GAROTO PÁSSARO [BXB] [OMEGAVERSE]

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Resumo

Robin Rose não sabe muita coisa, apesar de faltarem apenas dois meses para a sua formatura no ensino médio. No entanto, há uma coisa da qual ele tem absoluta certeza: ninguém pode saber que ele é um ômega. Nem seu bully, nem seus colegas de classe, nem seus amigos, nem ninguém que ele possa conhecer no futuro, e especialmente — acima de tudo — não o seu melhor amigo alpha, Jude Silas. Robin simplesmente não pode se arriscar. Ele vive em um mundo onde ser um ômega homem é algo tão malvisto que já destruiu famílias. Arruinou relacionamentos — e, mais importante, amizades. Robin se recusa terminantemente a contar a qualquer pessoa, não importa quantas mentiras ele tenha que sustentar no processo. Seus planos de levar esse segredo para o túmulo estão indo às mil maravilhas, com apenas alguns pequenos percalços. Robin está totalmente preparado para tomar supressores e bloqueadores de odor pelo resto da vida, e apenas fingir que nunca se apresentou. Ele será cuidadoso quanto a isso. Ninguém saberá. Ele está tão perto de terminar o ensino médio — de entrar em um novo capítulo de sua vida. Tudo vai dar certo... Desde que ele se lembre de tomar seu remédio.

Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
4.9 39 avaliações
Classificação Etária
18+

CAPÍTULO 1: SONHOS DESPEDAÇADOS

Desde pequeno, Robin queria ser um alfa.

Era um sonho que ele compartilhava com Jude. Uma fantasia enorme, que começou há mais de dez anos, onde ele e Jude eram ambos alfas e, basicamente, conquistavam o mundo juntos. Uma força imparável.

Foi isso que uniu ele e Jude. Os dois estavam lanchando no jardim de infância. Primeiro, eles se aproximaram por gostarem dos mesmos biscoitos de pasta de amendoim, depois o Robin avisou ao Jude que um dia ele seria um alfa, porque é esse o tipo de aleatoriedade com que as crianças operam. Eles conversavam sobre isso nas festas do pijama ou pelo telefone. Um sonho que só uma criança teria, considerando o fato de que os gêneros secundários não podem ser escolhidos.

Jude apresentou cedo — o primeiro da turma, por volta dos 13 anos. Aconteceu quando ele e Robin estavam indo para a escola, e Jude simplesmente começou a suar, com o rosto ficando vermelho, e avisou ao Robin que precisava ir para casa agora.

Não foi surpresa para ninguém que Jude fosse um alfa. Honestamente, a aura de poder bruto dele podia fazer qualquer um se submeter. Robin sempre o admirou como se ele fosse um retrato da perfeição. Ele era o alfa perfeito, desde o início. Ele tinha um pouco de problema com raiva — na verdade, ainda tem. As pessoas o ouviam como se sua palavra fosse lei. Honestamente, às vezes parecia que era mesmo. Ele era tudo o que o Robin queria ser e muito mais... apesar do quão diferentes suas personalidades se desenvolveram.

Enquanto Jude era o melhor da turma, inflexível a qualquer autoridade e encarando conflitos com seu sorriso malicioso característico, Robin simplesmente... não era. Ele queria ser. Ele tentava ser. Porém, não conseguia desafiar sua personalidade natural. Ele preferia se misturar, ouvir o que lhe era dito. Robin era praticamente incapaz de ser rude com as pessoas, não importava o quanto merecessem. Ele não queria ser notado.

Jude se tornou muito popular, a escola inteira sabia seu nome, enquanto Robin dava apoio lá do fundo.

Apesar de serem opostos totais, os dois continuaram sendo melhores amigos. Como se alguém pudesse separá-los — Jude acabaria com qualquer um que tentasse.

Suas personalidades vastamente diferentes deveriam ter sido um aviso. Um sinal. Robin deveria ter aceitado isso enquanto era jovem; teria lhe poupado muita dor de cabeça quando ele fez 15 anos e apresentou como ômega.

Deveria ter sido óbvio, ainda assim ele foi jogado em uma depressão profunda. Seus sonhos irreais de ser um alfa — de ser poderoso, de estar ao lado de Jude como iguais, foram por água abaixo.

