Capítulo 1
Capítulo 1
Marina se olha no espelho enorme que tem no seu quarto. Ultimamente ela faz isso com frequência, provavelmente porque está prestes a completar trinta e cinco anos e sente a necessidade de se reconhecer como uma mulher bonita. Está longe de ser velha, mas acredita que os melhores anos da juventude já ficaram para trás, ou, na melhor das hipóteses, estavam prestes a ficar. Apesar de sua insegurança, ela sabe que chegou muito bem a essa idade, mas a verdade é que não existe ninguém para admirar sua beleza. E isso não é só na sua casa, é no mundo inteiro.
Faz quinze anos que a pandemia levou a maioria dos humanos. Alguns esqueletos ainda decoram as ruas desoladas. Na verdade, faz mais de dez anos que ela não vê outro ser humano que não seja seu filho. Agora, enquanto observa seu rosto, com a pele incrível
Agora ela se afasta um pouco para ver seu corpo por inteiro. Fica de perfil e olha para o seu traseiro. Está vestindo uma calça justíssima. Fazia anos que ela não usava uma, já que no pequeno centro comercial que fica a alguns quilômetros de onde se instalou com seu filho, e que era a principal fonte de mantimentos, não restava nada além de calças de moletom ou saias longas; o resto tinha sido saqueado na época. Mas Aarón, seu filho, quando saía para caçar, aventurava-se cada vez mais longe, e da última vez tinha entrado em uma propriedade abandonada onde havia montes de roupas do tamanho de Marina. Entre elas, havia vestidos de festa, calças jeans, minissaias, tops e muitas outras coisas que, nos velhos tempos, faziam as mulheres parecerem mais bonitas. Ela não tinha dito nada, mas aquele monte de roupa causou uma revolução em seu interior. Ela passou horas olhando as peças e provando-as, embora só agora tenha tido coragem de usar essa calça o dia todo. A verdade é que ela tem muita dificuldade em encontrar uma desculpa para usar as outras peças.
Marina sacode os pensamentos da cabeça. Se tiver notícias de alguma comunidade, desta vez ela pensará com calma, e talvez eles se juntem a ela. Mas, enquanto isso, havia que agradecer que tinham saúde e que, de alguma maneira, aproveitavam aquele miniparaíso que desfrutavam há mais de uma década. Eles tiveram sorte. Quando as mortes por contágio começaram a se multiplicar, Marina fugiu com Aarón, que na época era uma criança de três anos, para aquele lugar que era um híbrido entre uma pequena cidade e um vilarejo. Ela tomou uma decisão inteligente, embora arriscada. Estabeleceu-se em um lugar onde a pandemia já tinha varrido toda a vida humana. Havia muitos especialistas que garantiam que o vírus podia ser transmitido, ainda que não por um corpo morto, pelos objetos ou roupas que eles possuíam, e por qualquer objeto que tivessem tocado. No entanto, era apenas uma teoria, e Marina comprovou que era falsa. Quando os outros perceberam o mesmo, já era tarde demais. Todos que ela conhecia tinham morrido.
Ela tinha muitas propriedades à sua disposição, mas escolheu uma casa simples, porém ampla, que na época funcionava como uma pousada familiar. Tinha muitos quartos, um pátio grande e parecia ser sólida.
Ela sai do quarto. É um dia lindo. Vai se dedicar a limpar a casa pela manhã. Ao meio-dia, preparará o almoço com o cabrito que Aarón caçou no dia anterior. Depois, fará exercícios, tomará banho no riacho e lanchará algo sozinha, porque à tarde o garoto costuma fazer expedições. Finalmente, lerá algum romance até escurecer, preparará o jantar, irá dormir e, então, será um novo dia. Ter o dia organizado dá certo sentido à sua vida. Saber que tem tarefas a faz sentir que, até mesmo naquele mundo pós-apocalíptico, existe um propósito. Ela costuma fazer pequenas mudanças na rotina e isso, que no passado lhe pareceria insignificante, agora enche seu dia de adrenalina. No entanto, para sua própria perplexidade, ela descobriu, faz bastante tempo, que prefere a vida rotineira.
