Marla
Sou sacudida gentilmente e puxada do meu sonho. Não era um pesadelo, mas também não acho que tenha sido um sonho bom.
Viro a cabeça para olhar para o meu marido. Sim, meu marido. É uma longa história que contarei mais tarde. Por enquanto, só preciso sair deste maldito avião e respirar um pouco de ar puro.
"O avião vai pousar em breve", meu marido me diz com um sorriso suave.
Sorrio de volta e me viro para verificar Ellis, nosso filho de dois anos. Sim, eu tenho um filho. Um lindo menino de olhos azuis e cabelos pretos.
"A Nicole ainda vem nos buscar no aeroporto?", meu marido me pergunta, certificando-se de que o cinto de Ellis está bem apertado para o pouso.
"Sim", suspiro. "Senti tantas saudades dela, mal posso esperar para vê-la", acrescento, olhando pela janela enquanto o avião desce através das nuvens e a Califórnia surge à vista.
Lar doce lar, eu suponho.
"Preciso ver meu pai assim que chegarmos em casa, então não me espere acordada, ok?", meu marido me diz. Ele é um homem frio, até distante. Mas tudo por uma boa razão.
"Mummum", Ellis balbucia ao meu lado. Ele é um garotinho tão tranquilo, um bebê tão bom; tivemos sorte por ele dormir a noite toda desde cedo.
"Eu sei, meu bebê", digo cantarolando, acariciando seus cabelos pretos macios. "Já vamos chegar e poderemos ver a titia Nic Nic. Ela quer te levar para tomar um sorvete." Abaixo-me e beijo sua cabeça.
Não acho que ele entenda nada do que digo, mas ele é meu pequeno companheiro, meu melhor amigo.
Assim que o avião pousa, pegamos nossas coisas e saímos. Ellis segura minha mão como um bom menino. Nunca dá trabalho.
Com a bagagem na mão, vamos para a saída. Um homem está parado de lado; o homem que tem sido meu porto seguro nos últimos três anos.
Eric!
Acelero o passo e vou até onde ele está.
"Meu Deus, eu senti tanto a sua falta", digo a ele enquanto o aperto em um abraço forte. Ele olha para mim quando finalmente o solto, com um sorriso enorme no rosto.
"Também senti sua falta, Marla. Estou tão feliz que você voltou", diz ele, puxando-me para outro abraço antes de me soltar para me observar melhor.
"Meu Deus, você fica mais bonita a cada vez que te vejo", ele comenta radiante. Ele tem sido uma constante na minha vida nos últimos três anos e me ajudou de maneiras que jamais poderei retribuir.
"Bom te ver, cara", meu marido aperta a mão de Eric e dá um tapinha em seu ombro. "Quanto tempo", acrescenta ele com uma piscadela.
Eric continua tão bonito quanto antes; aposto que vive com as mulheres dando em cima dele. Mas ele uma vez me disse que nunca seguiria em frente até saber onde sua filhinha está e quem tirou sua esposa da estrada.
"Você também, cara", ele retribui o aperto de mão do meu marido com entusiasmo. "O voo foi tranquilo?", ele acrescenta, olhando para nós dois, e nós balançamos a cabeça que sim.
"Só estou cansada e precisando de um banho quente e um cochilo", digo, puxando gentilmente Ellis na direção de Eric.
O rosto de Eric suaviza ao olhar para o meu bebê. Afinal, ele é seu padrinho.
"Oi, amigão, tudo bem?", ele pergunta a Ellis enquanto se agacha para cumprimentá-lo. Ellis balança a cabecinha, agarrando-se à minha perna em busca de conforto.
Ellis conhece Eric, mas apenas por videochamada. Esta é a primeira vez que se veem pessoalmente, e consigo ver o amor pelo meu filho em seus olhos.
"A Nicole está na casa?", pergunto enquanto Eric se levanta novamente.
"Sim, ela está lá nas últimas três horas, deixando tudo perfeito e preparando o jantar para vocês", Eric ri. Ela é louca, aquela lá.
Eu rio também, porque ele tem razão. Ela sempre foi minha melhor amiga maluca, alguém que mal posso esperar para ver.
Ao chegarmos aos portões principais da nossa nova casa, cortesia do pai rico do meu marido, alcançamos o topo da entrada e fico maravilhada.
Esta é uma casa linda, de dois andares com janelas tão grandes que sinto pena do limpador de vidros. Lembra-me outro lugar. A casa do meu tio!
Falando no meu tio, ele ficou empolgado ao saber que eu voltaria. Não nos falamos muito nos últimos anos, pois ele ficou desapontado quando fugi para a Inglaterra sem avisá-lo. Ele dizia que estava resolvendo o problema e que eu não precisava ir embora.
Chegou ao ponto de ele ficar furioso, e Eric teve que assumir todas as ligações dele por mim, porque todo aquele estresse não era bom para o bebê.
A porta da frente da casa se abre e lá está minha linda melhor amiga.
Com um gritinho, ela desce os degraus e vem correndo em minha direção a toda velocidade.
"Meu Deus, você está realmente aqui", ela exclama enquanto colide comigo com tanta força que quase caio.
Rindo, respondo: "Meu Deus, eu também senti muito a sua falta". Sinto um soluço entalar na garganta, fazendo Nicole fazer o mesmo.
Agora nós duas estamos chorando. Nicole tem mantido contato comigo diariamente desde que fui embora; ela foi meus olhos e ouvidos no mundo que é Longview. Ela também é madrinha de Ellis.
Meu marido se arrasta atrás de mim. Ele e Nicole não se dão bem, ao ponto de nem se falarem. Novamente, explicarei tudo mais tarde, mas, por enquanto, ela precisa conhecer seu afilhado.
Uma hora depois, entre muitas risadas e lágrimas, todos nós nos sentamos para jantar, menos meu marido, que saiu após toda a agitação lá fora. E agora o pobre Ellis parece pronto para apagar.
"Pobre bebê, ele parece tão cansado", diz Nicole, acariciando o cabelo dele enquanto ele está em sua cadeira de alimentação.
"Obrigada por tudo o que você fez por nós e por preparar o quarto dele. Eu amei as cores."
"Ah, pare com isso, foi um prazer. Além disso, eu precisava usar minhas novas habilidades em algum lugar", ela sorri. Ela fez dois anos de design de interiores na universidade de Longview; está com seu empregador atual há 6 meses e está se saindo muito bem.
Sorrio para minha amiga. Meu Deus, como senti falta dela.