Robin pressionou a mãe para ajudá-lo a esconder isso imediatamente, comprando supressores e bloqueadores de cheiro. Ele conseguiu convencer a turma toda de que ele simplesmente nunca apresentou, e ele sabia que a mentira só duraria um tempo, mas achava preferível do que abrir o jogo.

O único segredo que Robin já guardou de Jude é seu gênero secundário.

“Você é uma merda em matemática”, comenta Jude.

Robin olha para cima de onde está sentado, com as pernas cruzadas na cama. Ele vê Jude do outro lado do quarto na cadeira da escrivaninha, recostado com os pés na cômoda. Ele está mascando chiclete de um jeito irritante, e Robin se sente incomodado.

“Do que você está falando?”

“Você não consegue fazer uma soma simples. Nem divisão”, responde Jude, e Robin faz uma careta. Ele volta a olhar para sua lição de casa. Ele está na turma de matemática mais básica, e eles não estão ensinando nada que seria difícil para pessoas normais. Só que o Robin não é muito inteligente para livros, e ele precisou que o Jude o ajudasse em cada exercício.

“Se eu tenho uma calculadora, qual é o sentido?”, responde Robin, olhando no espelho em cima de sua cômoda. Seu cabelo está especialmente bagunçado hoje, olhos castanhos-mel denunciando sua frustração confusa. Ele começa a brincar com os cordões de sua calça de moletom, enquanto relê o problema que vem tentando resolver nos últimos cinco minutos.

“É? O que foi que você acabou de digitar nela?”

“6 + 13.”

“Exatamente.”

Robin revira os olhos, começando a desenhar uma girafa no canto da folha do caderno. Jude terminou toda a lição de casa há um tempo. Tudo é incrivelmente fácil para ele, apesar de nunca prestar atenção na aula. Robin acha isso irritante.

“Eu estava só conferindo.”

“Sim, porque você é uma merda em matemática.”

Robin olha para cima para encarar Jude, que sorri em resposta, arqueando uma sobrancelha.

“Nem todos nós podemos ser os melhores da turma”, responde Robin com desdém, pegando seu celular e mudando a música. Ele odeia quando coloca sua playlist no aleatório e ela decide tocar todas as suas músicas tristes. Ele não precisa que as pessoas pensem que ele é mais bagunçado do que já pensam.

“Isso é verdade, eu sou muito incrível.”

Robin nem olha para cima, continuando seu desenho da girafa. Ele já consegue imaginar a cara que o Jude está fazendo. Convencido como sempre, aura autoconfiante, olhos azuis gélidos estudando o Robin. O de sempre.

“Diz você.”

“E todo mundo também.”

Robin bufa, transformando um 7 em seu papel em um pássaro de aparência estranha. “Eu não, você é superestimado.”

Robin ouve Jude se levantar, e ele já sabe o que vai acontecer. Ainda assim, ele se recusa a dar qualquer atenção ao cara.

Isso acontece sempre. Robin espera até as primeiras horas da manhã para finalmente fazer a lição de casa, e Jude entra pela janela para irritá-lo.

Quando eram crianças, ninguém daria uma segunda olhada nos dois garotos brincando juntos, melhores amigos. Agora, porém? Jude é exatamente o que você imaginaria se pedissem para descrever um alfa arrogante com complexo de superioridade, um fã-clube que alimenta isso e que está basicamente sempre aprontando. Ele se veste como os delinquentes da escola e lidera eles no tempo livre. Apesar disso, os adultos o adoram.

Robin? Ele pintou o cabelo loiro de preto quando apresentou e teve um colapso mental. Ele não consegue se lembrar da última vez que comprou algo com alguma cor, ou que não fosse preto. Ele passa metade do tempo perdido em seus pensamentos ou jogando videogame e a outra metade com o Jude. Ele fez piercings o suficiente para ganhar o tratamento de silêncio da mãe várias vezes, ele gasta quase cada centavo que ganha em tatuagens ou jogos, e as olheiras completam todo o visual gamer-delinquente.

Robin não olha para cima, mesmo quando ouve Jude se aproximando. Ele continua desenhando o pássaro, até que seu caderno é arrancado de suas mãos. Robin olha para cima, já se preparando mentalmente para lidar com um alfa dramático.