Quando vai ao quarto onde guarda os itens de limpeza, encontra Aarón. Pelo visto, o garoto se preparava para sair para caçar. Além dos itens de limpeza, naquele quartinho pequeno ela guardava, sobre umas prateleiras, algumas armas. O garoto escolhe uma besta.
A verdade é que estava cada vez mais difícil encontrar animais vivos. A fauna tinha sofrido quase tanto quanto a humanidade por causa da pandemia. Por um lado, isso era bom, porque se os animais selvagens começassem a circular livremente por toda parte, seria quase impossível se instalar em um lugar como onde estavam. Por outro lado, a ausência de uma boa carne podia fazer com que a alimentação não fosse a melhor possível. De qualquer forma, eles nunca morreriam de fome. A horta que tinham a poucos quilômetros lhes proporcionava tomates, batatas, abóboras e, além disso, tinham um pé de laranja e uma plantação de bananas. Na verdade, a dieta deles os mantinha em boa forma.
— Não precisa sair — disse Marina. — Nós realmente temos comida para mais de uma semana.
— Também não precisa limpar, mas você vai fazer isso, não é? — diz Aarón.
Ela sorri. Pensa em dizer que não é a mesma coisa, que a sujeira na casa pode ser desconfortável, mas não tem vontade de entrar nessa discussão. Além disso, sabe que seu filho não sai apenas com o propósito de caçar. Ele gosta de tomar um ar, ver os animais e descobrir territórios que não conhece. Se ela, às vezes, sentia falta do velho mundo, para ele tudo era novidade e descoberta. Tudo o que ele conhecia era o que ela lhe contava e o que ele mesmo via, embora isso não fosse nada além dos vestígios da sociedade que existia antes.
Ela se inclina para pegar uma pá de plástico com a qual recolherá a poeira. Então, sente um forte tapa em seu traseiro. Ela se vira, mais surpresa do que irritada. Aarón sorri, divertido.
— Não volte a fazer isso — diz Marina.
O garoto tinha escondido a mão, como se fosse possível que ela acreditasse que outra pessoa tivesse dado tal palmada nela.
— Sinto muito, mãe, é que achei muito tentador — confessa o garoto. — Nunca te vi com algo tão justo. Quase parece que você está pelada, e agora que você se inclinou, seu traseiro empinado atraiu minha mão. Te machuquei? — pergunta, com total inocência.
— Não, não é isso — diz Marina.
— Então? — quer saber o garoto.
— Nada, você simplesmente não deveria dar palmadas na sua mãe.
— E se eu não der na minha mãe, em quem vou dar? — diz ele, com uma lógica simples, mas difícil de rebater.
— Suponho que você não possa dar palmadas em ninguém, então — sentencia Marina.
— Mas você me dava palmadas quando eu era pequeno, lembra? — insiste o garoto.
— Isso era diferente. Eu fazia isso quando você se comportava mal, e não é como se eu tivesse feito muitas vezes. Não reclame — explica Marina.
— Então, quando você se comportar mal, vou te dar umas palmadas — diz Aarón entre risos.
Ele tem dezoito anos, mas, pelas condições em que cresceu, sua personalidade não era como a dos adolescentes que Marina recordava. Seu filho oscilava entre a mentalidade de uma criança que ainda desconhecia coisas fundamentais da vida e a de um homem que provia para sua família.
— Não seja bobo. Eu sou sua mãe. Você não pode me repreender — retruca Marina.
— Você e suas regras do velho mundo — diz Aarón, ainda divertido, embora Marina saiba que ele diz a sério. Aarón sempre questionava o fato de sua mãe se apegar aos costumes de um mundo que já não existia. — Comporte-se mal e você verá — acrescenta o garoto, olhando para o traseiro de Marina, como se estivesse tentado a dar outra palmada.
