Troca de Identidade

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Resumo

Querendo passar um mês de férias com seu amante sem que seu namorado descubra, Sakura Nakamura procura por uma sósia — uma mulher que se pareça exatamente com ela. Após semanas de busca, seu assistente encontra uma garota em uma pequena vila nos arredores da cidade cujo rosto possui uma semelhança impressionante com o de Sakura. O nome da garota é Aiko Suzuki. Embora Aiko seja dois anos mais nova que Sakura e tenha traços mais suaves, ela é idêntica o suficiente para enganar qualquer um. Ao saber da vida de pobreza de Aiko e de sua necessidade urgente de dinheiro, Sakura propõe um acordo: oferece um milhão de dólares para pagar a cirurgia cardíaca de emergência do irmão mais velho dela. O trabalho de Aiko é simples: fingir ser Sakura e viver em seu mundo por um mês. Isso inclui sua tarefa mais importante — agir como a namorada do parceiro de Sakura, o rico e poderoso empresário William Thompson.

Gênero
Romance
Autor
Joy Morshel
Status
Completo
Capítulos
40
Classificação
4.4 7 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

Com a minha malinha na mão, o coração dispara no peito. *"Você consegue, Aiko Suzuki. Você consegue."* Ou será que já deveria me chamar de Sakura Nakamura?


Meu Deus, no que eu fui me meter? Tomara que valha a pena.


As mãos tremem quando bato na porta do apartamento da Sakura, onde vou ficar por um mês. Ou pelo menos é o que espero. Mas sei que não posso ir embora até ela voltar.


Ela me disse para chegar aqui às sete da noite em ponto. E aqui estou. O coração na boca enquanto espero alguém abrir a porta.


A minha versão paranoica não para de imaginar o que aconteceria se o namorado da Sakura, William Thompson, descobrisse que não sou ela. Quer dizer, ele deve conhecê-la muito bem para querer namorar com ela, não é?


Não tenho tempo de responder a mim mesma, porque a porta se abre e lá está a Sakura, sorrindo do outro lado. Como esperado, o amante dela está logo ali, ao lado.


— Aiko Suzuki, você chegou — diz ela, com um sorriso enorme no rosto.


Não vejo motivo para responder, mas respondo mesmo assim. — Sim. Cheguei.


— Ótimo, porque vou embora daqui a alguns minutos com o meu amor, e o William vai vir me ver… quer dizer, ver você, às nove. Então tem que se preparar — diz ela, enquanto beija o amante sem nenhum pudor, com uma paixão que chega a ser indecente.


Fico olhando os dois se pegando na minha frente, sem jeito. Não podiam esperar até ficarem sozinhos?


Depois de um minuto inteiro desviando o olhar e esperando eles terminarem, a Sakura finalmente me convida para entrar. E o apartamento é lindo. Tudo branco: as paredes, o piso, o sofá, o tapete, as cortinas, todos os móveis da sala e tudo mais que consigo ver.


Ela mal me dá tempo de admirar tudo antes de me sentar no sofá. O amigo dela, cujo nome não consigo lembrar direito — acho que é algo como Antonio —, me entrega um contrato para assinar.


Já sabia do contrato. Metade do dinheiro é adiantado, e o resto vem depois do serviço. Essa primeira parte vai toda para as despesas do hospital do meu irmão, enquanto espero o restante para ele finalmente fazer a cirurgia de que precisa.


Sorrio só de pensar nisso e assino rápido a minha parte, antes de entregar para a Sakura. Ela já tinha assinado a dela.


Com um sorrisinho no rosto, a Sakura se senta ao meu lado. Tudo nela grita "supermodelo" desde o primeiro momento em que a vi. E não estava errada: ela é uma modelo famosa, desfilou em todas as passarelas que consigo lembrar. Victoria’s Secret, Semana de Moda de Paris, você escolhe. É tão linda que quase não acredito que se parece comigo.


Antes que ela fale o que está pensando, eu logo digo: — Ainda não conheci o William. Talvez você devesse me mostrar uma foto dele, para eu ter certeza de que é ele quando o vir. Acho importante, ainda mais porque ele vem aqui daqui a pouco. Preciso saber como ele é, não é?


Quando a Sakura ouve isso, dá uma risadinha. — Não tenho nenhuma foto dele. Nem guardaria, de qualquer jeito. Mas não se preocupe, você vai saber quem é quando o vir. Ele vem às nove em ponto e é obcecado por mim. Não vai perder a chance de me ver. Então, vocês vão se conhecer.


