Capítulo 1
Lydia Bridges
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A música preenche meu corpo e dou mais um gole na minha bebida. Eu deveria parar. Já estou bêbada, mas isso me faz sentir... nada. Meu corpo formiga e minha cabeça gira, e meu mundo é música e dança.
“Meu Deus”, Trisha interrompe meus pensamentos, ou a falta deles, e eu abro os olhos. O ambiente está mal iluminado e cheio de gente.
“O quê?”, pergunto e olho em volta, tentando focar o olhar na direção para onde ela aponta.
“Ele está aqui. Não achei que ele viria.”
“Quem?” Trisha pula de uma paixão para outra e nem tenho certeza de quem é o alvo da vez.
“Como assim, quem? Wesley Porter. O jogador de hóquei mais sexy da UNI.”
Procuro na multidão e avisto o tal homem. Ele está em um grupo de jogadores da UNI Lions, sorrindo de algo que alguém disse. Por que jogadores de hóquei sempre andam em bando?
Ele é um cara bonito, com seu cabelo loiro escuro e macio e dentes brancos. Como todo jogador de hóquei, é alto e musculoso. E confiante.
Ergo minha bebida, mas uma mão firme me impede.
“Aqui”, diz Pres, trocando meu copo por uma garrafa de água. “Não vou te levar para casa de novo, nem segurar seu cabelo enquanto você vomita.” Ela endireita seus ombros finos e me lança um olhar severo que deve ter sido passado de geração em geração, junto com a riqueza dela.
“Você é muito chata”, digo, mas bebo a água. “Você deveria ir falar com ele.” Dou um empurrãozinho em Trisha, que está mordendo o lábio.
“Não consigo. É o Wes, caralho, o Porter.”
“E daí?” Dou de ombros. “Ele não sorriu para você semana passada?” O sorriso que deu início a toda essa paixonite.
“Mas por que ele me daria bola? Ele provavelmente flerta com todo mundo.”
“Você é maravilhosa. Você está muito gostosa nesse vestido. Ele não vai conseguir tirar os olhos de você.” Trisha coloca uma mecha de seu cabelo castanho-chocolate atrás da orelha.
“Você deveria ir”, diz Pres, parecendo quase entediada. “Dizem as más línguas que ele terminou com a tal fulana durante o verão e que está querendo voltar para o mercado. O pior que pode acontecer é ele te dar um fora.”
“Ok, vou fazer isso.” Trisha vira o resto da bebida e atravessa o salão.
“Você acha que vai dar certo?”, pergunto enquanto a observamos se aproximar dele.
“Não faço ideia. Mas se ela não tentar, nunca vamos ouvir o fim dessa história. Você está de olho em alguém?”
Há vários garotos de fraternidade por toda parte, mas nenhum deles desperta meu interesse. Alguns eu conheço, de outros mal me lembro, mas nenhum deles me anima.
Finalmente balanço a cabeça. “Não, hoje não. E você?”
Pres dá uma longa olhada no recinto, parando um pouco no grupo dos jogadores de hóquei. Então, ela dá de ombros. “Provavelmente vou ficar com o cara de Economia. Ele tem insistido bastante.”
“Aquele bonitinho com o brinco?”
“É.”
“Poderia ser pior.”
“Também poderia ser bem melhor.” Pisco os olhos e me pergunto se imaginei aquele olhar ou se há alguém que ela realmente quer.
É difícil se importar quando estou tão bêbada. “Vem, vamos lá fora. Preciso de um pouco de ar.”
“Você não vai vomitar, vai?”
Ignoro a pergunta dela enquanto passamos por Trisha. Ela está piscando para Wes, e ele parece estar gostando da atenção.
“Acho que não vamos precisar esperar por ela”, diz Pres quando chegamos ao lado de fora, onde o ar é fresco e o som é mais tolerável.
“Acho que não.” Sinto-me rabugenta e não sei bem o porquê. Talvez eu tenha feito demais disso ultimamente. Beber, dançar, ficar com caras. Foi minha vida no ano passado e, se não fosse pela minha irmã Ellie, provavelmente não teria passado em nenhuma matéria.
Suspiro e me pergunto se este ano será mais do mesmo. Sem perceber, minha mão vai até a coxa esquerda e fico acariciando a cicatriz quase invisível sob minha saia.
Passo pelas pessoas que estão fumando um baseado e fecho os olhos. O álcool está passando aos poucos. Não quero isso. O álcool me mantém sã. A música e a dança me mantêm sã. E, ainda assim, eu sei...
“Você vai à festa no 'galinheiro' amanhã?”
Balanço a cabeça. O 'galinheiro' fica perto da área das fraternidades, mas não tão perto. É uma das casas menores que, todo ano, é alugada por um grupo de estudantes com pais ricos. Esta casa em particular está sendo alugada por um grupo de garotas. Alguém fez uma piada sobre o cacoar delas e, na manhã seguinte, elas acordaram com sete galinhas no quintal.
