Drink At Your Own Risk por Catherine Heiliger Author em Inkitt
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Beba Por Sua Conta e Risco

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Resumo

"Beba Por Sua Conta e Risco" tem tudo o que os leitores de romance desejam — um sizzling age-gap romance, um arco enemies-to-lovers e o irresistível plot twist de identidade secreta. A história de Celia e Matt não é apenas sobre amor; é sobre autodescoberta, segundas chances e encontrar a paixão quando você menos espera. A crise de meia-idade de Celia encontra a paixão secreta de longa data de Matt na premissa perfeita para um romance intenso e emocionante que ressoará com qualquer pessoa que já se sentiu invisível, se reinventou ou amou contra as expectativas sociais. A química deles cria uma história que é, ao mesmo tempo, de tirar o fôlego e incrivelmente empoderadora. Com sua mistura de calor, humor e emoção, "Beba Por Sua Conta e Risco" é o tipo de romance que não apenas entretém, mas também empodera. É perfeito para leitores que buscam histórias que nos lembrem que nunca é tarde demais para se redescobrir — ou para encontrar o amor que você merece.

Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
5.0 3 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Celia

“Ah, não! Só mais cinco minutos, por favor...” O riff de abertura de “Don’t Stop Believin’” explodiu no meu quarto, me acordando com a sutileza de uma marreta do caralho. Eu gemi, tateando o criado-mudo atrás do celular. Meus dedos derrubaram uma taça de vinho vazia antes que eu conseguisse silenciar o otimismo implacável da banda Journey.

Me joguei de costas, espalhada por uma cama king-size que sempre pareceu grande demais.

A rotina matinal insuportavelmente alegre de Boulder estava a todo vapor lá fora: corredores ofegantes passando, pássaros cantando com toda a vontade e o zumbido distante do trânsito na Pearl Street.

Cristo, desde quando as manhãs ficaram tão barulhentas?

Estreitei os olhos para o celular: 7h15, 25 de outubro. Mais um dia perto dos 55. Fantástico.

Com um resmungo que soou alarmantemente igual ao da minha mãe, arrastei minha bunda para fora da cama. Meus pés tocaram o piso frio de madeira e eu fui arrastando os chinelos, feito um zumbi, até o banheiro.

Sob a luz forte da penteadeira, criei coragem para encarar meu reflexo. Nada mal para quem está quase nos 55, suponho. Meu cabelo é uma confusão de fios castanhos grisalhos, mas, ei, pelo menos eu ainda tenho cabelo. Me inclinei, observando a rede de linhas que saía dos cantos dos meus olhos.

“Cristo”, murmurei, “quando foi que esses pés de galinha viraram um bando inteiro?”

Joguei água no rosto e fiz minha rotina matinal no automático. Hidratante que promete rejuvenescer (mentirosos desgraçados), corretivo para esconder os vestígios da maratona de vinho e Netflix da noite passada, e uma passada de rímel porque ainda não estou pronta para jogar a toalha de vez.

Quando cheguei à cozinha, já me sentia um pouco mais humana. Fui direto para a cafeteira, minha salvadora pessoal. Enquanto o aroma divino do café torrado preenchia o ambiente, peguei um iogurte na geladeira. Meus olhos pousaram em uma foto presa na porta com um ímã cafona de Boulder.

É o Lucas no dia da formatura da faculdade, cheio de sol, sorrisos e brilho nos olhos. Meu menino, meu bebê, tem vinte e nove anos agora. Lembro-me de tirar aquela foto como se fosse ontem, segurando as lágrimas (porque eu não ia estragar meu rímel de jeito nenhum) enquanto ele caminhava pelo palco.

Não consegui evitar uma risadinha, lembrando de como ele quase tropeçou na beca. Elegância nunca foi o forte dele. Mas, pensando bem, ele puxou isso de mim.

A cafeteira terminou de borbulhar e servi minha xícara. Estava prestes a tomar o primeiro gole quando meu telefone começou a vibrar. Falando no diabo, é o Lucas.

“Bom dia, querido”, respondi, tentando soar como se estivesse de pé há horas, e não mal conseguindo me manter ereta.

“Mãe, você não vai acreditar nessa porra”, ele disparou logo de cara.

Sentei num banco da cozinha, segurando meu café. “Fala, moleque. Eu já vi de tudo nessa vida.”

O que se seguiu foi uma história confusa envolvendo uma garota que ele conheceu num bar, uma carteira perdida e, de alguma forma, um gato de rua. Fiquei ouvindo, soltando uns “aham” e “não acredito” aqui e ali, tentando montar a linha do tempo dos acontecimentos.

