A Perfeição do Seu Pai

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Resumo

Ruby, noiva e feliz, rapidamente se vê diante de seu noivo com outra mulher agarrada a ele. Ele a chama de puritana e diz que a usou apenas para conseguir sua herança e nada mais. Ela se desfaz. Quando você está no fundo do poço, o único caminho é para cima; seguindo o conselho de seu ex, ela faz uma sex list, decidida a mudar de vida, experimentar mais e provar que ele estava errado. Só que essa sex list acaba levando-a direto para a cama de ninguém menos que o pai dele. A vingança suprema é doce quando acontece debaixo do nariz do próprio pai dele.

Status
Completo
Capítulos
56
Classificação
4.8 139 avaliações
Classificação Etária
18+

Pega no Flagra

Lembrando que este é o primeiro rascunho, então pode haver alguns erros. Se isso te incomoda, recomendo não ler até que esteja finalizado e revisado.

Esse quarto grita dinheiro. Não é que eu seja pobre, mas também não nado em grana como a família do Jake. Ou pelo menos como o pai dele. Jake ainda não é rico. Disseram a ele que não veria um centavo até provar que era capaz. Claro, o pai dá a ele o suficiente todo mês para viver bem, mas só isso.

Até esse anel no meu dedo não é realmente do Jake. Ele não trabalha, então é óbvio que teve que pedir o dinheiro ao pai. O pensamento me deixa incomodada, mas tento não demonstrar.

Ultimamente, porém, parece que o pai dele começou a enxergá-lo de outro jeito. O noivado mudou as coisas. Não só o pedido em si, mas aparentemente eu também. Namorar comigo de alguma forma fez o Jake parecer mais responsável aos olhos do pai, como se eu tivesse sido a responsável por colocá-lo na linha. Não faço ideia de como. Tudo o que fiz foi sair com ele.

Quando conheci o pai dele, nem sabia que o Jake tinha dinheiro. Fiquei chocada quando ele me trouxe até essa casa, agindo como se não fosse nada de mais.

Agora estou aqui, ainda processando tudo, ainda zonza com a ideia de que namorar e ficar noiva são coisas completamente diferentes. O pai do Jake, Alaric, é charmoso e caloroso. É nítido que ele quer o melhor para o filho, mesmo que não suporte o lado irresponsável do Jake. Esse lado eu só vi de relance, nunca de verdade.

A conversa flui com naturalidade. Alaric ri, eu respondo com educação, e então sinto a mão do Jake deslizar pela minha coxa por baixo da mesa. Meu corpo enrijece na hora.

Viro e o encaro com raiva, mas ele só sorri, os olhos brilhando com malícia, como se fosse uma brincadeira. Faz até biquinho quando me afasto. Ele está falando sério? Estamos sentados com o pai dele e ele acha normal me apalpar?

— E então, correu tudo bem? — Alaric pergunta, sorrindo para mim do outro lado da mesa.

Forço um sorriso e assinto. — Foi incrível, senhor Hendrix. Fiquei surpresa de ter dado tão certo.

— Ruby, por favor. Me chame de Alaric. Você está namorando o Jake há mais de um ano. Não precisa ser tão formal. — O tom dele é afetuoso, e eu assinto de novo.

Ele se levanta da mesa, lançando ao Jake um olhar que mistura severidade e carinho. — Enfim, vou deixar vocês aproveitarem o descanso. Jake, não dirija de volta hoje. Fique aqui. Já está tarde para pegar a estrada.

Observo ele sair antes de me virar para o Jake, a irritação crescendo. — Toda vez que sentamos com ele, você tenta alguma coisa. Não pode se controlar?

Jake sorri como se não fosse nada. — Amor, relaxa. Eu nem cheguei perto do meu objetivo. — Ele se inclina e roça os lábios nos meus.

— Mesmo assim, estávamos sentados com seu pai. — Minha voz sai mais afiada do que eu pretendia. — Isso não tem cabimento.

