Prólogo
Alison
Tudo o que eu conhecia era a vida de um clube de MC. Meu pai era o fundador dos Armored Beasts, o presidente do clube, e sua esposa, minha mãe, era a rainha. Todos a admiravam, buscavam nela amor, uma figura materna nesse mundo em que vivíamos. Mas isso acabou antes de eu completar 9 anos. Minha mãe foi morta a tiros por um clube rival, como forma de vingança. Eu era só uma garotinha perdida enquanto meu pai se afundava na busca por quem havia feito aquilo com o amor da vida dele. Meu irmão, nove anos mais velho que eu, decidiu se tornar prospect do clube.
Quando Phoenix se mudou para a casa ao lado da minha, viramos melhores amigas, irmãs. Voltei a ser a garotinha feliz, com amigas para brincar e passar o tempo enquanto meu pai e meu irmão estavam ocupados. Mas, claro, isso também mudou. A mãe de Phoenix levou ela e a irmã mais nova, Anastasia, e nunca mais voltou. Foi aí que me tornei a garota perdida de novo.
Quando meu irmão Tristan foi aceito no clube, fiquei tão feliz por ele. Depois de tudo que passamos com a morte da nossa mãe, eu estava muito orgulhosa. Quando completei 17 anos, tive uma paixonite por um dos caras do clube.
Eu sabia que não ia dar em nada, mas, com 17 anos, não entendia isso direito. O nome dele era Hugo McCoy, mas no clube todos o chamavam de “Gunner”. Ele era um pouco mais velho, tinha 23 anos. Mas, como eu era a princesa do clube, era proibida. E isso era uma merda, porque toda vez que ele sorria para mim, meu coração disparava.
Quanto mais eu ficava perto dele, mais a gente se aproximava. Até que, uma noite, o clube fez uma festa. Eu estava no corredor bebendo quando Gunner apareceu. Ele tinha um sorrisinho no rosto e balançou a cabeça quando implorei para que não contasse nada ao meu pai. Mas, quando outras pessoas começaram a aparecer no corredor, ele me puxou para o quarto dele.
Nas horas seguintes, ficamos no quarto dele bebendo a noite toda. Mas uma coisa levou à outra, e acabamos nus, transando. Nos meses seguintes, a gente continuou se encontrando na mesma cama, mas mantivemos tudo em segredo. Sabíamos que meu pai e meu irmão iam surtar e provavelmente matá-lo. Comecei a sentir borboletas no estômago toda vez que ele me tocava. Era como se alguém finalmente se importasse comigo.
Eu tinha me apaixonado por ele.
Na noite do aniversário de Gunner, eu também me formava no colégio. Meu pai fez uma festa para nós dois. Conforme a noite avançava, mal vi Gunner, porque minhas amigas queriam dançar. Quando finalmente consegui um tempinho sozinha, fui procurá-lo. Quando abri a porta do quarto dele, vi algo que partiu meu coração. Gunner estava metido até o fundo em uma sweetbutt. Mordi o lábio para não chorar, fechei a porta e os deixei lá. Voltei devagar para a área principal do clube, peguei uma garrafa de Jack e saí para fora.
Depois daquela noite, me afastei do clube. Mas, um mês depois, meu pai foi morto a tiros na cama. Fui eu quem o encontrou...
Depois de tudo que aconteceu, arrumei algumas malas com roupas e algumas coisas que eram especiais para mim e fui até o clube contar ao meu irmão o que ia fazer. Toda vez que olhava para o clube, via meu pai. Mas, quando tentava enxergar além disso, via aquela noite em que Gunner estava com a sweetbutt. Então, eu fui embora. Deixei a cidade onde cresci, deixei meu irmão para trás.
Como pude ser tão idiota a ponto de achar que alguém ia querer ficar comigo?
Agora eu era só uma garota que perdeu os pais e teve o coração partido por um cara...
Com o passar dos anos longe, achei que conseguiria me virar sozinha. Quando fiz 18, arrumei um emprego no bar da cidade e, ao mesmo tempo, fui para a faculdade para me tornar cabeleireira. Quando terminei, consegui um trabalho no salão ali perto. Mal falava com meu irmão nesses anos todos, porque não sabia o que dizer. Me sentia mal por tê-lo abandonado, mas ele tinha o clube, os irmãos. E eu? Não tinha ninguém.
Até conhecer Owen. Eu o conheci no bar onde trabalhava. Ele era charmoso, doce, engraçado, tudo aquilo. Me chamou para sair algumas vezes, mas eu sempre dizia não. Até que um dia resolvi falar “foda-se, por que não?”. Grande erro.
Saímos algumas vezes, mas não senti nada parecido com o que sentia por Gunner. Então, terminei tudo e voltei à minha vida de solteira. Começou com ligações e mensagens dizendo que sentia minha falta, mas, depois de meses disso, precisei trocar de número. Aí Owen começou a deixar coisas na porta do meu apartamento: flores, joias, e depois no meu trabalho.
Chegou a um ponto em que precisei pedir uma ordem de restrição contra ele, mas a polícia não podia fazer nada, porque ele não tinha me ameaçado diretamente...
Depois de mais um mês dessa merda, ele começou a me ameaçar. Chegou a um ponto em que eu tinha medo de sair de casa. Não contei ao Tristan. Sabia que ele tinha muita coisa rolando no clube.
Mas então tudo parou.
As mensagens pararam. As ligações pararam. Os presentes.
Tudo o que ele fazia parou.
Isso significava que eu podia voltar a trabalhar sem viver com medo.
Claro que isso mudou quando, uma noite, eu estava trabalhando, tirei um intervalo e fui para os fundos. Owen apareceu por trás de mim, começou a me agredir, me apalpando, me socando e chutando até eu quase apagar. Foi quando alguém o impediu.
O clube de motociclistas Miracle Killers me ajudou naquela noite.
Acontece que eu já conhecia a presidente deles, Banshee, porque era minha cabeleireira. Era incrível como o mundo era pequeno, a gente podia esbarrar em qualquer um. Fiquei muito próxima dela e do clube, até que resolvi voltar para casa com minha melhor amiga, Phoenix.
Descobri que ela e meu irmão estavam tendo um lance e brigaram. Ela queria dar um tempo e, depois de me contar que tinha um estúdio de tatuagem montado na nossa cidade e que todos sentiam minha falta, me convenceu a finalmente voltar para casa. Eu estava com medo, porque não punha os pés naquela cidade desde os meus 17, 18 anos.
Agora, depois de meses de volta, minha melhor amiga levou um tiro e, agora, Gunner. Era como se tudo estivesse acontecendo de novo.