Capítulo 1
POV: Liam
Quinze anos.
Durante quinze anos, eu esperei. Cacei. Aguentei.
Em todos os Moon Ball, fiquei entre os meus, observando os outros encontrarem suas almas gêmeas, sentindo o laço se formar para eles — nunca para mim. Eu dizia a mim mesmo para ser paciente. Que a Deusa da Lua tinha seus motivos. Que minha parceira viria na hora certa.
Mas a hora nunca era a certa.
Não para mim.
E agora, mal consigo me segurar.
As poções que os magos me dão estão perdendo o efeito. Meu lobo — inquieto, tenso, meio louco pela necessidade de reivindicar o que é dele — arranha o interior da minha mente, uma tempestade que mal consigo conter. Ele uiva por sua parceira, por aquela que nos completará, pela peça que falta em nossa alma.
Cerro os dentes e prendo as mãos atrás das costas, parado na beira do grande salão de baile. O perfume de rosas e o ar enluarado flutuam pelo salão aberto, misturando-se à energia vibrante de lobos sem parceiros que buscam, esperam e rezam.
Desta vez, não rezo. Não me permito ter esperança. Apenas fico ali, com o maxilar travado, forçando minha respiração a permanecer calma.
Porque eu sei o que vai acontecer.
O laço não vai se formar. A noite vai acabar e eu vou embora sozinho. Novamente.
Um Alfa sem sua parceira é uma fera prestes a perder o controle.
Governo minha alcateia há anos, mas, sem ela, estou incompleto. Meu lobo sabe disso. Ele sente o vazio como uma ferida aberta, infeccionada, apodrecendo, piorando a cada ano que passa. A única coisa que o mantém sob controle são os feitiços e poções criados pelos meus magos — soluções temporárias que entorpecem o insuportável. Mas até mesmo eles estão falhando agora. A cada dia, sinto-me escorregar. A cada dia, meu lobo pressiona mais para se libertar.
E esta noite, em mais um Moon Ball, estou aqui, esperando por um milagre no qual já não acredito.
Giro o uísque no copo, observando o líquido âmbar captar a luz dos candelabros acima. Ao meu redor, risadas e música preenchem o grande salão; o perfume da expectativa é denso no ar. O Moon Ball — mais um ano, mais uma reunião de lobos sem parceiros procurando a parte que lhes falta da alma.
Mais um ano sem nada para mim.
Já estive neste mesmo lugar quinze vezes. Quinze anos de esperança se transformando em decepção, de observar os outros encontrarem suas parceiras enquanto eu vou embora sozinho. A Deusa da Lua deve estar rindo de mim a essa altura.
O salão de baile está cheio de movimento — lobos dançando, socializando, seus olhos examinando o recinto com entusiasmo. Não compartilho desse entusiasmo. Em vez disso, fico no canto, uísque na mão, forçando-me a manter uma expressão inescrutável.
Uma presença familiar se aproxima antes mesmo que eu ouça sua voz.
Magnus.
Meu Beta, meu amigo mais próximo, o único que realmente entende o que suportei. Ele tem sua parceira agora — Ein. Ela está ao lado dele, com o braço enlaçado no dele; o vínculo deles é inconfundível.
“Alfa”, diz Magnus, com a voz baixa o suficiente para que só eu ouça. “Como você está aguentando?”
Solto o ar bruscamente, dando um gole lento na minha bebida. “O mesmo de todo ano, Magnus. E você?”
Ele me lança um olhar, aquele que só um companheiro de armas pode dar. “Você sabe muito bem como eu estou. Mas não foi isso que eu perguntei.”
Ein inclina a cabeça, estudando-me com olhos suaves e compreensivos. “Você acha que este pode ser o seu ano?” ela pergunta gentilmente.
Solto uma risada curta e seca. Fria. Amarga. Vazia.
“A Deusa da Lua tem um senso de humor cruel”, digo, balançando a cabeça. “Se ela quisesse que eu encontrasse minha parceira, já teria feito isso. Parei de acreditar em contos de fadas.”
Magnus franze a testa, mas antes que possa responder, coloco uma mão firme em seu ombro. “É meia-noite”, digo. “Hora do discurso.”
