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Saio correndo da livraria e atravesso o campus o mais rápido que consigo. Ainda bem que fiz atletismo no ensino médio, pular uma lixeira é moleza.
A aula já começou quando irrompo pela porta. Todos os lugares estão ocupados, exceto alguns na primeira fileira. O que significa que tenho que passar por toda a sala para encontrar um assento.
Baixo a cabeça e desço os degraus depressa, tentando passar despercebida. Mas centenas de olhos me fuzilam em silêncio.
— Desculpa! — aceno para todos com uma risadinha envergonhada antes de me sentar. Mortificada nem começa a descrever.
— Bem… obrigado por se juntar a nós, senhorita…?
O professor comenta enquanto coloco a mochila no chão para pegar meu livro.
— Ann… o nome é Ann, professor. Desculpe pela interrupção — digo, erguendo os olhos.
Puta merda… tá bom, acho que não vou reclamar de ter um lugar na primeira fila pra esse espetáculo. Olá, Professor Papai.
— Tudo bem, mas tente chegar na hora daqui pra frente. Até o Tony conseguiu, e ele estava voltando do bar às 3h da manhã, não é, Tony? — o professor ri, acenando para outro aluno.
Todos riem enquanto Tony dá um sorrisinho. — É isso aí! Tava comemorando a vitória contra o Trinity! — ele berra.
Não consigo evitar revirar os olhos. Babacas como o Tony deixam a faculdade quase insuportável.
— Espera, como o senhor sabia, professor? — Tony pergunta.
O professor só sorri. — Não fui o único comemorando — ele ri.
Os alunos soltam um "oooh" impressionado, claramente surpresos que o professor tem vida fora do trabalho.
Ele continua a aula, e eu tento acompanhar as anotações, mas a bunda dele naquela calça jeans escura e justa está dificultando muito.
Minha mente não para de divagar enquanto o observo. Quem diria que tínhamos professores tão gostosos nessa faculdade? Os cachos ruivos e rebeldes caem sobre a testa dele.
E as pernas e os dedos dele são tão compridos. Tento não pensar em coisas safadas enquanto o admiro. Mas isso me faz imaginar se ele é grande em tudo. Aposto que tem olhos lindos por trás desses óculos, e nem me fale desse sotaque… *suspiro*.
— Certo! Acho que é só por hoje — ele anuncia. Todos se levantam rápido para guardar suas coisas.
— Até quinta — ele acrescenta.
Quando começo a subir os degraus para sair, escuto: — Ah, senhorita Ann!
Paro e me viro no primeiro degrau. *Será que é comigo?* Penso enquanto mordo o lábio, ansiosa.
Ao me virar devagar, dou de cara com o Professor Gostosão.
— Sim? — respondo, olhando por cima dos meus óculos de leitura. Ele faz uma pausa nervosa.
— É… hã… o seu programa de curso. Eu distribuí antes de você chegar — ele diz, entregando um folheto grampeado. Dou uma olhada rápida nas páginas.
— Obrigada — respondo, depois de uma pausa.
— Não tem horário de atendimento aqui — comento, erguendo os olhos para ele.
— Meu número de celular está aqui em cima. Acho mais fácil trocar mensagens com os alunos do que marcar horários de atendimento. Estou disponível a qualquer momento. Sei que os universitários têm muita coisa acontecendo e horários nada convencionais, então gosto de estar disponível sempre que possível — ele explica, com um sorriso educado.
— Ah… isso é inteligente — respondo, surpresa.
— Bom, se precisar de qualquer coisa ou tiver dúvidas, pode me mandar mensagem.
— Obrigada, professor… hã… — digo, procurando no programa. — Tom… quer dizer, Hawkins. Professor Hawkins — ele diz, com um sorrisinho nervoso.
— Bom, então tá, Professor Hawkins, eu sou a Ann. Prazer em conhecê-lo — aceno, tentando conter meu sorrisinho bobo.
— Você tem sobrenome, Ann? — ele pergunta, curioso.
— Tenho, o senhor tem a lista de chamada? — respondo, com um tom de flerte na voz.
De repente, a expressão dele muda, e um olhar pensativo toma conta do rosto enquanto enfia as mãos nos bolsos.
Uma sobrancelha se levanta, e ele baixa o queixo. Por que sinto que estou encrencada?
— Bem… ahem — ele pigarreia. — Vou ter que procurar, então — diz, soltando um suspiro irritado.
