As ondas de nossa vida.

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Resumo

Em uma grande cidade porteira. Ágatha aprende a transitar na sua nova realidade da sua rotina aliada ao luto. Por mais que os eventos que a atormentam já eram tópicos do passado, a mesma não conseguia evitar de se encolher dentro de suas inseguranças e medos. Mas talvez, com o retorno de um grande navegador charmoso seja o pontapé de sua nova aventura.

Status
Em Andamento
Capítulos
10
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capitulo 1

O nascer do sol agraciava a pequena praia junto com a fraca brisa marítima, sendo forte o suficiente para mover as folhas dos pequenos coqueiros presentes na orla praiana. As ondas do oceano se encontravam calmas, sendo possível observar pequenos barcos de pescadores pelo horizonte com seus trabalhos que começava logo cedo.

Somente uma figura solitária se fazia presente na pequena praia durante o amanhecer, os pertences da jovem mulher estavam jogados na fofa areia perto da escada que conectava a orla e a praia para os cidadãos da cidade porteira. Por mais que a cidade fosse enorme e conhecida como um dos maiores pontos comerciais, a praia continuava intocada por sua distancia da cidade.

Os longos cabelos negros da jovem balançavam por conta da suave brisa marítima e seus cabelos destacavam a sua pálida pele, e não se importava se as ondas de seu cabelo ficariam bagunçadas por conta do vento. Andava pela praia com suaves passos aproveitando a sensação da areia e do mar em seus pés descalços, se movendo como se estivesse em uma singela dança, e se alguém estivesse por perto conseguiria perceber os fracos murmúrios de uma cantarolada canção popular dos festivais de sua cidade.

Seus intensos olhos verdes como esmeralda brilhava cada vez mais que o sol se fazia presente, sorria fracamente ao ver o cenário do sol refletindo sua luz pelo oceano após o seu nascer.

- Já está na hora de ir – A jovem mulher murmurava com uma doce voz, andando tranquilamente de volta para seus pertences, rapidamente calçando seu salto alto e colocando sua enorme bolsa de pano em seus ombros.

Andava tranquilamente pela enorme calçada de pedra já conseguindo ver sua cidade pela distancia, o caminho era um pouco longo, porém a vista da bela vegetação cheia de palmeiras e flores com os cantos das gaivotas distantes fazia o percurso valer a pena. Aproveitava a tranquilidade do caminho para rapidamente prender o cabelo em uma trança desajeitada, não ajudava o fato que o vento deixara seu cabelo mais bagunçado que o normal.

Virava-se em direção ao sol enquanto continuava a caminhar, colocando a mão em frente em seus olhos devido à alta luminosidade do sol do inicio da manhã.

- Tenho que me apressar... Não quero me atrasar novamente – Murmurava para si fazendo um bico visivelmente emburrada, começando assim a acelerar o seu passo.

A cidade ainda poderia estar quieta já que era somente o inicio da manhã, porém a área comercial próxima ao enorme porto iria discordar com tal afirmação. O porto nunca teve horas para começar ou sequer terminar o seu movimentado comercio, mas era de se esperar em vista que, em todo momento enormes barcos dos oceanos afora chegava à cidade, trazendo marinheiros, exploradores, simples aventureiros ou em casos mais raros, enormes barcos piratas, por esses motivos o porto sempre está movimentado e logo, o comercio não tem hora de parar.

Andava pela movimentada rua comercial se desviando das pessoas em sua correria diárias e dos trabalhadores do porto que estavam descarregando enormes navios. Por mais que sua expressão fosse calma e tranquila, a velocidade de seus passos entregava de que estava apressada para chegar a seu destino.

- Bom dia Ágatha, já estava começando a me perguntar se viria - A dona da loja, uma senhora com idade avançada e um doce sorriso, olhava para a jovem com alegria em seu olhar. A loja da velha senhora era um local confiável se você queria comprar os pescados mais frescos de melhor qualidade, e em todos os dias, Ágatha aparecia para comprar um enorme pacote cheio de peixes.

