Capítulo 1 ~ Prólogo
Já se passaram dois anos... Dou um suspiro profundo enquanto entro no condomínio com o U-Haul alugado... estacionando o reboque de carro na lateral da garagem.
Salto do caminhão ao som de assobios e gritos. Viro-me, rosnando: “Parem com isso, seus filhos da puta! Vocês sabem muito bem quem eu sou!”
Contorno o caminhão e tiro a Molly da cadeirinha, colocando-a no chão. Carburetor sai da garagem e sussurra: “Angel? É você mesma?” Aceno com a cabeça enquanto ele me dá um abraço apertado... e eu não me encolho.
Viro-me e atravesso o pátio com Molly no quadril. Chuto a porta e grito: “Voltei, vadias!” Aproximo-me do bar, peço uma cerveja e jogo dez dólares sobre o balcão.
Observo Ace correr em direção ao escritório de Leo e examino o ambiente. Vejo Viper... me encarando... com o rosto cheio de raiva... e dou um sorriso sarcástico para ele.
Leo vem correndo: “Angel? Você voltou? É muito bom te ver.” Ele estende a mão para me abraçar e eu o interrompo: “Cadê o velho?” Leo me diz que ele está na sede da alcateia, resolvendo alguns problemas com os guerreiros.
Sentamo-nos na mesa VIP e Leo diz em voz baixa: “Angel... você não vai causar problemas para o Viper e a Dove, vai?” Eu caio na risada: “Oh, Deusa! O nome dela na estrada é Dove? Inacreditável... Mas... não, irmão... Eu não estou aqui para causar problemas para o otário e a vadiasinha! Estou satisfeita apenas em odiá-los de longe. Além disso, nem vou ficar por aqui. Eu tenho minha própria casa... lembra?”
Ele ofega: “Você não pode ficar na casa da vovó... Está caindo aos pedaços... precisa de muitos reparos... Não é seguro para você... nem para a criança.”
A raiva me domina... e Spirit surge à tona: “O nome da minha filha é Molly, nunca a chame de outra coisa! MINHA casa passou por reformas nos últimos três meses... está perfeitamente habitável... Como você não notou?! Não me diga que não viu a cerca de privacidade?”
Ele suspira: “Por que tudo tem que ser tão difícil com você? Você sabe por que dissemos o que dissemos... Por que fizemos o que fizemos... Você ainda está com raiva?”
Eu rio: “Não... Leo. Eu não sei por que vocês nunca me procuraram... Ou por que não conseguiram nem me levar a um hospital para tratar meus ferimentos... Por que você e seu pai decidiram tentar fazer o Doc abortar a Molly... Por que você disse que eu tinha que escolher... O clube... ou minha filha bastarda... Sabendo muito bem que Spirit já tinha se ligado ao seu filhote... Independentemente do canalha que a gerou. Como está o Psycho, aliás? Ainda sequestrando e estuprando garotas jovens e saindo ileso disso?”
Levanto-me com Molly nos braços: “Voltei... por causa da mãe... mas não me provoque... Superei muita merda na terapia... mas a raiva nunca foi uma emoção que eu consegui controlar totalmente.”
Coloco Molly de volta na cadeirinha e saio para a estrada. A casa da vovó fica a apenas cinco minutos do clube... tecnicamente ainda dentro do território do clube... embora eu seja a dona da casa e dos oito hectares ao redor dela.
Levo a bebê para dentro... coloco-a no cercadinho portátil... e começo a descarregar o caminhão. Desengato meu Charger 71 e levo-o para a garagem nos fundos, murmurando “Besta sexy” enquanto passo a mão pela pintura roxa metálica reluzente.
Abro o reboque, tiro a moto e a guardo na garagem... depois começo a descarregar as caixas... colocando-as nos cômodos onde devem ficar.
Tinha parado para fazer uma pausa e dar um lanche para a Molly, quando ouvi uma moto subindo minha entrada... Sorrio ao ver quem era. Ela tira o capacete dos seus cabelos ruivos flamejantes e Molly começa a gritar “Tanta... Tanta”, e foi assim que uma criança de dois anos juntou Tia e Tanya.
Tanya partiu comigo há dois anos... apenas disse aos pais que eu precisava mais dela... e ficou ao meu lado... em cada passo da minha jornada. Ela me segurou quando os flashbacks eram tão ruins que eu tinha medo de dormir... Ela enxugou minha testa e segurou minha mão... gritando “Força” repetidamente, até que Molly veio ao mundo chutando e gritando.
Eu a segurei quando ela encontrou seu verdadeiro companheiro e foi rejeitada na hora... Verdadeiros companheiros são tão raros agora... muitos de nós paramos de esperar pelos nossos. Tantos se afastaram dos ensinamentos da Deusa. Eu... Bem... ainda acredito que eles existem... mas acredito que é como procurar uma agulha no palheiro.
Por mim, tudo bem. Minha única experiência com um homem foi brutal. Se eu nunca encontrar meu verdadeiro companheiro... ótimo... ele provavelmente vai me rejeitar de qualquer jeito... Assim como Nick... bem... como Viper fez... assim que souber do meu passado.
Isso também está bem. Eu sei o meu valor. Eu sei do que sou capaz. O inferno vai congelar antes que outro homem coloque as mãos em mim sem minha permissão!