“...e aí eu acordei com o gato dormindo na minha cara!”, ele terminou, parecendo confuso e divertido ao mesmo tempo.

Não consegui evitar o riso. “Ai, filho”, falei, balançando a cabeça, “você é igualzinho ao seu pai.”

As palavras escaparam antes que eu percebesse o que tinha dito, e na hora quis me dar um tapa. Houve um silêncio constrangedor.

“É”, disse Lucas finalmente, sem emoção. “Olha, mãe, preciso correr. A gente se fala depois?”

“Claro, querido. Te amo.”

“Também te amo, mãe.”

A linha ficou muda e eu encarei o celular, me xingando mentalmente. Parabéns, Celia. Trazer à tona o pai ausente. Isso com certeza vai alegrar a manhã do seu filho.

Tomei meu café, desejando que tivesse um pouco de licor, e fui para o closet. A pergunta eterna pairava sobre mim: que porra uma mulher de quase 55 anos veste para ficar gostosa, mas não desesperada?

Vasculhei os cabides, descartando opções sem parar. A blusa vermelha? Muito “esforçada demais”. Aquele vestido boho soltinho? Ia parecer que eu estava indo para Woodstock. Depois do que pareceram horas, escolhi uma calça legging preta (ela deixa minha bunda fantástica) e uma blusa verde-esmeralda justa que destaca meus olhos.

Prendi o cabelo num coque bagunçado (porque, vamos ser sinceras, não estou a fim de brigar com a chapinha hoje) e voltei ao banheiro para os toques finais.

Passei um hidratante com cor, um pouco de blush para dar vida ao rosto e peguei meu batom favorito. É um vermelho forte que a ex-namorada do meu filho uma vez chamou de “um pouco exagerado para o dia, não acha?”. Passei com ainda mais vontade.

Dane-se. Se eu quero usar batom vermelho às 9 da manhã de uma quinta-feira qualquer, é um direito meu.

Dei um passo atrás, me observando no espelho. Nada mal, se é que posso dizer. Pisquei para mim mesma, sentindo-me estranhamente poderosa.

“Você ainda manda ver, Celia”, murmurei para o reflexo. Depois, soltei uma risada. “E agora você está falando sozinha. Ótimo.”

Peguei minha bolsa e as chaves, fazendo uma autoafirmação mental enquanto saía. Ioga com as meninas, depois café. Simples. Normal. Só um dia comum na vida de Celia Baynes, divorciada e, de alguma forma, mãe de um adulto funcional.

Ao sair de ré da garagem, avistei a casa da minha vizinha, Marta. A lembrança da nossa briga, anos atrás, ainda estava fresca na memória. Palavras estúpidas e cruéis foram trocadas por causa de limites de terreno e ferramentas de jardim emprestadas, de todas as coisas. Parecia algo tão mesquinho agora, mas nenhuma de nós tinha dado o primeiro passo para uma reconciliação.

Afastei o pensamento, não querendo estragar meu dia. Agora, eu tinha uma aula de ioga para fingir que não sou velha demais, e amigas para colocar o papo em dia. E quem sabe? Talvez hoje seja o dia em que algo emocionante finalmente acontece.

Estacionei no estacionamento da “Namaste Your Ass Off”, o estúdio de ioga mais badalado de Boulder. O nome me faz revirar os olhos toda maldita vez, mas o Vinyasa flow deles acaba com a minha raça do melhor jeito possível.

Corina e Doris estavam esperando lá fora, parecendo um anúncio de “antes e depois” de um grupo de apoio para crise de meia-idade. Corina estava vestida com um conjunto amarelo neon e rosa que fazia minhas retinas gritarem. Enquanto isso, Doris estava toda de preto, como se estivesse fazendo um teste para o remake de “A Família Addams”.

“Meninas”, chamei enquanto me aproximava, “prontas para fingir que ainda somos flexíveis?”

Corina deu um sorriso, fazendo uma pose que a deixava parecida com um flamingo demente. “Fala por você, querida. Eu sou elástica como uma bala de goma.”

“É, e com o mesmo valor nutricional”, brincou Doris, ganhando um tapinha brincalhão da Corina.

Entramos, conversando sobre nossas maratonas recentes na Netflix e secando descaradamente o Brad, o instrutor de ioga bombado que é jovem o suficiente para ser nosso filho. Olha, posso estar quase nos 55, mas não estou morta.

“Juro”, sussurrou Corina enquanto desenrolávamos nossos tapetes, “um dia desses, vou precisar de um balde para babar em vez de um tapete de ioga.”

