Um Bebê Para a Besta

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Resumo

A cada 200 anos, uma virgem é sacrificada para uma poderosa besta, para procriação. Nos anos anteriores, nenhum descendente foi produzido. Sabe-se que apenas a parceira da besta pode lhe dar um filhote. A comunidade sempre seleciona a virgem excluída, por um medo profundo da besta. Eu sou Ava Goodchild, uma das virgens selecionadas.

Status
Completo
Capítulos
60
Classificação
4.9 7 avaliações
Classificação Etária
18+

O Começo


"Por toda a minha vida, nunca fui tocada por um homem. Eu me mantive limpa e casta" - Ava Goodchild


Prólogo

"Abra as pernas, pequena Ava. Abra e deixe-me devorar você."

Eu tremi com o tom das palavras dele. Minhas mãos apertaram a minha roupa com força.

A voz dele soava como o próprio pecado. Seus olhos tinham um olhar de luxúria, escurecidos pelo desejo.

"P-Por favor, não precisamos fazer desse jeito", eu disse.

"U-Uma inseminação f-funcionaria muito bem..."

Um rosnado furioso tomou conta de todo o quarto. Ele pulou na minha direção, derrubando tudo no caminho.

Meus olhos foram para os pelos que saíam dos ombros dele. Eu engoli em seco, muito ansiosa.

"Faça isso ou meus guardas farão por você. Você não quer testar uma fera!!"

Ele rosnou com poder. A aura dele tinha uma presença perigosa.

A primeira coisa que vi quando acordei foi um baú velho. Era marrom, com faixas de ouro enferrujado gravadas nele.

O quarto parecia um cubículo pequeno. Tinha várias marcas e pinturas na parede. Passava uma sensação misteriosa e antiga.

Eu me levantei. Esfreguei a testa de leve.

"Onde estou?"

Eu perguntei essas palavras a mim mesma. No quarto mal iluminado, era difícil ver as coisas direito.

De repente, uma porta rangeu ao abrir.

Bem na entrada da porta havia uma grande sombra.

Como estava escuro, eu mal conseguia ver quem era.

"Vejo que você acordou, pequena Ava."

Passos pesados começaram a vir na minha direção.

Era como se eu fosse uma presa prestes a ser devorada.

"Q-Quem é você? E-E onde e-eu estou?"

Eu gaguejei. Minha voz falhava a cada frase.

Mãos apertaram a minha cintura do nada. Elas me puxaram para mais perto.

Minhas coxas se apertaram e eu me senti um pouco molhada no meio das pernas. Algo duro encostou em mim. Isso me deu uma sensação muito estranha que me deixou confusa.

"Você parece não lembrar de nada", disse a voz grossa e rouca dele.

"N-Não com d-detalhes. Um p-pequeno lembrete a-ajudaria, por favor."

Ainda nos braços dele, um sentimento de medo tomou conta de mim.

"Como minha reprodutora, nós vamos batizar cada parte do meu castelo, pequenina."

Meus olhos se arregalaram, em choque.

"O-O que??"

Minha cabeça lembrou de algumas cenas na mesma hora. As lembranças do dia anterior começaram a voltar...

*Flashback*

"Senhoras e senhores. Como todos sabem, a cada 200 anos, uma virgem rejeitada é sacrificada para a fera."

A voz do orador ecoou pela nossa vila.

Ele era um homem com cara de palhaço. Estava vestido de forma chique com uma das melhores roupas que nossa vila tinha.

Meus olhos procuraram na multidão, até achar Moses. Eu o admirava porque ele não me tratava como uma esquisita, como a maioria das pessoas ali.

Eu me perguntava o que passava na cabeça dele.

Para fugir da escolha, a gente planejou fugir hoje. Tinham dito que seria só no dia seguinte.

Mas parece que brincaram com a nossa cara. Foi hoje.

E, de certo modo, nós estávamos ferrados.

"Lily, Tabitha, Rose... Enchantress..." Vários nomes de garotas vistas como estranhas foram falados.

Eu sabia que isso funcionava de várias formas.

Na nossa vila, meninas com ideias diferentes eram marcadas como bruxas.

