Bela Inimizade (Um Romance com Bilionário)

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Resumo

Aparentemente, Aiden tinha tudo. Riqueza, boa aparência e inteligência. Mas por trás da fachada de perfeição masculina, escondia-se um homem destruído. Um homem obcecado por vingança. Um homem que me odiava profundamente. Ou será que odiava? Afinal, existe uma linha tênue entre o amor e o ódio. * * * * * * * "Eu nunca tinha visto alguém odiar outra pessoa com tanta intensidade quanto Aiden me odiava." Sarah e Aiden vêm de mundos diferentes. Ele é o herdeiro bilionário da maior máfia da cidade. Sarah é apenas uma estudante universitária de luto pela morte de seu pai amoroso e de seu irmão. No entanto, suas vidas estão interligadas. Aiden sempre culpou a família de Sarah pela morte de sua irmã e jura tornar a vida dela um inferno. Será que Sarah deixará de pagar por crimes que nunca cometeu? E o que acontecerá quando os dois se depararem com a descoberta chocante de que o ódio não é a única emoção que existe entre eles? Confira o quadro de Beautiful Enmity no Pinterest: https://pin.it/7jQmAfE

Status
Completo
Capítulos
24
Classificação
4.6 20 avaliações
Classificação Etária
13+

A Garota Mais Azarada Que Já Existiu

Era isso. O fim. Quando o metal das algemas cravou nos meus pulsos, a realidade bateu mais forte. Minha vida tinha acabado. Justo quando eu havia encontrado a verdadeira felicidade. Sabido o que era amar e ser amada. Mesmo que fosse pelo homem que eu jurara odiar. Fechei os olhos e tentei me lembrar de onde tudo havia começado.


Um ano atrás...


Olhar no espelho me fez perceber o quanto eu tinha mudado desde o ano passado. Antes, eu era viciada em exercícios e a caminho de virar faixa-preta em taekwondo. Agora, mal havia músculo nos meus ossos. Parecia que um vento mais forte seria capaz de me derrubar.


Levei uma hora para escovar o cabelo, que estava embaraçado havia séculos. Quase não restava mais nada dele. Como se as espinhas não bastassem, a ansiedade constante tinha feito a maior parte cair.


Enquanto me arrumava, me perguntava se deveria me orgulhar ou me envergonhar. Deveria me orgulhar por estar tentando viver, mesmo depois de perder duas pessoas que amava profundamente, tudo no mesmo ano? Ou me envergonhar, já que as duas tinham sido assassinadas e eu não conseguira vingá-las?


O sistema jurídico do nosso país era uma piada. Só os ricos e influentes conseguiam o que queriam. Mas até o fato de eu não ser uma deles parecia culpa minha. Como se fosse meu fracasso.


Foi então que a porta se abriu, e minha mãe entrou. Ela era minha cópia carbono, só que mais bonita. Tínhamos os mesmos olhos castanhos e o cabelo ondulado, escuro.


As olheiras mostravam o quanto estava exausta. O sorriso no rosto não conseguia esconder que sua alegria era só fachada. Ela tinha perdido o amor da vida dela e o filho deles não fazia muito tempo.


"Querida, deixa eu fazer sua maquiagem pro primeiro dia", ela disse. Esse era nosso ritual. Quando eu estava na escola, no primeiro dia de aula, ela escolhia minhas roupas. Depois que cresci e comecei a me vestir sozinha, ela virou minha maquiadora nesses dias.


Mas dessa vez, eu sabia que ela só estava fingindo empolgação por minha causa. Depois que meu pai e meu irmão morreram, nós também morremos com eles. Se ainda estávamos vivas, era só uma pela outra.


Ao passar pela sala de jantar, vi minha irmã sentada à mesa. Tinha uma calculadora numa mão e uma caneta na outra. O cabelo cacheado estava todo bagunçado. Aquela não era minha irmã, a garota festeira e obcecada por moda. Era uma figura sombria, alguém que estava se despedaçando, mas tentando se segurar pela família.


O tratamento do meu pai tinha nos deixado na miséria. Apesar da negligência médica óbvia do médico que o atendeu, o hospital se recusou a nos pagar qualquer indenização.


Nem dinheiro para entrar com um processo nos sobrou. E, mesmo que sobrasse, não faria diferença com um sistema jurídico tão podre.


