Second Shot - Lake Haven Series Livro 1

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Resumo

Lake Haven Series: Livro 1 - Second Shot: O ex-astro da NHL Wyatt "Cowboy" Reynolds nunca planejou voltar para Lake Haven. Mas uma lesão que encerrou sua carreira tem um jeito de mudar os planos. Agora, ele trocou as luzes dos estádios pela vida em uma cidade pequena, apenas para se ver envolvido em duas missões impossíveis: salvar o struggling programa de hóquei juvenil e enfrentar Charlie Brooks — a mulher que ele deixou para trás há quinze anos. Charlie construiu uma vida boa sem Wyatt: dando aulas de inglês, criando seu filho adolescente e definitivamente não pensando em segundas chances. Mas quando Wyatt aparece para treinar o time do seu filho, velhas faíscas reacendem. Enquanto lutam para salvar a pista de gelo local, eles descobrirão que alguns gols valem a pena, mesmo que isso signifique arriscar o coração pela assistência perfeita.

Gênero
Romance/Drama
Autor
Redbud
Status
Completo
Capítulos
41
Classificação
4.7 13 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

A arena pulsava com energia, milhares de vozes se fundindo em um único rugido que vibrava através das arquibancadas. Wyatt “Cowboy” Reynolds agachou-se no círculo de disputa de puck, com a familiar descarga de adrenalina se enrolando firme em seu peito. O gelo sob ele parecia firme, sólido — era sua casa.

Ele olhou para o placar. Terceiro período. Jogo empatado. Menos de cinco minutos no relógio.

Apenas mais um jogo, ele disse a si mesmo. Apenas mais uma entrada.

Mas seu corpo sabia a verdade. A queimação nas pernas não tinha diminuído entre as entradas como costumava acontecer. Seus ombros doíam, seus pulmões estavam sobrecarregados. Ele ajustou a pegada no taco, sacudindo a tensão das mãos, forçando-se a continuar.

O central do time adversário travou os olhos nos dele. Mais jovem. Mais rápido. Com pernas frescas. Wyatt deu um sorriso de lado, com o velho espírito de arrogância surgindo, embora um lampejo de dúvida corroesse as bordas de sua confiança. Será que ele ainda tinha o que era preciso? As manobras, o fôlego, o instinto? Ele afastou o pensamento. Não havia espaço para hesitação agora. Talvez algo estivesse errado esta noite, talvez não — mas isso não importava. O garoto estava prestes a receber uma aula de hóquei, cortesia de Cowboy Reynolds.

O puck caiu. Wyatt assumiu o controle, passando pelos defensores com a habilidade que o tornou uma lenda. Seus patins cortaram o gelo com precisão, abrindo caminho em direção ao gol enquanto o rugido da multidão ecoava em seus ouvidos. Ele ainda podia sentir o jogo em seus ossos, cada movimento era um instinto aperfeiçoado por anos de repetição.

O "enforcer" adversário, um jogador mais jovem e forte, olhava para ele como se fosse uma presa, seu porte físico imponente parecia uma parede de músculos esperando para atacar. Wyatt viu o desafio na postura dele, a determinação em seus olhos. O garoto queria provar seu valor, derrubar o veterano, colocar seu nome nos melhores momentos da partida às custas de Wyatt.

Wyatt fingiu ir para a esquerda, cortou para a direita, com o puck colado ao seu taco. Ele quase o tinha vencido, quase conseguiu escapar quando —

BAM! Um golpe brutal e limpo.

O impacto ecoou pelo seu corpo como uma onda de choque, seu mundo girou em um instante. Uma dor aguda e lancinante explodiu em sua perna. Ele ouviu — não, sentiu — algo estalar, um estouro doentio que enviou um calafrio de pavor direto ao seu âmago. Sua visão ficou turva por um segundo, mas não havia tempo para processar aquilo. Ele caiu no gelo com força, seu corpo se dobrando como uma boneca de pano.

Por um momento, todo o som desapareceu. Sem multidão rugindo, sem apitos, sem o barulho dos tacos no gelo. Apenas a respiração ofegante e irregular e o fogo implacável em sua perna.