— Tenha um bom dia, Ann — ele responde antes de se virar e ir embora.
Trabalhar no turno da noite no bar esportivo "All Balls", pertinho do campus, não é o jeito ideal de passar a noite, mas paga as contas.
Tem um jogo de futebol passando na TV, entre duas faculdades rivais. Quem ganhar, enfrenta a nossa semana que vem nos playoffs. Por isso, a galera está mais agitada que o normal hoje.
— Olá… bem-vindos ao All Balls. Posso começar com a nossa promoção de chope? Hoje é um caneco de Cider Boys por R$1,00 — digo, olhando para o bloco de notas enquanto me aproximo da última mesa da noite. Como o cliente não responde na hora, solto um suspiro cansado e ergo os olhos.
— Hã… olá, na verdade eu queria um uísque com gelo, por favor… Ann, certo? — o cliente pergunta.
— Ah… oi! Professor Hawkins. Desculpa, a noite tá uma loucura — respondo, pega totalmente de surpresa.
— Imagino, o campus está uma bagunça hoje — ele comenta, tirando os óculos e começando a esfregar os olhos, como se o barulho estivesse incomodando.
Quando ele ergue os olhos de novo, solto um suspiro baixinho, impressionada com o azul estonteante deles.
— Pois é, tá uma loucura aqui — murmuro, depois de me perder nos pensamentos.
Ele coloca os óculos de volta, e eu pergunto: — Precisa de um minutinho para decidir?
Ele percebe que tem um cardápio na frente e ri, envergonhado.
— Sim, acho que preciso. Desculpe.
— Sem problemas, pode pensar com calma. Vou buscar sua bebida no bar.
Depois de pegar a bebida, quando estou voltando para a mesa do professor, outra mesa me para.
— Ann… Ann… lindinha da Annie! — Tony grita. Ele é o chato da aula do Professor Hawkins e está muito bêbado. A mão dele dispara e agarra meu braço enquanto passo.
— Oi, Tony, precisa de alguma coisa? — pergunto.
Mas antes que ele responda, me puxa para o colo dele, quase fazendo eu derramar a bebida que estou carregando.
— É, preciso de uma coisinha, gata — ele dá um sorrisinho safado e tenta enfiar a boca entre os meus peitos enquanto a mão sobe pela minha coxa.
— Para! Tenho trabalho pra fazer! — respondo, levantando rápido do colo dele.
— Espera… pra onde você vai, peitinhos? — ele grita alto.
Só dou uma bufada e viro as costas. Mas antes de sair do alcance dele, o Tiny me dá um tapa na bunda e solta uma gargalhada com os amigos.
Giro nos calcanhares, chego bem na cara dele e rosno: — Se tocar em mim de novo, seu merdinha, vai comer o próprio pau de sobremesa!
Enquanto saio pisando duro, os capangas dele gritam em coro: — Oooooh…
Volto para a mesa do professor toda atrapalhada, a cabeça a mil com a cara de pau do Tony.
— Respira — diz o Professor assim que coloco o drinque na mesa.
— Eu vi o que ele fez, esse cretino desgraçado! — ele fala, balançando a cabeça.
Não consigo evitar uma risada. Não esperava que um professor chamasse um aluno de
"cretino desgraçado".
— Você está bem? — ele pergunta em seguida.
— Tô, sim — suspiro.
— Quer que eu dê um "F" pra ele na prova de quinta? — ele diz, com um sorrisinho malicioso.
— Você faria isso? — dou uma risadinha.
— Ah, faria sim. Mas, pra ser sincero, ele provavelmente vai rodar mesmo. O Tony nunca passou numa prova, essa é a terceira vez que faz minha matéria — ele diz, rindo.
— Valeu pela risada — falo, corando.
— Já leu o primeiro capítulo do texto indicado? — ele pergunta, recostando no banco e apoiando os braços no encosto.
— Ainda não. Ia ler hoje à noite, quando chegar em casa depois do expediente — suspiro, pensando em como já estou exausta.
— Nossa, que aluninha aplicada — ele diz, com um sorrisinho que faz meu coração disparar.
— Eu tento — respondo, corando de novo.
— Com certeza você é, senhorita Ann Hendricks — ele toma um gole do uísque, os olhos fixos em mim por cima do copo.
— Ah, você descobriu meu sobrenome! — falo, impressionada por ele ter se dado ao trabalho.
