A Mate Resgatada do Alpha

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Resumo

Aviso: Este livro contém temas de conteúdo sexual e abuso. A discrição do leitor é recomendada. Após perder seus pais, Aurora foi acolhida pelo Alpha da alcateia Moon Creek. Mas, em vez de encontrar conforto, ela foi submetida a abusos implacáveis — tratada como nada mais do que uma escrava. Forçada a dormir no chão do sótão, alimentada apenas com restos e vestida com trapos, ela suportou anos de sofrimento. Tudo mudou no dia em que o Alpha da alcateia Blood Moon chegou para negociar um tratado de fronteira. No momento em que ele pôs os olhos em Aurora, ele a reconheceu como sua mate. Temida por todos, a alcateia Blood Moon detinha um poder inquestionável, deixando Moon Creek sem escolha a não ser entregá-la sem resistência. No entanto, embora seus algozes não controlassem mais seu destino, Aurora estava longe de ser livre. Marcada e quebrada, ela agora enfrentava um futuro incerto com um mate que não conhecia e um papel que nunca esperou — tornar-se Luna. Será que ela conseguirá aprender a confiar novamente, ou seu passado a manterá cativa para sempre?

Status
Completo
Capítulos
33
Classificação
4.7 15 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

“Seu merdinha imprestável! Você acabou de estragar meu piso de mármore, porra. Você é tão estúpida — não é à toa que todo mundo nesta alcateia te odeia! Você é estúpida a ponto de não saber que não pode arrastar essa porcaria pesada pelo corredor?”

Aurora deu um passo para trás e tropeçou no tapete todo embolado que ficou para trás, resultado de sua tentativa de mover a máquina de lavar novinha sozinha.

“É por isso que seus pais se mataram — para se livrarem de você, sua idiota de uma fracassada.” O Alfa gritou, dando um soco na lateral da cabeça de Aurora, o que a fez cair no chão.

Aurora imediatamente se encolheu em posição fetal, sabendo o que viria a seguir por parte de seu Alfa.

“Você nunca será amada ou encontrará seu companheiro. Eu vou garantir isso!” Marcus, o Alfa da alcateia Moon Creek, gritou antes de chutá-la nas costas.

Aurora, a loba órfã, choramingou no canto, cobrindo o rosto para que ele não a visse chorar. Como ele mesmo dizia, aquilo era um sinal de fraqueza.

“Vá para o seu quarto, droga. Eu deveria te deixar dormir lá fora por isso, mas você tem sorte de eu ser um daqueles Alfas que demonstram compaixão”, Marcus zombou.

Aurora saiu apressada, subindo as escadas. Ela correu até o fim do corredor e subiu um lance de escadas velhas e rangentes que levavam ao sótão em ruínas onde ela dormia.

Ela se deitou no chão frio e chorou. Não havia cama para dar conforto, nem lençóis para mantê-la aquecida.

Logo, ela ouviu as escadas rangerem. Alguém estava vindo.

Aurora apertou os olhos, torcendo para que quem quer que fosse não entrasse — porque ela sabia o que aconteceria se entrassem.

“Olá? Sou eu, Amelia, a Luna”, uma voz gentil chamou antes que a porta fosse empurrada.

Amelia, a companheira de Marcus, entrou e fechou a porta suavemente atrás de si.

Aurora olhou para ela com olhos cheios de medo.

“Não se preocupe, eu não vou te machucar. Eu não sou como os outros. Eu só quero ter certeza de que você está bem.”

E Amelia estava certa. Ela não era como o resto. Vindo de outra alcateia, ela foi criada para tratar todos com respeito. Seu pai, um Beta, tinha garantido isso desde que ela era pequena.

Aurora encarou Amelia, imaginando se podia confiar nela.

Era a primeira vez que elas se encontravam oficialmente desde que Amelia chegou, há duas semanas.

“O que você quer?”, Aurora perguntou.

“Ver se você está bem. Eu detesto a maneira como te tratam.”

Aurora franziu a testa. Aquela foi a primeira vez que alguém expressou preocupação por ela. “Você deveria ir embora antes que Marcus te encontre aqui. Eu não tenho permissão para falar com ninguém, especialmente com alguém de alto escalão.”

“Isso é ridículo.”

“Não é. E se você se importa tanto, você iria embora. Eu posso ser punida por isso.”

“Nossa, este lugar é tão diferente da minha alcateia antiga. Eu nunca vi lobas serem tratadas mal ou abusadas antes.”

“Deve ser um sonho”, murmurou Aurora. “Você deveria ir embora, de verdade”, acrescentou.

“Está tudo bem—”

“Está tudo bem para você. Mas para mim? Eu vou levar uma surra daquelas se o Alfa me vir sequer olhando para alguém.”

“Você não tem com o que se preocupar. Ele está em uma reunião agora. Acho que teremos visitantes de outra alcateia amanhã. Espero que seja a minha alcateia antiga, para que eu possa falar com o Alfa e fazer com que ele coloque as coisas em ordem por aqui.”

Aurora zombou. “E por que você acha que seu antigo Alfa pode mudar alguma coisa? Outras alcateias não têm voz sobre como as coisas funcionam aqui.”

“É aí que você se engana. Esta é uma alcateia muito menor e mais fraca. Se uma alcateia mais dominante descobrir o que está acontecendo, eles podem intervir. O que Marcus está fazendo não é apenas errado — é malvisto pela Deusa da Lua.”