— Para de fazer drama. Vamos dormir. — Ele me puxa para cima, e eu o sigo, embora meu humor esteja azedo. Faz meses que não durmo aqui. Geralmente ficamos no meu apartamento ou no dele, mas hoje viemos direto contar ao pai dele sobre o noivado.

O quarto do Jake não mudou nada. Sorrio de leve, um lampejo de nostalgia me atingindo. Ele passa os braços ao meu redor, a boca provocando minha pele enquanto as mãos começam a puxar minhas roupas.

Dou um passo para trás, balançando a cabeça. — Aqui não, Jake. Seu pai está logo ali no quarto ao lado. Isso é esquisito demais.

Ele suspira alto e se joga na cama, afundando nos travesseiros. — Você se preocupa demais com sexo. Solta essa tensão, amor.

As palavras doem mais do que eu esperava, me deixando paralisada no meio do quarto. Ele ri, com desdém. — Esquece. Dorme. — E se vira, me ignorando.

Talvez eu me preocupe demais. Talvez devesse relaxar mais. Mas não importa o quanto eu tente, a ideia de ele me comer com o pai tão perto me embrulha o estômago. Não parece certo.

Quando acordo e desço, Alaric já está na cozinha. Ele se vira ao me ouvir, me oferecendo um sorriso genuíno e caloroso.

— Bom dia, Ruby. Café?

Assinto, retribuindo o sorriso. — Por favor, Alaric. Não dormi muito bem. — A frase termina num bocejo, como se eu precisasse provar o que disse.

— Meu filho está te deixando acordada? — O sorriso dele se alarga, com um quê de malícia.

— Não exatamente. É só que minha cabeça não desliga. — O que não digo é que passei metade da noite revivendo as palavras do Jake, sem parar, até o cansaço finalmente vencer.

— Ah, bem. Espero que durma melhor quando estiver de volta em casa.

Assinto educadamente enquanto passos soam na escada. Jake aparece, já vestindo o casaco.

— A gente devia ir. A estrada é longa — diz ele, seco.

Alaric se aproxima e me abraça antes mesmo que eu pegue minha bolsa. — Ligam mais vezes, vocês dois. É sempre bom ver você de novo, Ruby.

Murmuro meus agradecimentos, e logo estamos na estrada. O trajeto é silencioso, o vazio entre nós se estendendo. Não consigo evitar pensar se o Jake ainda está remoendo a noite passada. Para ele, o que fez à mesa não foi nada. A mesa nos escondia, então qual o problema? É o que ele deve ter pensado. Mas a mão dele não ficou só no meu joelho. Ela subiu entre minhas coxas enquanto o pai dele estava a centímetros de distância, sem desconfiar de nada.

Mordo o interior da bochecha, a mente girando em torno da mesma pergunta. Ele está bravo porque recusei transar com ele na casa do pai? Ou estou exagerando? Talvez outras pessoas não ligassem, talvez até achassem excitante. Mas eu não consegui. Simplesmente não consegui.

Assim que cruzamos a porta do meu apartamento, Jake me puxa para si. O beijo é bruto, quase punitivo, enquanto me empurra em direção ao quarto. As roupas são arrancadas num movimento apressado, até eu cair na cama com o peso dele me pressionando.

— Precisa ser rápido, amor. Estou atrasado.

Antes que eu possa responder, ele abaixa a calça e entra em mim. O ritmo é rápido, frenético, quase mecânico. Meus gemidos escapam, altos no silêncio do quarto, enquanto os grunhidos dele se aprofundam até ele meter uma última vez e se afastar.

Fico ali, ainda recuperando o fôlego, enquanto ele se veste às pressas e sai pela porta sem nem um beijo de despedida.

Fico olhando para o teto muito depois de ele ter ido embora. As pessoas falam maravilhas do sexo, de como ele é avassalador, de como muda tudo. Mas para mim, é só… nada. Algo que eu poderia viver sem. Algo que não me faz falta. Não é épico, não é incrível. Se muito, parece vazio e entediante.

Seis meses depois

Estou sentada no banco do bar, rindo, a leve tontura do álcool deixando tudo mais leve. Pela primeira vez em muito tempo, me sinto solta, sem peso.