Ele me dá um aceno relutante, afastando-se enquanto me dirijo à plataforma elevada.
A música para. O salão silencia. Centenas de olhos se voltam para mim.
Projeto minha voz pelo salão, firme e autoritária. “Esta noite, nos reunimos mais uma vez em honra à Deusa da Lua. Para celebrar o amor, para dar as boas-vindas ao destino. Este é o momento em que os caminhos se alinham, onde almas gêmeas se encontram. Que a Deusa abençoe a todos vocês.”
As palavras são vazias na minha boca. Já as disse antes. Já as ouvi antes. Mas nunca as senti.
E nunca sentirei.
Abaixo meu copo, preparando-me para descer —
Então acontece.
Um choque percorre meu corpo, intenso como um raio, profundo e inegável.
Prendo a respiração. Meu corpo inteiro fica rígido.
O quê...?
Um aroma — quente, suave, doce, intoxicantemente familiar, embora eu nunca o tenha sentido antes — envolve-me, infiltrando-se até a minha medula. Meu coração bate forte contra as costelas.
Não.
Não pode ser.
Eu me movo antes mesmo de perceber, descendo as escadas, meus olhos vasculhando a multidão com um desespero que não consigo controlar. Meu pulso dispara e posso ouvir meu coração batendo nos meus ouvidos. Meu lobo — silencioso por tanto tempo — avança, uivando, arranhando, exigindo.
Onde ela está?
E então —
Eu a vejo.
Do outro lado da pista de dança, parada perto da beira da multidão.
Cabelos loiro-escuros caindo pelas costas, e ela usava um lindo vestido vermelho. Olhos castanhos, quentes e profundos, vasculhando o salão. Inconsciente de que acaba de destruir meu mundo.
O fôlego sai dos meus pulmões em um suspiro único e atordoante.
O vínculo se encaixa, mais poderoso do que eu jamais poderia ter imaginado. Cada célula do meu corpo se prende a ela; cada fibra do meu ser grita minha.
O mundo, inclinado e errado por tantos anos, de repente se ajusta em um alinhamento perfeito.
E então — ela olha para mim.
Eu vejo isso nos olhos dela. O choque, o reconhecimento, a atração.
Ela também sente.
O lobo dela — lindo — avança, trocando olhares comigo, espelhando o meu próprio.
Não consigo pensar. Não consigo respirar.
Só consigo me mover.
Um passo. Depois outro.
Ela não corre. Ela não fala.
Ela espera.
E eu sei — ela é minha, e eu sou dela.
Sem dizer uma palavra, alcanço sua mão.
No momento em que a mão dela desliza para a minha, algo dentro de mim se rompe.
O toque dela é o mais perfeito.
Meu lobo está rugindo, selvagem, implacável. Esperei tempo demais. Sofri demais. E agora, aqui está ela — minha parceira. Quente, suave, de tirar o fôlego. Minha.
A celebração explode atrás de nós. Vivas, uivos, vozes elevadas em entusiasmo. Eles sabem. A alcateia esperou quase tanto tempo quanto eu por este momento. O Alfa deles finalmente encontrou sua Luna.
Mas não me importo com eles.
Eu só vejo ela.
Seus olhos estão arregalados, procurando pelos meus, ainda presos no turbilhão do que acabou de acontecer. Ela cheira à floresta depois de uma tempestade de verão, com um toque de baunilha e fogo — limpa, quente, irresistível. Meu autocontrole está por um fio, cada parte de mim gritando para pegar, reivindicar, torná-la minha de todas as maneiras possíveis.
Puxo-a para mim, suave, mas firme; minhas mãos encontram sua cintura, seu corpo delicado encaixando-se perfeitamente contra o meu. Ela é tão menor do que eu, e essa percepção me destrói. Ela precisa da minha proteção.
Seus lábios se entreabrem, sua respiração instável. Ela não se afasta.
Não consigo me controlar.
Levanto seu queixo e pressiono meus lábios nos dela.
Deveria ser suave. Controlado. Um simples primeiro beijo.
Mas não sou um homem que faz nada com suavidade.
