia descansar. No entanto, Kun precisou passar por cima da pena que sentia e teve que acordar o menor quando estavam no estacionamento da empresa. Hyunjin ficava irritado quando era acordado assim, mas não havia nada que o mais velho pudesse fazer, teria que deixar ele se acalmar sozinho, ou com Christopher, também funcionava assim. O Hwang saiu do carro com passos pesados, não se importando em esperar pelo mais velho, mas ele não ligou para isso também, teria que ir para um lugar diferente de qualquer modo, e precisava ligar para a esposa.


Hyunjin andou com aqueles passos pesados e claramente raivosos até a sala do Bang. Bateu na porta e esperou por uma autorização para entrar, quando a recebeu, ele entrou como se fosse um cachorrinho obediente, de cabeça baixa e as mãos cruzadas na frente do corpo.


— Bom dia, meu Senhor. — Disse com seu tom manso e cuidadoso, algo que não existia com outras pessoas. Christopher largou os papéis que lia e chamou Hyunjin com com um movimento de seus dedos.


— Bom dia, Jinnie. Como foi sua noite? — Ele já sabia, conseguia ver a camada de maquiagem na pele dele e sabia que o Hwang só fazia esse tipo de maquiagem quando queria esconder olheiras, mas ele precisava que o submisso respondesse.


— Eu não consegui dormir essa noite, Senhor. Estava ansioso pela recepção de hoje à noite, eu não quero que nada dê errado desta vez. — Ele foi sincero, estava com as mãos sobre as próprias coxas enquanto se sentava no colo do mais velho, ele não tinha permissão para tocá-lo. — E o Senhor? Como passou a noite?


Christopher ponderou sobre responder ou não. Ele havia dormido bem, nunca teve nenhum tipo de problema para dormir e sabia que aquilo era algo que deixava Hyunjin irritado, já que ele não conseguia dormir por nada no mundo quando se sentia ansioso por algo.


— Dormi bem, você sabe. — Suas mãos acariciavam os cabelos pretos com cuidado para não deixá-los fora do lugar. Christopher observou a coleira social por baixo do colarinho do menor e sorriu. Amava vê-lo usando suas coleiras, demonstrando para todos que era seu, mesmo que de forma discreta. — Temos que decidir com quem fechar o contrato. Já concordamos sobre os Qian, mas ainda temos que decidir sobre os Zhang e os Choi. John não soube escolher também e eu resolvi que era melhor falar com você antes da recepção, já que é nela que vamos revelar qual foi a melhor proposta.


— Os Choi… Acredito que eles são a melhor escolha. Tenho ciência de que estão no mercado há menos tempo, mas a CEO deles é uma mulher esperta, ela vai saber muito bem como levar as coisas. Fora a equipe de marketing dela que é fenomenal, um contrato com eles só trará benefícios. — Hyunjin disse animado e completamente confiante do que estava dizendo. Ele nunca errava em suas escolhas relacionadas à empresa e Christopher havia aprendido isso da melhor forma possível, seu cargo atual era a maior prova disso.


— Ótimo! Iremos escolher os Choi esta noite. — O Bang disse orgulhoso. — Quero que venha com sua coleira social exposta. Use um blazer com decote em V sem nada por baixo, quero que ela chame a atenção de todos que olharem em sua direção.


— Haverá alguém que o Senhor conhece de outro lugar? — Hyunjin perguntou genuinamente curioso e o Bang riu, apertando uma das coxas dele.


— Não, eu apenas me orgulho de como você é o CEO mais jovem e talentoso do mundo, além de criativo e muito, muito bonito. — Hyunjin arregalou os olhos com a declaração, mas permaneceu quietinho onde estava até Christopher dar dois tapinhas em sua coxa, mandando-o se levantar. — Vou te levar até a porta, temos que trabalhar se quisermos ter tempo de respirar antes da recepção.


Hyunjin andou na frente e parou na porta, Christopher abriu para que ele saísse, mas o Hwang demorou a fazer isso e se virou de frente para o mais velho, tentando beijá-lo, mas Christopher o repeliu no mesmo instante, com um tapa fraco no braço.


— Estamos na empresa, Hyunjin, a porta não está fechada. Você sabe muito bem que eu não gosto de demonstrações de afeto quando estamos nessa situação. Se alguém reclamar sobre a gente...


— Eu sou o dono disso tudo.


— Então deveria servir de exemplo. — Dito isso, Christopher fechou a porta e a trancou, ouvindo os passos do menor contra o piso enquanto ele marchava para longe dali.


Hyunjin ignorou a mudança no tratamento que recebia do mais velho e caminhou com seus passos pesados até a própria sala. Precisava trabalhar e lidar com um dos estagiários, não tinha tempo para lamentar a falta de atenção de Christopher, faria isso mais tarde, quando estivessem longe da empresa e sem chances de levar um sermão. O estagiário ainda não havia chegado, então o Hwang ficou sentado atrás da mesa aproveitando aquele tempo para começar a organizar alguns contratos, principalmente os que seriam assinados pelos Choi e os Qian. Hyunjin também usou daquele tempo para deixar Kun avisado da parceria que iria fazer com a família dele, não deveria contar para ele, já que seria revelado durante à noite, mas não era como se Kun não soubesse praticamente tudo de sua vida. Desde suas aventuras de adolescência, até as aventuras atuais com o Bang. Kun sabia sobre tudo, mesmo que às vezes preferisse ficar de fora, mas ele gostava de ser alguém que Hyunjin confia.


Batidas fracas na porta tiraram sua atenção dos contratos, mas o Hwang não se importou e liberou a entrada de quem ele julgou ser o estagiário. E realmente era. Yang Jeongin havia começado a trabalhar na empresa três meses atrás, depois de completar vinte e dois anos. A princípio, ele iria ficar no cargo de recepcionista, mas o Hwang notou que ele seria melhor trabalhando ali como estagiário remunerado, com chances de subir de cargo, e até o momento atual, essa decisão havia sido um verdadeiro acerto. Jeongin trabalhava muito bem ali, era ágil e tinha facilidade para aprender o que ainda não sabia. O garoto se sentou na cadeira de frente para o mais velho e se encolheu como sempre fazia, a timidez sempre o fazia agir assim, mas com alguns minutos de conversa ele já estaria mais solto, estava melhorando bastante desde que começou a trabalhar ali.


— Me disseram que o senhor mandou me chamar. — O garoto disse baixo, a voz dele era grave demais para alguém que havia acabado de entrar na vida adulta, mas aquilo certamente não era nenhum incomodo para ninguém, principalmente para ele mesmo. — Precisa que eu faça algo?


— Na verdade, é sobre a recepção de hoje. Como você já sabe, todos os anos, nós fazemos uma festa para novos contratos e novos sócios. Esse ano não será diferente, vamos fazer uma festa para anunciar quais serão as nossas novas parcerias. Você vai ficar responsável por anotar os nomes dos convidados no banco digital. Você não é segurança, claro, mas tudo o que você digitar vai ser passado para a equipe de segurança do prédio, e eles não precisam perder tempo checando quem entrou, assim eles focam na segurança das salas e do cofre.


— Eu não sabia que existia um cofre aqui. — Jeongin arregalou os olhos, mas se recompôs ao notar a reação que havia tido na frente do dono daquela empresa. — Bom, eu não me importo em trabalhar assim essa noite, vai ser diferente e divertido.


— Ótimo, você vai receber um pouco a mais no salário já que a recepção está além do seu tempo de trabalho, será pago como hora extra. — Hyunjin disse despreocupado e Jeongin sorriu, dinheiro sempre seria bem-vindo, principalmente quando se está cursando uma faculdade.


Hyunjin se inclinou para entregar a programação da recepção e o nome de todos os convidados, e isso acabou movimentando a gola da blusa social que usava, o que chamou a atenção de Jeongin. O tom prata no meio daquele tecido preto dizia que havia algo muito interessante ali e que não era apenas um cordão como qualquer outro. Hyunjin notou para onde ele estava olhando e arrumou a gola da blusa escondendo a coleira social que usava.


— Ela parece ser bonita. — Jeongin comentou. O Hwang arregalou os olhos achando que Jeongin pensou que fosse uma choker comum, mas a frase que veio a seguir deixou o CEO completamente sem saber como reagir ou o que falar para o mais novo. — Eu queria uma assim.


— Você gosta de choker? — O coreano perguntou engolindo seco, mas tentando fingir que não estava nervoso com a situação.


— Isso não parece ser uma choker, senhor Hwang… Por que o senhor usaria algo assim no trabalho enquanto usa um terno? — O tom de voz do garoto era provocativo e Hyunjin pensou seriamente em demiti-lo por isso. Ele ainda olhava para si com aqueles olhos pretos que pareciam enxergar o fundo de sua alma. Pelo visto, não havia como fugir daquilo. — O senhor é um submisso, não é? Quem é o seu dominador?


— Yang Jeongin! — Hyunjin disse alto, deixando clara sua irritação com o mais novo, mas Jeongin riu todo fofinho, parecendo ser alguém ingênuo. — Isso não diz respeito a você, certo? Finja que não viu nada e volte ao trabalho.


Aquele era o maior pesadelo de Hyunjin, ele não queria que ninguém soubesse sobre essa parte de sua vida, Kun e Johnny eram as únicas pessoas que sabiam sobre isso e ele sentia que tudo iria por água abaixo se alguém da empresa descobrisse. E era justamente o que acabou de acontecer, Jeongin tinha certeza do que viu e seria impossível fazê-lo mudar de ideia, o garoto não parecia ser do tipo facilmente manipulado, então Hyunjin teria que dar um jeito de manter a boca dele fechada, ou sua reputação poderia ser completamente arruinada.


— Hum, senhor? Eu não vou contar para ninguém, sabe? Eu também gosto e bom, tenho um namorado que tem medo de fazer qualquer coisa, até ele conseguir fazer algo vai demorar para eu ter uma coleira… Ele fica com medo de me machucar até… Bom, em momentos íntimos. Eu não consigo deixar claro para ele que quero que ele me machuque. — Agora os olhos de Hyunjin realmente estavam a ponto de cair em seu colo de tão arregalados que estavam. Aquele garoto era tão quieto e tímido, como ele simplesmente começava a contar as coisas íntimas da vida dele assim, principalmente para alguém que era seu chefe? — O senhor pode me dar alguma dica? Eu tenho medo de falar e ele resolver que isso parece errado, e no fim terminar tudo comigo…


O Hwang ainda estava em choque, Jeongin estava simplesmente jogando tudo para o alto como se não estivesse de frente para o CEO da empresa onde trabalhava. Hyunjin sequer havia dado abertura para esse tipo de assunto, ele apenas não notou que dava para ver a coleira pelo colarinho, isso não era motivo para o Yang começar a contar da própria vida dessa forma. O garoto olhava para si com os olhos brilhando e isso pareceu trazer alguma luz para Hyunjin ser capaz de entender porque o garoto estava tão confiante falando tudo daquela forma. Ele apenas estava empolgado, e provavelmente não conhecia ninguém do meio. Hyunjin sabia bem como era aquela sensação. Foi assim quando ele começou a conhecer pessoas, claro que nem tudo foi um mar de rosas, mas ele ficou realmente muito animado com tudo.


— Jeongin, eu realmente não sei como posso te ajudar, eu não conheço seu namorado e não posso fazer mais do que aconselhar você a ser sincero com ele. Tenta conversar, ir explicando aos poucos, com cuidado com o que diz para não chocar ele. — Jeongin confirmava uma vez para cada palavra que o mais velho falava e isso arrancou uma risada baixa de Hyunjin. — Se ele estiver de acordo e quiser tentar, vocês dois vão precisar estudar bastante, vocês não devem começar a fazer nada sem estudar. E ele deve treinar sozinho, nada de te fazer de cobaia. Ele tem que saber o impacto de cada coisa antes de fazer em você ou com você.


— Tudo bem, vou tentar falar com Seungmin hoje mesmo! — Jeongin disse animado e Hyunjin franziu o cenho, aquele nome não era nem um pouco estranho para si.


— Seungmin? Você namora o filho mais velho dos Kim? — Jeongin assentiu sem entender toda aquela surpresa, mas o Hwang preferiu não dizer nada, só esperava que os Kim não descobrissem o relacionamento dos dois. — Tudo bem, volte a trabalhar. Nós ainda temos muito trabalho antes de todo o trabalho da noite.


— Obrigado pelas dicas, senhor Hwang! Eu não vou esquecer delas. E aliás, sua coleira social é linda! Espero poder ver a outra algum dia.


Hyunjin abanou as mãos para indicar que o mais novo deveria falar baixo e Jeongin riu, fechando a porta.


Para o Hwang, Jeongin tinha sorte, se ele começasse aquela vida ao lado do namorado, ele seria muito melhor tratado e não cairia na conversa de dominadores irresponsáveis ou red flags, assim como o próprio Hyunjin caiu. Ele se lembrava bem de sua primeira sessão com um dominador, aquele homem o fez fazer coisas que ele não estava preparado para fazer, além de tê-lo deixado amarrado com nós errados que machucaram acima do que era seu limite. Naquela época, não foi ele quem escolheu a própria palavra de segurança, mas sim o dominador, Hyunjin nunca conseguiu se lembrar dela, mesmo nos dias atuais ele ainda não se recorda da palavra escolhida por aquele homem, o que provavelmente significa que ele não tinha intenção de parar as cenas. Quando Hyunjin tentou desistir do acordo pela primeira vez, o homem surtou completamente, gritando aos quatro ventos que um submisso não tinha direito de mandar ou não na relação. O que realmente o salvou foi o histórico de agressão que o homem tinha, sua denúncia acabou resolvendo tudo e Hyunjin contou o que aconteceu para Kun, que com certeza deu um jeito na situação.