Eu ri, tentando abafar o som enquanto Brad começava a aula com aquele papo furado de “Namastê, almas lindas”.

Na hora seguinte, nos contorcemos em posições que a natureza nunca planejou, enquanto Brad cuspia uma porcaria pseudo-espiritual que parecia ter sido tirada do Google cinco minutos antes da aula.

Eu estava na posição do cachorro olhando para baixo, com a bunda para cima, pensando se era assim que eu ia morrer, quando ouvi. Um som como o de um elefante minúsculo soltando um peido, seguido por um “Puta merda!” cheio de vergonha.

Olhei para o lado e vi Corina, com o rosto vermelho e olhos arregalados, paralisada na posição. A coitada soltou um peido alto o suficiente para acordar os mortos.

Por um momento, silêncio. Então, Doris soltou um risinho e de repente nós explodimos. Gargalhadas borbulharam no meu peito e, logo, estávamos rindo como um bando de hienas.

Brad tentou manter sua fachada zen, mas juro que vi o olho dele tremer. “Senhoras”, disse ele, num tom normalmente reservado para crianças pequenas se comportando mal, “talvez pudéssemos canalizar essa energia para a nossa prática?”

Isso só fez a gente rir mais. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, e meus abdominais doíam mais de tanto rir do que do exercício.

“Desculpa”, disse Corina entre risadinhas, “acho que estou eliminando muita tensão hoje.”

Foi a gota d’água. Desmanchamos em outro ataque de riso, e Brad finalmente desistiu, pedindo uma pausa para beber água com um suspiro.

De alguma forma, terminamos o resto da aula sem mais nenhuma sinfonia gastrointestinal. Enquanto enrolávamos os tapetes, Brad se aproximou com a expressão cansada de quem está seriamente repensando suas escolhas de vida.

“Senhoras”, disse ele, “embora eu aprecie o entusiasmo de vocês... talvez uma prática mais meditativa fosse benéfica?”

Mordi o lábio, tentando não rir de novo. “Vamos levar isso em consideração, Brad. Namastê.” Dei a ele meu melhor sorriso de inocente, que ele retribuiu com toda a frieza de um urso-polar.

Assim que ficamos fora do alcance dos ouvidos dele, Doris se virou para Corina. “Bem, querida, acho que você foi oficialmente banida da primeira fila.”

Corina gemeu, escondendo o rosto nas mãos. “Nunca mais vou comer curry antes da ioga.”

Seguimos para nosso ritual pós-ioga: lattes superfaturados no Caffeine Dream, uma cafeteria que parece que o Pinterest vomitou lá dentro. Potes de vidro, tijolos aparentes e mais lâmpadas de filamento do que o próprio Thomas Edison poderia ter sonhado.

Pedi o meu de sempre, um latte de baunilha com uma dose extra, porque eu realmente precisava naquela manhã. Conseguimos uma mesa perto da janela, observando a parada de estereótipos de Boulder passando: caras da tecnologia com coletes da Patagonia, mães de jogadores de futebol em SUVs e dreadlocks o suficiente para deixar Bob Marley orgulhoso.

Doris se inclinou, com um olhar travesso.

“Então, meninas,” ela disse, baixando a voz, “tenho uma novidade que vai fazer a semana de vocês.”

Corina e eu trocamos olhares. As “novidades” da Doris geralmente são fofocas quentes ou algum plano maluco que termina com a gente questionando nossas escolhas de vida. Às vezes, os dois.

“Certo, desembucha,” eu disse, tomando um gole do meu latte. “Quem vai se divorciar desta vez?”

Doris revirou os olhos. “Por favor, me dê um pouco de crédito. Isso é muito mais suculento do que o terceiro casamento fracassado da Karen, do clube do livro.”

Ela tirou o celular e começou a digitar. “Deliciem-se com isso, minhas queridas.”

Ela me entregou o aparelho e eu apertei os olhos para a tela. É algum tipo de convite, cheio de fontes cursivas e imagens misteriosas. Li em voz alta:

“Uma noite que você nunca vai esquecer. Por uma noite, os participantes terão a oportunidade de tornar seus desejos mais profundos realidade ou seus piores pesadelos. Infelizmente, algumas pessoas vão experimentar ambos... Mas, no mínimo, garantimos que vocês vão se divertir!”

Eu soltei uma risada pelo nariz, passando o celular para a Corina. “Parece uma cantada ruim. O que é isso, algum tipo de casa mal-assombrada brega?”

