Leo
Eu odeio essa droga de clube.
Odeio meu irmão por desperdiçar nosso dinheiro nele.
Odeio ter que limpar essa bagunça maldita, como sempre.
“Não estou nem aí para reparos. Só pintem essas paredes malditas. Quanto mais rápido terminarmos, mais rápido poderemos colocar este lugar de volta no mercado”, rosno para Danny, o cara encarregado de consertar o lugar.
Este lugar é um lixo, e é só mais um entre tantos que terei que vender com prejuízo porque meu irmão mais novo é um idiota do caralho. Milhões de dólares jogados fora. Eu já seria bilionário se meu irmão tivesse um pingo de bom senso na cabeça. Isso acaba agora. Assim que eu liquidar os erros dele, vou encerrar nossa parceria e seguir meu próprio caminho. Tenho certeza de que ele estará falido em um ano. Se não fosse por mim, nossa empresa teria ido à falência há muito tempo. Ele já fodeu tudo tantas vezes que a própria empresa tem uma reputação terrível.
Andrews Brothers Real Estate Development. Nós investimos em shitholes.
Eu deveria estar pensando em uma aposentadoria precoce, não em começar uma nova empresa aos trinta e seis anos, mas foi essa a mão que recebi.
“A madeira perto do palco está podre, chefe.” Danny solta um suspiro e faz um gesto para que eu me aproxime. “É um milagre que ainda não tenha desmoronado.”
“Ah, não”, respondo, fingindo preocupação. “Você está me dizendo que uma das garotas pode se machucar?”
“É.” Ele acena com a cabeça.
“Quem se importa, porra. Elas sabem o risco. Ninguém em sã consciência dançaria lá em cima, de qualquer forma.” Eu descarto a preocupação dele. “Foque na pintura.”
Se o próximo dono quiser lidar com as reformas extras, que lide. Eu só quero me livrar desta propriedade o mais rápido possível. Já basta ter que continuar abrindo este lugar todas as noites. A única coisa que as pessoas querem menos do que um clube de strip decadente é um clube de strip decadente que não tem clientes.
Não existe dinheiro no mundo que me fizesse passar pelas portas desse antro se eu já não tivesse tanto capital preso aqui.
Caminho por ali, observando o restante do trabalho, e abro o interior da minha jaqueta para pegar um charuto. Acendo-o atrás de uma nuvem de fumaça; o toque de baunilha do tabaco flutua ao redor do meu rosto em uma névoa que encobre parte dos odores repugnantes. Nem quero saber a origem deles. Pelo que sei, pode haver um cadáver escondido nas paredes ou debaixo do assoalho.
“Com licença?” Uma voz quase angelical chama, e sou atraído pela origem como se fosse o meu próprio canto da sereia. “Vocês estão contratando?”
Viro-me e vejo uma beleza estonteante parada na porta do clube. Ela entra, afastando o cabelo ruivo do rosto e colocando-o atrás da orelha esquerda. Seus olhos brilham como esmeraldas polidas à perfeição.
“Não”, diz Danny, aproximando-se. “Desculpe, mas não temos vagas no momento.”
“Ah”, ela responde, com a decepção clara no tom de voz. “Desculpe incomodar.”
“Espere”, interrompo. “Que tipo de trabalho você procura?”
Não tem como uma garota tão linda querer tirar a roupa por dinheiro. Pelo menos não em um lugar como este. Ela é jovem, vibrante e parece pertencer a uma passarela, não a um palco que pode desabar a qualquer momento. Suas roupas não são caras, mas ela veste aquele vestido barato melhor do que a maioria, considerando que provavelmente saiu de uma arara de promoção. Assim como os sapatos gastos nos pés e a bolsa de loja de departamento pendurada no ombro.
“Hum, eu estava…” A voz dela desaparece e ela aponta para o palco atrás de mim. “Dança?”
Viro-me para Danny, tragando meu charuto. “Volte ao trabalho. Acho que precisamos consertar o palco, afinal.” Dito isso, volto-me imediatamente para a beleza estonteante. “Talvez tenhamos uma vaga. Eu sou o dono. Vamos conversar no meu escritório.”
“Ok”, ela responde, seus lábios macios se curvando em um sorriso. É quase inebriante.
Danny balança a cabeça e sai. Faço um gesto para o escritório que o antigo dono usava. Tecnicamente é meu escritório agora, mas só entrei nele uma vez.
Enquanto a levo em direção à porta, desejo que tivéssemos pelo menos dado uma demão de tinta fresca.
“Qual é o seu nome, querida?” pergunto por cima do ombro, lançando-lhe um olhar.