O garoto foi embora. Marina fica um pouco perturbada. Pergunta-se há quanto tempo ninguém lhe dava uma palmada. Seu falecido marido, Alexis, não costumava fazer isso. Na verdade, Alexis mantinha relações sexuais de uma maneira convencional, para não dizer entediante. Ele era puritano, apesar de ser jovem. Nem sequer tinha pedido a Marina que fizesse sexo oral nele. Ela sabia que o homem considerava que essas práticas só as putas faziam. Mas houve uma vez que alguém lhe deu um tapinha. Era um garoto de cabelo comprido. Um colega de escola de quem ela não lembra o nome. Leandro, Leonardo, ou algo do tipo. Tinha sido organizada uma partida de handebol mista. Cada equipe era composta tanto por homens quanto por mulheres. Marina, por pura sorte, tinha feito um gol de grande distância, colocando a bola no ângulo, definindo, dessa maneira, o resultado final da partida. Seus colegas de equipe a tinham rodeado para abraçá-la e comemorar o gol. E foi aí que Leonardo, ou Leandro, deu um tapa em seu bumbum. Marina não conseguiu fingir irritação. Seu rosto corou levemente. Além disso, seu corpo pareceu alegre, ou melhor, excitado. Ela sempre tinha gostado daquele garoto.
E agora que se lembra, ela se sente excitada, como daquela vez, apesar de, desta ocasião, ter sido seu próprio filho quem a atingiu. Ela diz a si mesma, com certa culpa, que essa sensação tinha sido despertada pela lembrança de seu colega de escola, e não por outra coisa. Ela vai ao seu quarto se masturbar. Ela fazia isso com frequência. Uma vez que terminava, sentia-se extremamente relaxada. Embora sempre fizesse isso aproveitando de si mesma, sem a necessidade de fantasiar com penetrações. Seu próprio corpo a erotizava, e ela tinha se convencido de que era muito provável que a autossatisfação fosse sua única atividade sexual até morrer. Mas desta vez é diferente. A palmada de Aarón trouxe de volta os desejos, não só sexuais, mas o desejo pelo sexo masculino.
Uma vez que terminou, ela se olhou novamente no espelho grande. Realmente seu corpo era extremamente atraente. Ela lembra que, desde muito nova, quando seus peitos começaram a crescer, ela se tornou o centro das atenções de cada lugar que frequentava. E agora não havia ninguém para contemplá-la com admiração e desejo.
Ela começou a limpar a casa. Depois, foi ao pátio sentar-se e ler o último capítulo de Cem Anos de Solidão. Os livros representavam uma grande ajuda para passar o tempo. Marina tinha descoberto que eles eram tão divertidos quanto, outrora, era assistir a filmes ou alguma série. Agora não havia internet, nem telefones, nem mesmo eletricidade, então essa descoberta a salvou da loucura.
Aarón, por outro lado, não se mostrava muito interessado nisso. Era estranho, porque, dessa maneira, ele poderia conhecer aquele mundo que ele nem lembrava. Mas, para ele, suas expedições eram muito mais importantes. Ele sabia ler, sim. Marina tinha lhe ensinado isso, além de um pouco de matemática. Seu filho tinha os conhecimentos básicos de um garoto de terceira ou quarta série do ensino fundamental. Mas, em um ponto, ele se rebelou. Não entendia para que serviria saber aquelas coisas. Marina não pôde fazer mais do que concordar com ele; além disso, ela já tinha lhe ensinado quase tudo o que sabia, então desistiu.
Em certo ponto, era bom que o garoto não se interessasse pela literatura. Muitos dos livros tinham descrições de atos sexuais ou eram carregados de erotismo, e ela, quando Aarón era pequeno, não queria lidar com isso. Na verdade, até tinha escondido alguns livros para que ele não tivesse acesso a eles. Sabia que, em algum momento, teria que lidar com essa conversa. Deveria explicar a Aarón sobre o sexo. Mas adiaria esse momento o quanto pudesse. E assim os anos passaram, e o garoto já tinha dezoito anos e não sabia absolutamente nada de sexo. Quando, ainda criança, ele perguntou como as pessoas vinham ao mundo, ela respondeu que, se dois adultos se amassem muito, eles se abraçassem por muito tempo e desejassem com todo o coração um filho, a criança apareceria na barriga da mulher alguns meses depois. O pequeno Aarón tinha engolido a história, mas agora que já estava crescendo, Marina intuía que estava chegando o momento em que deveria dar maiores explicações. E a palmada que ele tinha lhe dado reforçava essa ideia. Já era de se dar muita sorte que, na idade dele, ele ainda não a tivesse enchido de perguntas.