O sorriso de Doris se alargou. “Oh, é muito mais que isso, querida. É uma festa de Halloween. Fantasias e máscaras obrigatórias. E pasmem, é organizada por aquele grupo Wicca da nova era. Sabe, o coven de bruxas local.”

Os olhos da Corina se arregalaram. “Espere, você quer dizer aqueles estranhos que dançam nus ao luar e sacrificam esquilos ou sei lá o quê?”

“Jesus, Corina, elas são wiccanas, não a Família Manson. Tenho certeza de que sacrifício de esquilo não está na agenda delas.”

“De qualquer forma,” continuou Doris, praticamente pulando na cadeira, “soa absolutamente emocionante, não é? Um pouco de mistério, um pouco de perigo...”

Ergui uma sobrancelha. “Perigo? Doris, querida, a coisa mais perigosa nessa festa provavelmente será o ponche. Duvido que essas bruxas de subúrbio estejam invocando demônios no tempo livre.”

Mas, conforme eu continuava lendo o convite, senti um frio no estômago. Fantasias, máscaras, desejos profundos... Faz muito tempo que não faço nada realmente selvagem. A última vez que me soltei, “Macarena” ainda estava no topo das paradas.

“Qual é, Celia,” insistiu Doris, claramente sentindo minha hesitação. “Quando foi a última vez que você transou?”

Engasguei com meu café de novo. “Doris! Jesus Cristo, você não pode simplesmente perguntar essas coisas para as pessoas!”

Ela deu de ombros. “Só estou dizendo, um pouco de mistério, uma máscara... quem sabe o que pode acontecer?”

Quero discutir, ser a voz da razão. Mas ela tem razão. Quando foi que me tornei tão... segura? Tão previsível?

Olho para minhas amigas – Corina e Doris, com os olhos brilhando com a ideia da festa. E, de repente, estou cansada. Cansada de ser responsável, de ser a mãe divorciada entediante cuja noite mais selvagem envolve duas taças de vinho e uma maratona de “Bridgerton”.

“Quer saber?” eu disse, surpreendendo a mim mesma. “Foda-se. Eu topo.”

Corina ofegou dramaticamente. “A Celia disse: ‘Preciso verificar minha agenda’? A Baynes acabou de concordar com algo espontâneo? Alerta em Boulder!”

“Cala a boca. Eu sei ser espontânea.”

“Claro que sabe, querida,” Doris provocou.

Enquanto terminávamos nossos cafés e fazíamos planos para comprar as fantasias, senti algo que não sentia há anos: empolgação.

Ao sairmos do Caffeine Dream, o debate sobre a festa entrou em ritmo acelerado.

“Então, o que pensam sobre as fantasias?” perguntou Corina animada. “Estou pensando em enfermeira sexy. Um clássico, né?”

“Corina, querida, você tem cinquenta anos. ‘Enfermeira sexy’ deixou de ser uma opção na época em que celulares de abrir saíram de moda.”

“Fale por você,” ela bufou. “Eu ainda estou com tudo.”

“Oh, você está com tudo sim,” entrou Doris. “Mas suspeito que seja a menopausa.”

Estamos tão ocupadas rindo que quase não a vejo.

Marta Cicone, minha vizinha e ex-amiga, está do outro lado da rua, saindo do mercado de produtos orgânicos. Provavelmente comprando couve e julgamento, seus dois grupos alimentares favoritos.

Nossos olhos se encontraram por um segundo e senti aquele aperto familiar no estômago.

Marta desviou o olhar rapidamente, apressando-se para seu híbrido ecologicamente correto que me dá nojo. Observei-a partir, com lembranças da nossa briga de anos atrás borbulhando em minha mente.

Tinha sido tão estúpido. Uma coisa pequena e, de repente, quinze anos de amizade viraram fumaça mais rápido que o Snoop Dogg em um show. Às vezes ainda sinto falta dela, especialmente quando a vejo regando aquelas rosas premiadas pelas quais ela é tão convencida.

“Celia!” A voz de Doris me trouxe de volta à realidade. “Você ainda está com a gente, ou a bunda do Brad naquelas calças de ioga finalmente te fez ter um derrame?”

Pisquei, afastando as lembranças. “Desculpe, só estava... pensando. Então, essa festa. Vamos mesmo?”

Doris sorriu, passando o braço pelo meu. “Ah, sim, e não vamos só ir. Vamos arrasar. Agora, vamos encontrar algumas fantasias que farão aquelas bruxas jovens desejarem ter o nosso tipo de magia.”

Uma hora depois, estamos mergulhadas em poliéster e sangue falso na “Abracadaver”, a principal (e única) loja de fantasias de Boulder que fica aberta o ano todo. O lugar cheira a naftalina com um toque de patchouli porque, bem, é Boulder.

