Capítulo 1

A hora dourada de uma tarde de sexta-feira foi feita para a liberdade, não para ficar encarando uma mancha de umidade no teto da sala 301. Eu me remexo na cadeira, queimando a testa de Luca Greene com um olhar que deveria tê-lo desintegrado. Ele deve ter sentido meu olhar, porque levantou os olhos lentamente, os dedos presos naquele ninho de mafagafo obsidiana que ele chama de cabelo, enquanto me oferecia um sorriso torto e nada arrependido.
Ele sabe que a culpa é dele.
E ele também sabe, tão bem quanto eu, que ele faria tudo de novo.
Maldito seja. Mostro os dentes e levanto o dedo do meio para ele.
“Hailey Woods”, a Sra. Whit dispara. “Você acaba de ganhar mais uma detenção na sexta-feira comigo.”
Eu solto um gemido, afundando na cadeira, mas não antes de capturar um último vislumbre do sorriso irritante e socável de Luca. “Desculpe, Sra. Whit”, murmuro, agarrando as laterais da minha mesa, que está cheia de rabiscos em letra cursiva. A maioria é minha — desenhos de animais fofos e flores desabrochando feitos com canetas coloridas, uma tentativa de passar o tempo nesse tédio sem fim.
Inclinando a cabeça, ofereço à Sra. Whit meu melhor olhar de derrota, com uma longa mecha castanha caindo no meu rosto e fazendo cócegas no meu nariz. Sopro a mecha para longe, minha fachada cuidadosamente construída falhando por um segundo antes de eu jogar o cabelo para trás e retomar o papel. Com meus olhos grandes cor de mel, sei que sou boa em convencer as pessoas.
É uma pena que a única professora imune a isso seja justamente a que está supervisionando a detenção hoje.
A Sra. Whit tem uma expressão severa e contida, seus lábios pintados de ruivo formando uma linha fina enquanto ela me olha por cima de seus óculos enormes.
“Continue assim e poderemos transformar isso em todas as sextas-feiras do próximo mês”, ela continua. “Você escapou das suas bobagens por tempo demais.”
Engulo em seco a resposta que borbulha na minha garganta e forço um sorriso. “Não foi de propósito. Tive um dia ruim.”
A Sra. Whit arqueia uma sobrancelha, os lábios se curvando em um desdém. “E quem não teve?”
“É meu aniversário hoje, e meus pais esqueceram”, digo, e as palavras escapam antes que eu possa detê-las. Pelo menos essa parte é verdade.
As sobrancelhas dela se elevam em surpresa. “Por mais que isso seja uma droga, e por mais que eu tenha empatia pela sua situação infeliz, não sou responsável pela sua felicidade, Srta. Woods. Também não está sob meu controle como você decide agir durante a aula e o que escolhe fazer com as regras da escola. O que vale para um aluno, vale para todos, sendo aniversário ou não.”
Suspiro, recostando-me na cadeira. “Eu não estava procurando uma desculpa para sair da detenção”, minto. “Só queria que soubesse que tive um dia ruim.”
Uma risada seca escapa de Luca, e minha mão se fecha em um punho. Eu vou dar o troco nele por isso.
Digo — a culpa é dele de eu estar na detenção para começo de conversa. Eu estava cuidando da minha vida na aula de Inglês quando ele, sem motivo algum, resolveu parar na minha mesa e ficar me encarando como se eu fosse um bicho estranho.
Não, sério.
Ele não disse nada — apenas ficou parado ali, olhando, como se estivesse possuído ou algo do tipo. E então, do nada, ele agarrou meu braço, me puxou para perto e me mordeu.
Ele me mordeu, caramba!
Eu não provoquei ele.
Mal falei com ele antes de hoje, e de alguma forma sou eu quem está em apuros por me defender? Como isso é justo? A escola não deveria proteger os alunos de serem assediados?
Aff.
