Prólogo:
Ele está ao meu lado, atraindo atenção com uma presença naturalmente poderosa. O peso da minha barriga me puxa para frente, mas endireito a coluna, fingindo estar à vontade sob seu toque. Os fotógrafos rodeiam como abutres, com suas lentes ávidas por qualquer lampejo de emoção. Cada flash parece uma contagem regressiva, marcando os segundos até que eu possa escapar deste palco público e me retirar para o refúgio do nosso mundo particular.
A mão de Malcolm desliza para a base das minhas costas, com os dedos pressionando com a força certa para me lembrar do meu lugar. Dou um aceno pequeno e silencioso, ajustando minha postura enquanto sua mão livre descansa na curva do nosso filho, um gesto possessivo que torna meu sorriso quase genuíno. Duro e suave, exigência e recompensa — esse é Malcolm Delacroix em sua essência.
Sei o que esperam de mim: sorrisos perfeitos, conversa encantadora e a ilusão de uma graça sem esforço. Olho para cima e encontro seus olhos por um breve momento, antes de me voltar para a multidão. Ele é o epítome da confiança e do poder, um homem com o mundo a seus pés. E eu, sua parceira obediente, me aqueço em sua sombra enquanto planejo secretamente meus próprios momentos de rebeldia.
No começo, sussurravam que eu o tinha prendido com uma gravidez. Eles não estavam errados. Mas não se pode prender uma presa que já estava farejando por perto. Então, aqui estamos nós, sorrindo para as câmeras.
A noite se arrasta em um borrão de apresentações e risadas educadas. Meu corpo dói, cada músculo protesta contra o esforço. Ainda assim, mantenho a postura, um testemunho vivo do papel que nasci para interpretar. O tecido do meu vestido se ajusta à minha pele, acentuando o volume da minha barriga — um símbolo da nossa união e do futuro que estamos construindo juntos.
Finalmente, a multidão começa a diminuir, a sala se esvaziando de seus admiradores e curiosos. Malcolm se inclina, com seu hálito quente contra meu ouvido. — Você se saiu bem esta noite — ele murmura, com um toque de aprovação na voz. Aceno, reconhecendo seu elogio sem dizer uma palavra. Os flashes dos fotógrafos cessaram e a pressão diminui um pouco. Mas sei que isso é apenas uma trégua. A noite está longe de terminar, e o verdadeiro espetáculo ainda está por vir.
Ao longo dos anos, passei a conhecer este homem melhor do que ele mesmo se conhece. Ele não é cruel, mas é calculista. Não sou ingênua, mas sou complacente — geralmente.
Retornamos ao carro, o zumbido do motor como uma canção de ninar bem-vinda. A mão de Malcolm descansa em minha coxa, possessiva, porém terna. Seu toque me causa arrepios, um lembrete da dualidade do nosso relacionamento. Em público, ele é o magnata ambicioso, e eu, sua esposa complacente. No privado, a dinâmica muda, e as linhas entre controle e submissão se misturam.
De volta para casa, antecipo a noite que virá. As massagens vão ajudar, aliviando a tensão do meu corpo sobrecarregado, mas são apenas o começo. O olhar de Malcolm é intenso, seu desejo palpável. Sei o que ele quer, o que ele espera. E estou pronta para lhe dar. Porque, nesta dança complexa de poder e posse, o prazer dele é a minha satisfação.