Quando a Sasha não estava trabalhando, passava o tempo fazendo contas para ver como a gente podia economizar e pagar nossas dívidas. Minha mãe e minha irmã eram duas mulheres extraordinariamente corajosas, e nada me deixava mais orgulhosa.


Enquanto esperava o ônibus, lembrei que meu pai sempre me dava algum presente nesses dias, geralmente um livro. Meu irmão também. Mas agora eles nunca mais fariam isso.


Sentada no ônibus, cercada por estudantes felizes falando de suas famílias inteiras, senti vontade de morrer. Cada rua por onde passávamos era um lembrete de tudo que eu tinha perdido.


O restaurante chinês da esquina, onde meu pai e eu nos empanturrávamos de frango kung pao. A biblioteca da cidade, onde eu e meu irmão passávamos horas devorando livros. Cada lugar da cidade guardava memórias.


Por isso eu tinha ficado trancada em casa por tanto tempo. Foi só quando percebi o quanto isso preocupava minha mãe e minha irmã que decidi sair. Não podia deixar que elas pensassem que eu estava desistindo, senão elas também desistiriam.


Eu era uma das poucas alunas que ainda moravam com a família, em vez de ficar nas repúblicas do campus. A maioria das pessoas da minha idade queria experimentar morar sozinha e, depois da faculdade, tentava se mudar o mais rápido possível.


Menos eu. Eu era a caçula da família, que não conseguia nem imaginar ficar longe dos pais e irmãos. Era tão estranho que eu tivesse sido a que perdeu metade da família. Sabia que era errado, mas não conseguia evitar me perguntar por que uma família tão unida como a minha tinha sido destruída.


Ao chegar no campus, senti o celular vibrar. Era a Stacy e a Candice, minhas "melhores amigas".


Além de algumas mensagens de pêsames, elas nunca tinham me dado muito apoio nos momentos difíceis. Mas eram as únicas amigas que eu tinha, então eu continuava com elas.


A Stacy era o tipo Barbie loira, com um corpo invejável que ela não tinha vergonha de exibir em saias sempre curtas demais.


A Candice, por outro lado, não dava a mínima para maquiagem ou roupas. Sempre de jeans e aqueles tênis gastos, que ela devia usar todo dia fazia um ano.


Era difícil não notar as duas. Duas pessoas tão diferentes, mas tão próximas apesar das diferenças. A única razão para alguém me notar era a gordurinha infantil no meu rosto. As pessoas sempre me confundiam com uma aluna do ensino médio, não com uma universitária do segundo ano.


A primeira aula era contabilidade de custos, e só vinte minutos depois, eu e todo mundo já estávamos lutando para não dormir. Só um Einstein reencarnado, sentado na primeira fileira, não parava de fazer perguntas pro professor.


"Esse cara tá enchendo o saco do coitado", a Candice segurou o riso ao ver o professor sendo massacrado pelo CDF.


"Só tô vendo as costas dele. Ele é bonito? Se ele virasse, pelo menos…", a Stacy disse, tentando dar uma espiada no rosto do cara.


Desde que tinha terminado com o namorado, o Kevin, ela vivia atrás de alguém novo para se obcecar.


"Achei que você não curtia nerds", a Candice provocou.


"Não tenho nada contra homens inteligentes. Já tive o suficiente da turma dos atletas, de qualquer forma." Antes que a Stacy pudesse continuar falando do Kevin, a aula acabou.


O cara da primeira fileira se levantou. Estava de jaqueta de couro preta, e o cabelo castanho bagunçado parecia ter sido arrumado com todo o cuidado. Quando nossos olhares se cruzaram, senti como se tivessem me tirado o ar.


E não era por causa dos olhos dele, do azul mais impressionante que eu já tinha visto.


Era porque eu já tinha visto aqueles olhos antes. Num momento que eu não queria lembrar.


"Ele é bonito", a Stacy deu uma risadinha.


"A gente nem pegou o nome dele", a Candice respondeu.


Mas eu já sabia o nome dele. O único inimigo da minha família não era o médico que causou a morte do meu pai. Nosso inimigo mais poderoso estava ali. Aiden Victor.