Na segunda vez que esteve em um relacionamento com um dominador, as coisas foram menos perigosas, mas isso não significa que eram certas. O homem tinha uma fixação enorme por fuck toys e queria que Hyunjin agisse dessa forma, no começo ele aceitou porque não fazia ideia do que aquilo era, e quando entendeu, ele também quis parar. O Hwang não era alguém que conseguia passar horas fazendo sexo sem parar, levando tapas e cuspe por todo corpo, não era esse tipo de sessão que ele queria. Ele acabou conseguindo fazer o dominador desistir da ideia, mas o homem ainda estava bastante empenhado em transformar Hyunjin em um objeto sexual, e o que era uma cena longa com sexo violento, se tornou em algo um pouco menos intenso, porém ainda constrangedor, que não trazia confianca para o coreano. Ficar na casa do homem sem roupas, fazendo qualquer tarefa e às vezes servindo a ele sexualmente como se fosse uma prostituta, era algo humilhante que Hyunjin também não aprovava; isso acabou rendendo uma surra com a justificativa de que estava sendo um submisso desobediente. Essa foi a última gota de água para o copo que já transbordava, Hyunjin não aguentou mais e desistiu.


Por muito tempo, ele acreditou que não seria capaz de ter alguém para dominá-lo devidamente. Buscou por cenas avulsas com mulheres e até deu certo por um tempo, mas ele notou após algum tempo que não gostava de servir figuras femininas, então desistiu de vez, não queria mais ter nenhuma ligação com nada disso, era melhor manter distância e nunca mais olhar para trás. Ele se manteve assim por um bom tempo, recebeu propostas, conheceu novas pessoas… Mas nenhuma delas inspirava segurança, tudo que ele sentia era vontade de correr para longe, toda aquela euforia que ele sentia ao ler algo ou falar sobre BDSM havia ido embora em um piscar de olhos e agora ele só queria virar essa folha, fingir que nunca tentou. Ele não voltou a ler contos, tampouco a olhar a conta no instagram que havia feito especificamente para isso, para suas práticas. As fotos ainda estavam lá, sua imagem submissa usando uma coleira que não valia nada, amarrado, ou fotos simples com posições que haviam ensinado para se portar bem como um submisso. Toda aquela regra de etiqueta que aprendeu não valia absolutamente nada agora, era só um amontoado de regras estúpidas que ele teria que seguir enquanto qualquer filho da puta, que se intitule como dominador possa usá-lo como bem entendesse, seja para machucá-lo ou forçá-lo a fazer sexo de alguma maneira nojenta ou perigosa. Então ele simplesmente desistiu. Era melhor assim, era seguro.


Hyunjin esperava que Seungmin fosse bom para Jeongin, apesar dos problemas que eles com certeza teriam ao longo do tempo. Ele provavelmente nem sabia o que iria acontecer, mas ainda assim ficou pensativo, o Hwang não tinha um coração de pedra, ele não queria ver Jeongin se machucar, não aquele garoto doce que se empolga fácil e parece brilhar por onde passa. Hyunjin sabia muito bem quão prejudicial essas coisas podem ser e ele realmente não queria ver isso acontecer. Sentia suas mãos tremendo só por pensar na ideia; ele sabia que não haviam muitos dominadores como Christopher.


Em sua sala, Bang tentava acalmar Seungmin. O garoto era filho de uma das famílias mais importantes para a empresa, e não confiava em quase ninguém — assim como Hyunjin — mas estranhamente confiava no Bang, então Christopher tentava ser bom em ajudá-lo com um pequeno momento de crise. O garoto entrou em sua sala como um pequeno furacão, ele parecia abalado, com os lábios brancos de tão pálido que estava, era como se tivesse visto um fantasma. Quando perguntou ao garoto qual era o problema, ele respondeu que seus pais haviam descoberto seu namoro com Jeongin, por causa de uma mensagem em seu celular, onde o Yang literalmente havia dito "Amor, nós podemos conversar? É algo que afeta nosso namoro" e não teria problema nenhum se a senhora Kim não estivesse com seu celular na mão, checando as horas. Ela apenas perguntou o que significava aquilo e Seungmin congelou, ele não sabia como fugir daquilo e o medo falou alto, então ela entendeu sozinha que não era uma piada, nem uma brincadeira de Jeongin.


— Ela não disse nada? Simplesmente saiu da sala desse jeito? — O Bang perguntou de frente para o menor.


Seungmin já tinha vinte e quatro anos, já era adulto há um bom tempo, mas seus pais ainda o viam como uma criança, além de estarem sempre tentando manipulá-lo como bem quisessem. Jeongin era a única parte de sua vida que eles não tentavam controlar, porque não sabiam dela. Nos quatro anos de namoro deles, nada nunca chegou aos ouvidos dos Kim, os Yang eram os únicos que sabiam sobre os garotos e faziam de tudo para protegê-los dos pais do garoto mais velho, eles tinham medo do que o casal poderia sofrer caso os pais de Seungmin descobrissem tudo.


— Não, ela só me olhou e saiu depois de jogar meu celular na mesa. — Seungmin esfregou o rosto com força e jogou o peso de seu corpo contra o encosto da cadeira, cansado de ter que viver daquele jeito, com medo de tudo. — E tem essa mensagem que ele mandou. Será que ele quer terminar comigo? Mas isso não faz sentido, ele me chamou de amor. Talvez ele queira fazer algo à três… Ele disse que gosta de algumas coisas que talvez eu não goste.


Christopher riu, o desespero do garoto em relação ao namorado era maior do que sua mãe homofóbica descobrindo que ele namorava outro garoto. Mas ele não poderia julgar Seungmin, ele também se desesperava quando Hyunjin ficava um pouco estranho consigo.


— Respondeu ele? — Seungmin assentiu e mostrou a mensagem de Jeongin falando que teriam que se encontrar para a tal conversa. — O jeito vai ser esperar mesmo, Minnie. Não deve ser nada grave, sim? Pode ser algo bom, se acalme. A sua mãe é o mais perigoso no momento.


— Não quero ter que falar com meus pais. — O coreano resmungou ainda apertando o próprio rosto com as mãos em um gesto nervoso — Eu não quero que me separem do Innie. E se me mandarem para Coréia?


— Não acho que vão fazer isso… Ele é um Yang, a família dele está cada dia mais bem reconhecida. Eles podem usar isso como um marketing para eles, na verdade. Jeongin logo logo ganhará uma promoção também… Não diga a ninguém que te contei isso. — O Bang arregalou os olhos ao notar o que tinha dito, mas suspirou quando Seungmin deu de ombros.


— Vou atrás dela. Obrigado por conversar comigo hoje, hyung.


Seungmin saiu da sala e fechou a porta com cuidado, deixando o Bang sentado ali enquanto pensava no restante do dia e em tudo que ele teria que fazer mesmo estando totalmente desanimado. Não eram tantas coisas assim, mas aquele trabalho poderia ser frustrante demais quando se passa horas conversando com pessoas arrogantes. Christopher ignorava na maior parte do tempo, mas nem sempre era possível fazer isso. Agora, por exemplo, havia acabado de receber uma mensagem de Hyunjin pedindo para que fosse até a sala de reuniões. Ele suspirou, mas acabou indo.



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𝐈𝐈




A água do chuveiro estava mais quente do que o recomendado, mas Christopher não se importava com aquilo, ele precisava urgentemente tirar todo aquele estresse do corpo antes de passar o resto da noite se estressando em uma recepção irritante. Ele poderia simplesmente tomar um banho de banheira, mas sabia que se fizesse isso, acabaria dormindo dentro dela e desmaiando de cansaço ali mesmo, sem se importar com o trabalho, e provavelmente seria demitido, porque o Hwang realmente prezava o trabalho e não iria tolerar algo como uma falta sem motivo em um dia tão importante para a empresa.


Se lembrava bem de quando precisou faltar ao trabalho por uma doença e o coreano apareceu em sua casa para confirmar sua condição. Ele não se sentia nem um pouco arrependido de duvidar de Christopher, mas ficou por ali e fez uma sopa para ele. Hyunjin também se encarregou de comprar os remédios que o mais velho tinha costume de tomar quando estava com uma gripe forte como aquelas. Havia sido uma das primeiras vezes que o mais novo demonstrou algum cuidado para com Christopher, e isso deixou o coração do Bang completamente derretido. Não que fosse muito difícil fazê-lo se derreter dessa forma, Christopher era como uma manteiga derretida, mas vindo de Hyunjin, aquilo valia muito. Kun mal acreditou quando soube o que o amigo havia feito. Quem via de fora até poderia acreditar que Hyunjin era uma pessoa horrível, se redimindo, de tanto que os outros dois comemoraram sua pequena demonstração de afeto.


Aquele banheiro realmente trazia muitas lembranças para si, principalmente com o Hwang. Era sempre naquela banheira enorme que as coisas acabavam. Mesmo antes de começarem com a dinâmica atual, eles tinham seus momentos de deslize; onde uma taça de vinho se tornava um beijo, e um beijo se tornava vários e depois disso sua cama virava um palco para o espetáculo que faziam sobre ela, eles nunca se importaram muito em como fariam, apenas seguiam suas vontades e deixavam a carne guiar os desejos. Entretanto, sempre Christopher notava uma diferença bastante visível entre eles.


Hyunjin sempre era sempre mais delicado e cuidadoso, não importava se estava por cima ou por baixo, se estava guiando, ou apenas sentando no mais velho como um bom garoto, ele nunca dominava a situação, Hyunjin parecia estar sempre esperando por ordens, então o Bang nunca pedia nada, ele mandava e Hyunjin obedecia sem contestar. Parecia certo, eles não funcionavam de outra forma, o encaixe era realmente perfeito quando Hyunjin apenas abaixava a cabeça e se deixava ser guiado e dominado por Christopher, era assim que eles deveriam seguir com a vida privada que levavam juntos. Desde então, estava dando muito certo.


Christopher saiu do cômodo enrolado em uma toalha enquanto secava o cabelo com outra — que era de rosto e ele sempre molhava com o cabelo — Johnny estava em algum lugar de seu apartamento, morava logo lado então tinha até mesmo as chaves do lugar, mas só entrava em caso de tédio exagerado e quando sabia que o coreano não estava ali. Ele realmente tinha medo de pegar alguma cena que iria traumatizá-lo, não pela prática que o amigo gostava, mas sim por ver Christopher fazendo algo assim. Johnny não praticava nada, mas também não podia ser considerado um baunilha padrão, ele gostava de algumas coisas e em alguns casos tinha fetiches mais estranhos que o próprio Bang.


— Achei que fosse morar ou morrer naquele banheiro. — O Suh disse em tom de zombaria, estava arrumado e perfumado, com o cabelo penteado para trás em um topete bonito que deixava seus olhos destacados, vestia preto da cabeça aos pés e não usava gravata, deixando quatro botões soltos em sua blusa social por baixo do terno. Se parecia mais com um galã de novela do que um empresário indo trabalhar, mas se ninguém havia reclamado disso até hoje, Christopher também não o faria.


— Eu também achei. Só de pensar em tudo que vou ter aturar hoje, eu sinto vontade de me enrolar em uma bola e sumir debaixo do sofá. — O Bang disse fazendo algum drama e ajustando mangas de sua blusa social vermelha, ela tinha um tom escuro e ficaria escondida sob o terno, então não era nada muito chamativo, ninguém ia reclamar, provavelmente iriam se focar mais nos bêbados dando um show de vexame. — Hyunjin ainda não mandou nenhuma mensagem surtando, então eu acho que está tudo bem, por enquanto.


— Por que debaixo do sofá? — Johnny perguntou franzindo o cenho e Christopher suspirou. Ele sempre prestava atenção nas coisas que não precisavam de atenção. O Bang revirou os olhos e vestiu o terno, mas o Suh parecia mesmo empenhado em ter uma resposta. — Sério, por quê?


— Ninguém procura nada debaixo do sofá. — Christopher dizia isso por experiência própria, ele se lembrava muito bem de quando ele e Hyunjin fizeram uma cena na sala e no meio dela um pequeno plug de jóia circular caiu no chão. Eles procuraram por toda a sala, e até mesmo em cima do sofá, mas não o encontraram. Para piorar toda a situação, quem encontrou o pequeno brinquedo sexual deles foi uma das moças contratadas para a limpeza do apartamento. Hyunjin nunca se sentiu tão envergonhado em sua vida, ele havia acabado de acordar no quarto de Christopher após uma sessão intensa, e quando saiu dali, com intenção de assaltar a geladeira usando apenas uma blusa do mais velho, deu de cara com duas moças encarando o objeto que haviam varrido para fora do canto escondido embaixo do sofá. Ele correu para pegar como se elas não tivessem notado sua bunda toda marcada de fora, já que a blusa não cobria quase nada, quando ele se abaixou. Quase desmaiou de fome naquele dia, mas não saiu do quarto até notar que elas haviam ido embora. Depois disso ele nunca mais usou um plug fora do quarto, havia ficado traumatizado e tinha quase certeza de que se usasse na sala outra vez, aconteceria algo pior e com certeza iriam abrir a porta, e vê-lo naquela situação humilhante que ele tanto gostava.


