Meu amigo de infância é um Werewolf

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Resumo

Emma Hadley fica chocada quando seu amigo de infância, Dren Raeburn, se transforma em um lobo e depois a chama de sua alma gêmea?! Sem saber como processar essa informação, ela o rejeita acidentalmente, mandando-o para muito, muito longe. Anos depois, eles se reencontram no casamento de um amigo em comum e Emma está determinada a corrigir seus erros. Pena que Dren parece ter seguido em frente...

Gênero
Romance/Drama
Autor
Lymlane
Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
4.7 25 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

Ela estava atrasada. Ela estava muito, muito atrasada.

O som da porta abrindo foi como um alarme de carro disparando no meio de um estacionamento, fazendo com que todos na sala voltassem a atenção para ela. Emma Hadley sentiu-se como um bicho acuado ao ficar parada ali na porta, esperando que alguém dissesse alguma coisa ou que o silêncio se tornasse insuportável.

“É bom vê-la conosco, Srta. Hadley”, disse o professor, com o braço ainda erguido enquanto escrevia algo na lousa. “Por favor, tome seu lugar e evite interromper a aula novamente.”

As bochechas de Emma queimaram de vergonha enquanto ela murmurou um “sim, Sr. Robinson”. Tão rápida e silenciosamente quanto pôde, a jovem de dezessete anos passou entre as carteiras até chegar à sua, perto da janela, e sentou-se. Ela se moveu com agilidade enquanto pegava seu caderno, livros e lápis. Para sua sorte, sua melhor amiga, Hannah, decidiu não piorar a situação tentando cochichar com ela, mas lançou a Emma um olhar penetrante, deixando claro que esperava que ela abrisse o jogo.

As bochechas de Emma ficaram vermelhas agora por um motivo completamente diferente, tornando seu atraso ainda mais suspeito aos olhos da amiga. Isso não era um bom sinal, pois ela sabia que era apenas questão de tempo até Hannah a abordar e exigir saber por que a aluna com frequência perfeita estava trinta minutos atrasada.

Talvez se o motivo fosse algo simples como “esqueci de ajustar o despertador”, Emma não se sentiria tão sem palavras para explicar, mas, infelizmente, sua vida não era tão simples assim.

Afinal, como explicar que o motivo do atraso era ter visto seu amigo de infância se transformar em um lobo?!

A porta da sala abriu novamente e o motivo dos pensamentos de Emma entrou, fazendo-a entrar em pânico internamente com a presença dele.

“Sr. Raeburn, é bom vê-lo conosco. Será que você e a Srta. Hadley planejaram juntos atrapalhar minha aula esta manhã?” O Sr. Robinson obviamente queria dizer aquilo como uma pergunta retórica, gesticulando com desdém para o amigo de infância de Emma, Dren. “Vá em frente e sente-se.”

Diferente da entrada de Emma, onde a maioria dos alunos perdeu o interesse assim que ela caminhou para a carteira, a maioria das garotas na sala suspirava em silêncio observando Dren seguir para o lugar dele, que por acaso era exatamente atrás de Emma. Ele era cativante sem esforço, com aquela aura de quem é preguiçoso, mas naturalmente descolado. Era o charme perfeito do garoto rebelde, mas Emma sabia que ele só tinha olhos para ela desde o momento em que entrou na sala. Ela conseguia sentir o olhar dos olhos escuros dele fixo em suas costas.

Pelo canto do olho, Emma viu Hannah alternar o olhar entre os dois. Não demorou muito para que ela percebesse o que estava acontecendo, e no momento em que isso ocorreu, Emma amaldiçoou sua existência. Não havia como escapar dessa agora.

Para sua sorte, assim que a aula acabou, ela e Dren foram chamados pelo professor para conversar sobre o atraso excessivo, adiando a inevitável conversa com Hannah. Também foi bem estranho ter que ficar ao lado de Dren enquanto levavam uma bronca, tentando assimilar o fato de que ela tinha visto, literalmente, ele virar um lobo ontem.

