TREVOR: Irmãos superprotetores são um pé no saco
“Ok, eu concordo. Eu sou um idiota, mas dá para parar de encarar?” Nathan puxou o cobertor até o queixo. Não adiantou nada para esconder o fato de que o braço dele estava em uma tipoia. Eu conseguia ver muito bem a asa machucada dele por baixo do tecido.
“Cara, eu te deixei por duas semanas e olha só no que deu. Você está fora do semestre e está mentindo na maior cara de pau.”
“Estou falando a verdade, Trev.” Ele desviou o olhar. “Eu rompi o manguito rotador. Merda acontece.”
“Sim. Você rompeu, depois desmaiou no vestiário e ainda torceu o tornozelo. Aham. Que sorte do caralho.” Eu teria revirado os olhos se não estivesse fascinado pelo hematoma roxo que quase engoliu o olho esquerdo dele. “Você só esqueceu de mencionar o soco que levou depois de ter escorregado.”
Ele estremeceu. “Eu estou te falando...”
“Nós somos uma equipe, Nathan.” Equipe de natação, para ser exato, mas tanto faz. Éramos melhores amigos. “Eu deveria te dar cobertura. Então... quem te bateu?”
Ele estremeceu. “Tá bom! Eu discuti com o Greg.”
“Greg, o parceiro de saltos ornamentais da Lindsey? Aquele Greg?”
“Sim, aquele Greg. O colega de equipe babaca da minha irmãzinha.”
Eu gritei de frustração. Nathan era um cara ótimo, o melhor, com uma exceção: ele era o rei da superproteção com a irmã.
Ele mimava a Lindsey e a tratava como uma borboleta preciosa, frágil e exótica.
Essa história de irmão mais velho só piorou quando ela começou o primeiro ano da faculdade, uma semana atrás. Talvez fosse porque os pais deles viajavam muito. Ou talvez porque o pai dele fosse um déspota familiar à moda antiga, frio e distante. Eu não sei. De qualquer forma, ele virava um bicho quando se tratava da Lindsey.
“O Greg é um idiota, tá bom?” Nathan ficou tão agitado que tentou sentar no sofá, mas caiu para trás, provavelmente zonzo por causa dos analgésicos. “Ele ficou enrolando ela, só para ela não se distrair com os outros caras e eles conseguirem chegar nas nacionais nesta temporada. Aquele babaca!”
“E por que você se incomodou com isso? Você seria o cara mais feliz do mundo se a Lindsey continuasse virgem até os quarenta anos, de qualquer jeito!”
Os olhos de Nathan foram para a escada do segundo andar, onde a Lindsey provavelmente estava chorando no travesseiro e comendo sorvete, depois ele baixou a voz para um sussurro.
“A Lindsey, ela...” ele lambeu os lábios. “Ela mudou depois daquela merda toda com o Greg. Ela ficou selvagem, cara, tão selvagem! Ela nunca foi assim antes.”
“Selvagem como?”
O olhar dele desviou rápido. “Quando o Greg soltou aquela coisa de que as calouras ficam loucas pelos caras da faculdade, ela explodiu. Ela disse que pode ter todos os garotos que quiser e chegar na Equipe Nacional como saltadora solo. Sem ele.”
“Parece bom para mim. Saltos sincronizados mistos são meio sem graça, principalmente com um babaca como o Greg. Mas você decidiu bancar o irmão mais velho, e agora nós não vamos participar das seletivas. A nossa equipe. A nossa equipe de natação. Parabéns!”
“Vocês conseguem se classificar sem mim”, disse Nathan com uma confiança que eu não sentia.
Talvez isso fosse natural para australianos loiros, bronzeados, altos e podres de ricos como ele e a irmã. Eu era só um britânico pé-rapado, com cabelos pretos, a pele morena do meu avô português que não precisava de bronzeamento artificial e duas tatuagens de gangue que eu ainda não podia pagar para remover. “Você é nosso capitão, e se a faculdade souber da briga, nem o exército de advogados do seu pai vai impedir que te expulsem.”