Uma vez que terminou o livro, ela começou a fazer exercícios. Ela fazia isso dentro de casa, porque não queria que o sol danificasse sua pele. Aarón sempre zombava dela quando a via pulando ou trotando no lugar, e mais ainda quando ela se jogava no chão para fazer rotinas de coxas e glúteos. Ele não entendia, evidentemente. Não só era extremamente jovem, como suas expedições diárias eram um exercício por si só, por isso não precisava fazer aquelas piruetas para estar em forma. Mas ela ainda sente a necessidade de manter seu corpo firme, principalmente suas nádegas.
Marina pensa com orgulho que Aarón é incrivelmente bonito. Tem um cabelo longo e cacheado que chega aos ombros, é loiro, de olhos verdes, e seu corpo é incrivelmente definido. A barriga é plana e marcada, como se fizesse duzentos abdominais diariamente. Sua cintura é fina, mas seus ombros são largos, o que lhe dá o aspecto de nadador. Além disso, suas pernas são grossas e musculosas. As coxas evidenciavam uma força impressionante.
Ela vai tomar banho. A água está fria, mas como ela está com calor, cai bem. Embora haja um riacho muito perto, que usam com frequência, também contam com um chuveiro. Por sorte, a água corre sem problemas pelo sistema de encanamento. Quando querem tomar banho com água quente, colocam a água em uma panela e a fazem ferver em uma fogueira, para depois misturá-la com a água fria que há em um balde. Mas, nesta época de calor, não é necessário. Marina agora está com os seios inchados. Ela os olha. Os mamilos endureceram. É a primeira vez, em muito tempo, que ela precisa se masturbar pela segunda vez no mesmo dia.
Quando sai do banho, nota que já chegou o anoitecer. Isso significa que falta pouco para Aarón voltar. Apesar de saber que ele é um garoto forte e ágil, não consegue evitar sentir certo medo cada vez que precisa esperá-lo. E quando o vê chegar, todo suado, carregando sua mochila e, em algumas ocasiões, com um animal morto no ombro, sente como se sua alma voltasse ao seu corpo. E esta não é uma exceção. O garoto é destemido, mas tem muito respeito pela escuridão e não costuma se atrasar. Cada vez que suas expedições se tornam mais longas, ele faz questão de sair o mais cedo que pode.
Marina começa a cozinhar, consciente de que não há pressa. Eles têm o costume de comer duas vezes ao dia: no café da manhã e no jantar. Depois, se viram com algum lanche ou alguma fruta. Na verdade, Aarón sempre traz algumas maçãs, então isso não é problema.
Ela cozinha do lado de fora, em uma varanda coberta. Coloca a água para ferver, para depois acrescentar o chivito, alguns legumes e também batatas. Que banquete podem desfrutar, apesar de viverem completamente isolados do mundo. Marina pensa que Deus é tão cruel quanto misericordioso.
— Oi, mãe — cumprimenta Aarón.
Desta vez ele não tinha caçado nada, por isso Marina supõe que dedicou sua expedição a caminhar por lugares que, para ele, eram totalmente novos. Talvez fantasiasse encontrar mais pessoas, embora o rapaz nunca tivesse manifestado isso como algo que realmente desejasse. Na verdade, a possibilidade de encontrar outros humanos o fascinava tanto quanto a ideia de conquistar novos territórios e conhecer animais que nunca tinha visto antes.
— Oi, bebê — diz Marina.
— Faz tempo que você não me chama assim.
— Você sempre será o meu bebê — afirma Marina.
— Bom, vou tomar banho. Já sei que você odeia que eu sente à mesa com cheiro de suor, e hoje suei muito — diz o rapaz.
— Bom garoto.
Por algum motivo, ela sente a necessidade de tratá-lo como uma criança. Talvez pelo fato de que ele está cada vez mais parecido com um homem, e ela não consegue evitar sentir-se aterrorizada com essa ideia.
— Aliás — diz Aarón, voltando atrás —. Não quer que a gente tome banho junto?
Marina fica estupefata com tal pergunta.
— Mas você já sabe que não podemos mais fazer isso — responde ela —. Quando você era pequeno, estava tudo bem, mas agora...
