A Noiva Substituta do Alpha - The Hallorans Saga - The Nemeton Universe

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Resumo

Casamentos devem ser mágicos. O meu? Mais parece um desastre prestes a acontecer. Em um minuto estou planejando o evento do ano, no outro estou substituindo a noiva desaparecida, me casando com um Alpha lobisomem — que por acaso é o irmão mais velho do meu namorado — sob uma lua cor de sangue. Quando a noiva de Ronan desapareceu, a alcatéia precisou de uma substituta rápida para evitar um escândalo. Sorte a minha, né? A namorada humana do irmão mais novo dele. O plano? Fingir os votos, manter a paz e voltar para a minha vida antiga. Fácil. Exceto que nada disso é fácil. Agora, tenho novos poderes estranhos despertando dentro de mim, visões das quais não consigo me livrar, e um Alpha que está agindo como se este casamento fosse mais do que apenas fachada. E acredite em mim... está prestes a ficar muito mais complicado.

Status
Completo
Capítulos
61
Classificação
4.9 52 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: O Casamento do Século

MAEVE

De todas as coisas que eu poderia ter imaginado dar errado hoje — vinho tinto derramando, flores mortas, talvez até o bolo desabando — isso não estava nos planos. Estou aqui, no meio de uma clareira na floresta, cercada por pinheiros imponentes e carvalhos antigos. A lua, vermelha como sangue e sinistra, paira acima de nós como se o universo estivesse participando dessa piada. O ar parece pesado, quase opressor, como se até as árvores estivessem sussurrando: Onde diabos está a Isabelle?

Quatro anos. Quatro anos malditos de planejamento. Cada arranjo de flores, cada mapa de assentos, cada detalhe minúsculo e entediante. E agora... a Isabelle não aparece?

Não no salão de festas. Isso teria sido normal, ou pelo menos aceitável. Não, esse casamento tinha que ser no meio desta floresta encantada — porque é claro que tinha que ser. É uma cerimônia mágica entre o Alpha lobisomem mais importante da Costa Oeste e a filha do Coven de Moon Lake City. Nada menos que um espetáculo sobrenatural seria o suficiente.

Não, sério. Onde. Ela. Está?

Olho em volta, torcendo para que alguém, qualquer um, note o suor escorrendo na minha testa. A multidão está ficando inquieta, murmúrios se espalhando como fogo. A banda ficou sem jazz suave para tocar e, juro, se eles tocarem "Here Comes the Bride" mais uma vez, eu vou...

"Maeve?" A voz da minha irmã Siobhan corta a névoa do meu quase colapso nervoso. Ela olha para mim com a mesma intensidade que sempre usa quando estou prestes a tomar uma decisão ruim. O olhar que diz: "talvez não seja uma boa ideia pular na frente do trem metafórico". Tarde demais para isso.

"A Isabelle ainda não chegou." As palavras parecem mais pesadas saindo da minha boca do que deveriam. Provavelmente porque estão carregadas com o subtexto: Que porra é essa?

Siobhan respira fundo. "Eu sei. Esse é o problema."

É, sem merda, Sherlock. Olho para o enorme lustre pendurado acima, como se ele fosse me dar uma intervenção divina. Nada. Apenas estrelas brilhantes e uma vontade crescente de gritar para o vazio.

Ah, claro. Acho que não é justo colocar toda a culpa na Isabelle. Ela era legal o suficiente — doce, até, daquele jeito excessivamente educado que faz você se perguntar se alguém está secretamente te amaldiçoando pelas costas. Mas não foi ela que transformou esses quatro anos em um pesadelo sem fim de insanidade matrimonial. Não, essa honra vai para as irmãs dela do Coven. As verdadeiras mentes por trás da loucura.

Elas foram as que insistiram para que cada pequeno detalhe fosse perfeito. Especialmente o fato de que toda essa cerimônia tinha que acontecer sob uma Super Lua de Sangue. Claro, porque o que grita "felizes para sempre" melhor do que trocar alianças sob um céu sinistro e vermelho-sangue que parece estar anunciando o apocalipse?