Uma anomalia.

Elas eram como uma praga. Um lixo que devia ser evitado.

E eu era uma delas.

"Ava Goodchild",

O locutor finalmente disse. Eu parecia ser a última da lista. Isso não me fazia diferente do resto delas.

Eu segurei a barra do meu vestido. Fui até o canto onde as meninas deviam ficar.

"NÃO!! NÃO!!! Querida Ava!!"

Uma voz gritou na multidão. Olhei para trás sem esperança. Vi a mulher que me criou correndo na minha direção.

"VOLTE, AVA!! Isso não é pra você!"

Ela foi segurada pelos guardas na mesma hora. Mas ela ainda lutava com fúria.

Eu fui até ela. Segurei o rosto dela com as duas mãos.

"Eu vou ficar bem, mãe."

Eu disse a ela.

"AH QUERIDA. A culpa é toda minha. Eu devia ter criado você melhor", ela engasgou de tristeza.

O rosto dela estava todo vermelho. Ela chorava como se tivesse acabado de perder alguém na guerra.

"Prometa que vai cuidar da mamãe", eu falei para Moses. Ele tinha dado um jeito de chegar perto para acalmar ela.

"Se tudo der errado, prometa ficar sempre com ela."

Ele me deu um olhar de conforto. Aos poucos, tirei as mãos do rosto da mamãe. Os olhos dela estavam cheios d'água e perdidos. Ela foi levada para trás devagar.

Rápido, fui até as escadas do palco. Subi até onde as outras meninas estavam.

"Bem, esse foi um drama um pouco chato", comentou o locutor.

Ele estalou os dedos.

"Tragam a caixa da sorte."

Sabendo bem o que fazer, cada uma de nós pegou uma carta.

Uma por uma, demos um passo à frente. Entregamos para o leitor ler em voz alta.

"Você está a salvo."

Isso foi tudo que ele precisou dizer para cada garota depois de ver a carta.

Isso foi feito uma de cada vez. A multidão fazia muitos comentários.

"Salva... Salva... Você está a salvo."

Uma por uma, ele avisava as meninas.

Para estar a salvo da escolha, você precisava ter um número par. Se tirasse um ímpar, você seria levada para ser a reprodutora da fera.

"Pega

",

Ouvimos um choro. Uma das meninas tremia de tanto medo. A multidão soltou um suspiro enquanto a garota tentava fugir.

Eu conhecia ela da biblioteca.

"Peguem ela!!"

Um tiro soou. Eu olhei em choque quando a garota caiu por causa do impacto.

Sangue vermelho escorreu do corpo sem vida dela. Ela caiu morta bem na nossa frente na mesma hora.

"Isso serve de lição para qualquer uma que tente fugir do seu destino!"

O orador avisou com força.

"Limpem os restos dela", ele mandou para os guardas ferozes.

Eles fizeram o que ele mandou. Então ele continuou.

"Salva, salva, salva, pega."

Faltavam poucas rodadas. Eu bocejei de cansaço ao entregar a minha carta. Era proibido olhar dentro, só o leitor podia. Por isso eu não tinha espiado.

"Pega",

Uma única palavra que eu não podia acreditar que estava ouvindo.

"NÃOOOO!! Não a minha Ava! Não a minha linda e pequena Ava! Ela é só uma criança! Ela é só uma criancinha!!"

A mamãe gritou no meio da multidão.

Moses puxou ela para um lugar seguro. Ele sabia que ela podia levar um tiro a qualquer momento.

"Fique bem, querida. Faça o que ele disser, para deixarem você ir embora."

Todo mundo olhava para nós sem esperança enquanto éramos levadas.

Nenhuma garota jamais tinha sobrevivido nas mãos da fera.

No caminho, algumas garotas tentaram fugir. Mas isso só fez a vida delas chegar ao fim.

Acabaram sobrando apenas duas de nós.


De forma misteriosa, fomos amarradas numa árvore. Era no meio de uma floresta com árvores grandes e altas. Ficamos soltas para os perigos que podiam vir de qualquer lugar.


E, acima de tudo, para sermos devoradas pela fera.