Ponto de vista do Aiden:

Naquela manhã, eu tinha acordado me sentindo mais vivo do que nos últimos meses. Hoje, eu estava mais perto de conseguir o que queria. Mesmo que fosse só o começo.


Minha mãe claramente não estava feliz com a minha decisão. Quando eu disse "bom dia", ela não respondeu. Ficou só olhando pro nada.


Como sempre, estava impecável num tailleur preto, usando seu colar de pérolas favorito. O cabelo loiro estava arrumado, sem um fio fora do lugar, e os olhos azul-acinzentados, idênticos aos meus, brilhavam com sabedoria.


Ficamos os dois comendo em silêncio, até que eu não aguentei mais.


"Achei que a gente tinha feito uma promessa. Depois que a Arianna morreu, juramos nunca mais parar de falar um com o outro. Não importa o quê. Qualquer problema que a gente tivesse, ia resolver conversando, lembra?"


"Sim, Aiden, eu lembro!", minha mãe bateu o copo na mesa com tanta força que ela tremeu.


"Sua irmã não vai gostar do que você está fazendo. Ela se foi. Vingar ela não vai trazê-la de volta!"


"Tá bom, mãe, vamos dizer que eu sou egoísta. Pensar em vingar minha irmã é a única coisa que me dá paz."


"Você acha que essa garota vai falar? Confessar que o irmão dela matou sua irmã? Ou revelar onde ele está? A família inteira deles é de criminosos. São tão ardilosos que nem a polícia conseguiu encontrar provas contra eles!"


"Eu tenho que fazer alguma coisa. Qualquer coisa, mãe! Não posso ficar parado. Sinto que, me aproximando da Sarah, posso conseguir alguma coisa!"


"A vida é curta demais pra você dedicar tudo a essas fantasias de vingança. Se você falhar, Deus me livre, vai ficar mais arrasado do que pode imaginar." Minha mãe jogou o guardanapo na mesa e saiu pisando duro. Eu sabia que não adiantava discutir mais, então não fui atrás.


A viagem até a faculdade foi tranquila. A galera era igual à de qualquer outro lugar. Assim que saí do carro, fui recebido por um monte de olhares curiosos. Fanáticos por carro babando no meu. Garotas me secando. Antes, isso me incomodava, mas agora eu já tinha me acostumado.


Consegui chegar cedo na aula. Ainda não havia sinal da minha alvo. Os alunos começaram a entrar ao meu lado. Como sempre, todos me olhavam de relance, mas ninguém tentava se aproximar.


Sempre foi assim comigo. As pessoas se intimidam. Quando eu era criança, odiava isso, achava que tinha algo errado comigo. Principalmente quando os professores começaram a me acusar de antissocial.


Mas acabei aprendendo a aceitar. Como herdeiro da Victor Enterprises, eu nasci para liderar, e líderes precisam ser um pouco intimidadores.


Finalmente, ouvi a voz dela. Ela pode ter esquecido a minha, mas eu nunca esqueci a dela.


Era suave e delicada, não a voz de alguém de uma família de assassinos. Mas eu sabia que não era bem assim.


A aula passou rápido. O professor era claramente novo e completamente despreparado. Ficava só dependendo dos slides do PowerPoint pra dar aula. Eu não parava de fazer perguntas. Pode-se dizer que detesto preguiça e gente que não faz o dever de casa.


Os dois caras do meu lado não paravam de fazer comentários obscenos sobre as garotas da sala. Era como se não tivessem outro assunto além de "peitos" e "bundas". Tive vontade de enfiar uma mordaça neles.


Por fim, a aula acabou. Virei-me, e meus olhos encontraram os dela. Havia algo de élfico nela. Um corpo miúdo e uma inocência quase infantil no rosto. De alguma forma, isso só me fez odiá-la mais. Porque eu via tudo aquilo como uma ilusão perfeitamente construída, escondendo a cobra por dentro.


Vi os olhos dela se arregalarem e o rosto empalidecer. Ela claramente não esperava me ver ali. As amigas pareciam não ter a menor ideia do que estava acontecendo. A loira estava me secando e nem tentava disfarçar.


A Sarah murmurou algo pras amigas e se afastou. Talvez eu não tivesse conseguido nada de importante, mas a expressão de horror no rosto dela foi o suficiente pra fazer o meu dia.


E eu estava só começando.