Kelsey, minha inimiga desde o jardim de infância, lança um sorriso de lado para mim. Ao contrário de mim — que nunca tinha ficado de detenção na vida — o passatempo favorito dela é qualquer coisa que cause problemas para os outros. Eu esperava evitá-la nesta sessão, mas, claro, a sorte não está do meu lado hoje.
No segundo em que a Sra. Whit abaixa a cabeça para ler seu romance barato, Kelsey joga um pedaço de papel amassado em mim. Pego o bilhete e o desamasso.
Adivinha de quem eu vi a mamãezinha entrando no carro de um homem casado?
Suspiro e pego minha caneta. Eu deveria ter visto isso vindo. Minha mãe tem um problema com bebida — e um problema ainda maior com homens. Meu pai é tão ruim quanto ela. Ele não está nem aí para o que ela faz, contanto que ela não fique no caminho dele.
E eles nunca brigam, o que parece ser uma coisa boa à primeira vista. Mas na realidade? Não é. A falta de cuidado vai muito além do relacionamento deles. Eles não ligam se eu me atraso, se pulo o jantar ou se estou presa na detenção. Minha mãe assina meu papel de detenção sem nem pensar, enquanto conversa no telefone com a melhor amiga, e meu pai apenas resmunga como resposta.
Pressiono a ponta da caneta no papel e começo a escrever: Imagino como deve ser chato viver a ponto de tentar chamar atenção inventando histórias. Sua vida deve ser um lixo.
Olho por cima do ombro para intimidar Luca com um olhar de aviso antes de passar o bilhete de volta para Kelsey. Se ele estiver planejando me entregar, preciso garantir que ele saiba que está procurando confusão.
Cansei de ser capacho.
Ainda não entendo o que o levou a ser agressivo comigo daquele jeito. Qualquer desculpa estúpida que ele tenha — ou não tenha — eu vou me vingar. De alguma forma.
Antes que eu possa pensar mais sobre isso, uma bola de papel bate na minha testa. Kelsey mal consegue conter uma risada, com a mão sobre a boca.
Os olhos da Sra. Whit se erguem, cravando um olhar severo em Kelsey antes de voltarem para seu livro.
Lanço um olhar mortal para Kelsey, desfaço a bola de papel e leio o bilhete: Minha vida é perfeita, muito obrigada. Quanto à sua — sua mãe indo para casa com os pais casados dos outros alunos é nojento. Ela deve estar ganhando muito menos do que uma puta comum, considerando o estado dessas suas roupas baratas. P.S.: Melhor cuidar das costas. Tenho uma surpresa adorável guardada para você.
Não consigo segurar um bufo enquanto escrevo: Tenta a sorte.
Jogo o bilhete de volta para ela.
O que eu não escrevo é que eu não ligo para a minha posição social. Eu não tenho status social nesta escola, ponto. Kelsey já se certificou disso. Não tenho amigos aqui e não tenho mais nada a perder. Bem, exceto minha dignidade, mas ela não precisa saber disso.
Desta vez, quando Kelsey se vira, levanto as mãos para pegar a bola de papel. No entanto, o rosto dela se contorce em puro horror. “Puta merda”, ela grita, atraindo a atenção de toda a sala, inclusive da Sra. Whit, cuja boca se abre de espanto.
“O quê?”, pisco.
“Seus olhos. O rosto... o pescoço. Sua aberração!”, Kelsey levanta uma mão trêmula e aponta para mim. “Você está virando uma aberração!”
A Sra. Whit empalidece. “Oh, meu Deus.”
Eu franzo a testa, tocando o ponto na lateral do meu pescoço onde Luca me mordeu. Está quente e sensível. “O quê?”, repito, incapaz de formular uma resposta mais sensata e coerente.
“A Woods está virando um lobisomem! Uuuuh!”, Pete, lá do fundo da sala, grita.
“Os olhos dela estão brilhando!”, alguém mais comenta.
O mundo ao meu redor gira em uma névoa de descrença e pânico. Não. Não. Não!