“Certo. E se é tão malvisto, por que a Deusa não faz alguma coisa? A menos que ela não seja real — apenas algum mito inventado para controlar pessoas como eu. Para me manter com medo. Para me manter obediente.”

“Não diga isso.”

“Vá embora. Você tem uma vida melhor que a minha. Você pode falar da Deusa da Lua o quanto quiser — eu não acredito nela.”

Tentando oferecer conforto, Amelia enxugou as lágrimas de Aurora.

“Quantos anos você tem?”, ela perguntou, mudando de assunto.

“Dezoito.”

“Ah, temos a mesma idade.”

“O quê? Mas o Alfa tem vinte e poucos anos”, Aurora disse, fazendo uma careta.

“É assim que funciona, Aurora. Quando um lobo atinge a maioridade, ele toma consciência de seu companheiro.”

“Mas— deixa pra lá.” Aurora balançou a cabeça.

“Amelia!”, a voz de Marcus trovejou.

As duas ouviram os passos dele vindo em direção a elas com força.

A porta do sótão foi arrancada das dobradiças com um chute. Ele agarrou Amelia do chão com brutalidade.

“Que porra você está fazendo aqui? Você não fala com essa rejeitada.”

“O quê? Mas ela faz parte da alcateia.”

“Não, ela não faz!”

“Não seja tolo”, Amelia rebateu.

As narinas de Marcus se dilataram. Seus olhos queimavam em vermelho de fúria.

“Eu me resolvo com você depois”, Marcus ameaçou Aurora antes de arrastar sua companheira para fora do quartinho empoeirado.

“Me solta, Marcus. Você sabe o que vai acontecer se você me arranhar”, Amelia avisou.

Pela primeira vez, Aurora viu medo no rosto de seu Alfa.

Uma hora depois, Marcus voltou furioso. Ele olhou para Aurora, que estava dormindo, com desprezo, antes de pisar com força em sua bota número 44 no lado do corpo dela.

Ela ofegou, gritando de dor, e tentou se afastar — mas Marcus a agarrou pelos pés e a puxou de volta.

Ele deu um tapa no rosto dela. Então sua mão se fechou ao redor do pescoço dela. Ele apertou.

A visão de Aurora ficou embaçada. O mundo escureceu.

Somente quando seus olhos reviraram foi que ele finalmente a soltou.

Aurora ofegou, tossindo enquanto seus pulmões lutavam por ar.

Marcus zombou. “Da próxima vez, não vou ser tão bonzinho com você. Da próxima vez, vou te enterrar no quintal.”

Ele cuspiu no rosto dela e saiu.

Aurora desabou no chão, soluçando. Ela desejava ter morrido — porque, pelo menos assim, ela não teria que sofrer mais.

Sonho

Aurora mergulhou em um sono agitado, atormentada por sonhos que não faziam sentido.

“Mãe!”, ela chamou, vagando por uma floresta enevoada. “Mãe!”

Então ela percebeu — por que estava chamando por uma mulher que estava morta há onze anos?

Uma lembrança inundou sua mente.

Estava chovendo. Seu oitavo aniversário. Seus pais estavam preparando a festa quando uma batida soou na porta. A pequena Aurora tinha aberto. Um homem a empurrou.

Sua mãe gritou. Aurora correu para a sala de estar — apenas para ver sua mãe deitada em uma poça de sangue. A cabeça de seu pai fora arrancada do corpo. O homem se virou para ela, pronto para atacar — até que o Alfa anterior interveio para protegê-la.

Aurora piscou. A floresta ao seu redor se transformou em sombras.

Logo à frente, duas figuras apareceram.

“Mãe? Pai?”, ela chamou.

Eles se viraram.

Aurora correu em direção a eles —

A risada de Marcus ecoou pelas árvores. “Você não pode fugir de mim, sua vadia!”

Sua voz rugiu enquanto ele avançava sobre ela.

Marcus deu o bote. “Hora de morrer!”

Sua boca se abriu, revelando dentes afiados como navalhas —

Ele arrancou a garganta dela.

Realidade

Aurora acordou num sobressalto, seu cabelo sendo puxado enquanto ela era arrastada pelo chão.

“Tenho uma tarefa para você, imundície. A alcateia Blood Moon vem visitar amanhã. Quero este lugar impecável”, Marcus zombou antes de empurrá-la escada abaixo.

“É bom que você deixe este lugar como novo. Se me envergonhar, você não vai gostar do que acontece.”

Aurora não encontrou os olhos dele.

O único pensamento em sua mente era um desejo.

Ela esperava que a alcateia Blood Moon matasse todos eles.

Blood Moon tinha fama. Eles eram cruéis. A alcateia mais temida do mundo.

“Ei, como você está esta manhã?”, Amelia perguntou.

Aurora a ignorou, continuando a passar o pano no chão.

Amelia tocou seu rosto machucado. “Ele fez isso com você?”

“Você pode simplesmente ir embora? Tenho trabalho a fazer. Não posso ser pega de preguiça.”

“Você pode falar comigo, Aurora.”

“Não, não posso!”, a voz de Aurora aumentou. “É sua culpa que eu levei uma surra ontem à noite. Agora vá embora.”

Aurora pegou o balde, arrastando o esfregão atrás de si enquanto caminhava para o próximo cômodo.