No segundo em que nossos lábios se tocam, o fogo explode dentro de mim. Meu lobo rosna em aprovação, e eu me perco no calor dela. No sabor dela.
Ela solta um suspiro baixo, mas então — ela me beija de volta.
Um rosnado baixo e possessivo ecoa em meu peito enquanto suas mãos deslizam para cima, pressionando contra o meu peito. Tão pequena. Tão frágil.
E ainda assim, ela é a única que poderia me levar aos joelhos.
Aprofundo o beijo, uma mão deslizando para envolver a nuca dela, a outra apertando sua cintura, mantendo-a colada a mim, sentindo cada centímetro dela pressionado contra mim. Preciso dela mais perto. Preciso de tudo dela.
Um calafrio percorre seu corpo, e sinto o momento exato em que ela se rende. Ela derrete contra mim.
O mundo desaparece.
Nada existe além dela.
Minha parceira. Minha salvação.
Os sons do baile se perdem ao fundo, distantes e sem sentido.
Até que ela interrompe o beijo, respirando rápido, a testa pressionada suavemente contra a minha.
Eu exalo, tentando me firmar, tentando manter o controle. Não posso aterrorizá-la com a força bruta do que sinto.
Ela é minha, mas ainda não me conhece.
Ela solta uma risada baixa e trêmula, seus dedos agarrando minha camisa. Quase gemo ao vê-la.
Esfrego meu nariz no dela, respirando seu perfume. “Venha comigo”, murmuro.
Ela concena.
Seguro sua mão e a guio pela multidão, passando pelos aplausos e pelos sorrisos cúmplices, ignorando cada lobo que chama meu nome. Eles vão comemorar sem mim.
Neste momento, nada mais importa além dela.
Eu a levo para uma sala silenciosa, fechando a porta atrás de nós.
Só então me permito realmente olhar para ela.
Ela é perfeita.
Seu cabelo está levemente bagunçado pelas minhas mãos. Seus lábios estão vermelhos, inchados pelo meu beijo. Seu peito sobe e desce com respirações desiguais, e ela me observa com algo inegável nos olhos.
Destino.
Fatalidade.
E desejo.
Apóio-me na porta, soltando o ar lentamente. “Seu nome”, pergunto, com a voz rouca. “Diga-me.”
Ela hesita, como se estivesse presa entre o momento e a realidade, mas então sussurra: “Vanessa Cameron.”
Vanessa.
O nome da minha parceira é Vanessa.
Repito o nome em minha mente, gravando-o na minha alma.
E então dou um sorriso de lado. “Você já sabe quem eu sou, não é?”
Seus lábios tremem. “Liam Nightfang”, ela diz, com a voz mais suave agora.
Rio baixo, balançando a cabeça. “Suponho que a coisa toda de ‘Alfa’ entregue o jogo.”
Ela solta uma pequena risada, e juro que é o som mais lindo que já ouvi.
Aproximo-me, meus dedos traçando sua mandíbula, sentindo as faíscas dançarem entre nós. “Vanessa”, digo, saboreando seu nome.
Ela se arrepia.
E então, antes que ela possa repensar — antes que eu possa repensar — eu a beijo novamente.
Desta vez, não há hesitação.
Sem contenção.
Ela geme contra minha boca, e meu controle se estilhaça.
Eu a levanto, pressionando-a contra a parede, devorando-a, saboreando-a, perdendo-me nela completamente.
Suas mãos se emaranham no meu cabelo, suas unhas arranhando meu couro cabeludo, e um rosnado profundo ecoa do meu peito. Eu quero mais.
Eu preciso de mais.
Mas me forço a diminuir o ritmo. Para saborear.
Afasto-me o suficiente para ver seus olhos, para observar a maneira como ela me olha.
Como se ela também sentisse. Como se ela soubesse que é minha.
Esfrego meus lábios na bochecha dela, descendo até o pescoço, inalando seu perfume. “Diga meu nome”, murmuro.
Ela solta um suspiro trêmulo, seus dedos enterrando-se nos meus ombros.
“Liam.”
Porra.
Eu capturo sua boca novamente, tomando-a em meus braços.
Esta noite, nada mais existe.
Apenas eu.
E minha parceira.