Capítulo 1
Jace
Mal posso esperar para chegar em casa, porra. Ficar fora por um ano me fez bem, mas caramba, como eu sinto falta de casa. A primeira coisa que vou fazer é visitar o Austin, porque pode me chamar de sentimental, mas aquele cara é meu irmão. Pode não ser de sangue, mas sempre cuidamos um do outro a vida toda. Nossas famílias são próximas desde o dia em que nascemos.
Ano passado, meus pais decidiram me mandar para um treinamento intensivo de futebol. Não pouparam gastos na busca pela minha futura carreira. O treino diário e os jogos destruíram meu corpo, mas de um jeito bom. Se antes eu já era musculoso, agora eu sou basicamente o Hulk, porra. Tive que comprar roupas novas enquanto estava fora porque nada mais servia. Meus músculos, antes macios e suaves, agora estão rasgados e como blocos de terror pelo corpo. Ter apenas 20 anos e dizer que as pessoas ficam impressionadas seria um eufemismo. Rodo meus ombros para aliviar a dor; não treinar hoje acabou trazendo umas dores musculares que geralmente não sinto. Olho pela janela do ônibus enquanto entramos na cidade onde cresci, e um pequeno sorriso surge nos meus lábios com a sensação acolhedora de cidade pequena.
Ao parar no ponto de ônibus, o motorista dos meus pais está esperando. Eu deveria saber que eles estariam trabalhando. Sinto um aperto por não vê-los primeiro, mas deixo isso de lado, sabendo que os verei mais tarde de qualquer forma.
Pulando do ônibus, cumprimento o motorista que me conhece desde criança.
"Carlos. Bom te ver, velho amigo", digo com um sorriso enquanto ele me avalia.
"Jace. Faz tempo demais. Você parece... diferente." Dou uma risada, jogo minha mala no banco de trás e entro em seguida, enquanto ele se move para o lado do motorista.
"Para onde vamos?", ele pergunta com um sorriso, já sabendo a resposta.
"Acho que você sabe para onde estamos indo." Sorrio de volta, ele balança a cabeça com aquele sorriso de quem já sabe tudo e arranca em direção à casa do Austin.
Roxy
"Roxy!", meu irmão chama com uma voz cantarolada que me faz revirar os olhos enquanto ele invade meu quarto sem bater. Bloqueio meu celular, coloco-o na cama e me sento para encará-lo.
"Cara! Bate na porta!", repreendo, e ele revira os olhos, olhando em volta.
"Cadê o Jasper?"
"Ele ainda não chegou. Deve vir logo. Por quê?", pergunto, querendo saber por que o Austin está procurando meu namorado.
"Acabei de receber uma ligação do Jace, ele está a caminho, então vou fazer uma festa de boas-vindas com o time. Só queria te avisar." Ele pisca, e eu reviro os olhos. Ótimo. Uma das festas famosas do Austin. Bebida, música alta e, o pior de tudo, líderes de torcida. Aquelas vadias putas da nossa escola.
"Você e o Jasper podem ficar aqui em cima. Mantenham a porta trancada. Você sabe como os caras são; mesmo sabendo que você é proibida, isso não vai impedi-los." Com um suspiro, balanço a cabeça.
"Tá bom."
"Valeu, mana! Ah, e você me cobre com a mamãe e o papai? Sei que eles estão fora, mas é você que eles vão ligar para checar se estou bem... como se eu precisasse de babá." Austin, meu irmão mais velho e irresponsável, realmente precisa de uma babá, e geralmente sou eu... mesmo sendo um ano mais nova, parece que herdei os genes da maturidade que pularam ele.
"Tá bem. Mas você me deve! O que eu quiser! Quando eu quiser!" Ele levanta as mãos em rendição, mas sorri.
"Fechado. Te amo, mana!", ele diz de forma sarcástica, e eu suspiro, balançando a cabeça, voltando a navegar no celular. Minha ansiedade para esta noite atingiu o pico. Odeio quando ele dá festas, isso sempre me deixa ansiosa. Especialmente porque agora, mesmo com gente por perto, eu e o Jasper ficaremos completamente sozinhos... Mordo o lábio pensando nas minhas opções. Eu e o Jasper estamos juntos há 6 meses, mas até agora nem nos beijamos. Não por falta de tentativa dele, mas estou preocupada em fazer errado e ele me trocar por alguém mais experiente.
Jasper é um dos garotos mais populares comparado a mim. Ele é um dos auxiliares técnicos de futebol na escola e, ao mesmo tempo, um aluno nota dez. Embora ele mantenha essa informação em segredo para poder se passar por bad boy sempre que pode. Ele é a única pessoa que o Austin já deixou chegar perto de mim, com a condição de que só nos vejamos quando o Austin estiver em casa ou por perto. Ele é extremamente superprotetor, e eu sei o porquê. Ele já viu alguns dos seus "amigos" fazerem coisas imperdoáveis com garotas que não os queriam, mas que foram forçadas a beijos e toques mesmo assim. Ele não confia em nenhum deles, exceto no Jasper e no Jace. Jace foi o melhor amigo do Austin durante toda a nossa infância e eles sempre foram inseparáveis. Eles costumavam me provocar quando eu era criança, puxavam meu cabelo ou me faziam tropeçar. Você sabe, o amor fraternal de sempre. Dou uma risada ao pensar nisso. Austin me ama, ele só demonstra de formas estranhas. A principal é sua natureza superprotetora comigo, especialmente sendo sua "irmãzinha", como ele gosta de me chamar.
Estou pensando em descer até a cozinha para pegar suprimentos e levar para o meu quarto a noite toda, quando a campainha toca. Olho para o celular e presumo que seja o Jasper, então pulo da cama e desço as escadas correndo. Vejo o Austin abrindo a porta, mas não é o Jasper. É alguém que eu reconheço, mas ele parece completamente diferente depois de um ano fora. Caramba... ele está meio sexy...