— Eu nunca parei para pensar nessa coisa do sofá… E cara, termina logo de se arrumar antes que a gente se atrase. — Johnny disse checando o horário, pelos seus cálculos, o salão já deveria estar cheio e os convidados VIPs estavam começando a chegar. — Logo logo o Hyunjin começa a surtar por você estar atrasado.


— Ele não vai. Nós dois combinamos de chegar um pouco mais tarde, assim todos os convidados vão estar lá e vamos poder ter descanso antes de anunciar as parcerias. Todo mundo sabe que ninguém está realmente querendo ficar naquela merda por tanto tempo. — Depois de explicar e ver Johnny revirar os olhos por ter se arrumado rápido demais, achando que teriam que correr, Christopher voltou para o quarto para passar um bom perfume e arrumar o cabelo preto. Ele ignorou o gel e qualquer outra coisa, apenas penteou os fios para longe dos olhos e saiu do quarto com o celular, a carteira e as chaves nas mãos. — Podemos ir, certo? Não está esquecendo nada?


— Não, fiz uma lista e deixei na porta. Antes de sair eu dou de cara com ela e não esqueço de nada. Pode dizer, eu sou um gênio, não sou? — Christopher queria dizer que ele só era muito lerdo, mas preferiu assentir enquanto entravam no elevador. A música que tocava era a mesma de sempre, chata e sem graça nenhuma, o Bang agradeceu por poder sair logo daquele cubículo e ir em direção ao próprio carro. Estava servindo de chofer para Johnny desde que o mais velho se envolveu em um acidente, causado por um outro motorista bêbado, e seu carro acabou tendo que ir para uma mecânica. Já haviam se passado três meses e ainda não estava pronto, era um milagre ele só ter saído com escoriações.


— Como foram as coisas com o Mark hoje? — O Bang perguntou como se fosse alguém que não tem realmente um interesse verdadeiro em querer saber, mas estava mesmo muito curioso. Johnny dificilmente falava sobre seus casos e aquele parecia muito mais interessante que os outros. Mark Lee era filho da ex namorada de Johnny, a mulher era dez anos mais velha que o Suh e ninguém nunca entendeu como esse casal aconteceu, mas era coisa do passado e agora Johnny estava querendo o filho da ex, que morava — felizmente — no Canadá e nunca ia saber caso algo acontecesse entre os dois.


— O Mark consegue ser lerdo para um senhor caralho, sabe? Eu quase metendo minha língua na boca dele e ele perguntando sobre o que eu disse que queria conversar. Talvez seja só eu que não sirvo para flertar com homem, mas ele precisou me ver revirar os olhos e respirar fundo antes de perguntar o que eu queria. Eu tive que falar com todas as letras, Chris. — Johnny parecia estar sofrendo e o Bang riu, o americano havia passado tanto tempo tendo casos de uma noite com mulheres aleatórias que havia se esquecido como era realmente ter que fazer todo o trabalho. Ele não se lembrava como agir quando se está tentando paquerar alguém. — Eu disse que queria ele, tentei ser romântico, mas ele olhou na minha cara e perguntou onde… Pensei que eu fosse explodir depois dessa, mas acabei rindo e falei que no meu colo, beijando a minha boca. Deu bastante certo e nós vamos ter um encontro no final dessa semana mesmo.


— Uau, eu não esperava que você conseguisse ser tão direto assim. Você quase morreu quando teve que chamar a Karina para ir com você naquela reunião. Era literalmente uma reunião sobre algo que ela era a única que entendia bem, e você fez parecer tinha quinze outra vez e estava chamando ela para um beijo atrás da escola. — Christopher riu alto, a risada escandalosa ecoou por todo estacionamento em sincronia com o alarme de seu carro sendo desativado. — Vou te dar carona até quando, hein?


— Só mais uma semana e você vai poder voltar a foder com o Hyunjin no seu carro. — O Suh disse tentando dar seu melhor olhar sedutor, mas falhou miseravelmente com isso. — Por falar nele, como estão as coisas entre vocês? Já estão namorando ou só naquele lance de você bater e ele apanhar rindo?


— Eu não tive tempo de conversar com ele ainda… — Christopher choramingou e deu partida no carro, tirando-o da garagem do prédio onde moravam. — Não é tão fácil, sabe? Ele sequer parece querer a mesma coisa que eu, falando do lado baunilha da coisa. Eu vejo o Hyunjin como alguém muito independente, eu acho que ele se basta e está bem sozinho. Ele sabe que pode contar comigo para uma conversa, um desabafo ou uma foda, mas não acredito que ele me veja romanticamente.


— Mas você vê ele assim, não vê? — Johnny viu o momento exato em que o Bang firmou as mãos no volante, como se controlasse algum impulso, ele sempre fazia isso, não era algo que fazia Johnny se assustar ao notar. Era bem comum Christopher se acalmar sozinho, seus pais haviam ensinado muitas técnicas para isso, então o Bang nunca foi de se estressar de verdade, e quando isso acontecia, bastava algumas horas para ele se recuperar e colocar a cabeça no lugar. — Você sabe que o fato de Hyunjin ser alguém independente e se sentir bem sozinho não significa que ele vai realmente ignorar os sentimentos dele, certo? Se ele não for aro, ele pode sim te corresponder e só ter medo de falar sobre. Você conhece ele melhor que eu, sabe como ele é em outros aspectos.


Christopher odiou como Johnny soube acertar completamente na escolha de palavras, ele não era uma pessoa que normalmente faz isso, mas agora havia feito. Johnny havia sido certeiro e usou todas as palavras de Christopher contra ele mesmo. Era péssimo ter um amigo que o conhecia tão bem na mesma medida que era ótimo. O Suh sempre sabia o que dizer, não importava se ia doer ou não, ele apenas sabia o quê e como falar, por isso Christopher o prezava tanto como amigo, como um irmão mais velho.


— Acho que você está certo… Obrigado, hyung.


— O quê? Você acabou de me chamar de hyung? O mundo vai acabar e eu nem fodi com o Mark ainda! Meu Deus, eu nunca fiz sexo com duas pessoas ao mesmo tempo! — O americano começou a dizer em tom dramático, fazendo Christopher rir e toda aquela aura estranha e negativa sumir. Com certeza ia ficar tudo bem depois disso.








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𝐈𝐈𝐈




Quando chegaram no salão, todos os olhares se voltaram para eles. Christopher sempre se sentia como uma estrela de Hollywood. Aqueles olhares sobre si e os flashes das câmeras dos repórteres, que em grande maioria estão ali, apenas por estar e sem terem sido convidados, procurando apenas por um furo de notícia, e não por querer cobrir uma festa da elite. Ninguém ligava muito para eles, teria algum furo, mesmo que apenas inventassem tirando foto de duas pessoas e vendendo como se fosse o casal do século. Venderiam qualquer coisa por alguns dias e depois toda a história seria desmentida, como sempre.


— Isso aqui está cheio de abutres. — John se referia aos repórteres, ele os odiava com todas as suas forças. O Bang ainda não havia visto ninguém que ele precisava cumprimentar, então apenas seguia seu caminho olhando como tudo parecia muito bem organizado. Incluindo Jeongin, que estava sentado em uma mesa próxima à entrada, Seungmin também estava lá, fingindo trabalhar enquanto claramente bajulava Jeongin; eles deveriam ter resolvido aquela questão sobre a família do Kim.


Ignorando os pombinhos, Christopher seguiu até o outro lado do salão, checando o buffet. Ele já não fazia a menor ideia de onde Johnny estava, mas sabia que ele estava falando com algumas das senhoras viúvas que foram convidadas para celebrar a nova parceria da empresa. Ele sempre conversava com as velhinhas solitárias.


— Senhor Bang! — Uma das garotas do buffet cumprimentou, ela era conhecida dele, já que Christopher sempre almoçava no restaurante dela. — Está tudo de acordo com o que o senhor pediu?


— Está sim, Minjeong! Obrigado! — O moreno agradeceu e a Kim sorriu, voltando a organizar os canapés. Christopher seguiu seu caminho enquanto conferia tudo, ignorando a demora de Hyunjin para não surtar. Ah, aquele coreano maldito…


Enquanto o Bang amaldiçoava Hyunjin, ele tentava se arrumar dentro do carro, já que acabou dormindo e perdendo a hora para sair de casa. Acordou com as mensagens de Kun perguntando onde ele estava para ainda não ter chegado na recepção. No fim ele preferiu ligar para explicar direito o que aconteceu.


— Você sabe que eu normalmente não me atraso desse jeito, não sabe, hyung? — Hyunjin choramingou olhando pelo retrovisor de seu carro para checar a maquiagem que havia feito. Não estava ruim, mas poderia ter ficado muito melhor se não fosse por seu imenso atraso. Se tinha uma coisa que o Hwang odiava, essa coisa era se atrasar ou conhecer alguém que não era pontual, então estava a ponto de surtar também. Ele estava usando fones bluetooth para falar com o Qian, em partes ajudava a não se atrapalhar, mas a voz do mais velho chamando sua atenção era realmente muito irritante.


— Eu sei! Mas os outros não sabem, e vão apenas achar que você não honra seus compromissos. — O mais velho disse, era possível ouvir pela ligação que ele já estava no salão e pelo barulho, todos os convidados já estavam lá. — Eu vou dizer que você precisou resolver um problema pessoal e que por isso se atrasou. Mas tente se apressar, Hyunjin.


— Tudo bem, hyung. Obrigado. Vou ficar te devendo uma, mas demore para cobrar, sim? — Kun riu e concordou antes de desligar a chamada, felizmente Hyunjin não estava assim tão longe do local da festa. Não teria um atraso tão gigantesco assim.


No salão onde acontecia a festa, Christopher se viu tropeçando em uma conhecida de longa data: Jang Eunseong. A loira de cabelos curtos havia sido sua namorada alguns anos atrás e a amizade permaneceu, apesar das longas viagens que ela fazia ao redor do mundo, sempre trazendo algo dos países visitados para presentear o Bang.


— Eu não sabia que você já tinha voltado para o Japão. — Ele disse após soltá-la de um abraço longo e apertado. — Você está tão linda, Seong.


— Obrigada, Chris. — Ela agradeceu sorrindo e olhou ao redor sem tirar o sorriso do rosto. — O lugar ficou incrível com essa decoração. Azul e branco são cores que realmente acalmam.


Eunseong era conhecida por ser uma arquiteta bastante renomada e conhecida na Ásia. Christopher a conheceu quando precisou reformar seu apartamento depois de comprá-lo. Na época, ele ainda não era sócio de Hyunjin, mas o conhecia das reuniões que fazia entre as empresas. Não houve um relacionamento enorme e duradouro, mas com certeza foi intenso, os dois meses que passaram juntos valeu mais do que metade dos relacionamentos anteriores de Christopher, ele se sentia grato por tê-la conhecido mesmo que tudo que viveram tenha sido baunilha, não sentia necessidade de mais nada enquanto estava com ela. Vê-la ali, em um momento importante de sua carreira, tinha um peso enorme para si, era muito significativo.


Quando Hyunjin entrou no salão, a primeira coisa que viu foi Christopher com a mulher, a cena fofa aos outros não tinha o mesmo efeito no Hwang, ele se sentia completamente ameaçado com a presença dela mesmo não tendo nada sério com o Bang. Bom, nada sério romanticamente, mas se dependesse de si, eles teriam, Hyunjin apenas não sabia como abordar uma conversa com esse teor. Era fácil para si simplesmente sentar-se sobre as coxas de Christopher e dizer todos os seus desejos mais vergonhosos, mas era praticamente impossível para si falar qualquer coisa sobre seus sentimentos. Ele podia falar sobre estar puto com os negócios ou animado para algo, mas falar sobre paixão ou qualquer coisa próxima disso… Não, ele nunca ia conseguir. Foi por isso que ele engoliu o ciúme e saiu de perto dos dois, deixando Christopher ali, com a ex-namorada, que com certeza falava sobre seus sentimentos enquanto ele ia atrás de Jeongin, saber como estavam as coisas.


Jeongin ainda estava na mesa com Seungmin, os dois olhavam os nomes recém anotados e conferiam com a lista do Hwang, eles não haviam tido a conversa que Jeongin queria, mas conversaram sobre a família Kim e sobre como haviam sido aceitos. Christopher estava certo sobre o que seus pais iriam pensar sobre a família Yang e sua ascensão no mundo dos negócios. Hyunjin sorriu ao ver os dois parecendo felizes e animados mesmo durante o trabalho. Cenas como essas deixavam o pobre coração fragilizado do Hwang aos pedaços, ele queria poder ter alguém assim, mas Christopher parecia completamente inalcançável agora, como grãos de areia que passam por entre seus dedos e caem, rolando para longe com a ajuda do vento forte.


— Garotos! Como vocês estão? Alguma dificuldade com essa tarefa, Jeongin? — O garoto negou, e assim que olhou para o mais velho, arregalou os olhos ao notar a coleira social completamente exposta, porém disfarçada entre outros cordões de prata que acompanhavam o decote em V do blazer azul escuro que ele vestia.


— O senhor está muito elegante… Ela fica bonita assim. — Sua fala foi baixa e isso chamou a atenção de Seungmin que buscou o olhar do mais novo, notando exatamente o que ele estava elogiando.


