Coração em Chamas: Um Romance Proibido

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Resumo

Lockwood Creek – Livro Três – Pode ser lido separadamente. O Dr. Chris Chambers nunca teve intenção de sossegar – ele adorava a caçada, ou pelo menos era o que dizia a si mesmo. "Amar e partir" era seu lema. E daí se o chamavam de galinha, mulherengo ou babaca? Para ele, era como água nas penas de um pato, afinal, a vida era curta demais para se contentar com uma única mulher. Mas ele não contava com Bethany, a filha adotiva de seu irmão, beijando-o no seu aniversário de 19 anos. Desde então, fez de tudo para evitar eventos de família. Porque desejar uma mulher dezessete anos mais nova já era perigoso… mas desejar a mulher que seu irmão considera uma filha? Isso era loucura pura. Só que a vida de Chris está prestes a ficar muito complicada. E Beth? Bem, ela não vai facilitar nem um pouco. ☝️👉🏼 Atenção: Esta é uma história clássica de romance entre um homem mais velho e uma mulher mais jovem. Se você leu *Sealed Hearts*, já sabe que haverá cenas de conteúdo sexual e linguagem explícita. Não recomendado para menores de 18 anos. ☝️👉🏼 Lockwood Creek é uma série – Cada livro pode ser lido separadamente, pois tem seu próprio final feliz (HEA).

Status
Completo
Capítulos
46
Classificação
5.0 19 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

~ ~ Dr. Chris Chambers ~ ~

Onze Anos Antes

“Alô, Chris!?”, meu irmão mais velho, Cal, debochou. “Tá me ouvindo?” Ele tirou o pé do acelerador da viatura e me lançou um daqueles olhares famosos dele, que sempre me faziam sentir um anão.

Meus lábios tremeram. “O quê? Ah, claro.”

E...?”, ele insistiu.

E o quê? “Tá bom.” Ergui a mão, com um sorrisinho. “Não, não tava ouvindo.”

Cal resmungou alguma coisa baixinho.

Meu irmão morava em Big Springs, no condado de Howard, e eu estava visitando de Michigan, onde trabalhava na época. Voava pra lá sempre que tinha folga ou ia pro Colorado, onde meus pais tinham se mudado depois que meu pai se aposentou por causa da saúde.

Cal tinha se formado com um curso técnico e entrado na polícia, mudando pro Texas porque April, a esposa que conheceu na faculdade, tinha crescido aqui.

Eu torcia pra sair de Michigan. Adam, meu melhor amigo, tinha me avisado sobre uma vaga no renomado Mercy Heights. Ele já estava lá fazia um tempo e foi onde conheceu a esposa, Emma. Ela era chefe do Departamento de Cirurgia Cardiotorácica. Além de linda, era brilhante. Ele era um filho da puta sortudo.

E eu esperava que, com minhas recomendações impecáveis e o apoio do Adam, tivesse uma chance de conseguir a vaga.

O tempo diria, eu acho.

Cal pigarreou. “Perguntei se você não quer vir com a gente e a April. Você tá de folga essa semana, né? A gente tá planejando ir ver o Jamie.”

Jamie era três anos mais velho que eu e o filho do meio da família. Só dezoito meses o separavam do Cal.

“Você sabe que ele e a Claire acabaram de ter o primeiro filho, né?”

Ah, eu sabia tudo sobre o filho deles. O primeiro neto dos meus pais era um acontecimento. Mas era a última coisa que eu queria falar, porra, nem pensar nisso.

Mas pelo jeito que meu irmão cerrou o maxilar, ele não ia deixar o assunto morrer, e o calor subiu pela minha nuca enquanto Cal segurava uma granada nas mãos, pronta pra explodir minhas emoções.

Não faz isso, Cal. Não puxa esse pino.

“Vamos, Chris. É família. Seu sobrinho. Você não quer conhecê-lo?”

E lá estava, a explosão no meu peito. Estilhaços arrancando um pedaço dos meus pulmões.

Meu sorriso desapareceu. “Família, Cal?”, rosnei. “Tá de brincadeira?” Minha voz soou estridente, um tom esquisito que nem parecia meu. “Por que diabos eu ia querer fazer isso—conhecer o filho deles?” A explosão abriu uma caixa de Pandora, e mais sentimentos indesejados vieram à tona.

Mas o Cal não tinha terminado. Nem de longe. Ele tinha um arsenal de granadas à disposição.

“Você não acha que já tá na hora de perdoar eles? Seguir em frente, Chris? Você tá quase com vinte e oito. Faz quanto tempo? Nove anos?”

