Destinado a Ele

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Resumo

Kyle Brooks é o próximo na linha de sucessão para ser Alpha. Seu pai quer que ele se acasale com a filha do Alpha de uma das maiores alcateias. A aliança faria deles um bando poderoso. Kyle estava de pleno acordo, até conhecer sua companheira humana. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, armazenada em sistemas de recuperação ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, seja eletrônico, mecânico, gravação ou outro, sem a autorização prévia por escrito do detentor dos direitos autorais.

Status
Completo
Capítulos
26
Classificação
4.8 4 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

— Droga!

O som do papel rasgando quebrou o silêncio do início da madrugada. Isobel jogou a tela na varanda. Um suspiro pesado ergueu seus ombros, enquanto suas mãos cobriam o rosto. Ela achava que vir para a cabana do avô, aninhada nas Montanhas Rochosas, no Colorado, a ajudaria com seu bloqueio criativo. Ela precisava pintar, ou perderia o prazo de entrega.

Seus olhos castanhos escuros fitaram as montanhas de tons azulados onde o sol nascia, banhando a pedra irregular com seus raios alaranjados. A floresta exuberante ainda estava azul-escura, pois o sol não tinha subido o suficiente para cobri-la com sua luz. Uma vista majestosa que ela esperava capturar em acrílico, mas sua mente estava lutando contra ela, e ela estava perdendo a batalha.

Um barulho de farfalhar a fez virar a cabeça em direção ao rio que corria perto da cabana isolada do avô. Sua garganta fechou como se seu coração estivesse preso nela. Isobel recuou, com a mão no peito. Sua respiração estava curta e pesada, formando nuvens de fumaça no ar frio.

A criatura estava do outro lado do rio. Sua pelagem parecia escura no crepúsculo, mas seus olhos dourados perfuravam a luz fraca que surgia com o sol.

Um lobo. Sua mente registrou. Um lobo enorme. Com mais de dois metros de altura, seu corpo era volumoso, cheio de pelo e carne. Seus pés tocaram o degrau da porta da cabana. Alcançando atrás de si, ela segurou a maçaneta e empurrou a porta. Movendo-se para trás para não virar as costas para o lobo, ela entrou aos poucos. Seus movimentos eram lentos para não chamar a atenção da criatura. Parando antes de fechar a porta, Isobel notou os olhos amarelados do lobo nela. A cabeça dele inclinou-se para o lado. Seu coração disparou. Ela achou que detectou uma inteligência sobrenatural brilhando naqueles olhos claros antes que a porta a impedisse de vê-lo. Pressionando as costas contra a porta fechada, ela respirou fundo.

Droga! Na pressa de se afastar do lobo estranhamente enorme, ela tinha esquecido sua tela de pintura lá fora, na varanda. Dando passos lentos sobre o assoalho de madeira que rangia, ela foi até as janelas. Afastando as cortinas, ela espiou. Mordendo o lábio para não soltar um palavrão, ela soltou as cortinas e se jogou na poltrona reclinável favorita do avô. O maldito lobo tinha se acomodado perto da margem do rio, bem em frente à sua porta.

Acomodando-se na poltrona, ela respirou o cheiro do avô: charutos, café e o bourbon que ele costumava apreciar no fim do dia. Seus olhos arderam com lágrimas acumuladas. Fazia dois meses desde a morte dele e ela sentia muito a sua falta. Isobel veio à cabana para empacotar as lembranças dele e decidir o que fazer com o lugar. Ele tinha deixado a cabana para ela, dizendo no testamento que esperava que ela trouxesse a mesma alegria para ela que trouxe para ele.

O sol nascente entrava pelas cortinas finas, banhando o quarto com um tom dourado. As paredes rústicas de madeira eram feitas de tábuas, interrompidas por uma lareira de pedra. Um aroma suave de fumaça vinha da lareira, trazendo uma atmosfera aconchegante ao ambiente. Um tapete feito à mão cobria o chão, e uma mesa ficava entre dois sofás. Os equipamentos de caça e pesca do avô estavam pendurados nas paredes, assim como fotos de sua família. Enxugando uma lágrima que escorria pelo rosto, ela sorriu para uma foto que mostrava seu avô radiante, segurando uma truta arco-íris.

— Sinto sua falta — sussurrou ela para a foto. — Me ajude a pintar, vovô, porque não consigo desde que você nos deixou. — Ela perdeu a batalha contra as lágrimas e um soluço cortado escapou de sua boca. Encolhendo as pernas contra o peito, ela chorou, balançando o corpo.