— Caralho! — Ele disse alto, mas com a mão sobre a própria boca. Sua reação pegou Jeongin de surpresa, ele não esperava que o Kim soubesse o que aquele acessório poderia significar. Seungmin, ao notar que Hyunjin também parecia assustado, começou a se desculpar, temendo uma demissão, seus pais o matariam se ele perdesse aquele cargo. — Desculpe, eu não queria ter gritado. Eu só… fiquei surpreso com… com…


— Eu entendi, Seungmin. Tudo bem. — Hyunjin riu um pouco nervoso. Jeongin ainda parecia petrificado no lugar, com a boca aberta enquanto tentava saber se havia entendido certo. — Vou deixar vocês sozinhos agora, preciso ir falar com algumas pessoas.


Hyunjin não esperou pela resposta dos outros dois e saiu dali, ele passou pelos mesmos lugares que Christopher, conferiu as mesmas coisas e falou com os mesmos funcionários. Uma das únicas mudanças no percurso foi se encontrar com Kun, que estava irritado com algo. Notar o mais velho desse jeito fez o moreninho choramingar pensando em todos os piores cenários.


— Ei. Tô aqui, o que houve? — Hyunjin perguntou tocando o ombro do mais velho e o Qian virou para si, parecendo mais aliviado no mesmo instante que o viu.


— Sua mãe quer fazer uma videochamada com você, eu disse que não tinha chegado ainda e ela ficou me ligando de cinco em cinco minutos. Acabei de desligar o telefone. — Kun disse, esfregando o próprio rosto por causa da irritação que sentia. A senhora Hwang era realmente alguém difícil de lidar, ela agia como uma criança mimada e queria tudo na mão, exatamente no mesmo instante em que pediu. Hyunjin era um pouco assim também, mas ele conseguia ter algum senso e agia de acordo com o que era possível e não com o que ele queria.


— Tudo bem, podemos fazer isso agora. Ela deve querer gritar no meu ouvido um pouco, como se eu estivesse prestes a afundar a empresa. Ela acha que sou o meu pai. — No ano anterior, o pai de Hyunjin havia conseguido se envolver em um escândalo que quase jogou o nome da empresa na lama, mas o Hwang mais novo conseguiu pensar rápido e deu a volta por cima, fazendo tudo parecer apenas um marketing muito bem criado. Apesar de sempre ser Hyunjin quem resolvia as coisas, a mulher ainda ficava com um pé atrás por saber da sexualidade do filho, ela acreditava que se soubessem sobre isso, o nome deles iria de vez para a lama e não haveria ninguém no mundo capaz de consertar as coisas. Bom, mal sabia ela que as pessoas já estavam cientes da sexualidade dele e ninguém se importava, ele não era pego por ali fazendo algo inapropriado como seu pai havia feito. Ignorando todos os seus instintos, berrando para que não falasse com a mais velha, Hyunjin seguiu sozinho para sua sala enquanto Kun ia atrás de Christopher avisar o que estava acontecendo, teriam que ganhar algum tempo antes de fazer o anúncio.


O Bang estava falando com um dos acionistas mais antigos da empresa quando foi chamado por Kun. O coreano parecia estressado e todo mundo sempre tinha a mesma reação quando o viam assim.


— O que deu errado agora? — O Bang perguntou, já se preparando para o pior, com as mãos nos quadris e passando a língua contra a bochecha. Era comum para todos na empresa ficarem aflitos quando Kun estava aflito.


— Hwang Yifei sendo a velha insuportável que ela sempre foi, insistiu pra caralho até o Hyunjin aceitar uma chamada de vídeo com ela. Ele provavelmente vai descer soltando fogo pelos olhos, ela parece mesmo disposta a fazer aquele discurso homofóbico de todo ano. — Kun explicou e Christopher assentiu, ele não tinha muito o que falar agora, era só esperar o mais novo aparecer com cara de quem mataria uma pessoa apenas com o olhar.


Enquanto o coreano não aparecia, Christopher ficou andando pelo salão tentando dar atenção a todos e espalhando que o Hwang estava em uma reunião de urgência e que logo aparecia para a revelação que todos esperavam. As pessoas pareciam engolir aquela desculpa com facilidade já que o coreano era alguém realmente muito ocupado e responsável, ninguém duvidava da veracidade das palavras de Christopher também, o que era ótimo para encobrir a situação incômoda causada por Hwang Yifei.


— Ele está demorando demais dessa vez, você não acha? — O Bang perguntou para Johnny, havia encontrado o mais velho depois de quase uma hora, ele estava na cozinha assaltando algumas taças de vinho. Felizmente não estava bêbado graças à sua alta tolerância ao álcool. — A mãe dele não costuma ficar falando tanto tempo assim.


— Vai ver ele ficou tão puto que precisou de um ar. Aquela mulher é insuportável, Chris. — John já havia tido o desprazer de conhecê-la há um ano atrás, quando ela veio para o Japão passar uma semana com Hyunjin. Foi a pior semana da vida de todos que tiveram contato com a coreana. Yifei não respeita ninguém e age como se fosse a dona da razão, uma deusa que nunca erra. Por muitas vezes ele quis jogar tudo para o alto e dizer poucas e boas para ela, mas era seu pescoço que estava em jogo e ele não queria perder o emprego por mandar uma velha ir se foder. — Kun não sabe o motivo da ligação? Talvez tenha sido algo realmente sério e importante. Talvez ela esteja à beira da morte ou sei lá. Não sei, são só possibilidades, não acho que ela ligaria para dar uma notícia boa, aquela mulher e uma praga que Deus não mandou para o Egito e agora a gente que lute para suportar essa porra.


— Você viaja demais, sabia? Me pergunto como raios você não cursou filosofia. — Christopher disse rindo, tentando esquecer que estava à beira de um ataque de nervos ali mesmo. Precisava se acalmar, estava se estressando à toa e aquilo não era bom para sua saúde. — E não, eu não sei o motivo da ligação.


Quando Johnny pensou em responder, sua fala foi cortada por Eunseong, a mulher apareceu segurando os saltos agulha nas mãos e com a maquiagem um pouco borrada, além de tropeçar nas próprias pernas. Era realmente preocupante, ela estava completamente bêbada ali.


— Chris-Christopher, honey! — Ela disse alto, trombando em Johnny ao passar por ele — Desculpe, grandão… Uau, Chris… Você tem um amigo gostoso aqui, hum?


— Eunseong, quanto você bebeu? Você sequer pode beber! — Ah, um detalhe que havia passado batido: o namoro dos dois acabou quando Christopher notou que a mulher era alcoólatra. Agora tudo parecia estar acontecendo novamente, no pior de todos os cenários. Aquilo era péssimo, se Hyunjin voltasse e visse o escândalo que ela estava pronta para fazer, ele ia cair duro no chão, mortinho da silva.


Bom, ele voltou. Parecia estupidamente bravo, e não viu apenas uma mulher bêbada, ele viu a ex-namorada de Christopher beijando-o. Johnny também parecia surpreso com o jeito que ela avançou no Bang, puxando-o pelo terno enquanto manchava a boca dele com batom. Ele não queria ser esse tipo de pessoa, mas seu ódio já estava em níveis tão elevados que ele simplesmente saiu de onde estava e andou até perto de Christopher, puxando o maior para trás, afastando-o da garota com força.


— Que porra está acontecendo aqui?! — O Hwang gritou olhando diretamente para a mulher, que agora tinha os lábios borrados pelo próprio batom rosado. Ela sorria e para Hyunjin, aquilo era um tipo de afronta, ele não estava nem um pouco feliz vendo essa cena. Johnny não sabia o que fazer, então apenas segurou a Jang, com medo de que ela caísse por estar sem equilíbrio algum.


— Hyunjin, pare de gritar e causar confusão. Estávamos até agora sem nada do tipo, não será você quem vai foder com tudo. — Christopher não estava pedindo, mas a raiva de Hyunjin o cegava para isso, ele não queria saber se aquela era uma ordem de seu dominador ou um pedido de seu sócio. — Sai daqui, vai organizar tudo para o anúncio.


— Eu vou, mas saiba que eu não vou ignorar essa merda que eu vi. — O Hwang saiu dali apressado, subiu no palco com os outros funcionários e começou a checar se tudo estava funcionando bem para aquele anúncio. Apesar de estar focado naquilo, ele não conseguia se esquecer do que viu, seu sangue fervia a cada segundo e Hyunjin só queria descer dali e esmurrar Christopher.


Por que ele convidou aquela mulher? Haviam tantas pessoas na vida dele, então porque logo aquela alcoólatra que quase acabou com tudo?


Assim que fizeram o discurso, Hyunjin desceu do palco, era notável para todos que havia algo errado, mas até o presente momento, ninguém desconfiava de nada graças às desculpas de Kun. Os convidados pensavam que era algum problema interno sobre o que Hyunjin estava preocupado e não um ciúme infundado. Para maior indignação do Hwang, quando Christopher desceu do palco após se desculpar pelo comportamento do coreano, a primeira coisa que ele fez foi ir atrás de Eunseong.


Ela estava sentada em uma cadeira no salão, tentando usar o próprio celular, mas havia bloqueado-o depois de errar a própria senha várias vezes. Christopher sentou do lado dela e puxou algum assunto aleatório para tentar fazê-la beber água e contar seu endereço, Johnny iria levá-la para casa, mas ela parecia saber disso e desconversava dizendo que preferia ficar ali com o Bang. Ela se agarrou ao braço dele e tentou abraçá-lo, o cheiro de álcool deixava Christopher enjoado, mas ele não podia fazer muito, Johnny parecia ter ido fabricar um copo com água e não voltava nunca.


— Chris… Me disseram que você está namorando… Você já me esqueceu? — Ela não estava chorando, mas falava com uma voz infantil e fazia bico, como se quisesse deixar claro que estava triste. Felizmente Johnny apareceu com o copo de água e a entregou, Eunseong bebeu toda a água e devolveu o copo para o maior, sorrindo com seus dentes manchados de batom.


— Vai com ele, sim? Ele vai deixar você em casa Seong. — Christopher tentou mais uma vez, mas ela bufou e cruzou os braços como se fizesse birra. De certa forma, aquilo o lembrou de Hyunjin, aquele parecia um timing perfeito porque o coreano apareceu em seu campo de visão no mesmo instante. Ele estava lindo, completamente elegante, mas Christopher não podia elogiá-lo agora. — Seong, fala onde você está hospedada, por favor.


Antes que ela respondesse, o Hwang se aproximou. Ele cruzou os braços e parou ao lado de Johnny, o Bang estava de pé agora, tentando tirar a amiga daquela cadeira. Havia pessoas ali, convidados que ainda não tinham ido embora por qualquer motivo. Não eram muitos, mas era o suficiente para espalhar rumores e causar confusão.


— Essa mulher ainda está agarrada em você? — Hyunjin perguntou com um tom debochado, ele passava a língua contra a bochecha para tentar amenizar o ciúme que sentia, mas parecia não funcionar muito bem quando ela ainda alisava o corpo de Christopher.


— Hyunjin, sério, para de escândalo, você está completamente sóbrio. Não tem motivo nenhum para isso. Ela é só uma amiga e está bêbada, se comporte. — O Bang tentava ao máximo não chamar atenção, mas estava ficando difícil já que toda aquela situação estava começando a deixá-lo nervoso. Até mesmo Johnny estava se irritando, Eunseong e Hyunjin estavam se comportando como duas crianças do jardim de infância. — Por favor, ok? Todos aqui já tiveram o bastante da sua falta de educação, vá para casa, Hyunjin.


— Minha falta de educação?! — Hyunjin havia gritado aquilo e dado um passo a frente, completamente cego para suas ações erradas. — A única pessoa mal educada que eu estou vendo aqui é essa-


Hyunjin não pode completar seu xingamento injusto graças ao tapa que Christopher deu em seu rosto, ignorando completamente o local em que estavam e tratando o menor apenas como seu submisso e não como chefe. Os olhos do coreano se encheram de lágrimas, mas ele não deixou nenhuma gota cair, secando os olhos na manga de seu blazer enquanto mantinha o olhar fixo no mais velho. Johnny estava perplexo diante da cena, segurando o copo de plástico como se fosse capaz de evitar uma catástrofe com ele.


— Eu não vou falar de novo, Hwang Hyunjin. — Christopher disse entredentes e o submisso ainda o olhando com raiva deu as costas, saindo dali. — Johnny, leve ela para qualquer hotel, eu te passo o dinheiro que você for gastar com isso. Mas agora eu preciso sair daqui também e esfriar a cabeça.


O Bang não esperou uma resposta e saiu andando, ele nunca se sentiu tão desrespeitado por Hyunjin em todo o tempo desde que se conheceram. Queria tê-lo punido ali mesmo, no meio daquele salão onde alguns convidados assistiram todo o show protagonizado por eles, mas sabia que se fizesse isso, apenas se igualaria aos dominadores que abusaram de Hyunjin no passado, então ele saiu do salão e entrou em seu carro, ia dirigir por algumas horas e se acalmar. Depois que fizesse isso, iria disciplinar seu submisso.


Antes de ligar o carro, Christopher pegou seu celular para mandar uma mensagem ao coreano.


channie 🍒:

Hyunjin, me espere no meu apartamento, vamos resolver o seu probleminha de comportamento hoje. Sabe como me esperar. Chego em algumas horas.


Aquilo bastava para o coreano saber que estava encrencado, mas ele já tinha certeza que não iria escapar dessa vez.







.:::.


