Capítulo 1: Tempestade obscena
Rebeca volta para casa para o feriado, mas não esperava que o colega de trabalho do seu pai também viesse visitá-los.
Paixões explodem em uma noite tempestuosa entre Rebeca e Adam.
Rebeca
Olhei pela janela enquanto o carro passava pelo grande portão. Minha irmã, Olivia, estava ao meu lado. "A mamãe me disse que ele decidiu vir de última hora. O papai o convidou."
Cruzei os braços. "Pensei que este fosse ser um feriado em família. Finalmente tirei férias. E para quê?"
"Você mal vai vê-lo", ela me lembrou.
Eu odiava ter gente em casa. Não que eu morasse ali, mas era irritante voltar para um feriado em família e ter que passá-lo com os amigos do papai.
E então ele saiu do carro... Adam Spencer. Ele parecia... muito diferente da última vez que o vi. Seu maxilar estava mais marcado. Seus músculos saltavam sob as roupas, com uma postura muito ereta. Ombros largos.
Ele tinha trinta e cinco anos, enquanto eu tinha vinte e cinco. A última vez que o vi, eu tinha dezenove. Mesmo naquela época, ele sempre me irritava. Pegava no meu pé como se eu fosse sua irmã mais nova.
Talvez eu tenha olhado para ele tempo demais quando ele levantou o rosto para a janela. Continuei ali parada. Não queria parecer que estava bisbilhotando. Ele levou o polegar à boca, tocando levemente os lábios, e deu um sorriso malicioso enquanto me olhava. Rapidamente, ele desviou o olhar e foi cumprimentar meus pais com um abraço.
Olivia olhou para mim. "Provavelmente deveríamos descer para cumprimentá-lo", disse ela, alisando seu vestido de verão amarelo. Naquela idade, ela gostava mais de visitas do que eu.
Olivia correu na minha frente e parou ao lado da minha mãe. "Minha alegria mais nova, Olivia. Ela era bem pequena quando você a viu pela última vez", minha mãe disse, enquanto Adam a cobria de gentilezas.
Eles continuaram conversando, trocando palavras gentis, enquanto eu descia lentamente. Apenas os olhos de Adam subiram para me observar. Eu não pude deixar de encará-lo, já que ele me observava com tanta atenção. Não conseguia entender o que havia de tão interessante em mim.
Meu pai falou assim que me viu. "E nosso orgulho, Rebeca."
"Ela não é uma beleza?", disse ele, sorrindo.
Só agora notei como eles estavam todos bem vestidos, enquanto eu usava apenas um suéter decote em V simples e uma calça boca de sino com botas de plataforma pesadas. Acho que isso realçou minhas formas da maneira mais favorável possível. E eu definitivamente parecia diferente da última vez que ele esteve aqui. Comecei a me vestir mais como uma mulher, com roupas mais justas.
"Aposto que os rapazes quebram o pescoço por essa aqui", brincou a mamãe.
Meu cabelo castanho-dourado deve ter me feito um favor ao esconder um pouco o rubor das minhas bochechas.
Meu pai deu uma risada. "Felizmente, não preciso me preocupar com isso. Ela está muito focada na carreira no momento. Diz que não tem tempo para essas coisas", ele riu, embora eu achasse que Adam não tinha nada que se meter na minha vida amorosa, mesmo que ela fosse inexistente.
Nossa empregada se aproximou de nós. "Sr. Coleman, o senhor tem uma ligação", disse ela.
"Peço desculpas, preciso atender a isso, mas sintam-se à vontade para explorar a casa", disse o papai, saindo para atender.
A mamãe tocou no ombro de Adam, animada. "Deixe-me preparar um chá para você." Ela saiu imediatamente, com Olivia ao seu lado.
"Isso seria adorável!", Adam conseguiu dizer antes que ela saísse completamente.
Ele parou bem na minha frente. Parecia muito mais alto agora. E maior. Mesmo com meus saltos plataforma, precisei olhar para cima para vê-lo. "Você certamente cresceu e ficou linda, Rebeca." Ele enrolou o 'r' no meu nome.
"Como se eu fosse uma criança quando você me viu pela última vez", retruquei. Talvez não tenha sido muito maduro da minha parte.
"Uma diferença de dez anos é muita coisa." Ele sorriu para mim.
Cruzei as mãos atrás das costas, balançando um pouco. "Sim, notei. Você envelheceu", disse com atrevimento. Nunca gostei muito dele. Na verdade, nunca preferi sua companhia, mesmo faz tempo desde a última vez que o vi.
Ele deu uma risadinha. "E você continua tão atrevida quanto da última vez."
Foi um comentário estranho, já que nunca conversamos muito. Eu realmente não sabia quase nada sobre ele. Duvidava que ele soubesse muito sobre mim.
Todos saíram para jantar, levaram até a Olivia, mas eu preferi ficar.