Silêncio. A multidão prendia a respiração.

Ele cerrou os dentes, forçando o corpo a se mover. Vamos, levante-se. Apenas aguente firme. Mas nada aconteceu. Seus músculos se recusaram, seu corpo o traindo de um jeito que nunca tinha acontecido antes. Não. Agora não. Não assim. Ele tentou se levantar novamente, com as mãos pressionando o gelo, mas sua perna não obedecia. A dor explodiu, quente e afiada, diferente de tudo que já sentira. Uma onda nauseante de constatação o atingiu. Isso não. Não assim.

Os treinadores correram para o gelo, suas vozes distantes, mal conseguindo atravessar o zumbido surdo em seus ouvidos. Uma sombra se moveu ao lado dele, e então uma voz familiar, tensa de preocupação. “Cowboy, você está bem? Fale comigo.” Era Matthews, seu companheiro de equipe de longa data, ajoelhando-se ao lado dele. Wyatt engoliu em seco, seu orgulho lutando contra a dor. “Já estive melhor”, ele respondeu com dificuldade, forçando um sorriso que não saiu muito bem. Mãos pressionaram seus ombros, estabilizando-o, insistindo para que ele ficasse deitado. Ele mal percebeu. Seu foco estava todo na dor, na falha, na completa irracionalidade de tudo aquilo. Não era assim que sua história deveria terminar.

A mão de Matthews pairou perto do ombro de Wyatt, incerto se oferecia apoio ou deixava os treinadores fazerem seu trabalho. “Apenas aguente firme, cara. Os treinadores estão chegando.” A urgência em seu tom fez outra onda de realidade atingir Wyatt. Aquilo era real. Estava acontecendo. “É”, murmurou Wyatt, com a voz quase num sussurro. “Eu sei.”

Ele soltou um suspiro lento e trêmulo, olhando para as luzes ofuscantes da arena. Ele não precisava de um médico para lhe dizer o que tinha acontecido. Ele sabia lá no fundo. Ele passou a vida inteira tentando vencer o tempo, mas, naquela noite, o tempo finalmente o alcançou. A força imparável encontrou a verdade imutável — ele não era mais invencível.

O gelo parecia mais frio sob ele, infiltrando-se em seus ossos. A realidade da situação se acomodou como um peso de chumbo em seu peito. Sua carreira não estava apenas chegando ao fim. Já não era mais uma escolha.

Os treinadores o colocaram na maca; seu corpo estava mole, sua mente corria. O rugido da multidão diminuiu, desaparecendo em algo distante, como ondas recuando da praia. O jogo continuou ao seu redor, mas ele já não fazia mais parte dele. Pela primeira vez em sua vida, ele era apenas um espectador.

Ele passou a vida inteira perseguindo a glória, mas agora, tudo em que conseguia pensar era no que viria a seguir. O que resta quando a coisa que te define desaparece?

Wyatt sentou-se no banco, sem o capacete, o suor escorrendo pelo rosto enquanto a constatação se firmava. Seus dedos tremiam involuntariamente, curvando-se um pouco como se buscassem o peso familiar do seu taco. Ele soltou um suspiro trêmulo; seu peito subia e descia de forma irregular, e a dor na perna era apenas um eco abafado da dor mais profunda que corroía suas entranhas. A dor na perna não era nada comparada ao vazio em seu peito. Ele olhou para as mãos, fechando os dedos, como se esperasse ainda sentir o taco em sua pegada, o ritmo do jogo sob seu comando. Mas não havia nada.

A sirene final tocou. Ele não a ouviu. Ele não precisava ouvir.

Sua carreira tinha acabado, e o silêncio em seu coração era mais alto do que o rugido da multidão.

Um Ano Depois

A limusine diminuiu a velocidade até parar na ponta do tapete vermelho; flashes de câmeras já cintilavam como fogos de artifício. Wyatt ajustou o punho, girando os ombros enquanto olhava para a mulher ao seu lado. Veronica. Sua âncora de idas e vindas em um mundo ao qual ele não tinha mais certeza de que pertencia. Ela não tinha dito uma palavra desde a discussão no caminho, mas sua postura — rígida, braços cruzados, mandíbula travada — dizia muita coisa.