“Ana”, ela responde.
“Eu sou o Leo. Desculpe pela bagunça”, digo enquanto abro a porta. “Comprei este lugar recentemente e estamos fazendo algumas reformas.”
“Sem problemas.” Ela olha ao redor. “Já vi coisas muito piores.”
“Sente-se, Ana.” Vou até uma das cadeiras em frente à mesa e retiro alguns papéis de cima dela.
“Obrigada.” Ela sorri e se senta.
Contorno a mesa e me sento na cadeira, fazendo uma careta quando ela range como se fosse desabar a qualquer momento. Apago rapidamente o charuto no cinzeiro e deixo-o lá enquanto fixo meu olhar na beleza à minha frente.
“Então, você quer dançar? No palco?”
O brilho sai dos seus olhos. Suas bochechas coram um pouco. “Sim, ouvi dizer que é uma boa maneira de ganhar dinheiro.”
“Algumas garotas se dão bem.” Aceno. “Você se dá conta de que este é um clube de strip, certo? Você teria que tirar suas roupas.”
Seus braços cruzam o peito imediatamente e ela encolhe-se um pouco mais na cadeira. “Eu entendo isso.”
“Você não é tímida, é?” pergunto, notando que sua linguagem corporal sugere que ela não está nada animada com a ideia.
“Eu vou…” Ela tropeça nas palavras. “…ficar bem quando a música começar. Consigo entrar no clima e fazer o que preciso. Eu… eu pratiquei um pouco em casa, na frente do espelho.”
“Tirar a roupa na frente do espelho é muito mais fácil do que fazer isso na frente de um bando de velhos que querem te foder”, observo de forma grosseira, notando-a encolher-se ainda mais na cadeira.
Ela não deveria estar aqui. É jovem demais e ingênua. Mal saiu da infância.
“S-sim, mas eu consigo”, ela diz, com os olhos ainda opacos. “Se você puder me dar uma chance. Eu realmente preciso do dinheiro.”
Ela é linda. Instigante. Quero saber por que ela precisa tanto do dinheiro. O que trouxe uma criatura tão deslumbrante para um lugar como este? Quero saber se ela está em apuros ou em algum tipo de perigo. Não deveria me importar, porque tenho coisas mais importantes com que me preocupar, mas não consigo evitar.
“Vou te dar uma música para me convencer”, digo, tirando o celular do bolso. “Você escolhe.”
“Hum, eu gosto de muitas coisas.” Ela dá de ombros.
“Qual vai ser o seu nome artístico?” pergunto, passando pelas músicas no meu celular.
“Posso usar apenas Ana?”
“Você não quer usar seu nome verdadeiro.” Analiso-a por um momento. “Você parece um anjo.”
“An—anjo?” Ela pisca, surpresa, e suas bochechas coram. “Bem, obrigada, mas…”
“Angel, o nome”, esclareço, interrompendo-a.
“Ah, sim. Isso estaria bom.” Ela acena, parecendo decepcionada.
“Aqui vamos nós”, digo, levantando-me da cadeira e caminhando até o sofá. Está um pouco sujo, mas sento-me mesmo assim, sem querer pensar no que podem ser aquelas manchas. “Vou colocar a música e você dança. Me mostre o que você tem, querida.”
Começo a tocar Calling All Angels e coloco o celular de lado. Ana levanta-se devagar, tentando acompanhar o ritmo da música. Há tanta insegurança em seus olhos. Tanto medo na maneira como ela se move. Ela caminha para o centro da sala, bem na minha frente, e começa a mover o corpo no ritmo da canção. Seus olhos se fecham, e vejo lágrimas umedecerem seus cílios.
“Você precisa de alguns minutos para entrar naquele clima de que estava falando?” pergunto. “Quer que eu recomece a música?”
“S-sim”, ela responde, virando-se de costas para mim. “Só me dê um minuto, por favor. Eu consigo fazer isso.”
Normalmente, eu a mandaria embora e diria para parar de desperdiçar meu tempo. Eu nem deveria estar contratando ninguém. Danny tinha razão. Realmente não estamos procurando novas dançarinas. Estou tentando operar com o orçamento mínimo até que eu consiga passar este clube para o próximo otário que for estúpido o suficiente para comprá-lo.
Mas Ana parece alguém para quem o mundo já foi cruel demais. Ela não é o tipo de garota que acaba dançando no pole. É inocente e doce demais. Tímida demais. Se ela falhar neste teste, então o problema passa a ser de outra pessoa.
Pelo menos ela poderá fracassar em seus próprios termos e encontrar outra maneira de ganhar dinheiro, bem longe deste antro de humanidade.