A noite caiu lentamente, chovia forte e uma tempestade rugia lá fora. Nossa empregada e o mordomo estavam encolhidos em seus respectivos quartos. Todos tinham saído para jantar.
Eu estava sentada perto da janela, no primeiro andar, perto da porta da frente. E vi faróis atrás da chuva.
Esperei para encontrar meus pais, mas, em vez disso, vi Adam entrar. Ele passou direto por mim. Era impossível me ver, sentada bem ao lado da janela da porta. "Ei!", chamei.
Devo tê-lo assustado, pois ele girou, um pouco surpreso. "Meus pais chegam em breve?", perguntei.
Ele estava encharcado por causa do tempo. O chão sob ele ficou molhado. "Eles decidiram esticar a noite. Considerando a tempestade, eles não voltarão hoje à noite", ele me informou.
Bela forma de passar minhas férias aqui.
Ele se aproximou lentamente. "O que você está fazendo?", ele me perguntou.
Levantei meu telefone e voltei a navegar. Mas, quando ele saiu, observei-o ir para o andar de cima. Meu tom desinteressado deve ter o aborrecido. Eu não sabia por que não gostava muito dele.
Algum tempo depois, fui para a cama, mas acordei com um estrondo de trovão e fui acender minha luz noturna, mas a energia tinha acabado. Saí do meu quarto para encontrar o mordomo. Mas, em vez disso, encontrei Adam, vestido apenas com uma calça de moletom. Seu peito musculoso estava exposto naquele corredor mal iluminado, onde só tínhamos a lanterna dos nossos celulares.
E, de repente, senti-me exposta demais com meu shortinho de seda e minha regata de alcinhas.
Ele segurava uma caixa nas mãos. "A energia só voltará quando a tempestade passar. Mas trouxe algumas velas para você", ele me disse. "Duvidei que você conseguiria dormir com esse barulho."
Justo. Até agora, meu sono estava sendo perturbado apenas pela chuva forte batendo na minha janela.
Então, caminhamos lentamente até meu quarto. Ele entrou e fechei a porta. Só agora notei que ele tinha uma garrafa de uísque nas mãos. "Comemorando?", perguntei.
Ele apoiou o telefone na minha mesa e abriu a garrafa, bebendo direto do gargalo. Depois, olhou para mim e me ofereceu a garrafa. "Pensei que você gostaria de participar."
Talvez isso não fosse tão ruim para mim. Peguei a garrafa enquanto ele acendia algumas velas por todo o quarto.
O uísque queimou minha garganta, mas eu sabia que relaxaria conforme bebesse mais.
Ele espalhou todas as velas até que as lanternas dos nossos telefones não fossem mais necessárias. Cada um tomou mais alguns goles da garrafa.
Fui sentar na minha cama e ele se juntou a mim, sentando ao meu lado. "Você não foi à comemoração da minha mãe, dois anos atrás", ele me disse, o que me pegou de surpresa.
"Não achei que você fosse notar", disse a ele, com sinceridade.
Ele deu uma risada. "Por que eu não notaria?", perguntou.
Dei de ombros. "Não achei que fosse uma festa para crianças", respondi, aludindo à nossa conversa anterior.
Ele riu de mim antes de beber mais um pouco. "Você não é uma criança, Rebeca, nem naquela época, nem agora. Apenas muito mais nova que eu."
"Ah, sim, o que um homem velho como você está fazendo na companhia de uma garota jovem?", provoquei. Mas duvidei que ele estivesse passando por uma crise de meia-idade; ele parecia em forma demais e bonito demais para estar infeliz com a idade que tinha.
Nós dois estávamos esvaziando a garrafa. De certo modo, tentando beber mais do que o outro.
"Você não gosta da companhia de homens mais velhos?", ele perguntou, em tom de provocação.
"Você gosta da companhia de mulheres mais jovens?", devolvi a pergunta. Ele não me respondeu, apenas olhou para baixo, sorrindo.
Comecei a me sentir tonta, mas a garrafa nem estava na metade.
"Eu nunca achei que você gostasse muito de mim. Você é colega do meu pai", eu disse, respondendo à pergunta sobre por que não fui à comemoração. "E, na época, eu era apenas a filha do seu chefe."
"Sim... você era. E eu nunca imaginei que um dia estaria sentado aqui bebendo uísque", ele riu.
"Não é tão ruim."
"Não estou reclamando."
"Ouvi dizer que você se casou", comentei.
"E me divorciei", ele acrescentou. "Recentemente."
"Sinto muito..." Senti-me mal por ter tocado no assunto.
"Não sinta", ele disse imediatamente. "Ela me traiu."
Olhei para ele. Como alguém poderia fazer isso? Ele parecia um deus grego. Perfeitamente esculpido. "Meu colega deve ter a satisfeito melhor do que eu. Peguei os dois fodendo na nossa cama de casal."