— Já sei, mas você acabou de dizer que sempre serei um menino para você. Além disso, não estou pedindo para fazermos isso todo dia. Só desta vez. Hoje me dá vontade de que você me ajude a tomar banho.
— Entendo, mas isso não vai acontecer — diz Marina.
— Qual é! Por que não? — pergunta o rapaz.
Marina não vai cair nessa armadilha. Se ela dissesse que era errado um garoto da idade dele tomar banho com a mãe, ele perguntaria por que era errado. Ela gaguejaria uma resposta que seria interrompida por ele. "Essas regras são do velho mundo!", ele diria.
Era difícil convencê-lo de que as coisas tinham que ser de um jeito ou de outro. Quando conseguia, era após um longo debate, no qual ela precisava convencê-lo de que era a chefe daquela pequena família e que, no final, sabia o que era melhor para os dois. Com o passar do tempo, como era de se esperar, ficava mais difícil impor-se ao rapaz.
— Porque não — responde, curta. — Além disso, eu já tomei banho e agora estou cozinhando.
— Você pode cozinhar depois — diz ele.
— Nada disso — diz ela, com firmeza —. Vá tomar banho. Já não quero você aqui com esse fedor.
O rapaz sai, contrariado. Cada vez que ele ficava caprichoso, Marina se enchia de angústia. Em seu íntimo, ela já ia se acostumando à ideia de que, em alguns anos, a relação entre eles seria de igual para igual, ou até que Aarón se imporia em algumas decisões. Ela sente um calafrio só de pensar que esse dia chegaria.
— Mamãe! — Ela ouve Aarón gritar no corredor, o que a tira de seu devaneio. — Mamãe! — ouve de novo, agora mais perto.
O rapaz aparece na varanda onde ela está cozinhando. Está coberto apenas pela toalha que envolve sua cintura. O cabelo está molhado e o corpo úmido. O peitoral definido parece perolado pelas gotículas de água.
— O que houve? — pergunta Marina.
— Acho que estou doente — diz o rapaz.
— O quê?! — exclama Marina, preocupada. — O que você tem? — diz ela, aproximando-se para tocar a testa dele. Não sente febre.
No que um dia tinha sido o centro comercial daquela cidadezinha onde viviam, havia uma farmácia. Então, nos poucos casos em que ficaram doentes, não tiveram grandes problemas. Depois, os remédios venceram e ela não quis mais dá-los ao filho. Até o momento, não tinham precisado de mais do que álcool e gaze para algum ferimento insignificante. Quando pegavam um resfriado, ficavam de cama por um dia ou dois, e assunto encerrado. Desfrutavam de uma saúde que, no velho mundo, seria quase sobre-humana. Parecia que o vírus gerava, nas poucas pessoas que não aniquilava, uma saúde inabalável. Na verdade, eram contadas as vezes em que tiveram gripe, mesmo passando por climas frios e mudanças bruscas de temperatura. Então, agora que Aarón menciona a palavra "doença", ela não consegue evitar sentir-se aterrorizada. O rapaz não é alguém particularmente queixoso, muito pelo contrário. Pelo menos no que dizia respeito a lesões e feridas, ele não costumava demonstrar medo, mas agora estava, e contagiava Marina com esse temor.
— Olha — diz Aarón.
Então ele desfaz o nó que segurava a toalha e a deixa cair no chão. Marina baixa o olhar. Fazia muito tempo que não via o membro viril do filho. Desde muito pequeno, ela o ensinou que, sempre que possível, deveria mantê-lo guardado na presença dela, e ele tomava banho sozinho desde os dez anos. Então, agora era uma novidade ver tal instrumento. Já tinha crescido um monte de pelos pubianos. E era enorme. Embora fosse provável que lhe parecesse enorme por dois motivos: em primeiro lugar, porque fazia anos que não via um pênis, então não lembrava exatamente qual era o tamanho padrão. Por outro lado, o falo do seu menino está em um estado particular, que o fez crescer consideravelmente. Ele está ereto.
— Já me aconteceu várias vezes — diz Aarón, visivelmente assustado —. Mas esta é a primeira vez que dura tanto tempo assim. Não baixa. Está duro como uma rocha e sai um líquido estranho de dentro. Não é xixi, disso tenho certeza.
