A Princesa Escrava do Alfa

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Resumo

Moonveil era simples: observar, relatar, retornar. Então, a Princesa Adeline foi capturada — acorrentada a um inimigo implacável e a um vínculo que ela não pode negar. Em um mundo de segredos e poder, ela precisa escolher: obedecer ao destino... ou destruí-lo.

Status
Completo
Capítulos
62
Classificação
4.9 24 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 - Emboscada

A noite se arrastava, densa de silêncio. Denso demais.

Jack estava de vigília há pouco mais de trinta minutos e, ainda assim, algo pinicava sob sua pele. Seu lobo estava inquieto, rondando as bordas de sua mente, caminhando de um lado para o outro, rosnando, incitando-o a se mover. A fazer algo. Isso apertava sua respiração e fazia o ar ao seu redor parecer mais pesado do que deveria.

Mas não havia nada.

Nenhum farfalhar no mato. Nenhuma mudança no vento. Apenas o peso opressivo das árvores que se erguiam acima, com seus galhos retorcidos agarrando o céu. O luar mal conseguia atravessar a copa densa, lançando sombras fracas e irregulares pelo chão da floresta. Uma noite de caçador. Uma noite em que o tipo errado de coisas se movia sem ser visto.

Jack não gostava daquilo.

Seus dedos se contraíram ao lado do corpo antes que ele estendesse a mão, sua mente se conectando à de Adeline. Adi. O pensamento foi incisivo, urgente. Adi, acorde.

Ela estava deitada, encolhida sob um galho baixo, sua pelagem clara camuflada nas sombras. Antes mesmo que ela falasse, ele a sentiu se mexer, sua mente ficando afiada como uma lâmina desembainhada.

Jack? O sono ainda pairava em sua voz, mas desapareceu em um instante. O que foi?

Algo está errado. Ele examinou as árvores novamente, a frustração queimando-o como chamas. Precisamos voltar à forma humana. Armaduras prontas. Armas a postos.

Sem hesitação. Sem perguntas. Essa era a coisa sobre Adeline: ela confiava nele completamente.

Acorde os rapazes, ela ordenou. Fique alerta enquanto nos vestimos. Depois, venha.

Jack viu o brilho dos olhos de lobo dela enquanto ela se movia, uma sombra esguia e silenciosa deslizando debaixo da árvore e caminhando em direção ao local onde tinham escondido suas roupas. Os outros precisavam acordar. Agora.

Sua mente os alcançou, incisiva e autoritária. Lew. Carlo. Levantem.

Consciência imediata.

Os últimos dois dias tinham deixado todos nervosos. Eles não tinham tido um momento de sossego desde que cruzaram para o território inimigo, e isso tinha deixado seus instintos no nível mais aguçado possível. Então, quando Jack deu a ordem, não houve resmungos, nem hesitação. Apenas ação.

Voltar à forma humana parecia como arrancar uma camada de si mesmo, mas não havia tempo para lamentar a perda. O ar noturno estava frio contra sua pele enquanto ele pegava suas roupas/armadura: uma blusa preta de mangas compridas de aparência comum e calças cargo cinza-chumbo. Mas aquilo era tudo, menos comum. Feito de um tecido avançado, algo entre lycra e kevlar flexível, servia como armadura, impenetrável por lâminas ou balas. O peso era familiar. Reconfortante. Um escudo entre a carne e os dentes.

Adeline se movia ao lado dele, prendendo as fivelas de seu cinto. Seu cabelo branco-prateado, ainda úmido de suor do sono, estava preso em uma trança apertada. As sombras pintavam os traços marcantes de seu rosto, mas seus olhos — céus, aqueles olhos azul-cobalto estavam vivos. Observando. Calculando.

Lew terminou de prender suas facas, girando os ombros, a facilidade convencida que ele geralmente exibia substituída por algo muito mais mortal. Carlo amarrava silenciosamente sua arma na coxa, seus dedos roçando o cabo de uma lâmina.

Jack engoliu em seco. A sensação em seu estômago não tinha desaparecido. Pelo contrário, tinha piorado. A floresta é densa aqui, os galhos se fechando acima como um dossel de folhas negras, apenas o menor sinal da luz do pré-amanhecer filtrando-se. Sem vento. Nenhum som além de nossos passos.

Apenas conexão mental, Adeline avisou enquanto partiam. Sem falar.

O ar estava denso demais. A noite, silenciosa demais. Jack movia-se ao lado de Adeline, seus sentidos abertos, absorvendo cada mudança no vento, cada estalo de um galho distante. Ele fora treinado para ouvir seus instintos, para confiar naqueles tecidos em seu próprio sangue. E, naquele momento, esses instintos gritavam.