E isso nem era a parte mais louca. O mais louco era que ele lhe disse que ela era sua alma gêmea.

Sua alma gêmea?!

Nem é preciso dizer que ela não conseguiu dormir nada naquela noite. Houve até um momento em que Emma pensou em faltar à aula e ficar em casa, mas sua mentalidade de aluna exemplar a fez se sentir culpada e ir. Bem, sorte da sua consciência pesada, porque agora ela estava se arrependendo disso.

“EMMA!”

Emma engoliu em seco quando Hannah agarrou seu pulso logo fora da sala, seus olhos verdes brilhando com uma curiosidade empolgada. Emma podia sentir Dren atrás dela e suspeitava que ele também estava prestes a puxá-la. Ela teve que pensar por um momento qual era o mal menor: Hannah ou Dren?

Definitivamente, Hannah.

Emma permitiu ser arrastada para o banheiro feminino com sua melhor amiga, que estava morrendo de vontade de interrogá-la. As duas esperaram algumas calouras saírem antes de Hannah se virar para ela com um fogo figurativo nos olhos.

O que aconteceu? Por que você estava atrasada? E por que o Dren estava atrasado também?? Vocês transaram? Estão namorando agora? O que está acontecendo?”

Emma riu sem jeito com todas as perguntas disparadas em sucessão rápida. Como ela deveria começar a explicar? Existia uma maneira crível de dizer a alguém que seu amigo de infância se transformou em um lobo e a chamou de sua ‘companheira’? Não havia como começar por aí; Hannah a jogaria em um hospital psiquiátrico na primeira oportunidade se essa fosse sua explicação.

Decidido, então. Sabe como é, toda mentira tem um fundo de verdade, né?

“Então, hum…” Emma limpou a garganta nervosa, “o Dren meio que… confessou o amor dele por mim ontem?”

Seu sorriso era desconfortável e ansioso, e ela deu de ombros, sem saber o que dizer. Hannah a encarou em silêncio por um segundo antes que seu guincho de alegria quase deixasse Emma surda.

NÃO ACREDITO!” Hannah gritou, “AI MEU DEUS, VOCÊ ESTÁ BRINCANDO!”

Emma teve que tampar os ouvidos para se proteger, mas sorriu nervosa para a amiga. “Hum… não, não estou brincando”, disse ela. Hannah começou a surtar de alegria, segurando a amiga pelos ombros e sacudindo-a.

“O que você disse?!” ela exigiu saber, com o tom mais agudo que Emma já ouvira sair da boca da amiga. “O QUE VOCÊ DISSE?!” Emma engoliu em seco.

“Eu… ainda não dei uma resposta para ele.”

Como esperado, Emma recebeu o olhar mais assassino de sua melhor amiga que já vira na vida. “Você dispensou o cara mais gato da escola?!”

Emma rapidamente abanou as mãos em negação antes que sua melhor amiga a matasse no banheiro e escondesse seu corpo no depósito de equipamentos esportivos. “Não! Não, eu não o dispensei, eu só…” Sua voz sumiu enquanto ela esfregava o braço, nervosa. Hannah finalmente pareceu notar que algo estava errado, acalmando-se e prestando mais atenção à ansiedade no rosto da amiga. “Tem… algo que está me… deixando encucada.”

Hannah sempre foi do tipo empolgada, levava os estudos a sério, mas demonstrava suas emoções claramente para quase tudo. Ela estava contida agora, dando a Emma a chance de continuar no seu próprio ritmo. “Você quer conversar sobre isso?”, perguntou. Emma franziu os lábios, pensativa.

“Eu acho que preciso de um pouco de tempo”, disse ela por fim, “me desculpe”. Hannah balançou a cabeça negativamente, envolvendo os ombros de Emma com um braço de forma reconfortante.

“Eu te entendo, amiga.” Elas trocaram um abraço rápido. “Quando estiver pronta.”

Emma sorriu para sua melhor amiga e se perguntou pela milésima vez o que faria sem ela.