𝐈𝐕




Hyunjin entra no apartamento do mais velho usando as chaves reservas que havia ganhado quando firmaram o contrato. Ele precisava seguir um pequeno ritual antes de qualquer sessão ou punição, não era algo que acontecia religiosamente, mas naquele momento o Hwang preferiu não arriscar. Ele havia passado dos limites com Christopher e tinha total noção disso, não só havia feito uma cena por ciúme como também havia desrespeitado o maior mais de uma vez, então ele tentaria ao máximo não receber uma punição tão grande, por mais que soubesse que o Bang não iria deixar aquilo passar batido.


Com um suspiro derrotado, Hyunjin começou a tirar as roupas que vestia, tirou peça por peça e as deixou dobradas sobre o sofá. Como não tinha nenhum jeito de colocar sua coleira de posse, o submisso preferiu manter a social mesmo. Depois de estar devidamente despido, o coreano se ajoelhou no meio da sala, teria que aguardar naquela posição até seu dono chegar, ele sabia que demoraria já que Christopher sempre esperava toda sua raiva passar antes de aplicar uma punição.


Ele se lembrava de quando passou de todos os limites possíveis e o Bang precisou de uma semana para poder puni-lo, ele não viu o outro por algum tempo, antes disso, no máximo se falavam na empresa e mais nada. A punição também foi tão grande quanto o erro que havia cometido, o Bang o fez passar quase três horas ajoelhado no milho, disse que aquela era uma boa punição para quem quer agir como uma criança birrenta e além do milho em seus joelhos, Hyunjin também teve que lidar com quinze chicotadas nas costas. Essa foi a parte física de seu castigo, a mais fácil de tudo, a parte difícil foi ter suas coleiras confiscadas por quase um mês e não poder ter nada com o mais velho até que ele as devolvesse, nem mesmo a relação baunilha existiu entre os dois naquele tempo. Hyunjin não queria passar por isso outra vez, ele preferia ficar cinco horas ajoelhado em pedras e vidro.


Christopher era um bom dominador, era carinhoso e sempre cuidava de Hyunjin com todo o carinho do mundo, tentando não falhar em nada e o deixar confortável em todas as sessões, e até mesmo em castigos ou punições, o aftercare sempre era cheio de dedicação, Hyunjin realmente se sentia amado com cada ação do mais velho, mesmo que esse sentimento não fosse algo romântico. Diferente de todos os outros, Christopher o ensinou que BDSM não era sobre apanhar e bater, obedecer ou desobedecer, mas sim sobre respeito, amor e cuidado mútuo, era muito mais do que um rótulo que a comunidade praticante recebeu na internet. Não havia loucura nenhuma em ter desejos e realizá-los.


Ele aprendeu com o Bang, que não eram socos que moldavam um submisso, que não eram cenas que causavam medo e muito menos ser forçado a fazer algo desconfortável. Christopher não deu a ele uma palavra de segurança, Christopher pediu que ele escolhesse algo que jamais iria esquecer e o ensinou a usá-la, Christopher ensinou que sempre que ele quisesse, sempre que se sentisse desconfortável com algo ou simplesmente estivesse sem vontade, ele deveria usar a palavra que escolhesse. Hyunjin quase sempre usava ela, não por fraqueza ou algo do tipo, ele usava por ser sincero com o próprio corpo, com a própria mente, pois não seria bom ultrapassar os próprios limites apenas para agradar Christopher, essa foi só mais uma das coisas que o mais velho o ensinou.


Ele era tão grato ao Bang que agora estava se sentindo cada vez mais culpado por sua cena de ciúmes, ele sabia que Christopher não queria Eunseong na vida dele como mais que uma amiga e mesmo assim surtou completamente por causa disso. Ele com certeza poderia ter uma noite inteira de mimos se não tivesse surtado daquela forma por algo tão besta, seria menos vergonhoso e não iria doer nada. Mas agora não adiantava chorar pelo leite derramado, sua única opção era ficar de joelhos ali e esperar até Christopher voltar e decidir qual seria seu castigo.


Quando Christopher chega, quase cinco horas mais tarde, não parece nem um pouco bravo e está falando ao telefone com Johnny. Hyunjin já havia mudado de posição diversas vezes no chão e felizmente estava na posição correta quando o Bang abriu a porta. Não teve nenhuma conversa. Depois que Christopher desligou a chamada, ele simplesmente ignorou Hyunjin e foi para o quarto, ele saiu dali vestido informalmente, com uma camisa regata e shorts pretos que cobriam até o meio de suas coxas grossas. O Hwang adorava vê-lo desse jeito, principalmente quando podia tocar, mas agora ele sabia que tocá-lo era inviável e ele com certeza levaria um tapa na cara se tentasse.


Christopher ligou a televisão e deixou no canal que estava, passava algum filme e ele decidiu assistir um pouco depois de preparar um sanduíche e um suco natural. Enquanto ele comia, Hyunjin aguardava por qualquer interação, ele se assemelhava a um cachorrinho carente naquele momento, Christopher não olhou para ele em momento algum até o filme acabar, vinte minutos depois do Bang chegar.


Christopher se levantou do sofá após alguns segundos depois do filme ter acabado e parou na frente do menor. Hyunjin não sabia se devia olhar para ele, então manteve seus olhos no chão até ouvir ele estalar os dedos.


— Vem. — Foi a única coisa que ele disse antes de seguir em direção ao próprio quarto e Hyunjin se levantou rapidamente, sentindo suas pernas doerem pelo tempo que ficou ali e passou a caminhar rápido bruscamente, buscando alcançar o mais velho. Quando ele entrou no quarto, o Bang apontou para o chão perto da cama e Hyunjin se sentou ali da mesma forma que estava na sala, suas pernas ainda doíam.


Ele ficou olhando o maior mexer no baú médio de madeira que ficava ao lado da estante cheia de livros, sabia que ele estava escolhendo o que iria usar e estava curioso quanto a isso. Christopher colocou algumas coisas sobre a cama e Hyunjin suspirou ao ver o cinto de castidade, odiava aquilo mais do que odiava café sem açúcar. Junto do cinto de castidade havia uma corda, uma chibata, uma venda e uma saia curta. Parecia algo simples, mas vindo de Christopher, nunca era algo simples e ele confirmou isso quando viu o maior amarrar uma ponta da corda no gancho que ficava na parede ao lado da cama.


— Venha até aqui e estique as mãos na direção da corda. — O Bang disse baixo, terminando de conferir se a corda estava firme.


— Sim, Senhor. — Respondeu no mesmo tom baixo, porém tentando parecer o mais dócil possível. Depois de obedecer a ordem que recebeu, Hyunjin se deixou ser amarrado pelas mãos do maior. O Hwang estava de costas para Christopher e olhando para a parede enquanto seus braços estavam estendidos acima de sua cabeça. Se a cena demorasse muito a acabar, Hyunjin sabia que iria sofrer um pouco com a dor nos braços por causa da posição.


— Eu vou te vendar e depois vamos começar. — Christopher disse próximo a seu ouvido e se afastou por alguns segundos para buscar a venda que havia preparado, ela era preta, de seda por fora e um tecido confortável por dentro, de forma que não irritasse a pele ou os olhos do menor. Hyunjin não era muito fã de vendas, ele sabia muito bem da sensibilidade que tinha na pele e sem a visão apenas ficaria muito mais sensível, e provavelmente era exatamente isso que o Bang queria fazer. O silêncio parecia palpável naquele momento, Christopher não deu nenhuma outra ordem ou falou sobre qualquer coisa, Hyunjin não sabia o que ele estava fazendo naquele momento, e mesmo que quisesse, não poderia saber, não deveria perguntar nada ao maior, havia perdido o direito de fazê-lo quando agiu feito um pirralho mal educado. — Hoje você agiu como uma verdadeira cadela possessiva, Hyunjin. O que você acha que eu deveria fazer em relação a isso, hum? Eu realmente pensei em tirar de você todas as suas coleiras, pensei em quebrar nosso contrato e desistir de você. Eu odeio submissos que além de não saberem seu lugar, agem como se fossem melhor que qualquer pessoa. Você, nesta noite, não foi digno de nada bom que venha de mim, o que me faz pensar se uma punição vai resolver o seu caso de rebeldia. Você acha que vai resolver, Hwang Hyunjin?


— Sim, Senhor. — Após a resposta com seu tom mais manhoso, Hyunjin pôde sentir a ardência dos dedos do Bang contra sua bochecha. Ele não tinha nenhuma permissão para falar. Seu rosto ficaria ardendo e avermelhado por algum tempo, as mãos do mais velho eram realmente pesadas e faziam um bom estrago. Hyunjin conseguia se lembrar de todas as outras vezes que precisou esconder as marcas em seu rosto. Sempre pelo mesmo motivo: sua teimosia em responder quando não tinha permissão alguma para tal coisa. O Hwang parecia nunca aprender, não importava quantos tapas ele levasse.


— É adorável a sua falta de habilidade em não pensar como uma puta, sabia? Mas ainda assim me deixa com vontade de arrebentar esse seu rostinho todo, te encher de tapas ao invés de porra. Você gostaria das duas coisas, mas eu jamais te daria algo para se deleitar, pelo contrário, Hyunjin, eu quero ver seu corpo tremendo e se contorcendo pela culpa, quero te ver humilhado o bastante para aprender qual é o seu lugar. — Enquanto sussurrava as palavras, Christopher esfregava a ponta da chibata nas pernas do menor, insinuando que iria bater com ela em sua pele, Hyunjin arrepiava, sem conseguir evitar a clara demonstração de que a antecipação da dor o deixava excitado, ele queria sentir aquilo, mesmo que viesse de uma maldita punição. Havia sido muito bem treinado para ser a puta particular de Christopher, sempre gostando de tudo que seu dono lhe desse, então uma surra seria muito bem aceita. — Vagabunda. Eu vou te vestir, te pintar, deixar você parecendo a putinha que você é.


Hyunjin gostaria de saber como seria pintado, já que sabia muito bem como seria vestido, mas ele não fazia a menor ideia do que Christopher havia preparado, não exatamente. O barulho pelo quarto não ajudava em nada na hora de identificar o que maior estava fazendo, ele realmente estava no escuro ali, tentando adivinhar sem nenhuma dica, falhando a cada segundo. Não havia expectativa precisa quando não se tem algo pelo qual você pode esperar. Hyunjin odiava essa sensação, odiava não saber de absolutamente nada, estar no escuro e sem poder reclamar disso, uma vez que toda a culpa era sua, ele havia se colocado naquela situação e Christopher era o único que poderia tirá-lo dela. Quando quisesse, na hora que quisesse. A forma que o Bang encontrou de chamar sua atenção foi dando um tapa em sua coxa, fazendo-o notar que era hora de receber mais algumas ordens.


— Senhor? — Tentou arriscar, sabendo que poderia levar um tapa por isso, mas felizmente Christopher perdoou, já que precisava da confirmação do mais novo.


— Você viu a saia, eu vou colocar ela em você, levante uma perna. — Seguindo as instruções e tentando não se desequilibrar, Hyunjin conseguiu vestir a saia extremamente curta, ela mal cobria suas nádegas e ele tinha certeza que era possível ver tudo na parte da frente, não era uma roupa para delinear seu corpo como os vestidos de vinil que Christopher havia comprado para si como presente, era uma peça feita para humilhar, deixar claro que ele era apenas o objeto sexual de alguém naquele momento. O Bang não era o tipo de dominador que gosta de humilhação o tempo todo, suas punições sempre foram físicas e psicológicas, a falta do zelo e da presença, mas naquela noite ele realmente faria algo diferente, algo que iria educar Hyunjin e ensiná-lo de uma vez por todas a seguir as regras de etiqueta. — Há outra coisa que eu acho que você merece, mas primeiro, vamos tingir seus lábios, um vermelho sangue para a minha prostituta particular. Eu deveria vender você, todos amam adestrar uma boa vagabunda rebelde.


Hyunjin mordeu o lábio ao ouvir aquela frase, seus olhos por baixo da venda estavam úmidos mesmo que ele soubesse que era um blefe. Christopher jamais faria algo assim, mas a menção daquilo mexia com ele, o diminuía, fazia-o se sentir minúsculo, um mero objeto que pertencia ao mais velho, não trazia medo, mas o sentimento de humilhação crescia em seu peito, e ele precisava segurar os soluços que ameaçavam deixar sua garganta. Céus, ele não deveria ter sido tão mau. Christopher sempre o castigava de acordo com o que ele fazia, deveria ter se lembrado disso antes de gritar no meio de todos, causando vergonha em seu dono.


As mãos do Bang seguravam seu rosto em uma posição e Hyunjin ficou parado, sentindo quando ele soltou e apenas dois dedos mantiveram seu rosto erguido enquanto o mais velho passava o batom em seus lábios, delicadamente, contornando o desenho delicado de sua boca, Christopher não queria errar em nada. Depois de conferir e aprovar o tom vermelho na boca alheia, o Bang se afastou e voltou para perto da cama pegando o cinto de castidade que havia deixado separado com as outras coisas, a chibata estava presa na parede, junto com as outras, por hora, ele não voltaria a usá-la. Hyunjin ainda não estava excitado, então ficaria fácil colocar cinto de castidade nele. Aquele era um dos últimos que havia comprado, era transparente, com o cadeado comum, de aço inox. Hyunjin resmungou quando sentiu as mãos do moreno em si, estavam geladas e a região sensível acabava sentindo a temperatura baixa com mais facilidade. O som do cadeado fechando chamou sua atenção, agora ele sabia que definitivamente estava pronto para começar.


