A Protegida do Don

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Resumo

Marco - O Don da Cosa Nostra, frio, impiedoso e fechado, não deixa ninguém se aproximar. Esconde sua dor. Mantendo-me cativa em sua grande fortaleza, não consigo escapar. O que eu achava que era minha vida desmoronou quando descobri os segredos que minha família escondia. Lucia - A vida era ótima até um ano atrás; eu tinha acabado de ser informada sobre a morte da minha mãe para então ver o amor da minha vida e minha irmã serem baleados diante dos meus olhos. O pai amoroso que eu tinha, agora frio e calculista, me vende. A última missão que meu namorado me deu me coloca frente a frente com Marco - O Don. Não vou cair sem lutar. POR FAVOR, ESTEJA CIENTE. Não leia se você for sensível aos tópicos de TW. Este é um dos meus livros mais abertos, crus e descritivos. Não é sempre que as cenas são "fade to black". Link da playlist. https://music.youtube.com/playlist?list=PLoNBmGuFJko7pakarfhivRlKhdv4WhMTK&si=U6muZkLQZYd1_5ZK

Status
Completo
Capítulos
72
Classificação
5.0 14 avaliações
Classificação Etária
18+

Lucia - 1 Ano Antes

Playlist do livro - https://music.youtube.com/playlist?list=PLoNBmGuFJko7pakarfhivRlKhdv4WhMTK&si=U6muZkLQZYd1_5ZK


O telefonema com a minha mãe foi breve. Dei um "tá bom" rápido e desliguei. Odeio esse tipo de ligação dela.

"Querida?" Ethan me puxa para os braços dele. "Você está bem?"

"A mamãe precisa que eu a encontre no Bocca Felice", explico, e ele inclina a cabeça, sua expressão muda para uma de compreensão.

"Certo, eu te encontro lá logo mais. Depois você me conta o que houve, tá?" Ele me abraça apertado, e eu descanso a cabeça no peito dele, respirando fundo.

"Eu só queria que ela tivesse me falado por telefone", murmuro, frustrada. Às vezes, não a entendo.

"Para de pensar demais", ele diz gentilmente. "Você nem sabe se é algo ruim. Se arruma, vai encontrá-la, e eu te encontro em uma hora, tudo bem?"

Ele espera minha resposta e eu balanço a cabeça. Ele tem razão, preciso parar de entrar em pânico.

Sentada no restaurante, meus dedos tamborilam na cadeira. Minha mãe nunca pede para me encontrar, a não ser que seja algo sério. E me chamar para um restaurante? Isso faz parecer ainda maior.

Meu Deus, mãe, por que você não pôde apenas me contar pelo telefone?

Odeio esperar. Ela disse para estar aqui em uma hora, então vim às pressas. Agora, duas horas depois, ela ainda não apareceu. Meus dedos batem mais rápido à medida que fico mais nervosa.

Talvez não seja ruim se ela estiver atrasada? Ou talvez seja pior. Sinto enjoo, sem saber se é pela ansiedade ou pela ressaca das bebidas da noite passada.

Inclino-me para frente, respirando lenta e profundamente.

Um - Nada está decidido.

Dois - Tudo pode mudar.

Três - Eu dou conta disso.

Quatro - É normal sentir isso.

Cinco - Merda, qual é o cinco? Ah, é verdade — Cinco - Eu ainda tenho minha liberdade.

O mantra funciona e minhas mãos param de tremer. Então, ouço a porta ranger e olho para lá.

"Rose?" Meu coração dispara. Minha irmã está aqui. Isso significa que isso é sério.

Ela caminha até mim e senta, de frente para mim. O rosto dela está molhado.

Olho para a janela, não está chovendo lá fora. São lágrimas. Sinto um aperto no estômago e engulo em seco.

"Rose?" Meu estômago revira. Isso tem que ser uma notícia ruim. Mas onde está a mamãe?

"A mamãe morreu."