Os outros também sentiam isso. Ele podia notar pelo modo como Lew se movia, seu gingado habitual desaparecido, seus passos precisos demais, prontos demais. Pelo modo como os dedos de Carlo pairavam perto de sua arma.

Eles não estavam errados em estarem prontos. Porque, no segundo em que chegaram à clareira, o mundo explodiu.

Um estalo. Rápido demais. Perto demais.

Jack mal teve tempo de girar antes que sombras irrompessem das árvores. Sem aviso. Sem cheiro. Apenas o impacto.

Um corpo colidiu contra ele, fazendo-o estatelar-se antes mesmo que tivesse a chance de disparar um único tiro. O chão veio ao seu encontro, mas ele se contorceu, absorvendo o golpe, rolando de volta aos pés em um movimento fluido. Arma levantada. Dedo no gatilho.

Ele disparou. Um grito. Então, outro corpo o atingiu de lado.

Ele atacou, o punho conectando-se com um maxilar. O agressor cambaleou, soltando um sibilo quando Jack o empurrou, mas antes que Jack pudesse se orientar, mais surgiram da escuridão.

Rápidos. Rápidos demais.

Eles não conseguem se transformar com a armadura, e é por isso que treinam mais extensivamente na forma humana do que na de lobo. Mas às vezes é limitante. Como agora, quando Jack percebe que teria preferido lutar em sua forma de lobo.

Adeline já estava se movendo, direto para o meio do conflito. Ela nem se preocupou com sua arma. Ela era uma tempestade, seu corpo se transformando em um borrão de movimento.

Um soco na garganta de um cara quase três vezes maior que ela. Uma quebra rápida e limpa. Um a menos.

Um pulso pego no meio do balanço. Torcido até estalar. Dois a menos.

Uma lâmina brilhou em direção às suas costelas. Ela deu um passo lateral, puxou o agressor para frente e enterrou o joelho no peito dele com tanta força que suas costelas cederam. Ele desabou, ofegante. Três a menos.

“Jack!” A voz de Lew atravessou o caos, mas Jack não conseguia vê-lo. Não conseguia ver Carlo também. Apenas movimento. Apenas o choque de corpos. Apenas o som de dentes rangendo, aço cortando.

Jack virou-se bem a tempo de ver um lobo avançando contra ele. Grande. Grande demais.

Ele teve segundos para reagir. Agarrou a pata dianteira do animal, torcendo-a, usando o próprio impulso da fera para jogá-la contra a árvore mais próxima.

Mas ele não estava sozinho. Mais deles saíram das sombras, seus movimentos organizados demais. Aqueles não eram metamorfos comuns. Eram mais rápidos e extremamente bem treinados.

Jack rosnou, mudando a pegada em seu rifle, bem quando outro conjunto de garras passou por ele. Ele se virou, a coronha de sua arma batendo em uma barriga. Um segundo depois, a dor atravessou seu braço — dentes, afundando, mas sem romper a pele, a armadura segurando bem.

Ele se afastou. Mas outro o atingiu por trás.

Muitos.

Um punho colidiu com suas costelas, o impacto arrancando o fôlego de seus pulmões. Ele mal teve tempo de registrar o estalo agudo de osso antes que algo pesado atingisse a lateral de sua cabeça.

Estrelas explodiram atrás de seus olhos. Mas, de alguma forma, ele se manteve de pé.

Do canto da visão embaçada de Jack, ele a viu. Adeline.

Ela era uma força — a trança prateada chicoteando atrás dela enquanto ela se movia, precisa e implacável. Ela mal parecia ofegante enquanto os derrubava, um após o outro. Lobos, homens, não importava. Ela fluía entre eles como um espectro, esquivando-se de ataques, redirecionando golpes, quebrando ossos com eficiência brutal.

Sem matar. Apenas incapacitando. Porque ela foi treinada assim. Treinada pela própria rainha.

Mas eram muitos.

Dois lobos a atacaram por trás. Ela se contorceu, mandando um pelos ares com um chute brutal, a perna do outro estalando na articulação. Mas outros já estavam lá, quatro na forma humana, cercando-a rápido demais.

O pulso de Jack rugia em seus ouvidos enquanto mãos agarravam seus braços, suas pernas. Ela lutou, debatendo-se, desferindo golpes mesmo enquanto a seguravam no chão.

Um punho bateu contra seu maxilar. Sua cabeça virou para o lado, um fio fino de sangue escapando de seus lábios. Mas ela não caiu. Ainda não.