Entre as instruções enigmáticas e os avisos sinistros — "Você sabe, Maeve, se isso não acontecer exatamente como previmos, as consequências podem ser terríveis" — estou genuinamente surpresa por ainda estar de pé e com cabelo na cabeça.

E agora... agora, a Isabelle não aparece para o seu próprio casamento?

Bem, essa é uma maneira de fazer uma saída dramática. Obrigada, Isabelle.

A floresta parece viva com a tensão. Os convidados — lobos, bruxas e um bando de outras criaturas sobrenaturais, todas poderosas à sua maneira — começam a murmurar, trocando olhares inquietos. Posso sentir os olhos deles em mim, como se, de alguma forma, todo esse fiasco fosse culpa minha.

Ronan está perto do altar, sua silhueta marcada contra as tochas oscilantes. Ele parece um Alpha de verdade: estoico, composto, como se tivesse sido esculpido em pedra. Mas eu o conheço bem o suficiente para ver os sinais: a forma como seus dedos tremem levemente ao lado do corpo, o músculo do seu maxilar barbudo contraído com força suficiente para rachar granito. Ele está puto. Não o culpo.

Não que ele fosse demonstrar. Isso não seria uma atitude de Alpha.

E enquanto estou aqui, cercada por magia, lobos e um casamento prestes a desmoronar, não consigo deixar de pensar: se aquelas irmãs do Coven me lançarem mais um olhar santimonioso, eu posso acabar perdendo a cabeça.

Estou lá, tentando entender a confusão que se desenrola, quando sinto uma mão, leve mas firme, no meu ombro. Viro-me para ver Jean Westwood, a mãe de Ronan, parada ao meu lado. Seu rosto, geralmente calmo e composto, traz uma determinação de aço que faz meu estômago embrulhar. Atrás dela, Liam — meu namorado — está ali, desajeitado, com os olhos baixos, parecendo tentar se fundir às sombras da floresta.

Ótimo. Era só o que me faltava. Mais um nível de estranheza.

"Maeve," a voz de Jean é baixa, mas carrega o peso da autoridade. "Precisamos conversar."

Pisco para ela, tentando processar o que está acontecendo. "Jean, eu não sei onde a Isabelle está. Eu sou apenas a cerimonialista." Minha voz soa mais defensiva do que eu pretendia, mas, honestamente, estou a dois segundos de gritar.

Ela se aproxima, baixando a voz. "Maeve, isso não é apenas um casamento. Você sabe disso."

"Claro que sei." Olho para Ronan, ainda parado perto do altar, uma tempestade se formando sob sua máscara estoica. "Mas o que você quer que eu faça? Não posso fazer a Isabelle aparecer do nada."

O aperto de Jean no meu ombro aumenta e sinto a tensão vibrar através de seus dedos. Ela se inclina, com o olhar penetrante. "Se esse casamento não acontecer hoje à noite, sob a Lua de Sangue, não será apenas um constrangimento pessoal para nossa família. Significará guerra, Maeve. Guerra para toda a Costa Oeste."

Suas palavras me atingem como um soco no estômago. Guerra? Pisco, tentando processar o que ela está dizendo. Guerra? Este casamento deveria solidificar alianças, manter o equilíbrio delicado entre as alcateias, o Coven e todos os outros grupos sobrenaturais que eu nem sabia nomear. Se não acontecesse... Balanço a cabeça, ainda tentando entender. "Mas Jean, eu..."

"Não há tempo," ela me interrompe, sua voz mais firme agora. "Os convidados estão ficando inquietos. Perguntas estão sendo feitas. O próprio Coven disse que ninguém mais pode ocupar o lugar da Isabelle. Se isso não acontecer, eles verão como uma traição. A facção dissidente de Declan atacará antes do amanhecer. E Maeve... você é a única que não tem conexões políticas. Você não está ligada a nenhuma facção, o que mantém os tratados intactos. Siobhan não pode intervir — ela é casada, e isso complicaria as coisas ainda mais. E, de qualquer forma, é apenas temporário."

Engulo em seco, com a mente a mil. Declan Moriarty, o Alpha dissidente que tem esperado por uma brecha na liderança de Ronan, uma chance de atacar. Se esse casamento fracassar, vai ser liberado geral.

Incrível. Adoro ser a escolha padrão em situações de vida ou morte.