Meu maxilar tremeu, e eu o encarei de lado. Que diferença fazia quanto tempo tinha passado?

Uma parte de mim queria rir. Conseguia sentir a risada borbulhando, prestes a transbordar.

“Fala comigo, Chris. Você nunca fala sobre isso.”

É, e ainda não ia falar, mas agora ele tinha aberto essa ferida... “Posso te fazer uma pergunta, Cal?”

“Manda”, ele disse, com um entusiasmo exagerado pra meu gosto.

“Você teria feito aquilo... comigo?

O silêncio dele disse tudo enquanto soltava o ar pelo nariz, pesado.

“Você conhece aquele ditado, sangue é mais grosso que água?” Observei seus dedos apertarem o volante. “Pergunta simples, Cal. Sim ou não.”

Ouvi ele soltar uns palavrões baixinho.

“Não”, ele finalmente respondeu.

“Então por que você acha que eu vou esquecer o que eles fizeram?”

“Não tô dizendo que o que eles fizeram foi certo. Mas—”

Interrompi: “Porra, não foi certo.” Ainda queimava. Doía. Mesmo depois de todos esses anos.

Mas ele não desistiu, martelando meu coração. “Eles se apaixonaram, Chris.”

“É”, zombei. “Se apaixonaram mesmo.”

E, num piscar de olhos, minha mente voltou pra ela. Claire. E sempre mexia com emoções que era melhor deixar quietas, porque toda vez que eu abria aquela caixa, via a garota com quem cresci. A garota da casa ao lado. Seus olhos castanhos bonitos, o cabelo escuro longo e o sorriso doce.

Ela disse que me amava.

Até aceitou meu anel de merda antes de eu ir pra faculdade. Ela era tudo pra mim, bom, pelo menos o máximo que alguém podia ser aos dezoito, acho.

Claire tinha sido minha primeira vez em tantas coisas. E, sim, era clichê, mas a gente se guardou pra noite do baile—e, pra mim, ainda era uma das melhores noites da minha vida.

Patético, eu sei.

E quando voltei pra casa depois do primeiro semestre, nada tinha mudado pra mim.

Mas, caralho. As coisas tinham mudado pra Claire.

E, com o lábio tremendo e lágrimas de crocodilo, ela me disse que tinha se apaixonado pelo Jamie, meu irmão.

Eles disseram que sentiam muito.

Disseram que aconteceu.

Ela o escolheu.

E o chute no saco? Ela disse que ainda me amava—como um amigo.

Amigos? Hah. Ela tinha matado meu coração, sacrificado como um cachorro, e ainda queria ser minha amiga!?

Então fiz a única coisa que me impediria de surtar, e tenho certeza de que todo mundo achou que eu estava sendo dramático quando cortei relações com eles. Recusei-me a falar com eles. Fiz de conta que nunca existiram.

Por que nenhum deles entendia que, pra mim, era a pior traição possível?

Eu sempre fui mais próximo do Jamie. Olhava pra ele. Ele era um astro do futebol. Um ídolo. Meu herói, porra, e ele sabia o que ela significava pra mim.

Será que era porque, aos dezoito, eles achavam que eu devia simplesmente superar e seguir em frente?

Eu nunca—jamais—teria feito aquilo com ele, porque sangue significava alguma coisa pra mim.

“Eles querem que você vá.”

“É”, rosnei. “Bom, eu queria conhecer o Elvis. Mas não tá nos planos.” Pode me chamar de amargo, mas era algo que eu não conseguia superar.

“A mamãe e o papai querem você lá. A gente quer você lá, Chris.”

“Poxa, Cal. Para com essa culpa, tá?” Balancei a cabeça. “Acho que ninguém vai sentir minha falta.”

“Caralho, Chris”, ele explodiu. “Claro que vão—” O rádio da polícia cortou o que ele ia dizer.

Temos uma ocorrência de perturbação na 3334 Evergreen. Violência doméstica”, anunciou uma voz crepitante.

“Tudo bem pra você ir junto?”, ele me perguntou.

“Claro.” Qualquer coisa pra me distrair do passado e do interrogatório verbal dele.

Cal ligou a sirene e, uns seis minutos depois, paramos em frente ao endereço. Fomos os primeiros a chegar.

Olhando ao redor, parecia um bairro tranquilo, não um lugar onde você esperaria problemas. Casas bem cuidadas, jardins arrumados. Algumas com a bandeira americana hasteada.

Mas o que eu sabia?

“Caralho!”, disse Cal, soltando o cinto. Segui o olhar dele enquanto saía do carro e, ao mesmo tempo, soltou o coldre.