- Bom dia para você também senhora Alva! – Ágatha a cumprimentava com um sorriso embaraçado, rapidamente remexia em sua bolsa em procura das moedas para entregar para a sorridente senhora.

- Imagino que estava na praia novamente, tem que tomar cuidado querida, em um dia desses ainda vai acabar perdendo seu horário e seus irmãos não vão deixar você parar de ouvir sobre – A senhora comentava enquanto se virava para abaixar e pegar a caixa de madeira contendo vários peixes embalados cuidadosamente, Ágatha ao perceber se abaixava mais rápido que a senhora e assim pegava a caixa antes que a mesma pudesse fazer isso.

- Já disse para se cuidar Alva, a senhora pode acabar se machucando se carregar essas coisas pesadas – Resmungava em tom aborrecido e preocupado – E eu não vou atrapalhar a nossa loja, meus irmãos sabem muito bem das minhas aventuras.

A senhora de cabelos grisalhos olhava para a jovem atentamente com os olhos acirrados com seus braços cruzados, fazendo um sinal com a mão para a mesma se aproximar.

- Se sabem deveria ficar mais atentos com sua saúde, já olhou essas suas olheiras menina? Você tem que descansar mais – Alva puxava as bochechas da jovem fortemente, fazendo com que a mesma fizesse uma careta exagerada de dor.

- Alva, por favor, isso não é nada demais – Ágatha resmungava, fazendo uma expressão chorosa na tentativa da senhora soltar sua bochecha por conta da pena, porém a mesma somente a olhava com as sobrancelhas arqueadas.

- Nada demais... Se você descansar de forma apropriada irei pensar no seu caso...

- Tudo bem tudo bem, mas... Por favor, preciso ir logo, não quero me atrasar de novo – Ágatha mordia os lábios de forma exagerada, ainda olhando para a senhora com enormes olhos marejados. Alva revirava os olhos não acreditando na cena em sua frente, soltando assim a bochecha da jovem e se virava para sentar no banquinho de sua loja.

- Muito obrigada Alva! Te vejo amanhã novamente –A morena dava um enorme sorriso, seu humor dando uma completa meia volta de emoções que apresentava a um segundo atrás. Assim a jovem corria de volta pela a enorme rua movimentada carregando a sua caixa, e mesmo que apresentava dificuldade pelo peso e o tamanho, isso não a parava na sua corrida.

Alva olhava para o caminho em que Ágatha pegava e sumia em meio à multidão, estalando sua língua – Essa menina... Ela nunca aprende mesmo.

Ágatha corria pela movimentada rua da área comercial com certa destreza ao desviar das pessoas, já estava acostumada a percorrer esse mesmo caminho todos os dias, sabia decorado qual era o melhor caminho e cortas caminhos a se pegar caso viesse se atrasar, o que fielmente acreditava de pé juntos que nunca ocorreria.

Sorria de forma relaxada ao finalmente ver o enorme estabelecimento, a entrada principal era uma espaçosa taverna com várias iluminarias em que dava destaque para a placa que estava escrito “Filhos do Oceano, Taverna e Hospedaria”, o estabelecimento se alongava assim dando espaço para os quartos dos hospedes, claro que não era a maior hospedaria da cidade, mas Ágatha se orgulhava junto de seus irmãos da capacidade de 50 hospedes.

- Cheguei minha gente, a rua estava movimentada hoje! – A jovem anunciava ao abrir a porta do estabelecimento com sua perna por estar segurando a caixa, dando um enorme sorriso ao ver a típica movimentação matinal da parte dos funcionários para se preparar a receber as pessoas.

- Já estava achando que iria ver o pessoal da cozinha surtando porque iria se atrasar – Uma voz familiar se fez presente no ambiente, Ágatha se virava rapidamente em direção da voz com um sorriso maroto por já saber quem se tratava.