“Sério?”, pergunta Jude, com tom duvidoso, parado na frente de Robin e se inclinando sobre ele. Jude não é um cara pequeno — o que, com ele sendo um alfa e sua obsessão por se exercitar todo dia — e ele encara o Robin, que olha de volta para ele de cara feia. Ele só quer terminar a lição de casa de matemática.

Robin murmura, tentando pegar o caderno. Jude puxa de volta, e Robin acaba de joelhos, sentado sobre os calcanhares na cama, olhando para o Jude. Ele encara o alfa, com expressão morta.

“É. Você é, tipo, o pior.”

Robin tenta pegar de novo, e de novo, Jude se esquiva. Robin acaba ficando ainda mais perto dele, e ele não está achando graça nenhuma.

“Como assim?”

Robin abandona a conversa inútil, ficando irritado com o roubo do caderno.

Ele tenta pegar novamente, e Jude move o caderno para longe com perícia. Infelizmente, Robin perde o equilíbrio e cai bem em cima do cara. Rosnando de frustração, ele imediatamente começa a se afastar. Contudo, Jude envolve o ômega com os braços, prendendo-o. Robin não é páreo para os bíceps desse cara, e ele geme de frustração.

“Me solta, eu tenho lição de casa...”

Antes que ele possa terminar a frase, Jude vira, caindo de costas na cama com Robin em cima dele. Robin, que está fazendo de tudo para escapar. Ele odeia quando Jude o domina assim, sem motivo nenhum.

“Para de se mexer.”

Isso, exatamente isso, é o maior problema do Robin.

Os supressores podem adiar seus cios, os bloqueadores podem mascarar seu cheiro, mas nem ele pode negar a natureza primal que todo ômega tem. Instintivamente, ele para de se mexer, chegando a inclinar a cabeça um pouco, quase expondo o pescoço, mas parando a tempo. Ainda assim, ele não consegue evitar a descarga de adrenalina e como tudo em seu corpo lhe diz para obedecer ao alfa, que acabou de lhe dar uma ordem.

Sentindo-se irritado com sua própria natureza, ele dá uma cotovelada nas costelas do Jude. O cara solta na hora, e Robin se senta, montado em cima de seu melhor amigo idiota.

Esse cara é um merda.

Jude ainda está segurando o maldito caderno fora de seu alcance, e Robin começa a subir nele. Quando ele finalmente alcança, sua barriga está na altura do rosto do Jude. Ele pega o caderno e se senta, abraçando-o contra o peito. Ele encara o alfa estúpido embaixo dele, que está rindo.

Ele coloca o caderno no peito do Jude, esquecendo completamente a posição deles, e começa a alisar as páginas que o Jude amassou enquanto estava sendo um incômodo.

“Você não vai terminar isso hoje à noite”, comenta Jude, com o peito vibrando através do caderno contra as mãos do Robin. Robin olha para cima, com os olhos semicerrados.

“Não se você continuar me enchendo”, resmunga Robin de volta, apagando a marca que o lápis fez quando o caderno foi roubado. Honestamente, com a merda que ele tolera do Jude, ele deveria ganhar uma medalha. Às vezes ele pensa que pode ter sido bom ele não ter nascido alfa, porque se ele tivesse aquela mentalidade, ele e Jude provavelmente não teriam se dado tão bem.

Mas ao mesmo tempo, que se dane ser um ômega e que se dane a sociedade que faz isso ser uma merda.

Ah, e a sociedade realmente faz ser uma merda. Os velhos costumes estão morrendo e os ômegas estão começando a ser vistos mais como pessoas comuns do que como objetos sexuais submissos, mas isso não faz com que ser um ômega homem seja menos horrível. As mulheres são tratadas muito melhor. Isso muda a visão das pessoas sobre você, e o Robin odeia isso.

Jude estica o braço, passando a mão pelo cabelo do Robin, que olha para cima por causa do gesto estranhamente íntimo.

“Você precisa retocar a raiz.”

Robin revira os olhos, finalmente descendo do cara e retomando seu assento anterior, ao lado dele. Ele volta a fazer a lição de casa, cansado de dar atenção ao Jude.

“Faz pra mim.”

Jude pega o celular do Robin e digita a senha, antes de navegar pela música. “Tá bom. Amanhã?”

