Prólogo
Peter Stonefire, Alfa da alcateia Stonefire, líder do clã e atual Alfa dos Alfas, terminava de organizar a papelada da alcateia em seu escritório. Ele esperava por sua companheira, a Luna Bethany Stonefire, e por seus filhos, Jackson e Jacob, para que pudessem ir ao piquenique anual da alcateia. O evento estava sendo realizado no grande campo comunitário, que fica entre a atual casa da alcateia e a antiga, nas terras do clã Starlight.
O clã Starlight era, originalmente, o clã principal da nossa alcateia muitas gerações atrás. Os Starlight foram os primeiros Alfas dos Alfas e dizem que seus lobos descendem dos lobos reais originais. Eles ainda seriam os Alfas dos Alfas hoje em dia, se não fosse pelo Coven das Sombras Obsidiana. A última Starlight foi a Luna Sarah Starlight; ela se entregou à Deusa há quase 150 anos, sem seu companheiro. A história conta que a Luna Sarah estava esperando seu companheiro a encontrar; a alcateia estava fazendo uma reunião para todos os solteiros de todas as alcateias do continente. A Luna Sarah sentiu seu companheiro chegar à reunião no momento em que seus olhares se cruzaram. Houve uma explosão enorme que sacudiu tudo ao redor.
A reunião estava sendo atacada pelo Coven das Sombras Obsidiana, que queria tomar o controle da alcateia. Muitas pessoas presentes perderam suas vidas naquele dia, assim como o companheiro da Luna Sarah; ele morreu nos braços dela. Dizem que ela se tornou feroz após a explosão e passou todos os seus anos finais caçando os membros do Coven e eliminando um por um. Antes de se entregar à Deusa, dizem que ela usou sua magia para garantir que a linhagem Starlight voltasse e fosse mais poderosa do que nunca.
O Alfa Peter levantou os olhos ao ouvir risadinhas altas e passos pesados enquanto os meninos corriam em direção ao seu escritório. Peter olhou para seus filhos, Jackson de 14 anos e Jacob de 9. Ah, como ele desejava que ele e Bethany pudessem ter tido mais filhos, mas seus garotos eram sua vida.
— Papai, estamos prontos. Podemos ir agora? — perguntou seu filho mais novo, Jacob.
— Sua mãe está pronta? — perguntei a eles.
— Sim, pai. Ela está pegando o cobertor na cozinha — respondeu Jackson.
— Ok então, vamos lá. Vamos a pé para que eu possa conferir se o rio voltou ao normal depois do mau tempo.
— Tudo bem, pai — ambos responderam. Saímos do escritório e encontramos Bethany na porta da frente.
— Pronta, meu amor?
— Sim, vamos embora.
Saímos da casa da alcateia e caminhamos em direção ao rio que atravessa nossas terras, entrando nas terras dos Starlight em direção à cachoeira.
— Espero que o nível da água tenha baixado — eu disse a Jackson enquanto caminhávamos juntos.
— Espero que sim, pai. Assim podemos verificar tudo e garantir que as margens estejam seguras — respondeu ele.
Olhando para meu filho mais velho, sorri. Ele será um grande Alfa. O fato de já se preocupar com a alcateia e sua segurança mostra que ele será um ótimo substituto para mim.
— Essa é uma ótima ideia, filho. Teremos que percorrer toda a extensão do rio para garantir que não haja problemas.
— Você quer dizer até as terras dos Starlight também?
— Sim, filho. Como Alfa, precisamos garantir a segurança total do rio, desde a nascente até a cachoeira.
— Eu nunca fui às terras dos Starlight, posso ir com você?
— Sim, se você quiser. Ajudaria se você conhecesse melhor o território. Vamos organizar isso e resolver, ok?
Chegamos ao rio e ele realmente havia baixado, mas apenas um pouco. Continuamos caminhando ao longo do rio em direção ao campo comunitário quando senti cheiro de sangue. Jackson e Bethany também sentiram.
— Beth, fique aqui com o Jake. Jackson, venha comigo.
Continuamos seguindo o cheiro de sangue, que ficava cada vez mais forte à medida que nos aproximávamos da grande árvore que as crianças usavam para atravessar o rio. Jackson desceu em direção à margem ao lado da árvore, e eu fui para o outro lado.
— Pai, rápido! Eu encontrei um filhote! — gritou Jackson.
Ao contornar a árvore, ele subia a margem segurando um filhote pequeno. O filhote estava coberto de sangue e lama da margem do rio, e mal respirava.