Jack tentou se lançar para frente, lutar contra a dor cegante, mas seu corpo se recusou a mover. Ele estava sem peso e pesado ao mesmo tempo, os membros lentos, as bordas de sua visão escurecendo.

“Adeline!”

Seus olhos azul-cobalto encontraram os dele, arregalados, assustados, buscando.

Então — impacto.

Algo atingiu a parte de trás do crânio de Jack. O mundo inclinou-se. Ele atingiu a terra com força, seu rifle escorregando de seu alcance. Sua visão ficou em túnel, e o zumbido em seus ouvidos ficou mais alto, abafando tudo — os rosnados, o choque de corpos, os gritos agudos de dor.

Em algum lugar no caos, Carlo gemia durante uma luta. A risada selvagem de Lew tinha se transformado em outra coisa. Algo cru. Algo desesperado.

Outro golpe, desta vez nas costelas já quebradas. Seu corpo convulsionou, um estalo agudo e doentio ecoando em algum lugar profundo dentro dele. Jack ofegou, ou achou que o fez. Ele não conseguia ouvir. Não conseguia sentir nada, exceto o peso insuportável pressionando seu peito.

O mundo ficou turvo.

Figuras moviam-se como sombras nas árvores. Então o corpo de Adeline atingiu o chão. O som daquilo, ela desabando, sua força finalmente se esgotando, era pior que a dor. Pior que tudo.

Jack tentou virar a cabeça, para vê-la, mas a escuridão veio rápido demais.

O mundo desapareceu no nada.

Seu corpo parecia ter sido preenchido com concreto. Pesado. Lento. Desconectado de sua mente.

Adeline piscou contra a névoa que cobria sua visão, densa e lenta como um nevoeiro anestésico, cada nervo reagindo de forma errada. Metal frio cravou-se em suas costas. Uma sensação tão intensa, tão intrusiva, que finalmente a forçou a entrar mais em estado de consciência. Não totalmente, ainda não. Mas o suficiente.

O cheiro a atingiu em seguida. Terra úmida. Suor. Sangue. Lobos.

A constatação veio forte e rápida, um solavanco visceral em seu estômago. Ela estava viva. Esse fato singular trouxe tudo de volta como uma maré: a emboscada, o caos, os gritos, o esmagamento de corpos colidindo com ela e, então... nada. Apenas escuridão.

Seus olhos se abriram num salto.

Grades. Uma cela.

Pequena, apertada, mal dava para se sentar. Seus joelhos estavam puxados contra o peito, os ombros encolhidos para dentro como um animal enjaulado. Sua coluna se curvava contra a parte de trás curva do recinto, que era soldado de ferro revestido de prata brilhante. Cheirava a restrição e punição. A poder despojado.

Sua mão alcançou as barras — instinto — e ela recuou quando seus dedos as tocaram. O cheiro de prata atingiu suas narinas como um tapa.

Mas... sem dor.

A armadura... Graças aos deuses.

Ela flexionou a mão lentamente. Seu equipamento incluía luvas feitas do mesmo material à prova de balas. Não a tornava invencível, mas certamente lhe dava uma vantagem que a maioria não esperaria. Como agora, com as barras revestidas de prata nessas celas.

Ela se moveu, testando o espaço novamente. Pressionou o ombro contra as barras, desta vez com força deliberada. Ainda sem queimadura. Sem dor. A armadura estava aguentando firme.

Pequenas vitórias.

Além das paredes curvas de sua cela, Adeline avistou movimento. Outras celas — três delas. Cada uma abrigando um membro de sua equipe. Lew. Carlo. Jack. Todos eles caídos e imóveis, inconscientes ou apenas começando a se mexer.

Seu pulso acelerou. Ela jogou a cabeça para trás contra as barras e alcançou, forçando seus pensamentos através da conexão de seu vínculo.

Jack.

Sua voz era afiada, focada, cerrada como uma lâmina enrolada. Sem espaço para medo. Não agora.

Estou aqui. A voz dele ecoou um momento depois, lenta, mas coerente. Atordoado. Não morto.

Você está ferido?

Nada permanente. Meu ego, talvez. Aquele tom seco, aquela nota de arrogância — era tudo Jack, mesmo quando machucado e semiconsciente. Mas ela percebeu o cansaço por baixo disso. Ele estava fazendo uma fachada. Era o que todos faziam. Soldados não quebram até que a missão termine. Se terminar.

Lew está acordando. Carlo?