As galinhas já se foram há muito tempo, mas o nome pegou.
“Não posso. Tenho que começar meu projeto de comunicação.”
“Você ainda não começou?”
Pres sempre encontra tempo para fazer as tarefas, mesmo que estejamos quase sempre nas mesmas festas.
“Nem todas nós temos tutores particulares, sabe.” Minha voz sai mais ácida do que eu pretendia, mas Pres não percebe.
“A Alex é ótima, não é? Estou tão feliz que meu pai insistiu nisso.”
Ter pais ricos deve ser bom mesmo. Esfrego minha cicatriz novamente e deixo o pensamento de lado.
“Vamos voltar. Quero dançar.” O ar fresco não está ajudando meu humor, eu quero esquecer o mundo.
Lá dentro, o ar está pesado. Jogo minha garrafa de água vazia em uma lata de lixo antes de ir para a pista de dança. Pres se junta a mim e dançamos com uns caras que claramente querem mais do que vão conseguir hoje à noite.
Há algum tipo de confusão perto da frente da casa, mas não me importo o suficiente para descobrir o que é. E os caras que dançam conosco também não parecem ligar.
Eu quase tinha mudado de ideia sobre um deles, quando Trisha aparece na nossa frente. Algo está errado. Paro de dançar. Mesmo no meu estado de embriaguez, percebo que há lágrimas nos olhos dela.
“Quero ir para casa”, diz ela, virando-se em direção à porta.
Com um olhar preocupado uma para a outra, Pres e eu corremos atrás dela.
“O que aconteceu?”, pergunto quando estamos do lado de fora.
“Vamos logo para casa”, diz Trisha, caminhando o mais rápido que seus saltos permitem.
Andamos alguns quarteirões até que ela desacelera o suficiente para podermos conversar.
“O que aconteceu?”, pergunto de novo.
Trisha respira trêmula e percebo que ela está prestes a chorar.
“Eu achei que as coisas estavam indo bem. Ele realmente parecia interessado. Estávamos flertando, sabe.”
“Claro”, diz Pres, com a testa franzida.
“Então, sugeri que fôssemos para minha casa.”
“Ele te deu um fora?”, pergunta Pres.
Trisha balança a cabeça. “Ele disse que era uma ótima ideia e ele... Ele sussurrou algumas coisas que queria fazer comigo, arrancar meu vestido e tudo mais. Começamos a sair e todo mundo estava olhando para nós. Porque ele é o Wesley, caralho, o Porter. E eu estava pensando como todas as mulheres ali queriam estar no meu lugar.” Trisha abaixa a cabeça.
“Continue”, digo cautelosamente, trocando um olhar com Pres.
“Se ele tivesse apenas dito não, acho que ninguém teria se importado. Mas ele segurou minha mão enquanto caminhávamos para a porta, e era quase como se ele quisesse que todos nos vissem saindo juntos. Eu não me importei com essa parte. Mas então, ela apareceu.” Trisha faz uma careta. “A ex dele. E ele soltou minha mão como se eu fosse lixo. Tentei segurar o braço dele, mas bastou ela olhar para ele e ele me afastou. Ela me deu um olhar triunfante, como se eu não fosse nada.”
“Não me diga que ele foi com ela”, resmungo.
“Ele esqueceu de mim na hora, e eu nunca me senti tão rejeitada na vida. Todo mundo estava me encarando. Então, quando ela deu um fora nele, ele simplesmente saiu correndo da festa. E me deixou lá.” Trisha cai no choro.
“Que babaca”, diz Pres.
“Você está melhor sem ele.” Dou um abraço nela e a seguro enquanto chora.
“Sou tão estúpida. Achei mesmo que tinha uma chance com ele.”
“O estúpido é ele”, asseguro-lhe.
“Como ele se atreve a te tratar assim?” Pres acaricia suavemente as costas dela.
“Porque ele é um jogador de hóquei”, digo. Há um motivo para eu nunca ter me envolvido com os jogadores. “Eles acham que são muito melhores que todo mundo no campus, como se fossem as estrelas da University of North Irondale. Só porque ganham alguns jogos aqui e ali.”
“Eles agem como se todos precisassem adorá-los”, diz Pres, bufando. “É irritante. Alguém precisa baixar a bola deles.”
Meus olhos brilham e não tenho certeza se bebi demais ou de menos. “Você tem razão. Eles precisam mesmo ser humilhados. O Wes Porter, principalmente.”
Trisha olha para mim com os olhos cheios de lágrimas. “Você não vai ser presa de novo, vai?”
“Aquilo foi só uma vez, e não deu em nada. Não tenho a menor intenção de tentar de novo, mas alguém precisa ensinar a esse homem como se respeita uma mulher.”
“Não gosto desse sorriso”, diz Trisha, afastando-se um pouco.
“Ah, vamos nos divertir muito”, Pres sorri, e reconheço o brilho de travessura que dança entre nós.