— Vou começar com as minhas mãos, isso é tudo que você merece saber por enquanto. — O Bang ditou e Hyunjin assentiu, sentindo seu coração começar a bater com mais força, ansiando pelo que viria em breve. Ele esperava tapas em suas pernas expostas, mas sentiu uma mão em seu pescoço, fazendo uma pressão contínua que o fez arregalar os olhos sob a venda de seda, desesperado por ar, sem ter tido um aviso prévio do que viria. O coreano abriu a boca para tentar respirar melhor, mas o tapa em seu rosto o fez fechá-la novamente, choramingando pela dor. — A próxima vez que você gritar comigo, Hyunjin, eu vou te fazer incapaz de levantar a voz novamente. Eu vou foder a sua garganta até ela inchar, te deixar rouco e dolorido por dias a fio. Você vai aprender que uma cadela como você não deveria latir sem permissão.


Um novo tapa fez seu rosto avermelhar ainda mais, sua respiração ainda estava limitada pela mão dele, a saliva em sua boca não descia para a garganta e ele não conseguia engolir, mas Christopher não parecia disposto a deixá-lo fazer isso, apenas apertava e soltava, sem realmente dar tempo para algo que não fosse respirar, para logo em seguida desferir outro tapa, ainda mais forte que o anterior.


— Toda vez que eu segurar o seu rosto de agora em diante, eu quero que se lembre da forma que você me desrespeitou hoje e do castigo que vai receber. Eu não quero ouvir suas promessas sobre ser um bom submisso, Hyunjin, porque eu não acredito em você. Mais um deslize, e você vai ser uma vadia sem dono, menosprezada por todos, e você sabe que ninguém quer um submisso que foi descartado. Ninguém quer, ninguém vai te querer. — Ouvindo o choro que finalmente começou, Christopher tirou a venda que cobria os olhos bonitos do Hwang, mas sem soltar o pescoço dele. — Você fica tão lindo assim, sendo humilhado, com o rosto molhado de lágrimas, sabendo que não passa de uma vadia inútil. Eu sinto vontade de te foder agora, sabia? Meu pau está duro pra caralho agora, Hyunjin, duro como uma maldita pedra, mas eu não vou meter ele no buraco de uma puta como você. Eu quero o meu garoto elegante, que obedece ordens e respeita o próprio dono.


— S-Senhor… — O submisso tentou dizer, mas recebeu outro tapa, seguido de um aperto mais forte no pescoço. A saliva começou a escorrer entre seus lábios e ele já se engasgava, mal conseguindo respirar pelo nariz. Christopher sorriu, dando outro tapa forte antes de liberar o menor de seu aperto, também era excitante vê-lo se desesperar em busca de ar, sacudindo o corpo todo enquanto sentia as cordas apertando seus pulsos finos. Aquela parecia ser a pior punição, Christopher nunca havia ido tão longe, nem mesmo em uma sessão voltada para a humilhação; e Hyunjin sabia que ele havia apenas começado. O Hwang mordeu o lábio quando sua respiração se estabilizou, seus dentes mancharam com o batom vermelho que ele não lembrava de usar, borrando um pouco o trabalho bem feito de Christopher.


— É mesmo uma vadia burra que não sabe manter a merda de uma maquiagem. — Christopher praticamente rosnou, forçando seus dedos dentro da boca do mais novo para limpar o batom que sujava os dentes alinhados que Hyunjin ostentava com seus sorrisos sarcásticos. A saliva sobre os lábios dele fizeram o maior respirar fundo antes de passar a mão ali, espalhando a tintura vermelha por suas bochechas, manchando tudo. A imagem que obteve como resultado era completamente erótica, Hyunjin respirava com a boca levemente aberta, os olhos quase fechados e cheios de lagrimas escorrendo por suas bochechas, a saliva se misturava com o batom e as lágrimas faziam ele parecer uma arte pornográfica perfeita aos olhos de Christopher, mas Hyunjin não ficaria sabendo disso. — Agora, você apenas se parece com uma prostituta usada… Hum, para quantos você teria que se vender até ficar desse jeito, Jini? Quantos paus você aguentaria levar de uma vez só?


— Meu senhor-


— Cala a maldita boca, puta inútil! A sua voz me causa náuseas. — Hyunjin voltou a chorar, sem esconder nada, soluçando de cabeça baixa, deixando seu corpo tremer. Christopher gostaria de sentir pena, mas ele sabia que o menor merecia aquilo, então apenas se afastou, observando de longe enquanto voltava a pegar sua chibata de couro favorita. Aos poucos, o choro dele foi diminuindo, o tremor no corpo passou totalmente e ele apenas soltava pequenos soluços vez ou outra, fazia um biquinho e olhava fixamente para o chão, envergonhado demais para olhar nos olhos de Christopher, mas o mais velho não deixaria as coisas tão fáceis para o Hwang, ele queria vê-lo completamente humilhado e envergonhado, tão envergonhado que imploraria para parar. — Olhe para mim, Hyunjin. Eu não te dei nenhuma permissão para olhar para outro lugar que não seja eu, o seu dono. Olhe para mim, Hyunjin, agora. Se você não olhar…


Ele olhou.


Hyunjin não queria saber qual seria a consequência de desobedecer mais uma vez, não quando sua punição por desobedecer pela primeira vez sequer havia acabado, ele não se arriscaria a fazer isso mais uma vez. Não tendo noção de que o maior estava disposto a reduzi-lo á um nada, á humilhar cada pequena parte de si, a fazê-lo se arrepender de verdade. Doía, mas ele precisava aprender agora, ou teria mais problemas futuramente. Christopher manteve seu rosto para cima usando o cabo da chibata para erguê-lo, observou bem o rosto dele, ainda restava marcas das lágrimas, mas a saliva havia secado, deixando apenas o batom opaco em suas bochechas gordinhas e avermelhadas dos tapas.


— Vou fazer duas coisinhas agora, Jini. Eu espero que você goste de uma delas e implore bastante. — Christopher se posicionou atrás do menor e o fez se virar na direção da parede, com a testa encostada nela e o quadril empinado para trás. Com a ajuda da chibata, Christopher fez o mais novo abrir as pernas, fazendo a posição ficar ainda mais humilhante para o Bang, que conseguia vê-lo completamente por causa da saia de vinil que não cobria praticamente nada. — Esqueci de trazer o lubrificante, Jini… Sua saliva vai ter que ser suficiente.


Hyunjin não foi capaz de compreender a frase antes de Christopher colocar seus dedos dentro de sua boca, capturando o máximo de saliva possível neles. Seu queixo estava novamente babado agora, mas pelo menos não era por causa do engasgo causado pela falta da respiração. Sem dizer mais nenhuma sentença, Christopher começou a estimular Hyunjin com a ponta de seu indicador, mas aquilo só durou o suficiente para molhar a entrada, já que logo em seguida o Bang enfiou o dedo completamente, ouvindo o gemido baixo do menor, ele não era tão bom com a mão esquerda, mas já havia treinado por tempo suficiente e agora conseguia usá-la bem, então não foi nada difícil começar a esfregar seus dedos no interior dele enquanto a outra mão estava desferindo golpes com a chibata de couro, marcando as coxas dele de vermelho. Hyunjin não segurava seus gemidos, batendo os pés no chão sempre que as pontas dos dedos de Christopher tocavam sua próstata, massageando-a por míseros milisegundos.


— Você é mesmo uma puta, Hyunjin. — Christopher disse tirando seus dedos de dentro do menor para segurar a cintura marcada pelo cós alto da saia. Em seguida, Christopher soltou a chibata no chão, seu pau vibrava dentro da calça, ele precisava mesmo foder seu submisso, mas não voltaria com suas palavras, então apenas usou a mão direita para desferir tapas fortes nas nádegas dele, sem medir força, apenas observando a forma que os tons na pele do menor mudavam a cada tapa mais forte. Seus dedos ficavam marcados por sua mão ser bastante pesada e Hyunjin chorava novamente, sem conseguir ficar parado. Ele sentia que seu pulso estava machucado pela forma que a corda puxava, mas não era nada grave, então não precisava parar a cena para ver. — Ainda não dói usar o cinto de castidade sendo a vadia excitada que você é? Eu sei que você está praticamente no cio, melando o cinto por dentro e desejando poder gozar como a putinha que você é. Diz para mim, Jini, você é uma putinha no cio agora? Você quer gozar? Diz.


— Senhor, por favor. — Christopher riu com o pedido, não era aquilo que ele queria ouvir da boca do menor, não era um pedido educado e cheio de formalidades. Ele não queria que Hyunjin fingisse agora, então bateu com mais força, ouvindo o grito agudo romper a voz delicada do menor enquanto ele afastava a cabeça da parede tentando respirar melhor. — Por favor…


— Vadias que não seguem regras não falam com tanta educação. Não tente me enganar, Hyunjin. — Christopher soltou o ar que prendia em seus pulmões, tentando esvaziar a frustração que havia sentido mais cedo por causa do Hwang. — Vamos, implore como a boa cadela que você é, me deixa saber como você quer que eu te foda com meus dedos e te permita gozar. Ou melhor, que eu tire esse cinto de castidade que você está usando agora por ser uma cachorra no cio muito mal educada.


Hyunjin manteve o silêncio, seu choro o fazendo soluçar baixinho pela nova série de humilhação. Christopher pegou a chibata no chão e a limpou na pele do menor antes de virá-lo de frente para si e se sentar na cama grande bem arrumada.


— Certo, você não quer, então apenas assista. — Hyunjin não entendeu o que aquilo significava, mas se manteve atento aos movimentos do maior. Ele viu os olhos felinos de Christopher fixos em seu corpo marcado pela chibata e mãos do Bang, analisando-o como um artista analisa sua obra após terminá-la. Sem dizer uma palavra sequer, Christopher abaixou o short que usava, revelando toda sua excitação para o menor. Seu pau realmente precisava de alguma atenção, estava melado pelo pré-gozo, inchado e exibindo todas as veias que mantinham a ereção ali, o sangue fazia cada veia pulsar e Hyunjin se odiou por estar recebendo uma punição, se não fosse sua própria estupidez, ele poderia estar entre as pernas de Christopher, com seus olhos revirando toda vez que o maior socasse sua garganta com aquele pau que havia aprendido a se viciar totalmente. A mão de Christopher deslizava em sua extensão, espalhando o líquido pré-seminal por ele, sua cabeça tombava um pouco para trás e gemidos baixos escapavam por seus lábios.


Doía, Hyunjin realmente sentia sua própria ereção doer, forçada a se manter naquela forma, sem realmente poder ficar ereto, era desesperador, mas era sua culpa. Ele não estaria recebendo uma punição se não merecesse. A culpa começava a se misturar com a dor de sua ereção interrompida e a humilhação passada até o momento, o choro voltou novamente, junto com pequenos gemidos doloridos, mas ele não se atreveu a parar de olhar para seu dono, vendo o exato momento em que Christopher gozou, sujando seus dedos e dorso da mão, tremendo levemente. Não havia sido o melhor dos orgasmos, era bem melhor fazer isso na garganta do Hwang. O dominador andou em sua direção lentamente, segurando seu rosto com a mão suja antes de colocá-la em sua frente, sorrindo.


— Quer ajudar o seu dono a se limpar, Jini? — Christopher sabia que não era isso que Hyunjin queria, mas não daria nada do que ele queria. Hyunjin assentiu mesmo assim, colocando a língua para fora e começando a coletar cada gota de sêmen que estava na mão do maior até não sobrar mais nada e Christopher afastar a mão de perto de seu rosto. — De qualquer forma, não posso te elogiar por fazer o que é sua obrigação.


— Senhor… — A voz de Hyunjin soava arranhada, como alguém que passou horas gritando, Christopher o olhou, estava esperando por aquilo desde que começou. — Baozi.


A palavra de segurança mais fofa que Christopher já viu, não tinha nenhum significado sentimental entre os dois, Hyunjin apenas gostava de como ela era fofa e quebrava o clima das sessões.


Uma das coisas que Christopher mais prezava em uma D/s era o aftercare, para o Bang, a forma que cada dominador cuida de seu submisso diz muito sobre ele e sobre o tipo de relação que eles tem, se é algo saudável ou não. Quando ele decidiu qual seria a punição para Hyunjin depois da cena de ciúmes feita no salão de festas, ele passou algum tempo pensando na melhor forma de cuidar dele após terminarem, ele tinha plena consciência de que aquilo afetaria o orgulho e possivelmente a autoestima do coreano, ele havia passado a linha de limites não conversados e precisava saber bem como fazer aquilo dar certo sem causar danos permanentes, Hyunjin parecia realmente bem agora que havia acabado, mas ainda chorava baixinho, o que significava que teriam mesmo que ter a conversa que ele planejou, assim como também teriam que trabalhar com mais delicadeza e uma demora maior nos pós cuidados. Aquilo não seria um problema para Christopher, ele costumava dizer que era melhor em cuidar do submisso depois de uma sessão do que em uma prática, então Hyunjin estava em boas mãos e nunca teria que passar por algo que poderia prejudicá-lo.


O australiano começou tirando a saia e o cinto de castidade que Hyunjin usava, evitando tocá-lo por saber que agora ele estava bastante sensível e dolorido. Hyunjin suspirou com a sensação e uma lágrima solitária escorreu por seu rosto enquanto Christopher começava a desamarrar suas mãos, acariciando seus pulsos doloridos pela força que fez ao tentar puxá-los mais cedo.