*Beth, precisamos de você. Jackson encontrou um filhote ferido.* — falei com minha esposa através do elo mental.
— Pai, o que faremos? Quem faria isso com um filhote? — perguntou Jackson.
— Não sei, filho. Mas sua mãe está vindo, e cuidaremos do filhote até encontrarmos a família.
— Oh, minha deusa! — gritou Beth quando chegou mais perto.
— Jackson, querido, vou pegar o filhote agora e garantir que ele fique bem — disse Beth.
— Não! — Jackson rosnou.
O rosnado de Jackson deve ter despertado a consciência da criança, que soltou um ganido.
— Está tudo bem, pequena. Você está segura agora. Pode abrir os olhos? — perguntou Jackson ao filhote.
O filhote abriu os olhos. Eu sabia exatamente quem era aquela criança e quem eram seus pais.
*Acredito que esta seja a filha mais nova de Paula e Keith Lightheart.*
*Sim, você tem razão, é a Freya, meu amor. Precisamos levá-la ao hospital da alcateia agora.*
— Jackson, precisamos levá-la ao hospital, querido — disse Beth.
— Eu a levo — respondeu ele, levantando-se com ela nos braços. Em seguida, saiu correndo.
Seguimos Jackson enquanto ele corria em direção ao hospital da alcateia. Quando chegamos, ele estava gritando ordens para os médicos e enfermeiros, mas rosnando para eles quando tentavam tirá-la de seus braços. Nunca presenciei nada parecido, exceto com companheiros, mas eles eram jovens demais para saber disso.
— Jackson, querido, você precisa deixar os médicos examiná-la. Para isso, você vai precisar soltá-la. Ok, bebê? Ninguém aqui vai machucá-la. Nós só queremos ajudá-la. Você nos deixa fazer isso? — Minha maravilhosa companheira fala suavemente com nosso filho.
Observando meu filho enquanto aquelas palavras eram assimiladas, suas expressões passaram por uma miríade de emoções: de raiva a fúria, a compreensão, e novamente à fúria. Então, dei um passo à frente.
— Jackson, o que esta loba significa para você e para Darius?
— Darius diz que ela é a pessoa mais importante do mundo para nós.
— Ok, filho. Então, vamos garantir que ela fique bem para que ela possa continuar sendo importante para você.
— Ok.
Jackson caminhou até a maca e colocou Freya com muita delicadeza, beijou sua testa e virou-se para o médico.
— Conserte-a, garanta que ela esteja bem. Verifique sinais de abuso. Não entrem em contato com a família dela ainda, você me entendeu? — Jackson rosnou para o médico.
— Sim, Alfa Jackson. Faremos tudo o que o senhor ordenou.
3 horas depois
Sentamo-nos como família, esperando o médico voltar com notícias. Já se passaram algumas horas. Jackson não consegue ficar parado por muito tempo; ele se levanta, anda de um lado para o outro e pragueja, depois senta-se apenas para se levantar alguns minutos depois e fazer exatamente a mesma coisa. Depois de mais meia hora, o médico saiu.
— Alfa, Luna, fizemos tudo o que podíamos pela criança. Ela engoliu muita água, então retiramos tudo de seu organismo. Ela apresentava vários cortes e hematomas; tem marcas de mãos em seus braços, pescoço, tronco e pernas. Parecem ser de uma criança, não de um adulto. Ela está desnutrida e com muito medo. Ela continua perguntando pelo menino com os olhos gentis, que presumo ser você, jovem Alfa Jackson.
— Obrigado, Parker. Por quanto tempo você recomenda que ela fique aqui? E podemos vê-la, por favor? — pergunta Bethany.
— Luna, ela deve ficar aqui por pelo menos uma semana a 10 dias para garantir que não haja infecções e para recuperar seus níveis de nutrição. Vocês pretendem avisar a família dela?
— Sim, falarei com eles em breve.
— Ela está na ala 3, podem ir agora.
Jackson praticamente correu em direção à ala quando chegamos. Freya estava acordada; seus olhos mostraram medo quando entramos no quarto.
— Olá, Freya. Você sabe quem eu sou? — perguntei a ela.
— Sim, senhor. O senhor é o Alfa — ela respondeu fracamente.
— Pode me dizer o que aconteceu com você, pequena?
O que aquela doce garotinha me contou ficaria gravado na minha mente e na minha alma pelo resto da minha vida.