Coloquei minha mão sobre a dele. "Isso é horrível." Ele olhou para mim rapidamente quando apoiei minha mão, mas a retirei na mesma hora.
Ficamos lá por um momento, bebendo em silêncio, mas a pergunta me urgia. "Você a amava?"
Ele balançou a cabeça. "Não. Eu só achei que estava na hora de me estabelecer... já que eu não podia ter a mulher que eu queria."
Decidi não o questionar sobre isso.
"E você?", ele perguntou. "Você não sai com ninguém. Você deve ter alguém com quem passar suas noites solitárias."
"Eu..." minha garganta ficou seca de repente enquanto ele observava o lado do meu rosto. "Eu realmente não tenho tempo para isso. Homens dão muito trabalho."
"Por que você teria que ter trabalho com um homem?", ele perguntou. "Não posso acreditar que uma mulher como você sofra com a falta de pretendentes."
Olhei para ele com as sobrancelhas arqueadas. "Uma mulher como o quê?", perguntei.
Ele riu. "Você sabe o que quero dizer, Rebeca", disse ele. Mesmo assim, minhas bochechas ficaram vermelhas. Graças a Deus pela iluminação ruim. "Você poderia ter um homem novo toda semana, se quisesse."
"Ainda assim, é tempo que eu teria que gastar saindo em encontros e conhecendo caras... deve ser culpa minha por nem sequer tentar."
"Você não tem tempo para uma foda rápida ou simplesmente não se importa com isso?", ele perguntou.
Fiquei chocada com a naturalidade com que ele me perguntou isso.
Tentei não olhar para ele, mas seus olhos me observavam com tanta curiosidade que era impossível não retribuir. Eu estava com medo de que meu rosto estivesse muito vermelho agora. "Eu só... eu acho que não saio com ninguém", disse.
"Transar casualmente não é a sua praia?", ele perguntou.
Limpei a garganta. "Não tenho muita experiência nesse campo", tentei brincar. "Eu não faço sexo casual."
"Por que não?", perguntou.
"Você parece estar terrivelmente interessado na minha vida sexual", disse, encarando-o. Não pude deixar de notar como ele lambeu o lábio inferior enquanto pensava na resposta.
Desviei o olhar rapidamente. Droga... ele era colega e amigo do meu pai.
"Você é artista, certo?", ele me perguntou. Fiquei um pouco chocada por ele saber disso sobre mim. "Sexo é arte. Uma forma linda dela. E não sei como as pessoas vivem sem arte."
"Talvez algumas pessoas precisem um pouco mais de arte do que outras", cedi à sua metáfora.
Ele assentiu. "Justo, mas a pergunta continua. Onde você encontra seu prazer, Rebeca? Você se toca alguma vez?", ele perguntou, e isso fez meu estômago revirar. Tentei esconder minha respiração rápida, mas falhei.
E parecia quase como se ele tivesse se inclinado um pouco mais, ou talvez eu estivesse imaginando. Como eu poderia não imaginar, com o álcool e a luz fraca me afetando?
"Não quero te colocar contra a parede... somos praticamente estranhos. Não há nada que você possa me dizer que possa me chocar. Mas não acho que isso seja algo para se envergonhar."
Limpei a garganta. "Eu me toco", cedi à tentação.
"O que você usa?", ele perguntou, me pressionando ainda mais. Eu não sabia o que estava sentindo, mas sabia que não deveria estar me sentindo assim com ele.
Meus lábios se entreabriram em um suspiro surpreso e bem baixinho. "Apenas... meus dedos", disse.
Algo na expressão dele se tensionou. "Você nunca quer algo mais?", ele perguntou. "O toque de outras mãos. Algo para testar seus limites. Para não ser tão segura?", sua voz estava muito ofegante. Suave e aveludada.
Pensei que fosse uma pergunta, mas não tinha certeza de como responder. Ou se deveria. Talvez a coisa mais inteligente fosse eu apenas fugir enquanto podia. Mas algo me dizia que eu não queria isso.
Ele observou meus lábios com cuidado e sua mão subiu até minha bochecha. Seu toque fez os pelos do meu corpo se arrepiarem, minha pele tremer.
Seu polegar acariciou meu lábio inferior. Meus olhos estavam fixos no rosto dele e meus dedos apertavam os lençóis. Não ousei me mover. Não tinha certeza de até onde ele queria ir. O que ele poderia querer de mim... ele era muito mais velho que eu, muito mais experiente.
E então seu polegar deslizou entre meus lábios e entrou na minha boca. Ele moveu o dedo lentamente e minha língua não pôde evitar acompanhá-lo.
Ele se inclinou, e sua respiração saiu entrecortada enquanto olhava para a minha boca.
Ele lambeu os lábios e engoliu em seco. "Mostre-me como você se toca."