— Você foi incrível hoje, mesmo sendo uma punição e sendo sua obrigação, você aguentou muito bem. — Christopher disse puxando o corpo menor para perto do seu em um abraço não muito apertado, tentando passar o máximo de confiança e demonstrar seu carinho nos pequenos gestos.


Hyunjin realmente havia surpreendido o Bang, normalmente Hyunjin acaba dizendo sua palavra de segurança muito rápido, mas ele aguentou quase tudo. Na verdade, estava perto de acabar, não tinha muito o que fazer, Christopher não iria puni-lo além daquilo, pararia depois de fazê-lo admitir algumas coisas, mas no fim foi até melhor deixar isso para depois, não fazia sentido algum misturar as duas coisas. Se ele tinha perguntas pessoais para fazer ao menor, ele deveria fazer isso em um momento próprio e não no meio de uma sessão onde o mais novo já estava fragilizado e diria qualquer coisa. Além de que seria coação e isso não era o que Christopher queria, apesar de ter planejado essa conversa há um bom tempo.


Quando o Bang conheceu Hyunjin, ele já sabia que algo assim poderia acontecer, mesmo sem a menor intenção dos dois lados, ainda era algo óbvio. A convivência constante, os beijos, abraços, a química que eles tinham, tudo apontava para aquele fim. Ele sabia que era comum acontecer, e embora muitas pessoas prefiram apenas encerrar o contrato antes de se envolver mais, ele não queria fazer isso, treinar Hyunjin levou tempo, paciência e teve um dos melhores resultados, seria muito difícil fazer isso outra vez, mesmo que ele encontrasse um novo submisso que tenha experiência, ainda não seria a mesma coisa. Teria que refazer praticamente tudo, ensiná-lo do zero a ser como Christopher quer, moldar um submisso leva muito tempo e o Bang não queria ter que passar por tudo isso outra vez, mas dependendo da resposta do menor, seria como ele teria que continuar.


Christopher estava disposto a deixar de lado a vida cheia de práticas e D/s que tinham, e focar totalmente em uma relação amorosa caso fosse da vontade de Hyunjin, o bem estar do mais novo era o que mais importava para si, ele apenas queria ver seu garoto bem, saudável e feliz, fazendo as coisas por escolha própria e não por obrigação. Mas ele não saberia como seguiria caso a conversa tivesse um rumo totalmente diferente, ele não estava preparado para lidar com uma rejeição, não depois de tanto tempo, de tanta fantasia e de alimentar sua própria esperança com base nos pequenos surtos de ciúme que Hyunjin tinha. De qualquer forma, era sua culpa ter chegado a esse nível e ele lidaria com qualquer resposta que recebesse.


Soltando o corpo menor, Christopher o levou para a cama, deixando-o sentado antes de arrumar os fios bagunçados do cabelo dele e fazê-lo se inclinar para trás até estar deitado com as pernas levemente abertas. Hyunjin apenas deixava o maior tocá-lo, sentindo como os dedos dele pareciam gentis agora, sem a força da punição e outros instantes. O maior tocou seus tornozelos, massageando-os enquanto beijava sua pele, não era algo que ele fazia com frequência, então o Hwang iria aproveitar o máximo que conseguisse daquele carinho e dedicação que geralmente vinha de si e não do dominador. Ele gostava de lavar os pés do maior, massageá-los e deitar seu rosto no colo dele enquanto cuidava dele, recebendo um carinho singelo nos cabelos hidratados, mas aquilo era realmente diferente, tinha um “gosto” diferente quando era o Bang agindo de forma devota, com tanto amor e cuidado, era mais intenso, fazia aquela vontade súbita de chorar voltar, mas agora com um motivo diferente, um motivo bom, com gratidão e não com vergonha.


Sua maior surpresa veio quando os beijos nos tornozelos subiram junto com as mãos firmes do australiano, indo até suas coxas marcadas, um pouco roxas. Christopher parecia estar disposto a beijar cada ponto arroxeado na pele do mais novo, sem se importar se a pele dele estava suada ou não, ele apenas queria agradar seu submisso, livrá-lo da sensação de humilhação e desprezo causada pela punição de minutos antes. Hyunjin estava confortável, com as mãos sobre os fios de cabelo do maior, acariciando como gostava que ele fizesse consigo, aquilo era mais do que suficiente para Christopher saber que estava fazendo algo certo e bom para o mais novo, que não teria motivo nenhum para parar agora.


Subindo mais com seus beijos, Christopher chegou à virilha do mais novo, beijando ali delicadamente como uma forma de demonstrar qual seria seu próximo passo. Hyunjin ainda demonstrava estar bem com aquilo, então não havia motivo nenhum para desistir agora, suas mãos seguravam a cintura dele e seus lábios trilharam pela cintura dele, beijando cada parte do corpo bonito abaixo de si, sentindo a textura da pele arrepiada por seus beijos cálidos. Era adorável. Hyunjin era delicado e bruto na mesma medida, às vezes sendo muito mais rígido que o próprio Christopher, mas agora ele se assemelhava a uma delicada pétala de rosa, sendo tocado com todo carinho e dedicação por aquele que tão bem o cultivava. Ele não queria se apressar mesmo sabendo que Hyunjin precisava daquilo, iria acabar rápido demais quando começasse e ele podia ver as pequenas contrações que o pau do mais novo sofria por causa da excitação negligenciada.


— Chris… — A voz baixa do mais novo chegava a ser apelativa naquele momento, Hyunjin não era manhoso o tempo todo e quando ele falava assim, o Bang simplesmente não conseguia resistir e praticamente obedeceria qualquer coisa que ele dissesse. Mas agora não era uma ordem ou algo do tipo, era uma súplica, a forma carinhosa que Hyunjin tinha de implorar sem se humilhar muito. Christopher ergueu seu corpo para olhar para o rosto do menor, estava um tanto vermelho e seus olhos ainda lacrimejados, sua excitação estava explícita em seu olhar cheio de lágrimas cristalinas. Christopher não poderia negar algo para alguém tão cheio de necessidade, poderia?


— Do que você precisa, meu anjo? — Ele sabia muito bem, a forma que o pau de Hyunjin parecia estar necessitado deixava muito óbvio que qualquer toque mínimo seria o bastante para ele, mas Christopher ainda gostava de ouvi-lo, queria ouvir aquela sentença sair dos lábios delicados dele. Hyunjin fechou os olhos por um momento, as lágrimas caindo sobre a lateral de seu rosto era um pequeno detalhe que o Bang não deixou passar despercebido, mas não se atreveu a fazer algo sobre, uma vez que ele adorava quando Hyunjin chorava em busca de prazer. Seu garoto ficava realmente lindo chorando, seja por vergonha, humilhação ou prazer. — Você precisa dizer, pequeno, eu gosto de respostas claras, você sabe disso.


— Eu preciso gozar, por favor. — Christopher sorriu. O Hwang estava tão dócil agora que sequer parecia o mesmo homem furioso que gritou no meio de um salão cheio de pessoas importantes e envergonhou a si mesmo e toda a equipe que trabalhava com ele. Felizmente todos acreditaram na história de que ele apenas havia exagerado na bebida por estar estressado demais.


Tentando manter suas mãos com o toque mais suave possível, Christopher tocou os testículos pequenos, estimulando-os ainda que ouvisse os resmungos doloridos de Hyunjin, ele sabia que aquilo era algo normal, a dor depois de tanto tempo excitado e sem fazer nada a respeito. Ele não parou de tocar, massageando o local enquanto Hyunjin começava a se mexer demais sobre a cama, normalmente ele não tem nenhum tipo de sensibilidade ali, mas agora, ele teria o máximo possível e Christopher aproveitaria isso para fazê-lo gozar apenas tocando-o e estimulando-o o máximo que fosse possível naquele instante. Abaixando a cabeça para conseguir um ângulo melhor, Christopher fez questão de segurar o pau do mais novo pela base, mantendo-o longe de seus testículos enquanto o chupava, os gemidos tímidos de Hyunjin eram adoráveis para si, soavam como pequenos sinos em sua cabeça, ressonando toda vez que ele colocava mais força na sucção.


— Chris, por favor, vai para a parte que me interessa mais. — Hyunjin choramingou batendo os pés no colchão e erguendo suas pernas para ficarem ao lado da cabeça do mais velho. O rosto dele entre suas coxas era uma visão que faria qualquer um perder a cabeça, principalmente quando ele sorria com malícia, negando sua súplica. Hyunjin não poderia negar aquilo, ele adorava quando Christopher agia dessa forma, fazendo somente o que quer, dando prazer apenas como gostava de fazer. — Por favor, hyung.


Aquele era um golpe baixo com certeza, Hyunjin sabia como o mais velho ficava ao ouvi-lo falando em coreano, então abusava disso, sabendo que dessa forma ele conseguia qualquer coisa vinda do maior. Christopher xingou baixinho, ainda olhando para si quando colocou o pau do mais novo na boca, fazendo-o gritar pela sensibilidade e voltar a chorar. A língua dele serpenteava sobre a extensão do outro com calma, como se estudasse cada reação do corpo magro abaixo de si. O jeito que ele tremia quase gozando com pouquíssimos toques era realmente muito fofo, o Hwang perdia todo o controle de seu próprio corpo quando estava nas mãos do mais velho, se tornava um pequeno refém dele, sentia que aceitaria qualquer coisa que Christopher oferecesse para si.


— Chris. — Hyunjin não gritou, mas seu tom estava em alerta, levemente desesperado, o que fez o australiano rir. Ele conseguia sentir que Hyunjin estava quase lá, as pernas dele se fechando contra sua cabeça dizia muito e a forma que seu pau se movia a cada espasmo involuntário não negava que ele iria gozar em breve, então ele apenas abriu os olhos, fixando-os no mais novo enquanto sugava com mais força, movendo sua cabeça com uma velocidade maior para trazer o que Hyunjin queria ainda mais rápido. O resultado foi o gemido estrangulado que ele soltou ao tentar se segurar, a mão nos cabelos do maior e os jatos quente dentro da cavidade bucal dele, sem nenhum controle. — Desculpe…


Christopher se levantou, as bochechas levemente infladas quando ele olhou para o menor antes de cuspir tudo em cima dele, limpando o canto da boca com os dedos.


— Respire devagar, eu vou preparar a banheira para você. — Hyunjin assentiu e fechou os olhos, estava bastante exausto, o dia havia sido bastante corrido, ele resolveu coisas demais, atendeu muitas ligações, falou com muitas pessoas, e sinceramente, ele não sabia que precisava de um banho quente até Christopher mencionar. Sua cabeça estava em outros lugares, mas depois de parar com tudo e pensar na banheira grande cheia de água quente com espuma o cansaço parecia ficar mais evidente, e Hyunjin desejava muito isso agora, mais que qualquer outra coisa que ele já desejou.


Ele ouviu quando o som da banheira começou a ficar alto, indicando que o registro foi ligado, sentindo o sêmen e a saliva sobre sua barriga começarem a secar, o suor em seu corpo trazia à tona o frio que começava a aumentar no apartamento, e lembrar quão sujo estava causava mais agonia do que quando Christopher o enforcou mais cedo. O cheiro de limão começou a ficar forte no quarto, era o cheiro de um dos produtos que o Bang gostava de colocar na água para se banhar na banheira todos os dias após o trabalho ou uma sessão cansativa. Não demorou muito para Christopher aparecer na porta do quarto e pegá-lo no colo, não precisava, claro, mas ele adorava mimar o menor e sempre faria isso, gostava de ter essa responsabilidade, não seria um bom dominador se não gostasse.


Antes de colocar Hyunjin dentro da banheira, ele o deixou no chão e pegou os lenços umedecidos que já havia preparado para limpar o rosto do menor, havia bastante batom ainda e só a água não limparia tudo.


— Onde conseguiu o batom? — Hyunjin perguntou, enquanto o maior tentava não sujá-lo mais ainda, aqueles lenços não eram próprios para maquiagem.


— Alguém perdeu aqui. — O coreano sabia muito bem quem era esse alguém, mas preferiu ignorar totalmente aquilo e focar apenas no carinho que recebia, não valia a pena ter outro surto de ciúmes por algo que já havia sido resolvido. — Entra na banheira, eu vou entrar também, só vou me livrar desses panos.


— Você é rico e não tem demaquilante… — Hyunjin provocou e o Bang semicerrou os olhos, entrando na banheira após se livrar do que precisava. Ele se aproximou do menor, segurando o sabonete que tinha a mesma fragrância dos sais na água, e começou a passar as mãos sobre o corpo dele, molhando com a água quente e assistindo o jeito tímido que ele fechava os olhos, totalmente entregue aos cuidados do mais velho. Aquilo era uma das coisas que Christopher mais gostava no Hwang; a forma doce que ele se entregava totalmente, confiando em si mesmo que ficasse hesitante às vezes, ele sabia que Christopher sempre faria o certo para si e que nunca o machucaria. — Hoje foi muito intenso, de onde você tirou tanta criatividade? Misturou várias coisas de uma vez. Aliás… não sabia que você gostava de enforcar.


— Foi um teste, e sinceramente, foi muito bom enforcar você. Quero testar isso de outras formas, se você quiser também. — Hyunjin o olhou desconfiado, mas sorriu quando viu que era algo sério, ele também havia gostado apesar da sensação de desespero que ele sentiu, era um tanto agonizante ter alguém prendendo sua respiração e o impedindo até mesmo de falar, mas tinha algo sobre aquilo que deixava Hyunjin realmente excitado.