Fuço em araras de enfermeiras oferecidas (Corina ainda está considerando, que Deus nos ajude), zumbis genéricos e super-heróis falsificados o suficiente para fazer os advogados da Marvel salivarem.

“Que tal isto?” Doris ergueu uma fantasia com a etiqueta ‘Vovó Sexy’. É basicamente uma camisola floral acompanhada de uma peruca cinza e sapatos ortopédicos.

“Coloque isso de volta antes que eu enfie em um lugar desagradável,” rosnei.

“Sensível,” ela deu um sorrisinho, mas devolveu à arara.

Estou prestes a desistir quando vejo. Escondido entre uma Harley Quinn pirata e algo que pode ser um abacate sexy (eu não quero saber), há um catsuit preto elegante. Ele vem com orelhas, um rabo e uma máscara que faria a própria Mulher-Gato ronronar de inveja.

É ridículo. É impraticável. Provavelmente vai exigir uma cinta modeladora de alta potência e um milagre para eu entrar nele.

Amei na hora.

“Meninas,” anunciei, erguendo meu prêmio, “acho que temos uma vencedora.”

Corina assobiou. “Droga, Celia. Você vai mesmo fundo, hein?”

“Ou vai ou racha,” dei de ombros, tentando ignorar a vozinha na minha cabeça gritando sobre dignidade e escolhas adequadas à idade. Essa voz soava suspeitosamente como a da minha ex-sogra, o que é um motivo a mais para ignorá-la.

Saímos da loja com nossas fantasias: Mulher-Gato para mim, uma bruxa felizmente não sexy para Doris e uma vampira para Corina, que decidiu que, se não pudesse ser uma enfermeira sexy, pelo menos seria eternamente jovem.

Me despeço das meninas, prometendo encontrar todas para um “aquecimento” antes da festa. Porque aparentemente, somos estudantes universitárias agora.

Lá dentro, penduro minha fantasia, passando a mão pelo material elegante. Finalmente estava me sentindo empolgada, como se, talvez, eu não seja velha demais para um pouco de diversão.

Servi uma taça generosa de vinho tinto (um bom Malbec, porque sou elegante assim) e me encolhi no sofá. Meu celular vibrou com uma mensagem do Lucas.

“Oi mãe, como foi seu dia? O meu foi uma loucura. Você nunca vai adivinhar o que aconteceu com aquele gato...”

Sorri, digitando uma resposta rápida. Pensei em contar sobre a festa, mas algo me segurou. É bobagem, mas eu queria que isso fosse só para mim. Um segredo.

Enquanto rolo fotos antigas no celular, encontro uma que faz meu coração parar. Somos eu e Micah no nosso dia de casamento, jovens e estupidamente apaixonados. Deus, como éramos lindos. Idiotas, mas lindos.

Tomo um gole grande de vinho, tentando engolir o amargor que sempre vem com pensamentos sobre meu ex. Dez anos depois, e o divórcio ainda doía.

Há fotos mais recentes também. Lucas se formando na faculdade, eu torcendo na arquibancada. Jantares em família, noites das garotas, aquela tentativa desastrosa de stand-up paddle em que a Doris foi parar na metade do caminho para o Kansas.

Minha vida, disposta em pixels. É uma vida boa, percebi. Talvez não emocionante, talvez não o que eu imaginava aos 25, mas boa.

Então por que me sinto tão... inquieta?

Terminei minha taça, colocando-a na mesa. “Um brinde a novos começos,” eu disse para a sala vazia, tentando ignorar os nervos borbulhando no meu estômago. O que diabos eu estou fazendo?

A fantasia de gato parecia zombar de mim de onde pendia na porta do meu armário. Parecia menos uma fantasia boba de Halloween e mais uma chance de me soltar, só por uma noite.

Pensei na Marta, em como as amizades podem desaparecer facilmente. No Lucas, crescendo tão rápido que minha cabeça girava. No Micah, e na vida que poderíamos ter tido.

E então penso naquela festa. Desejos mais profundos ou piores pesadelos, o convite dizia. Uma parte de mim se pergunta qual deles vou conseguir. Uma parte ainda maior de mim está apavorada por eles poderem ser a mesma coisa.

Mas enquanto me preparava para dormir, percebi que tinha medo de, um dia, acordar e reconhecer que me tornei nada mais do que uma piada pronta no clube de campo. “Ah, a Celia? Aquela divorciada, sabe? Uma pena, de verdade.”

Foda-se. Vou provar que estão errados.

***

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— Cat


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