“Você poderia pelo menos ter usado o maldito terno, Wyatt”, Veronica finalmente disparou, quebrando o silêncio gélido.

Ele suspirou, apoiando a cabeça de volta no encosto. “Veronica, um terno de dez mil dólares não é exatamente um investimento inteligente para mim agora.”

“Não é sobre o dinheiro, é sobre a imagem”, ela rebateu, suas unhas perfeitamente feitas tamborilando impacientemente contra sua bolsa. “Você não pode continuar agindo como se fosse um cara comum agora. Você é Wyatt Reynolds. As pessoas esperam mais.”

“As pessoas? Ou você?”, ele retrucou, com o tom firme, mas controlado. “Porque, agora, não tenho certeza de quem eu deveria estar impressionando.”

Ela zombou, virando o rosto em direção à janela fumê. “Meu Deus, você simplesmente não entende.”

Antes que ele pudesse responder, a porta abriu e ela saiu sem dizer mais nada, imediatamente envolvida pelas luzes brilhantes e pelos gritos dos fotógrafos. Assim que se distanciou, ela se virou para ele — apenas o suficiente para garantir que conseguissem a foto perfeita dele ali sentado, parecendo irritado e confuso. As manchetes escreveriam a si mesmas.

Wyatt suspirou, passando a mão no cabelo antes de sair. Lá vamos nós de novo. As luzes piscando, os sorrisos falsos, a sensação de ser exibido como um troféu — tudo parecia exaustivo. Mas, esta noite, algo estava diferente. Algo dentro dele dizia que aquele já não era mais o seu lugar. Ele mal olhou para as câmeras. Em vez disso, seu olhar seguiu Veronica enquanto ela caminhava em direção ao evento, com os ombros erguidos, cada passo era uma afirmação. Antigamente, ele a teria seguido sem pensar duas vezes.

Agora? Ele olhou pelo tapete vermelho para a mulher que um dia amou, então soltou um suspiro curto, ajustando o punho com uma deliberação lenta antes de virar para o outro lado.

As vozes da multidão vinham além da linha de imprensa, chamando pelas grandes estrelas, aquelas que ainda estavam no auge. Não havia muitos olhando para ele. Não mais.

Ele hesitou por um momento, ouvindo o zumbido distante da excitação, os flashes rápidos iluminando o tapete vermelho atrás dele. Parecia um mundo diferente — um ao qual ele não pertencia mais. Ele ajeitou o casaco e soltou o ar lentamente, deixando o peso do momento pairar sobre ele.

Uma lufada de ar da cidade cortou o calor do evento, trazendo consigo os sons abafados dos carros passando e dos pedestres caminhando pela calçada. Ele se virou para a rua, onde uma pequena multidão se reuniu além das cordas de veludo, observando o espetáculo. A atenção deles estava fixada nas luzes deslumbrantes, nas celebridades que pisavam no tapete, na vitrine de sucesso e riqueza.

Mas, enquanto Wyatt dava um passo para longe, com seu jeito manco, porém constante, ele sentiu algo mudar dentro de si. Ele não precisava mais daquilo. Ele não precisava das luzes, das câmeras ou das expectativas que o pesaram por tanto tempo.

Ele passou pela última barreira de segurança e foi para a calçada. Quanto mais se afastava, mais silencioso o barulho se tornava. Ninguém o chamou. Ninguém correu para trazê-lo de volta para o centro das atenções.

Pela primeira vez em muito tempo, ele se sentiu livre. Um peso que ele nem tinha percebido que carregava saiu de seu peito, e sua respiração fluiu mais fácil. A tensão em seus ombros diminuiu, e enquanto ele dava outro passo, o ar fresco da noite o envolveu, límpido e puro. Ele moveu os dedos ao lado do corpo, sentindo-se firme com a sensação de movimento — movimento real, sem esforço — para longe de tudo o que o impedia. Um suspiro longo e lento o estabilizou, e pela primeira vez em anos, ele não estava olhando para trás.

Estava na hora de mudar.

Estava na hora de algo novo.

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