As palavras me atingem como um soco e meu mundo desaba. Meu peito aperta como um torno, e não importa o quanto eu tente, não consigo respirar.

Cada tentativa de inspirar falha.

"Um—" começo a recitar, mas minha mente trava. Isso não é algo que eu possa consertar. Isso é definitivo. Meus dedos cravam na mesa, a pressão os deixando dormentes enquanto me seguro como se a vida dependesse disso.

"Papai ligou", Rose continua, com a voz trêmula. "Ela saiu de casa e..." Ela hesita. Eu não quero ouvir o resto.

Um—Meu Deus, o que eu posso dizer agora?

"Ela bebeu demais", Rose finalmente diz. "Parece que ela teve convulsões e apenas... morreu."

Não. Não, não, não. Isso não pode ser real.

Fico sentada ali, balançando a cabeça, como se apenas a negação pudesse mudar a realidade. Eu nem sequer me despedi. Eu só disse: tá bom. Foi só isso. Tá bom.

Minha cabeça pende para frente, e meu peito fica mais pesado a cada segundo que passa. O luto e a ansiedade colidem em uma tempestade da qual não consigo escapar.

"Lucia." A voz de Rose mal consegue romper o barulho nos meus ouvidos; suas palavras estão abafadas pelo caos na minha cabeça.

Um calor envolve meus ombros de repente, me puxando de volta, me mantendo no chão.

"Um, você pode seguir em frente. Dois, você pode sobreviver a isso. Três, é parte da vida. Quatro, esse sentimento é normal. Cinco, sua mãe te amava."

A voz de Ethan corta a neblina. Ele repete as palavras, segurando-me com firmeza, servindo de âncora até que eu consiga me concentrar novamente. Quando finalmente olho para cima, Rose ainda está lá, com os olhos inchados e os lábios trêmulos em uma tentativa fraca de sorrir.

"Eu vou voltar com vocês dois", ela diz, com a voz quase num sussurro. "Ainda não consigo ir para casa."

Sua tentativa de ser corajosa parte meu coração.

Adeus, mamãe.

Segurando as lágrimas, levanto-me. Minhas pernas parecem fracas, mas consigo caminhar em direção à porta. Quando saímos, paro e hesito. "Vou retocar a maquiagem", murmuro, virando para voltar, mas, antes que eu vá muito longe, o som de tiros rasga o ar.

O pânico me domina e, instintivamente, eu me abaixo, meus olhos correndo de um lado para o outro enquanto gritos preenchem a rua. O guincho de pneus corta o caos, arrancando-me do meu estado de choque.

E então eu os vejo.

Rose e Ethan.

Eles estão deitados lá, imóveis.

"Não!" Rastejando até eles, eu os seguro, sacudindo-os violentamente como se pura força de vontade pudesse trazê-los de volta.

"Acordem!" Grito, com a voz rouca e desesperada. "A gente tinha que fazer isso juntos! Nosso próprio mundo, nossa própria vida. Vocês prometeram!"

Minha cabeça cai para frente, minhas lágrimas encharcando o corpo sem vida de Rose.

"Vocês prometeram", soluço, com a voz quebrada. "Nós íamos fazer isso juntos."

O mundo ao meu redor se torna apenas sons abafados e ecos distantes. Todos se foram. Todos que eu amo, todos que significam algo. Se foram.

Eu tinha prometido a ela que faríamos isso juntos. Criaríamos nosso próprio mundo.

Lentamente, meus dedos afrouxam o aperto no corpo dela. Não quero soltar, mas alguém está me puxando de volta, me arrastando para longe.

"Não!" Luto contra quem me segura, debatendo-me enquanto sou puxada cada vez mais para longe das duas pessoas que significavam tudo.

Até que eles sejam apenas vultos.

Apenas corpos.

"Por favor, acordem", sussurro, com a voz quebrando sob o peso do meu luto. "Me desculpem. Sinto muito mesmo."

A culpa é minha.

Deveria ter sido eu.