Ele dá uma risadinha. — Descobri, sim. Não foi fácil, tenho quatro Anns na minha lista.
— Bom, professor, já pode fazer o pedido? — pergunto, educada.
— Vou querer a salada Cobb, por favor — ele fecha o cardápio e me entrega.
Solto uma risadinha sem querer e sinto que preciso explicar. — Essa deve ser a única salada que vendemos hoje.
— Ah, sim, hoje é noite de asas. Mas preciso cuidar da minha silhueta — ele brinca, me dando uma piscadinha. *Puta merda… será que meu professor acabou de piscar pra mim?*
Por fim, o jogo acaba e o restaurante começa a esvaziar. Fico perto do balcão dos garçons, bocejando enquanto luto pra manter os olhos abertos. O Professor termina de comer, então volto até a mesa dele pra perguntar se precisa de mais alguma coisa.
— Só a conta, por favor.
Quando entrego a conta, ele diz: — Espera, isso aqui é pra você — e me passa um guardanapo de papel todo rabiscado.
— O que é isso? — pergunto, começando a ler.
— Considere um resumo do primeiro capítulo. Não pude evitar notar você bocejando ali perto da cozinha — ele diz, com um sorriso educado.
— Isso não é trapaça?
— Eu não conto se você não contar — ele responde, com um sorrisinho.
— Além disso, dei uma olhada no seu histórico. É impressionante. Depois do que teve que aturar aqui hoje, você merece um descanso — ele diz, acenando com a cabeça na direção do Tony e dos amigos, que ainda estão na mesa.
Suspiro e reviro os olhos ao olhar pra trás. — É… ele é um amor de pessoa — digo, com ironia.
— Obrigada por isso, aliás… foi muito gentil da sua parte — falo, mostrando os rabiscos.
— Isso me faz o queridinho do professor? — pergunto, com um sorrisinho maroto.
Ele se inclina pra frente no banco, tira os óculos e baixa o olhar. Passa a mão na testa, como se estivesse pensando no que responder.
É quando percebo que ele está tentando não me encarar. *Merda, devo ter passado dos limites e deixei ele sem graça!*
Depois de um minuto, ele levanta a cabeça, a mão cai do rosto e ele se recosta devagar, me lançando um olhar debochado.
O lábio inferior está preso entre os dentes, e os olhos azuis, penetrantes, parecem me atravessar. *CARALHO, ELE É INTIMIDANTE PRA CARAMBA*
— Então, você quer ser minha mascote? — ele pergunta, com uma voz sensual. O jeito como diz faz meu coração pular uma batida.
Fico tão chocada e envergonhada que nem consigo responder. Normalmente, eu solto uma resposta afiada num piscar de olhos, mas esse homem me deixou completamente sem palavras.
Ele se levanta devagar e dá um passo pra ficar ombro a ombro comigo.
Coloca a conta e o dinheiro na minha mão, então se inclina perto do meu ouvido e sussurra, com uma voz carregada: — O cargo é seu, se quiser, mascote.
*Como é? Isso acabou de acontecer mesmo?* Fico de boca aberta, chocada, e ele me lança um sorrisinho antes de sair andando todo elegante.
Olho pra conta na minha mão e levo um tempo pra me recompor. É quando vejo que ele deixou uma nota de cem dólares pra uma conta de dezessete. *Nossa… ser queridinha do professor rende bem!*
— EI! Annie… tem algum plano pra hoje à noite? — o Tony pergunta, finalmente se levantando pra ir embora.
Deve ter entendido a indireta de que era hora de ir quando meu chefe acendeu todas as luzes.
— Tô estudando — respondo, enquanto limpo uma mesa.
— Estudando? Ah, qual é… vem com a gente comemorar a vitória! — ele diz, passando o braço pelos meus ombros.
Tento tirar o braço dele educadamente, mas ele está bêbado e insistente.
— Você sabe que quer! — ele canta, todo animado. Nesse momento, meu gerente aparece e vê a situação.
— Ei, garoto, hora de ir! Você não precisa ir pra casa, mas não pode ficar aqui! — diz pro Tony.
— A gente vai pro Club Toxic, se quiser aparecer! — o Tony fala e, em seguida, se inclina pra me dar um beijo babado na bochecha, como um cachorrinho.
Que nojo. Prefiro me masturbar com um cacto! Bom, não é bem assim, mas qualquer coisa é melhor que o Tony.