— Calma. Você não está doente. Isso é normal — apressa-se a dizer Marina.
Ela se sente culpada por nunca ter conversado com ele sobre o assunto. Pelo visto, dadas as condições incomuns em que foi criado, sua primeira ereção tinha demorado muito para aparecer. Mas agora ali estava ela. E é uma baita ereção, pensa Marina. O membro viril do rapaz está tão ereto que o tronco parece colado à pélvis. A glande quase chega ao umbigo, o que faz Marina pensar que sua primeira impressão estava correta: seu filho é muito bem dotado. Mas ela afasta essa ideia absurda da mente, balançando a cabeça.
— Como assim é normal? Se nunca tinha me acontecido! — diz o rapaz —. Mãe, por favor, me ajuda.
— Vamos, vem cá — diz Marina.
Ela o pega pela mão e o leva para o quarto. O rapaz deita na cama. A verga é hipnótica. Seu tronco é longo e grosso, atravessado por veias que dão a impressão de que possui uma força impressionante. Os testículos também são enormes. E há quase tanto pelo quanto deveria haver em um adulto, pelo que ela notou. Marina percebe que não é que o rapaz estivesse crescendo; ele já tinha crescido debaixo do seu nariz, e ela não tinha se dado conta disso.
— Olha, Aarón — diz ela —. Te digo que isso é normal. Deveria ter te explicado antes. Costuma acontecer quando você tem certos estímulos no membro. Talvez você estivesse se masturbando demais. Também pode acontecer quando você pensa muito em certas coisas.
— Mas se eu nem estava me tocando! E eu estava pensando só nas mesmas coisas de sem... — De repente, o rapaz se interrompe, como se lembrasse de algo importante. — Bom, desta vez eu estava pensando em você mais do que o normal. Isso é verdade. Você já não usa mais a calça que estava hoje? — pergunta ele, inesperadamente.
Marina respira fundo. Finalmente esse momento chegou, pensa. A sexualidade do rapaz estava despertando, e a única mulher que ele conhecia era ela. A ideia a assusta. Mas ela diz a si mesma que precisa ir por partes, resolvendo o que é mais urgente primeiro. Aarón ainda está assustado, e seu dever como mãe é tirar esse medo, principalmente levando em conta que é um medo infundado. Além disso, ela precisará explicar algumas coisas.
— Olha, do mesmo jeito que fica em pé, depois ele abaixa. Só se concentre e isso vai passar.
— Mas eu já tentei isso! E cada vez que quero que amoleça, ele fica mais duro. Olha como está! — diz o rapaz, balançando o membro.
Marina reflete por um momento. Certamente, ela não acha saudável que o rapaz mantenha uma ereção por muito tempo. Não lhe resta escolha. Ela precisa revelar um dos segredos da vida que guardava para si.
— Está bem, vou te ensinar algo para passar. Fica tranquilo — ela sussurra com ternura.
— E o que é isso? — diz Aarón.
— Bate uma — responde Marina, lacônica.
— Quê? — diz o rapaz, estupefato.
— Que você deve se masturbar — insiste Marina, tentando mostrar naturalidade —. Faça isso por alguns minutos e você verá como passa. Só um detalhe: quando terminar, você vai expelir um líquido branco. É o mesmo líquido que já está saindo, só que não será mais transparente. Não se preocupe, sair isso é algo bom. Só não suje os lençóis com ele.
— Líquido branco? Às vezes sai um pouco disso.
— Sim, mas desta vez sairá mais. Muito mais. É branco e viscoso — assegura ela.
— Devo fazer assim? — pergunta o rapaz, pegando o tronco e sacudindo-o para cima e para baixo, como se fosse uma alavanca de câmbio.
Marina nega com a cabeça, um pouco exasperada. Ela tinha pensado que a autoestimulação era algo que se aprendia sozinho. O corpo te indica a melhor maneira de fazer. Mas, pelo visto, pegou seu filho de surpresa e ele realmente não tem ideia de como fazer. Ela sabe que, em parte, a culpa é sua, porque quando ele era pequeno e tocava no pênis, explorando o corpo como qualquer criança faria, ela o repreendia dizendo para tirar as mãos dali. Agora não lhe resta alternativa a não ser ser muito mais explícita.