“Trev! Você, o Axel, o Soju e o resto vão se sair bem, mas a Lindsey não. Cara, ela é frágil! Ela está machucada. Ela não está pensando direito.” Nathan passou a mão não machucada pelos cachos. Loiro descolorido. Angélico. “Nossos pais estão fora de novo, então se ela sair por aí dando para todo mundo no campus, a culpa é minha. Eu não aguento isso, ok? Algum aleatório bêbado comendo a minha irmã numa festa de fraternidade... enquanto eu estou acorrentado a este sofá estúpido...”
Nathan esmurrou o sofá, que não era estúpido de jeito nenhum. Nada que custa uns dez mil dólares poderia ser estúpido.
Eu suspirei. A gente estava mesmo tendo essa conversa? Sério? “Se ela quiser aproveitar a vida, você não pode impedi-la. Ela é maior de idade. Deixa ela tirar isso do sistema e tudo vai ficar bem.”
“Não tem nada para aproveitar, seu idiota! Ela é virgem!” O cara segurou minha mão. “Trev, é o seguinte. Um favor... tá bom? Você pode ficar de olho na Lindsey para mim até eu conseguir andar e mantê-la... você sabe... inteira?”
Eu devia uma a ele, era verdade. Uma grande. Se ele queria desperdiçar isso nessa merda, quem era eu para dizer não? “Tá bom, beleza. Eu vou ser o guardião da virgindade australiana para você, mas é uma estupidez.”
“É mesmo!”, a voz familiar gritou lá de cima, e eu olhei para cima.
Puta que pariu! Enquanto eu discutia com o Nathan, a Lindsey surgiu na passarela que ligava o estúdio da mãe deles aos quartos de hóspedes e das crianças. Ah, foda-se.
Eu conhecia a Lindsey há quase tanto tempo quanto conhecia o Nathan. Por anos, ela desfilou por aí com camisetas largas e moletons. Se o meu olhar pousou nos seios dela antes, foi só porque ela tinha um senso de humor ácido, então as camisetas dela sempre diziam algo como Cadela, eu ensinei a Ariel a nadar.
E, nas costas, dizia: O canto dela? Não fui eu.
Talvez não seja tão engraçado, mas se você curte esportes aquáticos... enfim. Eu fiquei fora por duas semanas e a Lindsey... não era mais a mesma Lindsey.
O top dela era magenta, que, por acaso, é minha cor favorita. A saia era curta, branca e com babados, com um laço ou algo assim. Como todos os atletas, ela protegia os pés e não usava saltos, mas não precisava. As pernas dela eram longas demais, e ela as vestia com meias de renda até o meio da coxa, o que deixava uma faixa de pele rosada para eu ficar encarando.
E babando. Sim, babando, mesmo que eu tenha crescido na piscina da faculdade desde que a mamãe conseguiu um emprego lá, então não dava para me impressionar com qualquer par de peitos e uma bunda. Era como viver em um país diferente onde todos eram bronzeados, depilados, malhados e pareciam ótimos nus... mas a Lindsey? Superava tudo aquilo, e do nada!
Eu jurei proteger a virgindade da irmãzinha do meu amigo dois minutos atrás. Foi um péssimo negócio, porque naquela hora, eu achei que ela era intocável.
Mas ver a nova Lindsey me fez querer enfiar o dedo no decote dela, puxar os babados o suficiente para fazer os mamilos dela saltarem. E então — falando a verdade aqui, caras — chupar como um cordeiro dócil até eles ficarem duros. E ela gemeria e imploraria para eu aliviá-la daquela mesma coisa que jurei proteger, e fazer isso com vontade.
Em resumo, eu queria comer a intocável.
Eu queria foder a Lindsey até ela ficar muito, muito, muito gostosa. Do tipo foda três vezes por noite e uma rapidinha enquanto ela escova os dentes.
Eu era um idiota, tá bom? Um idiota completo. Um completo filho da puta idiota com uma ereção gigante e o queixo lá no chão.
Antes que eu caísse em mim, Lindsey girou nos calcanhares e correu pela passarela em direção aos quartos. Uma porta bateu tão forte que foi um milagre as janelas não terem explodido.
“Eu vou falar com ela”, eu disse, levantando-me sem jeito, porque precisava urgentemente de uma calça dois números maior, ou de um canto sossegado, ou de uma boceta macia e disposta.
Nathan me olhou de um jeito grogue, como se os remédios finalmente tivessem feito efeito. Ele bocejou. “Por favor... por favor. Eu não aguento mais ela.”
Como se eu aguentasse...