Beyond Bromance ♡ (Boy x Boy)

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Resumo

Dois estranhos. Um voo. Um verão que muda tudo. Quando Theo embarca relutantemente em um avião para a Espanha, ele nunca espera criar um vínculo com o estranho ao seu lado — Ulrik. Um jogo compartilhado inicia uma conversa, risadas se seguem e, quando eles aterrissam, nenhum dos dois quer dizer adeus. Mas o destino ainda não terminou com eles. Ao se reencontrarem na mesma cidade, a conexão deles cresce para algo mais profundo — algo que nenhum dos dois previu. Eles terão a coragem de aceitar isso, ou o medo os manterá separados?

Gênero
Lgbtq
Autor
Hitsy
Status
Completo
Capítulos
39
Classificação
4.9 13 avaliações
Classificação Etária
16+

-One-

Theo

Theo ajoelhou-se diante da mala aberta e seus dedos roçaram as poucas roupas que ele havia arrumado. Ele não precisava olhar pela janela para saber que o sol brilhava; o verão tinha chegado com força total. Ele soltou o ar e encarou uma camiseta solitária por um bom tempo, antes de dobrá-la sem qualquer entusiasmo e colocá-la na mala.

Em um canto, havia uma pilha de cadernos de desenho e canetas coloridas. Theo os pegou, com os olhos indiferentes. Seus dois irmãos mais velhos estariam animados com essa viagem, enchendo as malas com pressa com roupas de banho e protetor solar.

Mas Theo, quase aos 18 anos e prestes a ser livre, sentia apenas o peso de ser o caçula da família — a criança que ainda tinha que participar desses passeios em família.

Ele provavelmente teria evitado isso se tivesse conseguido um emprego de verão, mas não teve sucesso.

Ele quase conseguia ouvir o som das ondas do Mediterrâneo ao fechar os olhos. Em breve, ele atingiria a maioridade, mas ali estava ele, preso a mais uma viagem de férias em família. Com os cadernos guardados na mala, ele se permitiu um momento para sonhar: páginas preenchidas com versos e linhas, capturando cada sentimento sutil que ele vivenciasse durante o feriado.

“Quatorze dias”, ele murmurou enquanto fechava a mala. “São apenas quatorze dias.”

Um suspiro fraco escapou dele ao pensar na vila onde ficariam hospedados — uma casa com piscina própria em Torrevieja. Ele tentou imaginar como seria deitar em uma espreguiçadeira, fingindo aproveitar cada momento daquilo.

“Também não é como se eu fosse morrer”, ele murmurou baixinho para si mesmo, tentando esconder sua falta de vontade. Não era típico de Theo aceitar os desejos dos outros, especialmente quando envolvia sol e vida na praia. No entanto, a expressão no rosto de sua mãe quando ela perguntou se ele queria ir com eles — esperançosa, mas tingida pelo medo de que a família se distanciasse — tocou algo dentro dele.

Talvez a vila oferecesse um tipo diferente de refúgio — um lugar isolado onde ele pudesse mergulhar em seus próprios projetos, sem os lembretes constantes da vida cotidiana.

O tempo passava devagar. Theo ficou parado com os braços cruzados, olhando pela janela. Lá embaixo, o tráfego fluía e as pessoas passavam apressadas, alheias ao rapaz na janela que carregava o peso de umas férias que ele não tinha escolhido.

Ele fechou as cortinas e olhou para o relógio. O voo só partiria mais tarde; havia tempo de sobra. Ele teria muitas oportunidades para ir soltando suas inibições aos poucos, nem que fosse milímetro a milímetro, enquanto aceitava a ideia de passar as férias de verão na Espanha.

“Theo!”, sua mãe chamou do corredor. Ele suspirou suavemente e levantou-se da cadeira, sabendo que não havia como evitar. Ele pegou a mala e a levou para fora do quarto, pelo longo corredor, em direção à porta de saída.

Ele soltou um suspiro pesado. Uma mistura de irritação e resignação espalhou-se pelo seu peito, junto com a sensação de estar preso dentro da própria família.