Mergulho a mão na mochila, tateando em busca do meu espelho de bolsa. Quando o encontro, puxo-o e abro. Olho para mim mesma no espelho, sentindo como se o chão estivesse prestes a ceder sob meus pés.
Meus olhos estão brilhando. Um azul horrível e sobrenatural tomou conta do castanho natural das minhas íris. Meu pescoço, onde Luca me mordeu, agora está marcado com uma tatuagem feia de lua crescente que pulsa com um brilho de safira, enquanto veias escuras se espalham pela minha pele.
Eu tenho a marca do lobo.
Isso não pode estar acontecendo.
Desesperada, tento limpar a marca, mas ela não sai. Os lobisomens chamam isso de “o presente de Diana”, mas nós, pessoas comuns, sabemos o que realmente é: o fim.
É o meu fim.
Quando finalmente consigo me recompor, encontro minha inimiga me olhando como se eu fosse um monstro. A sala ficou tão silenciosa que daria para ouvir grãos de poeira batendo na mesa. Talvez seja minha imaginação?
Meus olhos se voltam para as partículas douradas iluminadas pela luz do sol. Cada vez que uma pequena partícula bate na minha mesa, eu consigo ouvi-la.
Que. Porra. É. Essa.
Há uma respiração audível de todos quando eu pulo da cadeira, minhas pernas tremendo. Eu quase tropeço em direção à mesa de Luca. “O que você fez comigo?”
Ele me observa impassível. “Não sei do que você está falando.”
“Isso”, eu disparo, inclinando-me e virando o pescoço para o rosto dele, apontando para meus olhos.
“Uau”, ele se recosta. “Essa é uma tatuagem intensa que você tem aí. Lentes de contato bem legais também.”
Eu fico séria, endireitando-me. “Não se faça de bobo. Não estava aí antes. Apareceu logo depois que você basicamente me agarrou à força na aula de Inglês. Você é um deles, não é?”
Ele dá de ombros. “Não tenho ideia do que você está falando.”
“Dê um jeito nisso. Agora.” Eu agarro o braço dele. “E não finja que não sabe. Todo mundo sabe sobre eles. Todo mundo sabe o que acontece quando…” Eu respiro fundo, lutando para encontrar as palavras. “Todo mundo sabe o que acontece quando você é… marcada.”
“Bem, isso é uma pena”, afirma Luca, soltando o braço da minha mão. “Não posso fazer nada quanto a isso. Você foi escolhida, Hailstorm.”
“Para de me chamar assim”, rosno. “E não me venha com esse papo furado de ‘escolhida’. Desfaça isso, agora.”
“Eu não posso”, ele dá de ombros novamente. “O feitiço foi selado pelos nossos grandes ancestrais.”
“Ancestrais?” Minhas sobrancelhas se juntam e eu balanço a cabeça. “Que merda é essa que você está balbuciando? Tanto faz, eu não ligo. Dê um jeito nessa coisa feia no meu pescoço!”
“Não, é só isso que tenho para você, Hailstorm.” Ele empurra a cadeira casualmente e começa a reunir suas coisas. Ele não diz nada até colocar a mochila no ombro. “Olha só para isso.”
Eu me viro para ver a que ele se refere — o relógio, eu acho. São quatro e quinze.
“Parece que a detenção acabou”, ele dá um sorriso de lado, dando um tapinha no meu ombro. “A Academia of the Moon está chamando seu nome, pequena loba.”
Simples assim, ele gira nos calcanhares e sai da sala de aula.
A Sra. Whit é a primeira a quebrar o silêncio ensurdecedor. “Hailey”, ela coaxa. “Quer que eu ligue para seus pais?”
Eu engulo o nó gigante que se forma na minha garganta e balanço a cabeça. “Não”, é tudo o que consigo dizer.
Ignorando os olhares, corro para a minha carteira e reúno meus pertences com mãos trêmulas. Deixo meu estojo cair. Duas vezes. Na terceira vez que tento colocá-lo na mochila, deixo cair de novo.