- Do que seria de mim sem você Dylan – Respondia rapidamente enquanto colocava a enorme caixa no balcão, colocando a mão de forma exageradamente dramática em sua testa.

- Sua vida seria chata, você me adora – Dylan comentava levantando a cabeça de forma orgulhosa e com um enorme sorriso estampado em seu rosto enquanto afinava seu alaúde. Ágatha somente podia revirar os olhos com a cena em sua frente, movendo sua cabeça em negação em uma fraca risada, não conseguia negar a afirmação de seu irmão.

Por mais que ambos fossem irmãos, gêmeos ainda por cima, sempre acabavam provando de que não precisam ser idênticos em tudo que fazem ou em sua aparência. Dylan parecia o completo oposto na aparência comparado a Ágatha, tendo um brilhoso cabelo loiro que mais parecia ouro na luz do sol e seus olhos ambares brilhavam cheio de travessura, sendo muito distantes dos olhos cor de jade e calorosos da jovem mulher.

A única coisa que os conectavam em aparência era a altura de ambos era sua estatura já que foram afortunados no quesito altura. Porém Dylan nunca a faria esquecer de que era o irmão mais alto com seus 1,60 metros, sendo somente cinco centímetros mais alto que sua irmã, mas isso não era um empecilho da sua comemoração de acordo com o jovem loiro.

- Acho que minha vida seria tranquila sem ter um pé no saco como você no meu lado, sabia? – Ágatha rebatia andando para trás do balcão com variados tipos de bebidas em suas costas, começando assim a limpar a sua bancada de trabalho. Dylan somente dava de ombros estalando sua língua em negação.

- Discordo de sua afirmação – Comentava virando a cabeça para o lado de forma orgulhosa, porém ria fracamente junto com a sua irmã pela besteira da situação. Em meio à conversa um empregado vinha rapidamente para recolher a caixa, cerrando os olhos para Ágatha, pois novamente a mesma atrasava o trabalho da cozinha.

- Um dia você vai fazer eles se demitirem se continuar demorando – Dylan comentava ao ver a expressão do empregado, rindo de forma descontraída enquanto tocava as cordas de seu alaúde para ver se já estava afinado, não era necessário ser especialista para saber que não, não estava afinado.

- Eu nem demoro tanto assim, cinco minutos nem faz tanta diferença assim – Murmurava incomodada, indo em direção à pilha de copos usados pelos clientes na qual a mesma deixara de ultima hora para limpar.

- Cinco minutos que são essencial para eles, sua cabeça oca – Rebatia em meio a risadas fracas, Ágatha estalava sua língua com os apelidos que seu irmão insistia em dar. – Por sinal, o Chris quer conversar com a gente assim que você chegasse – Dylan complementava com uma expressão despreocupada.

- E porque você não me avisou antes de eu começar a limpar? Como pode ficar despreocupado sentado ai? – Ágatha olhava para o mesmo com uma expressão em branco, suas sobrancelhas tremendo pela indignação quando o mesmo dava de ombros.

Muitos no estabelecimento achavam que por ser gêmeos, ambos conseguiam se compreender e ler através de seus comportamentos, ou que tinham a grande conexão que muitos falavam que todos tinham. Ágatha e Dylan são próximos, mas mesmo assim, suas diferenças de aparência e de personalidade fazia que com que um ficasse incrédulo com a ação do outro com mais frequência que o desejado, pelo menos, é o que ambos falam para rebater as afirmações de conhecidos que são minimamente parecidos.

Ágatha soltava o pano que usava para limpar seu balcão e logo apertava a ponte do seu nariz enquanto respirava fundo, Dylan sendo tão desleixado acabava dando em seus nervos se a mesma não ficasse calma.

- Vamos logo ver isso – Falava com uma voz firme, simplesmente pegando Dylan pela gola de sua camisa e o puxando para ir junto, assustando no meio desse processo e quase fazendo com que seu alaúde caísse no chão.