Mas, ao se aproximar da porta de saída e ver o rosto radiante da mãe, ele não pôde deixar de notar a alegria genuína que emanava dos olhos dela. Era um sorriso que despertou algo dentro dele — um calor que ele não podia ignorar. Talvez não fosse apenas um senso de obrigação que o obrigava a aceitar essas férias; talvez fosse também o desejo de ver sua mãe feliz.

“Estou tão feliz que você vai conosco”, ela disse, envolvendo-o em um abraço caloroso. “Vamos logo, antes que o papai fique estressado demais!”

Theo olhou para o pai, que já exibia grandes manchas de suor debaixo dos braços enquanto lutava para enfiar as malas no carro.

“Droga! Agora não consigo fechar o bagageiro também!”, ele exclamou, olhando com os olhos arregalados e frustrado para a mala de Theo. “Você não poderia ter escolhido uma mala maior?!”

Theo não conseguiu evitar um sorriso irônico com o comportamento cômico do pai, apesar da irritação que sentia. Ele sabia que o pai tinha a tendência de exagerar em situações estressantes, tornando difícil não achar graça na situação.

Theo respondeu: “Eu escolhi. Mas achei que seria mais divertido ver você tentando colocá-la no porta-malas.”

Seu pai resmungou, irritado, balançou a cabeça e continuou com as malas. Theo virou-se para a mãe, que estava atrás dele com um sorriso. “Vão ser umas férias interessantes”, ela disse baixinho, lançando um olhar brincalhão para o marido, que ainda lutava para encaixar a mala no porta-malas.

Theo não conseguiu resistir à tentação e caiu na risada com a mãe. Era raro vê-la tão despreocupada, como se um fardo invisível tivesse sido tirado de seus ombros naquele momento.


Ulrik

Ulrik recostou-se levemente no banco do carro, tentando encontrar uma posição confortável entre suas irmãs gêmeas cheias de energia. Não havia muito espaço no banco de trás da perua da família, que estava lotada.

Ele vestia uma regata casual que deixava à mostra as tatuagens em seus braços, e um par de óculos escuros repousava em sua cabeça, pronto para ser usado quando finalmente chegassem à costa espanhola.

As gêmeas pareciam reflexos uma da outra em vestidos de verão idênticos, em um tom azul-claro, adornados com laços combinando em seus cabelos longos e loiros. Elas pareciam dois anjos, se alguém ignorasse a faísca de inquietação em seus olhos e o movimento sincronizado quando ambas cruzavam os braços, indignadas.

“Você poderia ter lembrado da escova!”, Nora disparou, enquanto seu reflexo revirava os olhos com exasperação.

“Era sua vez de guardar os produtos de cabelo!”, Vilde retrucou com a mesma indignação.

“Quietem-se aí atrás!”, gritou o pai, olhando por cima do ombro.

“Meninas, meninas”, disse Ulrik com calma, virando de um lado para o outro para encontrar o olhar das irmãs. “Se esse é o maior problema que temos nesta viagem, então terei o prazer de me declarar o melhor mediador do mundo.”

As irmãs o encararam por um momento antes que ele continuasse: “Imaginem que, sem a escova, o cabelo de vocês ficará naturalmente ondulado e bonito, como o mar. Com certeza vai impressionar os espanhóis charmosos que estão lá embaixo.”

Nora e Vilde trocaram um olhar antes de caírem na risada, o que logo encheu todo o carro com suas vozes alegres. Até o pai não conseguiu esconder um sorriso ao olhar para os filhos pelo espelho retrovisor.

“Não consigo expressar o quanto sou grato por estar aqui com vocês”, disse Ulrik quando a risada diminuiu.

“Nós é que somos gratas por você ainda querer sair de férias com a gente, seus velhos”, respondeu a mãe carinhosamente, virando-se para dar-lhe um sorriso.

“Ah, não teria sido a mesma coisa sem as tradições da família”, ele disse, sentindo o coração mais leve do que há muito tempo, cheio de gratidão e um amor mais profundo pelos pequenos momentos que compartilhavam.

Ulrik ajeitou-se desconfortavelmente no banco de trás cada vez mais apertado, suas pernas longas disputando espaço com as das irmãs mais novas. Seus olhos já cansados olhavam pela janela do carro enquanto a paisagem urbana desaparecia no horizonte.

Ele entendia que, embora o carro estivesse cheio de vozes animadas e risadas, também poderia haver desafios durante as férias.