Uma pausa. Então a voz grave de Carlo deslizou pelo vínculo. Sim. Estou aqui. Sinto como se tivesse sido atropelado por um urso, mas ainda respirando.

Adeline exalou, lenta e medida, aliviando seu pânico de volta à submissão. Verifiquem-se. Cada membro, cada costela. Ferimentos internos podem matar mais rápido que os externos. Precisamos saber com o que estamos lidando.

Ela examinou os outros enquanto fazia sua própria verificação — joelhos puxados, coluna rígida, mas nada gritando de agonia. Seus músculos doíam. Seu maxilar latejava por causa do golpe. Suas reservas de energia estavam esgotadas, mas seu corpo já estava se curando, acelerado por sua linhagem. Ainda assim, havia um limite para o que a cura acelerada poderia fazer sem descanso e comida.

Um a um, os outros começaram a se mover — movimentos desajeitados e apertados, cada um lutando para se ajeitar nas minúsculas celas de metal. Sem espaço para ficar de pé. Mal havia espaço para virar. E todos eles eram muito maiores que ela.

O tempo passou em um trecho de silêncio, pontuado apenas por conexões mentais silenciosas e o ranger do peso se movendo contra o metal.

O que diabos aconteceu? Lew perguntou eventualmente, seu tom pesado de frustração.

Emboscada, Jack respondeu. E uma boa. Eu senti. Só não tive tempo de agir.

Sem cheiro. Sem som, Adeline acrescentou, juntando as peças em sua mente. Eles eram treinados. Inteligentes. Organizados.

Mas quem diabos eles são? Carlo murmurou.

Antes que alguém pudesse responder, uma vibração baixa viajou pelo chão sob eles... passos.

Pesados. Deliberados.

A coluna de Adeline ficou reta. Músculos se contraíram. Ela encontrou os olhares dos outros através das grades, e eles assentiram, silenciosos, alertas.

Suas celas sacudiram sem aviso, arrastadas de seus cantos pelo chão de terra. O metal rangeu contra a pedra, e então eles foram puxados para uma câmara maior, onde a luz do sol cortava através das frestas no teto de madeira acima.

As grades brilhavam na luz da manhã, forradas de prata, uma ameaça cintilante e uma prisão ao mesmo tempo.

Agora ela sentia. O esgotamento. Aquele zumbido baixo de fraqueza lambendo sob sua pele, como se a prata soubesse que não podia queimá-la, então tentava sugar sua força.

Eles foram empurrados lado a lado, alinhados como troféus de guerra. Os lobos que os cercavam não eram apenas músculo, eram assassinos. Cicatrizados. Endurecidos em batalha. Rostos marcados pela violência e pelo silêncio. Adeline examinou cada um deles. Observou como se moviam. Observou como olhavam para ela, como se ela fosse o prêmio que não esperavam capturar.

Um deles deu um passo à frente. Alto. Ombros largos. Autoridade agarrada a ele como uma armadura. Seu olhar varreu a equipe, demorando um segundo a mais em seu rosto.

Sangue de Alfa”, ele murmurou.

Outra voz juntou-se à dele. “Não apenas Alfa. Aquela ali...” Um aceno na direção dela. “Ela lutou como um demônio. Precisou de mais de dez homens para derrubá-la.”

Dez? Adeline deu um sorriso irônico internamente. Deveriam ter enviado vinte.

“Ela é perigosa”, o primeiro disse novamente, estreitando os olhos.

Ela não recuou. Não desviou o olhar. Deixou que vissem o que ela era. Deixou que ficassem nervosos com isso.

“Ela não queima”, alguém mais observou, acenando para o modo como ela se apoiava casualmente nas grades de prata. “A prata já deveria ter feito bolhas na pele dela.”

Adeline permaneceu imóvel. Deixou que tirassem suas próprias conclusões. Deixou que se perguntassem. Deixou que tivessem medo.

Eles ainda não sabem quem somos. Ela empurrou o pensamento em direção aos outros. Ainda temos vantagem. Mantenham a cabeça baixa. Não os provoque. Não até entendermos com o que estamos lidando.

Eles não podem nos manter em celas para sempre, Jack respondeu. Vamos sair. Nós sempre saímos.

O olhar de Adeline se deslocou. Atrás de seus captores, mais celas alinhavam a sala. Estranhos presos nelas. Lobos, a maioria deles magros e com olhos vazios, observando-a com desespero silencioso.

Seu estômago se apertou. Aquilo não era apenas uma emboscada. Era parte de algo maior.

E a pergunta queimava como fogo sob sua pele: No que diabos nós nos metemos?