— Ele é um chato de galocha! — Bex me empurra com força, quase me fazendo cair do banco, e eu me agarro ao balcão enquanto rio mais alto.

— Pode ser, mas é o meu chato de galocha. — Me equilibro e desço do banco, ignorando o biquinho exagerado dela. — Vou pra casa. Quero estar com o Jake quando o ano novo começar. Ele não está se sentindo bem.

Ela me abraça, e eu aceno ao sair, o ar frio da noite me deixando um pouco mais sóbria no caminho de volta.

— Ruby, Ruby, Ruby! — Gemendo, me viro bem a tempo de ver Ivy cambaleando na minha direção, os passos desengonçados, a voz cantada.

— Que bom que você está aqui! Perdi minhas chaves.

Não consigo evitar o riso enquanto destranco a porta da frente. — Você não perdeu as chaves, Ivy. Nunca perde. Sempre deixa elas lá dentro.

E, claro, ao entrar e olhar na mesinha ao lado, lá estão elas. Balanço-as no ar com um gesto de "eu não disse?".

Ela ri, sem graça, e eu balanço a cabeça enquanto vou até a cozinha pegar uma água antes de subir. Já tinha avisado antes mesmo de sairmos de casa para ela levar as chaves, e é claro que ela não ouviu.

Ainda sorrindo, empurro a porta do meu quarto.

E paraliso.

— Jake. — Minha voz falha ao sair.

Ele se vira um pouco, o corpo ainda entrelaçado com a mulher nua em cima dele.

— É ela? — a mulher pergunta, rindo, se apertando mais contra ele. Jake ri junto.

Meu estômago se revira, e atiro minha bolsa nele com um grito. — Sai daqui, porra!

— Calma, Ruby! — Jake grita de volta enquanto a mulher se apressa em juntar as roupas e sair correndo, me deixando olhando para o homem que eu achava que conhecia.

— Como você pôde fazer isso? — grito de novo, a voz falhando enquanto arranco um sapato e o atiro nele.

Ele nem pisca. Só ri. — Porque você é um saco! Meu Deus, Ruby, você é tão careta. — As palavras acertam como facadas enquanto ele se aproxima, a voz subindo. — Você foi só um meio para um fim. Eu queria minha herança, e você me ajudou a conseguir. —

Não consigo me mexer. Meu corpo está travado, congelado. — Você gostou de mim em algum momento? Ou isso tudo foi só pelo dinheiro?

Ele sorri, cruel e sem vergonha. — No começo, até que sim. Depois, enjoei. Mas meu pai achou que você estava me consertando, que você era a pessoa certa, então continuei no jogo até ele assinar tudo. Você não pode reclamar. Teve a chance de me namorar. De me comer. Devia se sentir sortuda. Toda mulher me quer.

Minha mão voa antes que eu consiga me conter, acertando o rosto dele com um estalo seco. — Vai se foder! — Minha voz treme, grossa de lágrimas, enquanto o empurro para trás.

Ele limpa o canto da boca, ainda sorrindo. — Não, obrigado. Tem mais ação num jogo de tabuleiro. Quer um conselho? Para de ser tão puritana.

Então ele sai batendo a porta, deixando um silêncio no lugar, quebrado apenas pelo som do meu corpo desabando no chão. Mais de um ano. Por mais de um ano, eu não passei de um peão para ele conseguir seu dinheiro.

— Ruby. — A voz da Ivy é suave quando ela aparece na porta. Me viro para ela, os olhos ardendo, o peito se partindo.

— Que se dane ele — diz ela, firme, correndo para o meu lado. Ela se ajoelha e me puxa para seus braços. — Esse tipo de homem morre sozinho. Claro, vai ter dinheiro, mas não vai ter ninguém.

As palavras se embaralham nas lágrimas que escorrem pelo meu rosto. — Meu Deus, como fui idiota. O que há de errado comigo? — soluço, me agarrando a ela enquanto me aperta mais forte, balançando-me de leve contra seu corpo.

Os braços dela não me soltam. Ela só fica ali, me impedindo de desmoronar de vez.