Desta vez, não me dou ao trabalho. Deixo ele lá, fecho o zíper da mochila e jogo-a sobre o ombro.
“Ei, espera aí! Quero ver você virar um lobo!”, Kelsey grita atrás de mim, mas continuo correndo. Não paro até me trancar em uma cabine no banheiro feminino e cair no choro.
Tento abafar os soluços com as mãos, mas qualquer um ainda consegue me ouvir.
Espero até que o silêncio tome conta dos corredores da escola conforme os últimos alunos vão embora, antes de sair de fininho, indo direto para casa. Mas não sem comentários e olhares indesejados pelo caminho.
Encontro a mamãe na cozinha, jogada sobre a mesa com uma garrafa de uísque vazia na mão. Ela continua murmurando sozinha, olhando para o nada com os olhos vidrados. Está claro que ela tomou mais do que apenas uísque desta vez.
Um nó cresce na minha garganta enquanto me pergunto como ela reagirá ao que estou prestes a contar. Isso se ela chegar a responder.
Eu costumava pensar que minha vida é terrível. Pais indiferentes, nenhum amigo, e vivo dia após dia me apegando à esperança de que, quando fizer dezoito anos, poderei começar uma vida nova e melhor para mim — bem longe de toda essa injustiça.
Eu me apego ao meu otimismo, escrevendo minha lista diária de gratidão e me convencendo de que há pessoas por aí em situação pior que a minha.
Minhas vantagens são: eu vou à escola. Temos um teto sobre nossas cabeças, embora o clima lá dentro seja tão morto quanto um cemitério. Meus pais nunca brigam, mesmo que o relacionamento deles esteja destruído. Tenho boas notas — boas o suficiente para conseguir uma bolsa de estudos e construir um futuro vibrante para mim.
Nenhum desses ‘pontos positivos’ significa algo agora. Nenhuma universidade aceitará alguém como eu. Não há mais uma saída, nenhum futuro brilhante — apenas a minha condenação. Em breve, me tornarei um monstro.
Eu nunca vou escapar do inferno.
“Hailey waily boo”, mamãe coaxa da mesa. Ela vira o rosto para mim, com a bochecha pressionada contra a mesa. “Seja uma boa menina e vá buscar bebida para a mamãe.”
Não me movo, esperando que ela note meus olhos vermelhos e inchados e minhas bochechas manchadas de lágrimas. O brilho antinatural dos meus olhos. É apenas uma ilusão da minha parte.
“Vamos lá, Hailey, está ficando tarde. Tenho dinheiro guardado na minha bolsa. Acho que deixei no sofá da sala. Pode ficar com o troco. Compre maquiagem ou qualquer coisa que você goste.” Mamãe se endireita. “Seu pai foi buscar um lanche para a gente. Não consigo comer se não tiver bebido alguma coisa.”
Meus olhos caem propositalmente sobre a garrafa em sua mão. Quero confrontá-la, mas não consigo.
“Mamãe?” Minha voz falha. Não a chamo assim há anos, mas estou com medo e preciso do conforto dela agora. Em algum lugar, naqueles ossos bêbados dela, deve ter restado algum instinto materno. Certo?
“Anda logo, não pode me deixar esperando.” Ela me encara por um momento, com o rosto franzido como se estivesse lutando para focar. “Você deveria pensar em usar maquiagem, querida. Você está com uma cara horrível.”
Eu reprimo a sensação de queimação que aumenta no meu peito. “Mãe, eu preciso falar com você”, tento novamente.
Ela pega a garrafa vazia e a pressiona contra os lábios, inclinando a cabeça para trás para tomar as últimas gotas. Quando ela bate a garrafa na mesa, ela suspira. “Anda, o tempo está passando.”
Cruzo os braços, olhando para ela em descrença. “Eu disse que preciso de você.”
