O Retorno da Melhor Amiga: Amor & Destino, Livro 2

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Resumo

Como isso pode ser justo? Na manhã seguinte à minha festa de noivado com uma mulher que detesto, mas com quem meu avô me forçou a ficar, eu a encontro de novo? Aquela que eu amava. Aquela com quem eu queria fugir... Até que meu avô a mandou embora.

Status
Completo
Capítulos
29
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 Choque

Ponto de vista de Juniper

Trabalho neste emprego há apenas uma semana e dizer que estou cansada dele é pouco. Não é como se eu não estivesse acostumada com esse tipo de trabalho, eu estou. Mas, por algum motivo, isso parece... diferente.

Ser camareira não é o que dizem por aí. Basta um olhar para o meu uniforme para que uns babacas privilegiados pensem que podem fazer o que quiserem comigo. Eles me chamam para limpar a bagunça deles e, quando eu me abaixo, eles apertam a minha bunda! Eu adoraria me virar e dar um tapa neles, mas também não quero perder este emprego!

Para ser sincera, não tenho ideia de como consegui este emprego. Recebi uma ligação há duas semanas dizendo que estavam contratando no Charlotte Embassy Hotel. Eu apareci e me contrataram na hora... O que foi estranho, porque nem perguntaram se eu tinha experiência (o que eu tenho) ou se eu realmente queria o cargo; eles simplesmente assumiram que sim.

Quando eu estava no ensino médio, trabalhava com a minha mãe, que era camareira, e ela me ensinou tudo o que sabia... Mas isso não significa que eu queira passar a minha vida inteira sendo camareira.

Estou procurando emprego há um mês, desde que minha mãe morreu. Foi um acidente bizarro. Ela estava dirigindo para casa depois do turno e foi atingida em cheio na lateral. Os policiais disseram que ela morreu na hora. Acho que deveria ser grata por ela não ter sofrido, mas a dor não dói menos por causa disso.

Não gosto de pensar nisso. Vi o corpo dela quando me pediram para fazer o reconhecimento. Ela foi esmagada até a morte. Só de lembrar, meu estômago dá nós e tenho ataques de pânico. É difícil respirar com tanta dor e perda. Mas não posso sofrer para sempre. Tenho que seguir em frente.

Pelo menos é isso que o mundo me diz. Não posso ficar na cama e simplesmente morrer só porque a pessoa mais importante da minha vida morreu. Se eu quiser comer, preciso trabalhar.

Mamãe não tinha muito dinheiro. Ela tinha o próprio serviço de camareira, que era bem-sucedido, eu servia mesas e fazíamos as coisas funcionarem. Não tenho ideia de quem era meu pai, porque, no momento em que ela contou que estava grávida, ele caiu fora. Bastardo!

Mas isso me deixa na situação em que estou. Perdi a única pessoa que conheci como família. A única pessoa que me amou a vida toda, não importa quem me chamasse de aberração.

Não fiz amigos na escola porque, como eu disse, eu sou uma aberração. Bem, eu não sou, mas as pessoas não conseguem aceitar o fato de que meus olhos não são iguais. É uma mutação chamada heterocromia, daí a "aberração".

A única pessoa que sempre achou meus olhos bonitos foi meu melhor amigo, Gabe... Bem, até o avô dele perceber que eu estava ficando próxima demais e demitir minha mãe, nos forçando a ir embora.

Bem, não vou chorar pelo que poderia ter sido. Se a vida me ensinou algo, é que preciso ser durona e proteger meu coração. Não posso deixar que o que os outros dizem defina quem ou o que eu sou.

No momento, estou empurrando um carrinho cheio de materiais de limpeza para a Suíte Presidencial. Parece que houve uma festa grande lá na noite passada e agora é meu trabalho limpar a bagunça. E, por alguma razão, insistiram para que eu aparecesse agora mesmo!

Eu realmente não me importo, contanto que me paguem. Vou tomar um banho quente hoje à noite depois de comer meu macarrão instantâneo e fingir que está cheio de espuma. Posso fingir ser uma camareira submissa boazinha e limpar obedientemente a porcaria dos outros, desde que isso signifique que vou conseguir comer.

Suspiro e me recomponho antes de bater na porta. "Camareira", anuncio.

"Entre", veio uma voz feminina exigente de trás da porta.

Pego o cartão que me deram e o passo no leitor. A trava pisca em verde e a porta se abre; eu empurro a maçaneta e adentro, arrastando o carrinho enorme comigo.

Nem preciso olhar em volta, limpei este quarto três vezes na última semana. Sei que o lugar é enorme e provavelmente é por isso que as outras camareiras me obrigaram a fazer isso. Tanto faz! Não estou aqui para fazer amigos, estou aqui para ganhar dinheiro.

"Você pode começar pela área de estar, está um desastre. Certifique-se de esfregar bem o chão. Tem algo pegajoso ali", a loira exigente dá um sorriso presunçoso para mim.

Resisto à vontade de revirar os olhos, mas acabo suspirando mesmo assim. "Sim, senhora."

Eu queria ter permissão para ouvir música enquanto trabalho, mas, por algum motivo, é contra as regras aqui. O que torna ignorar a loira pomposa ainda mais difícil.

Vai ficar tudo bem! Vou focar toda a minha atenção no trabalho e bloqueá-la, exatamente como fiz com todas as garotas malvadas no ensino médio. É uma habilidade aprendida e que vem a calhar em momentos assim.

Então levo meu carrinho de limpeza até a área de estar. O lugar é um desastre real. O que diabos eles estavam fazendo aqui? Há copos e restos de comida espalhados por toda parte!