Lá, parada na porta escura, estava uma garota. Não estava sozinha. Enrolado nela, tinha uma criança menor—um menino? Não dava pra ter certeza, mas os ombros deles se mexiam como se estivessem chorando.

De onde eu estava, não dava pra ver bem o rosto dela, mas dava pra ver claramente o que ela segurava na mão trêmula.

Uma arma.

Puta que pariu.

Cal se identificou e pediu pra ela largar a arma e ir na direção dele.

Ela ficou paralisada no lugar e então olhou por cima do ombro, pra dentro da casa.

“Olha pra mim. Pra cá”, meu irmão incentivou.

A cabeça dela virou de volta, e os pés se moveram devagar, trazendo-os pra luz da varanda.

Dei uma olhada melhor quando me inclinei pra frente.

“Preciso que você largue essa arma”, ele instruiu pela segunda vez.

A arma caiu da mão dela, e eu respirei fundo pela primeira vez.

“Bom. Isso. Agora vem na minha direção. Vou te ajudar.” Ele suavizou o tom. “Você vai ficar bem.”

Ela deu um passo e depois outro, envolvendo os braços em volta da criança que segurava, cujos soluços agora eu ouvia claramente.

Enquanto tentava decifrar a expressão dela. Era uma coisinha bonita. Devia ter o quê? Dez anos?

“Isso. Você tá indo bem, querida”, ouvi o tremor na voz do Cal, tentando acalmá-la. “Continua vindo.” Ele baixou um pouco a arma e usou a outra mão pra chamá-la mais perto.

Ela deu mais alguns passos hesitantes.

Ao longe, ouvi mais sirenes se aproximando. Pelo retrovisor, vi as luzes piscando. Vermelhas. Azuis.

De volta à garota, ela começou a recuar, os olhos correndo pelo jardim da frente.

Meu irmão pegou o rádio e perguntou a previsão de chegada dos paramédicos.

Ouvi a central dizer que já estavam a caminho, mas havia algum tipo de atraso.

Cal xingou.

As duas viaturas que pararam ao lado do carro do meu irmão desligaram os motores. Os policiais saíram, quatro no total, preparando as armas. Um deles manteve os olhos no meu irmão, e os outros observaram as duas crianças.

“Olha pra mim. Olha pra mim. Ninguém aqui vai te machucar”, meu irmão tentou tranquilizá-la.

Os outros policiais contornaram o carro do Cal, e um deles perguntou à garota se tinha mais alguém dentro da casa. Ela assentiu.

Eles fizeram sinal pro meu irmão, que ergueu o queixo, e assumiram a frente, mantendo-se na beirada do perímetro enquanto se preparavam pra entrar na casa.

Eu ainda observava a garota agarrada à criança menor. Ela mesma era bem pequena, e não sabia como conseguia carregá-lo.

“Chris”, meu irmão gritou por cima do ombro. “Preciso da sua ajuda aqui.”

Que porra? Ele queria minha ajuda?

Soltando o cinto, abri a porta e saí, deixando-a aberta. A preocupação estava estampada no rosto do Cal. Meu irmão adorava crianças e odiava quando atendia ocorrências e as encontrava no meio de situações de merda.

E essa parecia feia, mesmo sem saber o que tinha acontecido ali naquela noite.

“Pode dar uma olhada neles pra mim? Os paramédicos já tão chegando, mas quero que você dê uma avaliada.”

Com o coração batendo forte, ergui o queixo e comecei a me aproximar das crianças, mantendo os passos lentos e as mãos levantadas. Pra que vissem que não era uma ameaça.

Quando cheguei mais perto, olhos azuis penetrantes, cheios de terror, se ergueram e se fixaram nos meus.

Meus pulmões expeliram o ar enquanto eu lutava pra respirar. Não entendia. Situações de vida ou morte não eram novidade pra mim, mas o desespero no rosto dela mexeu com algo dentro de mim.

De perto, dava pra ver um corte acima do olho direito. Havia um hematoma na bochecha esquerda e manchinhas que pareciam sangue no lado esquerdo do maxilar. Nada que deixasse cicatrizes... pelo menos na superfície.

Ela tremia tanto enquanto segurava o menininho, que, se eu fosse apostar, diria que era o irmão dela.

Sorri e falei baixinho. “Oi, querida. Sou médico.” Pareceu importante deixar isso claro, caso ela tivesse medo de policiais. “Posso chegar mais perto e dar uma olhada em você e no seu irmão?”

Os olhos dela se arregalaram, e o lábio inferior tremeu.