A dinâmica familiar sempre foi caracterizada por amor e alegria, mas também incluía pequenas discussões e rivalidades entre os irmãos.

No entanto, naquele momento, enquanto o sol entrava pela janela do carro e ele ouvia as vozes familiares ao seu redor, Ulrik não conseguia se imaginar em nenhum outro lugar. Ele reconheceu que, apesar de qualquer dificuldade que pudessem encontrar no caminho, estas férias seriam repletas de memórias para toda a vida.

“Já checamos os números dos assentos no avião?”, perguntou Ulrik, com os olhos brilhando de expectativa enquanto se inclinava entre os bancos. Seu cabelo estava bagunçado pelo vento da janela entreaberta.

Seu pai olhou para ele pelo retrovisor. “Acho que a mamãe está com eles”, respondeu.

Ulrik recostou-se no assento, ainda exibindo aquele sorriso leve e expectante. Ele nunca fora do tipo que se preocupava com detalhes; para ele, números de assento eram apenas números, e o mundo inteiro era apenas um grande assento na jornada para a próxima experiência.

A mãe tirou as passagens da bolsa, e os papéis firmes tremularam levemente no ar antes que ela os colocasse gentilmente no painel. “Aqui”, disse ela com um sorriso, “temos os assentos 14A a 14D.”

Seus olhos se arregalaram, como se ela não pudesse acreditar no número que a encarava na última passagem. “E este” — uma breve pausa encheu o carro enquanto a tensão pairava no ar — “é o 30 B.”

“30 B?” O pai de Ulrik balançou a cabeça, com as sobrancelhas franzidas em confusão, e seus olhos encontraram os da esposa pelo espelho.

“Como”, ele enfatizou, como se a palavra pudesse corrigir o erro por si só. “Deve ser”, ele começou novamente, uma expressão pensativa cruzando seu rosto enquanto manobrava o carro para o estacionamento do aeroporto, “porque pegamos os últimos assentos do avião.”

A mãe deles assentiu lentamente, claramente de acordo com as palavras do pai, como se cada movimento confirmasse a realidade da situação. Os quatro assentos que acomodariam os quatro juntos, junto com um assento solitário separado por um número desconhecido de fileiras e passageiros, deveriam ser apenas números em um pedaço de papel.

No entanto, naquele momento, eles representavam algo mais — pequenas ilhas de incerteza em uma jornada que eles aguardavam ansiosamente.

Nora se remexeu no banco de trás: “Quem vai ter que sentar sozinho, então?”, perguntou ela, seus olhos revelando tanto curiosidade quanto um toque de preocupação.

A mãe deles, com as passagens suavemente dobradas entre os dedos, examinou o texto e os números para identificar o nome que correspondia ao assento indesejado. O conjunto de bilhetes parecia uma loteria na qual ninguém queria tirar o palito curto.

Ela parou no último bilhete. “É a Vilde quem tem que sentar sozinha”, disse ela, com o tom suave e gentil, como se estivesse tentando amenizar o impacto de suas palavras.

“Não”, disse Vilde, ligeiramente frustrada.

Nora olhou para a irmã através de um véu de compaixão, lutando para suprimir a vontade de abraçá-la e trazê-la para a segurança entre as fileiras familiares de assentos. No entanto, a realidade do bilhete a impedia de fazê-lo, deixando-a apenas com um sorriso incerto para oferecer.

“Eu posso pegar esse assento”, disse Ulrik. “Para mim não importa onde eu sento; todos os assentos acabarão chegando no lugar certo de qualquer maneira.”

Enquanto o tom animado de Ulrik preenchia o ar, uma onda de risadas irrompeu.

Nora riu, enquanto Vilde soltou um suspiro de alívio, com gratidão brilhando nos cantos de seus olhos.

Naquele momento, o carro transformou-se de apenas um meio de transporte em um espaço de camaradagem e provocações brincalhonas, com Ulrik assumindo o papel do autoproclamado cavaleiro, pronto para descer de seu cavalo branco — ou, neste caso, da infame fileira do meio da família.

É isso mesmo! Ulrik era o cavaleiro que se sacrificava para ocupar o assento solitário no fundo do avião.