Não digo nada enquanto pego um par de luvas de látex descartáveis e uma sacola preta grande. Esta vai ser uma manhã longa!

A primeira coisa a fazer é recolher todas as latas de cerveja vazias e vários pratos de... alguma coisa. Também há copos de plástico derramados com o que presumo ser algum tipo de álcool. Sinceramente, perdi a conta, mas finalmente termino.

Agora, varrer as migalhas de... bom, suponho que fosse comida deixada por todo canto. Acho melhor não perguntar. Esta tarefa é um pouco mais difícil do que parece, porque algumas migalhas ficam presas no que parece ser vômito. ECACA!

A madame esnobe queria que eu ficasse de quatro e esfregasse o chão maldito. Sim, eu não vou fazer isso! É para isso que servem meu esfregão e balde de confiança!

Posso ouvi-la ao fundo dando instruções sobre como quer as coisas, como se ela fosse dona da porra do lugar. Até onde eu sei, ela não é. Eles estavam apenas alugando por uma noite, então por que diabos ela é tão vádia? Eu sei como limpar um quarto sem ela ficar pairando sobre mim!

Assim que deixo o chão limpo a ponto de refletir meu rosto irritado, guardo o esfregão e o balde e pego o aspirador de mão para limpar as migalhas do sofá e das cadeiras. Estou surpresa que as migalhas não tenham sido esmagadas nos móveis!

Depois, vou limpar a área da cozinha e repor os chás, cafés e cremes. Verifico os copos, vejo que estão vazios e os encho novamente. Certifico-me de que tenham sachês de açúcar, guardanapos e mexedores suficientes. Não me preocupo com as bebidas alcoólicas, isso não é do meu departamento.

Terminado, vou para o quarto tirar a roupa de cama da cama king-size. Não quero saber por que ela está desse jeito. Não é da minha conta e tudo pelo que sou paga é para limpar, não para ficar me perguntando por que diabos a cama parece ter sido destruída por um tornado na noite passada.

Enquanto retiro o edredom, ouço a madame esnobe dar uma risadinha: "Você pode ter que voltar para limpar a roupa de cama de novo, camareira. Planejo usar esta cama muitas e muitas vezes."

Não digo nada, apenas continuo a desmontar a cama, me perguntando por que diabos estou fazendo isso agora enquanto ainda há ocupantes no quarto. Tudo o que sei é que meu chefe me mandou vir agora, então eu vim.

Também não sei por que diabos ela acha que eu estou nem aí para quanto sexo ela planeja fazer! Qual é o sentido de apontar isso? Ela acha que significaria alguma coisa para mim?

Bem, não significa. As pessoas fazem sexo o tempo todo... Bom, exceto eu. Mas isso não vem ao caso. O fato é que ela está agindo como uma criança tentando jogar na minha cara, quando, na verdade, EU NÃO ME IMPORTO!

De repente, a porta do banheiro da suíte se abre atrás de mim e sinto o vapor saindo do ambiente úmido, me atingindo como uma sauna. O cheiro é de alguma forma muito familiar, mas simplesmente não consigo lembrar de onde conheço essa fragrância específica...

Uma memória repentina passa pela minha mente e meu batimento cardíaco acelera. Lembro de onde conheço esse perfume. E também sei que isso vai desencadear algo como lágrimas.

Eu realmente não deveria estar aqui! Não sei por que não poderiam ter me chamado daqui a uma hora, ou talvez três? Voltarei quando o lugar for um desastre total novamente e limparei tudo, mas preciso ir embora... Tipo, agora mesmo!

Ouço um suspiro de choque. "June?", pergunta uma voz masculina profunda.

Eu travo. Eu conheço essa voz. E só existe uma pessoa que me chama assim. Não posso estar aqui. Não quero olhar! Preciso fugir e nunca mais voltar a este hotel maldito!

Mas, como um acidente de trem que está prestes a acontecer, me viro em câmera lenta, com medo de ver o que sei que encontrarei. Mas é o que meu coração teme ver ali.

E lá está ele. Encharcado de um banho recente, com uma toalha enrolada na cintura. Seu corpo tenso pelo choque absoluto. Seus cabelos escuros e grossos caindo sobre seus olhos azuis marcantes. Algo passa por trás daqueles olhos lindos. Algo que parece muito com arrependimento.

Não quero analisar o que diabos o faz olhar para mim assim. Se é karma, ou destino, ou sorte, ou seja lá o que for que uma vida cheia de eventos infelizes tenha feito para eu acabar aos pés dele, quando sei muito bem que não posso estar perto dele.

Preciso ir embora. Preciso correr. Preciso me mudar para Nova Jersey, onde ele nunca me encontrará e nunca saberá como ele partiu meu coração em dois.

Mas não consigo. Porque meus pés estão congelados no chão e meus olhos se recusam a desviar do rosto que eu amei tanto.

Passei anos memorizando cada centímetro desse rosto. Cada sorriso e cada lágrima. Mesmo naquela época, eu sabia que não era do nível dele. Ele tinha tantas namoradas que perdi a conta... E, de alguma forma, meu coração realmente não se importava. Só de estar perto dele já bastava para mim... Até que não bastou mais.

É isso que acontece quando você se importa demais. Quando você ama demais. Você é estilhaçada em um milhão de pedaços sem ninguém ali para te juntar. Então tento lembrar que é por isso que blindo meu coração. Mantenho-o escondido de qualquer pessoa... Porque isso... Dói demais, porra!

"Gabe."


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