“Estou bem aqui, então não sei do que você está falando.” Seus lábios se estreitam quando continuo parada, e ela vira a garrafa. “Tudo bem então.” Mamãe se levanta, xinga e cai de volta na cadeira. Ela tenta de novo, quase tropeçando na cadeira no processo. “Eu mesma vou buscar, já que minha própria filha se recusa a me ajudar.”
“Você pode, por cinco segundos — pelo amor de Deus, parar de ser egoísta e me ouvir?”, pergunto, apontando para o meu rosto. “Você já considerou que talvez eu esteja com uma cara horrível porque algo ruim aconteceu comigo? Que eu realmente preciso da minha mãe?”
“Pare de ser mimada. Você não tem mais dois anos”, ela dispara com desdém. “Você não tem o quê, quase vinte agora?”
“É? Ótimo saber que você nem sabe quantos anos eu tenho. Ou que ainda vou para a escola.” Lágrimas frescas ameaçam cair. “Eu deveria saber que você não saberia que dia é hoje.”
A cabeça da mamãe se ergue e ela aponta a garrafa para mim. “Honestamente, Hailey, do que você está falando? Eu sei que dia é. É quinta-feira.”
“O dia cinco? Meu aniversário?”, retruco. “Não espero ganhar nada, mas uau, seria bom ouvir um feliz aniversário, pelo menos. Ou um abraço. Não, espere — você não faz essas coisas também.”
Mamãe fica tensa. “Não, não é.”
“Ah, e a propósito, faço dezesseis hoje. Não vinte, mãe.”
“Então eu esqueci. Me desculpe. É isso que você queria ouvir? Feliz?”
“Uau, mãe. Apenas uau.” Balanço a cabeça, com a visão embaçada.
“Você começou sendo amarga”, a mamãe rebate. “Não espere que eu seja carinhosa quando você age como uma pirralha.”
“Bem, então acho que você ficará feliz em saber que vou embora em breve”, anuncio. “Vou sair do seu caminho. Permanentemente.”
“Não se atreva a me ameaçar com esse seu papinho de ‘vou fugir’, está me ouvindo?”
“Eu não vou fugir.” Abafou um soluço com a mão antes de continuar. “Eu fui marcada.”
A cabeça da mamãe inclina para o lado. “Que diabos isso deveria significar?”
Empurro meu cabelo para revelar as veias escuras e feias correndo pelo meu pescoço e a lua crescente iluminando em azul safira. Então, aponto para o meu rosto. Surpreende-me que ela não tenha notado como ele está diferente. “Eu estou virando uma lobisomem.”
A garrafa que mamãe segura escorrega de sua mão e estilhaça no chão. Ela não se move, mas parece que minhas palavras espantaram o álcool da mente dela. “O… quê?”, sua voz treme enquanto ela fala. “Ah não, não, não.”
Mamãe pressiona as palmas das mãos na testa.
“Eu sei, mãe”, meus lábios tremem. “Eles vão me levar para aquele lugar horrível.” Aquele lugar onde todos os lobisomens ficam, são treinados para serem monstros e fazem outras coisas vis que não quero nem pensar.
Mamãe abaixa as mãos, com os olhos arregalados. “O que todos vão dizer?”
“Que sou um monstro?”, eu respondo.
“Você não pode ser vista aqui.” Mamãe corre para o corredor. Ela abre o armário e puxa bolsas de viagem.
Eu a sigo até o corredor, parando ao lado dela. “É só isso que importa para você?”
“Deus me livre, como você pode ser tão insensível ao arriscar nossas vidas vindo para esta casa? Aqui, pegue isto. Comece a fazer as malas rápido. Precisamos tirar você daqui.”
Minha boca se abre em descrença. “Você está falando sério?”
Mamãe para, olhando para mim. “Claro que estou falando sério. Não podemos nos associar com um lobisomem.” Ela cospe a última palavra como se fosse algo sujo. “E se você se transformar e nos comer?”
Suspiro, pegando as duas bolsas vazias que ela jogou em mim. “Como minha mãe, achei que tentaria descobrir como se livrar da marca. Não me jogar aos lobos.”
Literalmente.