Elas saíram do banheiro e foram para a próxima aula, sem se importar muito com o fato de já estarem atrasadas. Hannah tinha biologia enquanto Emma tinha inglês, forçando as duas a se separarem e combinarem de se encontrar no almoço. Felizmente, Dren não tinha inglês com ela. Infelizmente, ele estava na aula de história logo ao lado da aula de inglês dela.

Ela definitivamente não conseguiria escapar dele dessa vez.

Os minutos não podiam se alongar o suficiente, Emma pensou quando a aula terminou com o toque do sinal. Ela tentou ser a primeira a sair pela porta, esperando que talvez Dren fosse atrasado por algum amigo querendo falar com ele, mas, infelizmente, a sorte não estava do seu lado hoje. Dren já estava esperando por ela lá fora, encostado na parede ao lado da porta da sala.

“Emma”, disse ele com sua voz grave e terrivelmente sexy, “precisamos conversar”.

Não importava que ela tivesse cinco minutos para chegar à próxima aula, ah não, a vida não funcionava assim quando Dren estava por perto. Por algum motivo estranho, Dren tinha muito mais poder naquela escola do que qualquer adolescente deveria ter. Até os professores obedeciam a ele. Eles podiam dar sermão de vez em quando, como naquela manhã, mas se Dren dissesse para alguém sair da sala, eles faziam isso com uma rapidez impressionante.

Foi exatamente o que ele fez, levando-a para uma sala de estudos onde ele disse para os dez alunos que estavam lá saírem. Todos fizeram isso sem questionar, arrumando suas coisas rapidamente e esvaziando o local. Emma sentiu que já deveria estar acostumada com isso e se perguntou se talvez aquilo fosse algum superpoder estranho de lobo.

Ah não… será que ela estava começando a acreditar nessa loucura também? Com certeza o que ela viu na noite passada foi um sonho; ela ainda devia estar sonhando!

“Não é um sonho”, disse Dren, sua voz interrompendo seus pensamentos. Ela lhe deu um olhar de pânico, imaginando como ele sabia o que ela estava pensando. Ele conseguia ler mentes? Era um superpoder de lobo? “Eu não consigo ler sua mente”, continuou Dren, dando um sorriso divertido ao ver o rosto dela empalidecer, “eu só conheço você bem demais”.

Emma abriu a boca para responder, mas a fechou logo em seguida, sem saber o que dizer a alguém que ela achava que conhecia. Dren sentiu a mudança de humor dela, e seu rosto ficou sério.

“Quem é você?”, perguntou Emma, sentindo-se culpada ao ver a dor bruta passar pelo rosto dele.

“Eu sou o Dren”, disse ele simplesmente, “a mesma pessoa que você conhece a vida toda”.

Emma não sabia como responder a isso. Ou talvez ela soubesse o que queria dizer, mas não disse porque sabia que o machucaria. O silêncio pareceu a melhor resposta em sua mente, embora parecesse que aquilo estava machucando Dren profundamente. Ele deu um passo à frente, alcançando a mão dela.

Ela rapidamente a puxou de volta.

A mão dele parou no ar, suspensa por arrependimento e mágoa. Ela observou as emoções tremeluzirem no rosto dele; dor, desprezo por si mesmo, culpa, arrependimento e desespero eram as mais evidentes, antes que tudo fosse escondido atrás de uma máscara de expressão neutra. Dren deixou a mão cair de volta ao lado do corpo, a outra no bolso.

“Desculpe”, disse ele, e o tom sem emoção de sua voz percorreu a espinha de Emma. “Não vou mais te incomodar.”

Dren se virou e saiu da sala. Naquele momento, Emma pensou que ele queria dizer que não a incomodaria pelo resto do dia, porque tudo o que ela precisava era de um pouco de tempo para processar aquela enxurrada de informações que tinha caído sobre ela na noite anterior. Se ela soubesse o que ele realmente quis dizer, teria impedido que ele fosse embora.

No dia seguinte, o professor anunciou que Dren tinha se transferido da escola. Passariam anos até que Emma o visse novamente.