— Então me diz como se faz! — grita o rapaz, agora mais bravo do que assustado.
— Vamos lá, não fique histérico. Já te disse que você não está doente — diz ela, e depois, não sem sentir vergonha, acrescenta: — Preste muita atenção. Vou te mostrar como se faz. Mas só farei uma vez. Daqui em diante, você fará sozinho. E sempre que fizer, deve se certificar de estar sozinho. Uma mãe não deve ver essas coisas.
Ela se inclina e pega a verga de Aarón. Na verdade, ela nem lembrava mais como era sentir uma dessas coisas em suas mãos. Sente-a um pouco grudenta e quente, algo totalmente natural, como se lembra. Começa a fazer movimentos, esfregando com a mão. Aarón arregala os olhos, cheio de êxtase.
— Viu? — diz Marina, parando. — Agora faça você mesmo. Quando terminar, limpe-se com isto e jogue no lixo.
Ela entrega um pano limpo do tamanho de um lenço. Aarón começa a se masturbar, enquanto ela se prepara para sair do quarto. O rapaz já começa a gemer, e seu rosto reflete um prazer que nunca tinha demonstrado antes. Depois disso, não há volta, pensa Marina. "Acabei de abrir a caixa de Pandora", diz para si mesma. Mas ela faz o possível para não mostrar sua turbulência diante do filho.
— Espera — diz o rapaz antes que ela saia. — Sabe? Isso é muito bom. Mas quando você estava fazendo, era muito melhor.
— Já chega, isso é algo que você deve fazer sozinho — rebate Marina.
— Ah, mãe, não seja má. Bate uma para mim! — grita Aarón.
— Você não entende. Essas coisas não se fazem entre mãe e filho. Só fiz uma vez para você aprender — explica Marina, com paciência.
— Mãe, você ficava muito bem com aquela calça — diz o rapaz, enquanto se masturba com mais velocidade. — Quero que use as outras calças que trouxe para você daquela vez. Essa calça que você está usando agora é muito folgada. Gosto de como seu traseiro fica marcado quando usa calça. Não tem motivo para esconder suas formas de mim.
O rapaz começa a ofegar assim que termina de falar.
— Você também não deveria dizer isso à sua mãe — refuta Marina. — Além disso, você não vai me dizer como me vestir. Não esqueça que aqui quem manda sou eu.
— Como você é teimosa, mãe. O velho mundo não existe mais, e agora estamos só você e eu. Nossa, sinto que vou explodir. Tem certeza que não vai doer?
— Prometo que não — assegura Marina, agora invadida por uma estranha ternura.
De repente, Aarón se levanta e se aproxima dela.
— O que você está fazendo? — pergunta ela, escandalizada.
Ela tenta sair do dormitório do filho, mas recua de costas porque não consegue tirar os olhos dos movimentos da mão sobre a verga. Quando acha que vai atravessar a porta, acaba dando de cara com a parede, pois a saída fica alguns centímetros à direita.
— Só sinto vontade de estar perto de você quando faço isso — explica Aarón. — Vamos, não seja má — diz ele, ofegante. — Você não quer mais bater uma para mim? Pelo menos deixe-me fazer agora que você está comigo.
Marina não tem tempo de dizer que já tinha explicado que isso era algo para ele fazer sozinho, porque, antes que pudesse abrir a boca, Aarón ejacula. E não é uma ejaculação qualquer. É uma ejaculação que o rapaz vinha adiando há tempos. Dias, ou talvez semanas, acumulando sêmen em suas enormes bolas sem expelir. E Marina vê, impotente, como dois jatos espessos e abundantes são disparados com uma força impressionante. Tudo a atinge. O avental se suja, mas, principalmente, devido à potência inusitada com que foram disparados, um dos jatos atinge seu queixo e seu pescoço.
— Mãe, me desculpe. Você não tinha me dito que saía desse jeito — desculpa-se o rapaz, agitado.
Ela sabe que Aarón tem razão. Ele não fez com más intenções. Mas ela não consegue reagir. Sente o sêmen morno deslizando pelo pescoço. Quando finalmente consegue se mover, sai correndo do quarto do filho.