Robin está prestes a dizer sim, mas então ele se lembra que tem uma consulta médica. Uma consulta com um médico especialista em ômegas, em um consultório que cuida de ômegas, onde o médico vai dar uma bronca nele sobre usar supressores e como um dia você vai esquecer de tomar, Robin, e seu cio vai chegar e você não estará acostumado. Isso não é saudável e blá blá blá, o Robin às vezes quer enfiar uma meia na boca do cara.

“Eu tenho que ir ao dentista”, mente Robin facilmente, “que tal segunda-feira?”

Robin realmente ama o Jude. Eles são melhores amigos desde os quatro anos, porém existe uma falha de caráter que irrita o Robin mais do que deveria.

O cara sempre quer detalhes, sempre quer saber onde o Robin está e por quê. Ele quer saber cada detalhe da vida do ômega e isso é exaustivo, para dizer o mínimo. Ele fez o Robin baixar um aplicativo que basicamente o rastreia o tempo todo e até dá relatórios semanais das coisas que ele fez. Também, quando ele está em um carro, rastreia sua velocidade. Quando Robin precisa ir a lugares que entregariam seu segredo, ele literalmente tem que deixar o celular em casa ou desligá-lo completamente.

“Que horas?”

“3.”

“Qual consultório?”

“Dentista Birkley na rua principal”, mente Robin novamente.

Há um silêncio, e Robin acha que talvez o Jude tenha parado de interrogá-lo. Honestamente, ele deveria saber que era melhor não ter esperanças.

“O Dentista Birkley é fechado aos domingos.”

Merda.

Os olhos de Robin encontram os do Jude, que o encara intensamente. Puta que pariu, Robin não suporta esse cara às vezes. Quem é que sabe disso?

“Então talvez não seja o Dentista Birkley, sei lá”, Robin tenta despistar. Sem sorte.

“Esse é o único dentista em Hill Grove.”

Sentindo-se impaciente — tanto com a lição de casa quanto com o interrogatório — Robin responde: “Talvez eu esteja dirigindo até Irvine. Você não sabe.”

“Eu acho que sei.”

Robin bufa. “Nem ferrando.”

“Eu acho que sei que você está escondendo algo de mim.”

Robin congela.

Ok, talvez ele não seja tão bom em esconder seu status de ômega quanto pensava.

Robin encara Jude com os olhos arregalados, que parece ainda mais seguro de si com a reação do Robin. Droga, isso... isso é novo para ele. Jude já acusou Robin de mentir para ele antes, é claro. Contudo... Robin escondendo algo? Isso nunca nem entrou em suas conversas. Robin não sabe como lidar com essa nova situação. Ele nunca foi acusado de esconder algo de seu melhor amigo, e ele realmente não gosta dessa sensação.

Robin piora as coisas, o que é típico de quando ele se sente como um gato encurralado. “Como se você nunca tivesse escondido nada de mim.”

Que diabos, Robin? Pelo menos nega!

“Na verdade, eu não escondi”, responde Jude. Robin está achando muito difícil manter contato visual... embora, isso não seja tão incomum. Finalmente, ele decide que o único jeito de sair dessa é dizer alguma semelhança com a verdade.

Robin suspira. “Tá bom. Vou ao médico para conversar sobre por que ainda não apresentei.”

Jude arqueia uma sobrancelha, o olhar em seus olhos parecendo mudar um pouco. Ok, essa é uma mentira que Robin pode manter.

“Bom”, decide Jude. “Você tem dezoito anos, já deveria ter apresentado.”

Robin sente suas bochechas queimarem, envergonhado com a conversa. Manter as mentiras é um trabalho tão desgraçado, por que ele não poderia ter nascido alfa? Sua vida seria tão mais fácil.

“Tem gente que tem uma condição de apresentação tardia”, defende Robin. “Acho que o último foi tipo com vinte anos, então.”

Jude dá de ombros, os olhos demorando-se em Robin por um momento, depois ele volta a olhar para o teto. “Acho que sim. Ainda vai ser um alfa comigo?”

A dor que atinge o coração do Robin é quase dilacerante. Ele nem consegue olhar para o Jude, sentindo como se o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões, apesar de estar sentado ali sem ser incomodado.

Jude não pode saber. Ele simplesmente não pode.

“Obviamente.”