— Eu também gostei, gostei muito. Acho que estamos começando a ter mais resistência, não acha? — O Hwang perguntou com sua voz suave, colocando as mãos dentro da água e procurando pelo corpo do maior, Christopher já havia resolvido a própria ereção, mas Hyunjin sabia que conseguia fazê-lo ter outra facilmente.


E foi o que começou a fazer, chegando o mais perto que podia, deslizando suas unhas sobre as coxas do Bang, arranhando o bastante para deixar linhas rosadas na pele dele. Christopher notou as intenções dele e preferiu não interferir, aceitando de bom grado o beijo que ele ofereceu, era leve, assim como tudo naquele momento, a ardência em suas coxas não alterava nada além dos níveis de sua excitação. As mãos do mais novo não demoraram a estarem em seu pau, iniciando uma masturbação lenta que provavelmente faria o australiano querer foder o menor até ele desistir de ser tão atrevido. Hyunjin era bastante habilidoso com as mãos, sempre foi, mesmo antes de ser treinado pelo mais velho, ele sempre soube exatamente o que fazer, então abusava disso, quase sempre conseguia o que queria apenas tocando Christopher daquela forma.


— Eu não vou te foder hoje, Hyunjin, ainda faz parte do seu castigo. — Christopher disse segurando o queixo dele apenas para forçá-lo a olhar em seus olhos e entregar a decepção que sentiu com a frase, ele realmente tinha outras intenções com aquelas mãos. — Mas já que você ainda parece animadinho e agindo como uma cadela no cio, porque você não entra na água e me chupa, hum? Não queria tentar ficar sem respirar de outras formas? Eu não vou te segurar, você vai controlar o tempo, mas precisa me fazer gozar.


— Eu gosto desta ideia também. — Hyunjin murmurou como um gatinho manhoso, esperando Christopher se afastar para pegar um pouco de ar e fechar os olhos, evitando o sabão e os sais da água enquanto colocava o pau dele dentro da boca, tentando ao máximo não engolir a água.


A sensação era ainda pior do que estar sendo estrangulado enquanto recebia tapas no rosto, mas seu corpo não negava o prazer, ele já se sentia excitado com aquela sensação, sua boca enchendo de água ao redor do pau de Christopher era algo que ele não esperava ser tão bom, mas era, ele realmente gostou daquilo, mas o ar ficava mais escasso a cada segundo e ele teve que voltar para fora da água, ainda sem abrir os olhos, ouvindo o resmungo informado de Christopher, provavelmente também estava perto de gozar, seu corpo ainda estava sensível de antes. Hyunjin repetiu o que fez antes, respirando fundo antes de voltar para dentro da água; mesmo dentro da água ele conseguia ouvir a voz de Christopher dizendo que estava perto, que não precisava de muito. O Hwang se empenhou naquilo, não querendo voltar para respirar antes do maior finalmente gozar em sua boca, ele queria aquilo desde que o viu se masturbar em sua frente e não sairia daquele banheiro sem ter a porra dele dentro de sua boca.


Quando o Bang finalmente veio em sua boca, o puxou para fora da água pelo cabelo, empurrando-o contra a outra borda da banheira, desistindo de tudo que havia falado mais cedo antes de virá-lo de costas para si e entrar nele, ouvindo Hyunjin resmungar algo sobre ir devagar.


— Você queria que eu te fodesse, então eu vou fazer isso, mas vou fazer do meu jeito, Jini. — O apelido carinhoso fez Hyunjin tremer, ele não conseguia abrir os olhos por medo de ter sabão neles, mas ele sabia que não precisaria fazer nada além de manter as mãos na borda da banheira enquanto Christopher metia o pau nele. Era o que ele queria, afinal. — Fique quietinho, não quero molhar o chão todo.


As duas mãos do Bang estavam em seu quadril agora, o pau dele fundo em seu interior, mas ele não se movia, assistindo o desespero do outro por algum movimento até estar satisfeito e se mover com força, arrancando gemidos altos e entrecortados de sua garganta.


— Você sempre geme como uma atriz pornô, espero que tudo isso não seja fingimento, bebê. Eu odeio mentiras. — Hyunjin não tentou responder, seu corpo estava balançando demais para isso e sua garganta doendo pelos gemidos escandalosos demais para não serem ouvidos pelos vizinhos. Ele arriscou a abrir os olhos, tentando ver o estado do chão do banheiro uma vez que ouvia a água caindo para fora da banheira, mas desistiu de olhar quando Christopher deu um tapa na lateral de sua coxa, a dor dos roxos recebendo mais um golpe o fez fechar os olhos e sentir as lágrimas molharem seus cílios — Você fica muito mais gostoso quando está gritando, a gente deveria fazer isso mais vezes.


Ele sabia que Christopher estava sorrindo ao dizer aquilo, mas não esperava pelos tapas que sucederam aquele primeiro, sempre atingindo onde já estava machucado, aumentando o tamanho dos hematomas espalhados por suas coxas e por toda parte em sua bunda. Não era pior que ‘canning, mas definitivamente doeria para sentar no dia seguinte. Christopher parecia não estar disposto a deixá-lo esquecer essa noite. Não que ele quisesse, por mais que tenha sido repleta de punições doloridas, havia sido gostoso, ele descobriu novas dores prazerosas e não deixaria nada disso passar sem repetir mais algumas vezes.


— Bate com mais força.


— Você é louco. — Christopher riu, mas obedeceu sabendo que se ele pediu, é porque queria e aguentava, fora que eles usavam a palavra de segurança em qualquer situação, não teriam problemas com limites, sabiam respeitá-los. Os gemidos agora eram realmente gritos e Christopher se preocupou um pouco, deixando de bater no menor apenas para checar se estava tudo bem. — Cala a maldita boca, Hyunjin.


O coreano resmungou com a ordem, mas cobriu a boca com uma das mãos, ainda se escorando com a outra, tentando se manter firme enquanto suas pernas já tremiam pelo orgasmo próximo demais. Christopher notou isso e parou de vez com os tapas, vendo o tamanho da mancha roxa sobre a pele do menor, sabia que Hyunjin passaria a semana toda reclamando disso, mas não poderia se importar menos, ele pediu, deveria lidar com aquilo sozinho, era uma consequência de algo que ele escolheu. Não demorou muito para que Hyunjin se calasse completamente, restando apenas sua respiração ofegante e seu corpo quase caindo completamente dentro da banheira. Christopher o deixou assim até que ele se recuperasse, então ficou de pé na banheira, chamando-o pelo nome e indicando que era para se ajoelhar.


— Uma vez dentro da água, uma vez fora da água. Acha que é bom assim, bebê? — Christopher riu, segurando o rosto dele com uma mão e seu pau com a outra, esfregando sua glande contra a bochecha dele por alguns instantes antes de colocá-lo dentro da boca macia, forçando-o até sentir a garganta dele fechando ao redor de sua extensão. Hyunjin estava com os olhos abertos agora, olhando diretamente para si enquanto se mantinha parado, deixando Christopher estocar sua garganta como quisesse, ele sabia que não merecia o prazer imenso que estava recebendo, havia sido um péssimo submisso durante a noite, merecia a punição mas não o prazer, então apenas iria deixar que seu dono fizesse o que quisesse consigo.


As mãos em seu cabelo não eram ruins como seria se fosse dentro da água, então ele não tinha problema nenhum em ser manipulado assim, sentindo sua cabeça ser movida para frente e para trás, sempre voltando com força de encontro do o pau do maior até Christopher parar, mantendo-o no lugar, a glande pressionando contra o fundo de sua garganta. Não demorou até ele sentir a porra quente escorrendo ali, o aperto em seu cabelo aumemtando na mesma medida que o Bang o forçava um pouco mais, mesmo que já estivesse com tudo dentro de sua garganta. Christopher o manteve naquela posição por mais alguns minutos, acariciando seu cabelo e rosto antes de soltá-lo e voltar a lavar o corpo menor que o seu, como se nada houvesse acontecido ali.


— Feche os olhos, Jini. — Pediu baixo, e limpou o rosto dele, tirando o sêmen do canto de seus lábios e queixo com cuidado. Ele parecia sonolento agora, finalmente esgotado de tudo. Christopher se dividia entre o orgulho e o espanto, ele não esperava que o menor fosse aguentar tanto, mas se sentia totalmente satisfeito com isso, adorava saber que o garoto que treinou e ensinou por tanto tempo estava evoluindo cada vez mais, que estava se tornando melhor em servi-lo. — Prontinho, vamos para cama secar você e te vestir.


— Eu quero uma roupa sua. — Hyunjin respondeu com manha, deixando o maior secar seus cabelos rapidamente com a toalha antes de envolver seu corpo com o roupão branco. Christopher o guiou pelos ombros até a cama, tirou tudo o que estava em cima dela e colocou sobre a mesa no canto do quarto, não poderia guardar antes de higienizar tudo. Christopher iria pegar o secador de cabelo, mas a mão do menor em seu roupão o impediu. — Não precisa secar meu cabelo, ele está fraco demais para secador, só com a toalha está bom. Eu quero dormir…


— Espere mais um pouquinho, sim? — O mais velho pediu pegando uma toalha mais seca para tentar tirar mais da umidade dos fios do menor.


— Chris… Sobre hoje, me desculpe por aquilo. Eu me senti… Inseguro vendo ela, você sabe. Vocês tiveram algo no passado e ela apareceu do nada, falando daquele jeito com você, te tocando… Eu acho que deixei o ciúme tomar conta dessa vez. — Mesmo com a vergonha tomando conta de cada parte de seu corpo, Hyunjin manteve os olhos fixos no rosto do mais velho, tentando mostrar toda sua sinceridade naquelas palavras. — Eu não queria te envergonhar ou atrapalhar nossas negociações, só me senti ameaçado por alguém que já teve você.


— Tudo bem, agora já passou e você com certeza aprendeu a lição, não é? — Hyunjin assentiu, recebendo um beijo na testa e um abraço, antes do moreno ir se vestir e trazer algo para ele. — Essa blusa, você gosta dela, então eu peguei para você usar essa noite, esse short também, mas talvez fique um pouco largo, você é magrinho.


— Eu não preciso do short. — Hyunjin sorriu sem malícia alguma, colocando a blusa e se jogando para trás, virando para abraçar o travesseiro com o cheiro do perfume de Christopher. — Eu vou me comportar agora, prometo.


— Sei. — O Bang riu, mas logo perdeu aquele sorriso todo, começando a ficar ansioso com o que estava pensando há algum tempo. Aquele era um ótimo momento para falar, certo? Não havia ninguém além deles ali, o clima não era nada sexual e nenhum deles teria mais forças para tornar o momento em algo diferente, então tudo bem falar, certo? — Jini… Eu venho pensando em como lidamos com a nossa relação e notei algumas coisas… Nós não nos envolvemos com mais ninguém faz bastante tempo né, sempre é apenas eu e você, sem mais nada atrapalhando, seja em pratica ou não…


— Vá direto ao ponto, está me deixando nervoso. — Hyunjin pediu manhoso, abraçando o corpo do outro com mais força, pouco se importando se seu corpo ficava totalmente exposto desta forma. — Odeio como você sempre faz rodeio para falar comigo, está me preparando para encerrar o contrato por acaso?


— Talvez, depende de você. — O australiano disse hesitante, apertando a cintura do menor como uma forma de mantê-lo junto de si. — O que eu quero dizer, é que nesses anos que estamos juntos, muitas coisas aconteceram, eu descobri muita coisa estando ao seu lado. Percebi que você é alguém que tem tudo que eu busco em uma pessoa. Em alguém para estar ao meu lado. E isso significa, que se você quiser, eu gostaria de tê-lo como meu namorado.


— Espera, o quê? — Hyunjin sentou na cama, completamente desacreditado no que havia acabado de ouvir. Ele estava esperando tudo, menos aquilo. Parecia irreal Christopher querer algo consigo, principalmente depois da cena ridícula que havia feito durante a recepção dos investidores. — Você está falando sério? Chris, por favor.


— Claro que sim! Eu pensei nisso a semana toda, mas nunca conseguia um momento bacana para falar com você, então eu só falei agora. Não tinha ninguém e nada iria atrapalhar a gente…


— Eu quero. Eu quero namorar com você, até casar se você quiser! Você não sabe o tempo que eu estive esperando por isso. Mas eu fiquei com medo de estar confundindo as coisas. — Hyunjin dizia tudo gesticulando como um adolescente animado com uma nota alta, era fofo aos olhos de Christopher, ele adorava ver o menor agindo com tanta naturalidade.


— Você ainda está usando a coleira. — Christopher riu, puxando o menor para perto de si e tirando o acessório do corpo do menor. — Ainda bem que é essa e não a outra. Merda, você é tão lindo.


— Christopher…


— Tão meu. — Hyunjin sentiu suas bochechas corando, aquelas palavras tinham um significado diferente agora, era ainda melhor, mas deixava seu rosto quente, assim como seu coração também, junto de suas mãos trêmulas e a sensação de que estava flutuando. — Eu amo você. Não precisa dizer de volta, okay? Eu só guardei por tempo demais.


Hyunjin sorriu, assentindo. Ele não diria agora, mas ele tinha certeza sobre o que sentia, mas precisava de um momento ainda mais especial para declarar algo tão importante.


— Então vamos dormir, namorado.


— Vamos, namorado.