Meu coração estava na garganta, tentando sair. “Prometo que não vou machucar vocês—nenhum dos dois.”

Que merda tinha acontecido dentro daquela casa?

Ela assentiu, mas conteve um choro. Quase dava pra ouvir o coração dela batendo forte contra as costelinhas.

Fiz uma avaliação visual rápida do resto do corpo dela, agora a menos de um metro de distância. Descalça, usava pijamas cor-de-rosa. Pareciam um pouco sujos e talvez um número menor do que o certo, mas o que ficava claro era que ela precisava de um banho e de uma boa refeição.

“Ei”, meu sorriso continuou no lugar. “Você tá indo muito bem, querida.”

Puta merda.

O peito dela desinflou, os olhos reviraram, e ela caiu como uma pedra. Mal consegui segurá-los antes que batesse no chão.

O peso dos dois juntos era maior do que eu esperava, e lutei pra manter o equilíbrio, mas de alguma forma consegui baixá-los até o chão. Mantendo um aperto firme, imaginei todos os cenários que aquelas duas crianças poderiam ter testemunhado ou sofrido naquela noite, ou até mesmo por anos.

Olhando pra eles nos meus braços, a cabeça do menininho se ergueu, e olhos azuis molhados, da mesma cor que os da garota, me encararam.

“Oi, amigão.”

A pele dele era tão pálida, mesmo com as manchas vermelhas nas bochechas. Os lábios estavam levemente azulados, e o cabelo castanho, da mesma cor que o da irmã, parecia precisar de uma boa lavada.

Devia ter o quê? Quatro ou cinco anos?

Fiz outra avaliação visual, mas perguntei: “Você pode me dizer se tá machucado em algum lugar?” Pelo que dava pra ver, não parecia ter ferimentos físicos imediatos.

Ele balançou a cabeça.

“Essa é sua irmã?”

Ele assentiu, fungando. “Beffanie”, disse.

“Beffanie?”, repeti, e então entendi. “Bethany, Beth? O nome da sua irmã é Bethany?”

A cabecinha dele balançou. “E qual é o seu nome, amigão?”

“Beck”, ele disse, mais claro dessa vez.

“Oi, Beck. Eu sou o Chris. Pode sentar do meu lado pra eu dar uma olhada na Bethany? Pra ter certeza de que ela tá bem?”

Deitei a Beth no chão, e o Beck soltou os braços do pescoço dela, deixando que eu o levantasse pra sentar ao meu lado. Baguncei o cabelo dele. “Bom. Fica aí quietinho pra mim, tá?”

Minha atenção se voltou pra irmã dele, verificando os sinais vitais. Minha primeira impressão era de que ela tinha desmaiado por síncope situacional; o corpinho pequeno reagindo demais ao estresse emocional, mas ia mencionar pros paramédicos pra verificarem síncope cardíaca também, só pra garantir.

Me sentindo um pouco mais tranquilo, senti a mãozinha do Beck no meu braço. Virei a cabeça pra ele. “O que foi, Beck?”

Ele olhou pra irmã. “A Beffanie tá bem?”, fungou, passando a outra mão no nariz.

“Claro, amigão. Ela só tá dormindo.” Levantei a cabeça ao ouvir as sirenes. Os paramédicos estavam perto.

Olhei de volta pro Beck. “Vou levar você e sua irmã pra um lugar seguro, tá?” Não fazia ideia do porquê tinha dito aquilo, mas mais promessas saíram da minha boca. “Onde ninguém vai machucar vocês.”

O lábio inferior dele tremeu, mas ele assentiu de novo.

“Vai ficar tudo bem”, prometi mais uma vez.

E ali, naquele momento, eu soube. Não importava o que acontecesse. Eu ia garantir que aquelas duas crianças ficassem bem. Seguras.

Ele assentiu, mas não sorriu. Provavelmente não acreditava em uma palavra do que eu dizia, mas, pelo canto do olho, vi um policial que tinha entrado na casa sair. Ele chamou o Cal, informando que a ameaça tinha sido neutralizada, e meu irmão guardou a arma.

Não sabia o que aquilo significava, mas pela expressão dele, o que encontraram lá dentro não era nada bom.

Cal guardou a arma e veio na nossa direção assim que os paramédicos chegaram. “Valeu, Chris”, disse pra mim, mas os olhos estavam nas crianças. Ele se agachou, olhando pra Bethany e depois pro Beck, e sorriu.

“Vou com eles. Pro hospital.”

A boca do Cal se abriu, surpreso, semicerrando os olhos, sem entender direito. “O quê? Você quer ir?”

Olhei pra Bethany. “Quero.”