- Ei! Eu ainda não terminei aqui! Me solta – Reclamava enquanto se debatia, conseguindo assim se soltar de Agatha, fazendo um baixo “tsk” ao perceber que sua blusa ficara amassada.

- Depois você termina de ajeitar seu instrumento, a taverna vai demorar pra abrir ainda – Ágatha respondia cansada, segurando Dylan pelo seu braço para novamente o levar forçadamente.

O caminho para o escritório de Chris não era complexo, algo na qual todos se orgulhavam no estabelecimento “Filhos do Oceano” era como a organização era simplista, feita para não se perder dentro do prédio da hospedaria. O prédio da Hospedaria se separava em dois, a maior área sendo para suportar 50 quartos para os hospedes, e a área dos funcionários que contava com o escritório, a cozinha, e quartos para aqueles que não tinham um local para retornar a noite.

O escritório de Chris ficava localizado perto das áreas dos quartos, sendo na parte mais funda do estabelecimento. Assim o barulho da taverna não iria ser significativo para atrapalhar o trabalho dos outros ou sequer perturbar os hospedes que estavam presentes até porque a taverna era conhecida por estar funcionando até à tarde da noite.

Ao abrirem a porta do escritório, se depararam com a visão simplória que já estavam tão acostumados a ver. O escritório possuía grandes janelas que permitiam a luz natural clarear todo o local, dando assim uma sensação reconfortante para a pequena sala, perto das janelas tinha centralizado uma grande mesa de madeira com vários detalhes marcados em sua madeira, uma grande cadeira de couro acompanhava a mesa. Na frente da mesa duas outras cadeiras com estufados verdes para os visitantes do escritório complementava a visão confortante junto com o grande tapete da sala e os grandes estandes cheios de livros nas laterais solidificavam a aparência da pequena sala.

Chris estava sentado na enorme cadeira de couro com vários papeis jogados em cima da enorme mesa a principio sem sentido, porém, para o jovem homem seus métodos de organização tinha logica em seus olhos. O loiro de cabelos longos sorria abertamente ao notar a presença de Agatha e Dylan na sala, e seus olhos verdes tão intensos quanto uma esmeralda brilhava com carinho em ver seus irmãos mais novos.

Christoffer gostava de ficar na reclusão que o escritório conseguia proporcionar, por isso o mesmo acabara ficando com a parte administrativa do enorme estabelecimento que possuíam, deixando seus irmãos mais novos conseguirem ficar com o holofote que tanto amavam principalmente Dylan com seus shows espalhafatosos. Porém, o mais velho mesmo sendo recluso não segurava em demonstrar o carinho que tinha com sua única família, uma família em que o mesmo considerava especial.

- O que queria conversar com a gente, irmão? – Dylan perguntava de forma despreocupada, se sentando em uma das cadeiras de forma desleixada, destoando com a forma cuidadosa que Agatha se sentava na outra cadeira presente na sala.

- Preciso de um motivo agora para poder conversar com vocês? – Chris questionava arqueando as sobrancelhas com indignação.

- Irmão, me dói concordar com o brutamonte aqui, mas se você quer nos ver você sempre arruma um motivo para ir à taverna, e não chama a gente para seu escritório – Agatha respondia de forma suave e risonha, Dylan murmurava um baixo “ei!” irritado pela forma que foi chamado.

Chris coçava seu cabelo de forma envergonhada dando um fraco suspiro. – Vocês tem razão... Queria compartilhar uma boa noticia com vocês – Comentou com um sorriso embaraçado por rapidamente terem entendido a situação.

Agatha e Dylan olhavam para seu irmão mais velho com expectativas, deixando com que o mesmo se recomponha de sua vergonha.

- Consegui inscrever o “Filhos do Oceano” para o festival dos ventos do norte – Chris comentou com um enorme sorriso animado e empolgado, até porque, este era o maior festival que a cidade porteira tinha.