Ouço Siobhan atrás de mim antes de vê-la. "Jean, você não pode estar pedindo seriamente para ela..."

"Não vejo outra opção," responde Jean friamente, sem nem se dar ao trabalho de virar. "Isabelle não está aqui. A lua está cheia. O Coven está observando. As alcateias estão observando. Precisamos agir agora."

"Desculpe, o quê?" Siobhan dá um passo à frente, com os olhos em chamas. "Maeve não é um peão que você pode trocar na última hora. Ela não é..."

Jean a interrompe com um olhar afiado. "Você acha que eu quero isso, Siobhan? Você acha que é fácil para mim pedir que ela assuma esse fardo? Mas se este casamento não acontecer, não é mais sobre Isabelle e Ronan. É sobre todos. Toda e qualquer comunidade sobrenatural na Costa Oeste."

A boca de Siobhan se fecha, mas ela ainda está fervendo. Sinto sua raiva borbulhando atrás de mim, uma barreira protetora entre mim e a onda gigante que está prestes a me arrastar.

Olho para Liam, meu estúpido namorado, esperando — rezando — que ele diga algo, faça algo. Mas ele apenas fica lá, olhando para os próprios pés como uma criança repreendida. Quero gritar com ele, sacudi-lo, fazer algo além de apenas ficar parado e deixar sua mãe assumir o controle da minha vida. Mas ele não faz nada.

Maravilhoso. Acho que vou ter que carregar este casamento e a espinha dorsal do Liam hoje à noite.

A voz de Jean suaviza novamente, sua mão estendendo-se e tocando meu braço como se tentasse apelar para o meu lado humano. Afinal, eu não passo de uma humana. E, para completar, sou aquela que passou anos tentando fazer todo mundo feliz, mesmo quando não sabia como. "Maeve," ela diz, com a voz mais gentil agora. "Você pode impedir isso. Você pode manter a paz."

Sinto o peso de suas palavras me pressionando. Minha cabeça está girando, meu coração batendo forte no peito. Quero protestar, gritar que isso não é justo, que não sou um cordeiro sacrificial que eles podem jogar no fogo só porque a Isabelle decidiu desaparecer.

Mas o olhar nos olhos de Jean... não é apenas desespero. É algo mais profundo. Algo que reconheço — medo. E não do tipo banal. Do tipo real. Do tipo que significa vida ou morte.

"Maeve..." A voz de Jean falha um pouco, a pressão do momento quebrando sua fachada geralmente calma. "Se isso fracassar, Ronan perde tudo. Todos nós perdemos tudo."

Meu cérebro está em sobrecarga, tentando encontrar sentido no impossível. O peso de tudo me atinge como uma tonelada de tijolos. As alcateias, o Coven e quem quer que esteja lá fora — incluindo Declan. Se eu disser não, se este casamento não acontecer, toda a região pode entrar em colapso.

"Eu..." As palavras ficam presas na minha garganta. Olho para Siobhan, mas ela apenas balança a cabeça, mordendo o lábio. Até ela não tem uma solução para isso.

E Liam... Ele não disse uma única palavra. Nem uma. Ele apenas fica ali, em silêncio, enquanto sou arrastada para este turbilhão.

Antes que eu perceba, Jean está me guiando suavemente para os fundos da clareira, onde a tenda da noiva está montada, meu corpo agindo no piloto automático. Mal registro a onda de atividades enquanto as atendentes se apressam para preparar o vestido de noiva da Isabelle. O vestido branco impecável, feito de renda e seda, pende em um manequim como um fantasma esperando para ganhar vida.

E agora, aparentemente, eu sou esse fantasma.

O vestido é uma visão de beleza. Uma pena que a Isabelle seja significativamente menor que eu. Mas não importa agora, não é? Vai ser vestido, quer eu caiba nele ou não.

O mundo ao meu redor fica turvo enquanto elas passam o vestido pela minha cabeça, o corpete me apertando como uma morsa, minha mente ainda girando com o absurdo total da situação.

O reflexo no espelho me encara — atordoada, confusa, perdida. Pareço uma estranha.

Mas eu não sou mais a Maeve, sou?

Eu sou a noiva substituta.