Não sei por quê, mas o tom e as palavras dela me deixam desconfortável. Talvez porque parece que ela não liga nem um pouco para esse homem. E não liga mesmo. Por que mais estaria viajando com o amante por um mês inteiro? Ou por que teria um amante, para começo de conversa?


Sinto pena do William, mesmo sem conhecê-lo. Por que a Sakura não termina com ele se não o ama o suficiente para ser fiel? Mas, pensando bem, se ela terminasse, não estaria me dando esse trabalho que eu preciso tanto.


— Tá bom. Entendi — é só o que digo, enquanto espero pelas instruções.


A Sakura assente e pigarreia. Ajeita-se no sofá, senta-se ereta e assume um ar sério. — Ótimo. Agora, essas são as instruções que você precisa seguir enquanto eu estiver fora. Não pode esquecer nenhuma, entendeu?


Assinto na hora.


Ela parece satisfeita. Olha para o Antonio, que faz um sinal com a cabeça, e então se vira para mim. — Certo. Primeira: você vai ficar aqui o mês inteiro, todos os dias. Este é o meu apartamento, então, se vai fingir ser eu, tem que ficar aqui.


— Segunda: vai ter que se vestir como eu. Separei um monte de roupas que você precisa usar. Não pode usar as suas, de jeito nenhum. Não vou ser vista com essas roupas baratas. Então, comprei duas malas cheias de roupas, sapatos e joias das marcas mais chiques. Se não servirem, emagrece. Sou modelo, não posso ser gorda.


Caramba! Não digo nada e deixo ela continuar.


— Terceira: você vai usar o meu celular para falar com o William. Alguns amigos podem tentar entrar em contato, mas pode ignorar se quiser. Sua prioridade é o William, e só ele. Tudo o que precisa fazer é garantir que ele não termine comigo. Então, estou te dando um dos meus celulares, que não tem ligações de trabalho. Só amigos próximos e família.


— Quarta: o William acha que eu fiz uma cirurgia na garganta ou algo assim. Inventei uma mentira de que fui operada e que, por causa disso, minha voz vai ficar diferente por um tempo, até eu me recuperar. Então, não se preocupe se a sua voz for diferente. Ele não vai desconfiar. Mas pelo menos tente soar um pouco como eu.


— Quinta: o William me ama tanto que faria qualquer coisa por mim. Então, pode aproveitar isso para ganhar presentes dele. Não se preocupe, eles serão seus e não vou pedir de volta. Pode pedir para ele te dar um cachorrinho, um celular novo, até um carro, se quiser. Aproveita, e peça mais se achar que deve. Porque isso é agir como eu. Eu sempre exijo coisas dele, e ele sempre me dá.


Isso não me cai bem, mas não comento nada e continuo ouvindo.


— Por último: isso é estritamente negócio, então não espero que se apaixone pelo meu namorado. E nem ouse tentar dormir com ele. Sei que já me disse que nunca faria isso, mas quero ter cem por cento de certeza de que não vai. Não me importo se ele tentar te tocar, porque acha que você é eu. Esse é o meu homem, então arrume uma desculpa e não abra as pernas para ele, entendeu?


Eu não estava planejando dormir com o William nem me apaixonar por ele, então nem entendo por que a Sakura acha necessário me alertar sobre isso.


— Nunca vou fazer isso, Sakura. Pode ficar tranquila — digo, calma.


Ela parece satisfeita ao ouvir isso. — Ótimo. Que bom.


Então, se levanta e vai até o Antonio, que a puxa para perto, passando o braço ao redor dela.


— Nosso voo sai em quarenta minutos, então temos que ir. Tem alguma pergunta? — pergunta a Sakura, enquanto me entrega o celular. Deve ser o que ela quer que eu use durante o mês.


— Não, por enquanto não. Se tiver alguma dúvida, te ligo.


A Sakura assente e olha para o Antonio, como se dissesse que já terminou.


O Antonio pega as duas malas, e a Sakura joga as chaves do apartamento para mim, que consigo pegar antes que batam no meu rosto. Antes de sair, ela diz: — O William chega às nove. Esteja pronta e mantenha ele entretido até ir embora, como eu te ensinei. Te ligo amanhã cedo para saber como você está. Tchau.



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