The anatomy of Us [MOVENDO PARA GALATEA]

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Resumo

Ele pediu o número dela em um café. Ela deu. Nenhum dos dois sabia que ele seria o chefe dela. Anna Wilson não mistura sexo com trabalho. Não depois do que ela passou. Mas quando seu novo médico assistente acaba sendo o mesmo homem maravilhoso que fez seu corpo incendiar com apenas um olhar — manter distância torna-se impossível. Dr. Adam McCarter nunca cruza limites. Até conhecê-la. Ela é brilhante no centro cirúrgico, destemida sob pressão e tão sexy que chega a doer. Ele tenta lutar contra isso. Tenta manter as mãos longe. Falha. Um beijo vira um toque. Uma noite vira uma obsessão. E em meio a cirurgias, segredos e a política do hospital, eles terão que escolher: Continuar resistindo um ao outro... Ou arriscar tudo por um amor que corta mais fundo do que a carne. Steamy. Proibido. Viciante. Este não é apenas um romance. Esta é a anatomia de uma queda — rápida, intensa e completa.

Status
Trecho
Capítulos
5
Classificação
5.0 21 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

POV: Anna

O aroma de café fresco me envolve como um cobertor quente assim que entro no pequeno café em frente ao hospital. É minha última chance de respirar antes do meu turno começar, e Deus sabe como eu preciso disso hoje. Meu exame anual é em poucas horas e, embora seja de rotina, não consigo me livrar da ansiedade que pesa no meu peito.

Relaxo os ombros, tentando descontrair enquanto entro na fila. O local está cheio de conversas baixas, e o zumbido da máquina de café preenche o ar. Solto o ar devagar. Apenas um café, alguns minutos de paz e, depois, de volta ao caos do hospital.

E é então que eu sinto.

O peso de um olhar.

Minha pele se arrepia, e uma percepção percorre meu corpo como eletricidade. Viro o rosto e perco o fôlego por meio segundo.

Ele está sentado a uma pequena mesa perto da janela, com uma mão em volta de uma xícara de café e a outra apoiada no maxilar marcado. Cabelos escuros, olhos azuis penetrantes, do tipo que te prendem e não desviam. Ele me observa, sem se dar ao trabalho de esconder, e há algo no jeito como ele faz isso — sem remorso, como se já soubesse que estou olhando de volta.

Eu deveria desviar o olhar. Não desvio.

Seus lábios se contraem em um esboço de sorriso, e meu pulso acelera.

Dou um passo à frente na fila, forçando-me a respirar, mas meu corpo está em estado de alerta. Ainda consigo sentir os olhos dele em mim, queimando o espaço entre nós.

— Com licença — diz uma voz grave.

Nem preciso me virar para saber que é ele.

Quando olho para cima, ele está bem ali. Mais perto do que eu esperava. Alto, largo, absurdamente bonito de perto. Sua voz é suave, baixa, com apenas um toque de curiosidade. E o cheiro dele? Como o paraíso.

— Eu vi você parada aqui e... — Ele faz uma pausa, deixando o olhar percorrer meu corpo como se estivesse memorizando algo. — Eu não queria ir embora sem me apresentar.

Meus lábios se entreabrem, com meu cérebro tentando processar o fato de que um homem como aquele está tentando puxar conversa comigo.

Arqueio uma sobrancelha. — Você nem sabe o meu nome.

— Ainda não — ele concorda, inclinando a cabeça levemente, com diversão brilhando naqueles olhos marcantes. — Mas eu esperava que você me desse ele — e o seu número.

Eu deveria dizer não.

Não digo.

Talvez seja o jeito que ele me olha, como se eu já tivesse toda a atenção dele naquela sala lotada. Talvez seja o fato de que um pouco de distração cairia bem antes do meu turno. Talvez seja apenas ele — essa confiança natural embrulhada em um corpo que parece um pecado.

Pego meu celular e entrego a ele.

Ele dá um sorrisinho enquanto digita e depois me devolve.

— Anna — digo a ele, porque sei que ele está esperando por isso.

— Adam — ele responde. Então ele dá um passo para trás, como se estivesse me dando espaço, mas não totalmente. — Vou te mandar uma mensagem.

E, assim, ele vai embora.

Solto o ar que nem sabia que estava prendendo, com o coração ainda martelando no peito. Pego meu café e saio, com a cabeça fervilhando de perguntas sobre o que diabos acabou de acontecer.

Quando chego ao hospital, Samantha está me esperando na sala dos internos, de braços cruzados e com uma expressão de expectativa.

— Por que você parece que acabou de ter uma experiência fora do corpo? — ela pergunta, imediatamente desconfiada.

Sento-me na cadeira à frente dela e balanço a cabeça. — Acabei de dar meu número para um cara que conheci na cafeteria.

Seus olhos se arregalam. — Você? Dando seu número? Para um estranho?

Dou de ombros, embora meu coração ainda não tenha se acalmado. — Eu não sei. Pareceu... diferente.

Samantha se inclina. — Diferente como?

Pressiono os lábios, hesitando. — Tipo... não sei. Como se ele já soubesse que eu diria sim.

As sobrancelhas dela sobem e um sorriso surge instantaneamente. — Ah, isso vai ser divertido.

Eu gemo. — Não. Não é nada. Apenas uma conversa inofensiva.

Samantha cantarola, claramente sem se convencer. — Aham. E eu sou a Madre Teresa.

Reviro os olhos, mas antes que eu possa dizer qualquer outra coisa, meu pager toca. Hora de focar.

Só que, enquanto me levanto para começar meu turno, meu celular vibra no bolso.

Uma nova mensagem.

Adam: Bom te conhecer, Anna. Vamos nos falar em breve.

Mordo o lábio. É. Isso definitivamente não é nada.

Eu deveria estar focada no meu turno.

Eu estou focada no meu turno.

Mais ou menos.

Mas toda vez que tenho um segundo para respirar, minha mente volta para a cafeteria. Para ele. O jeito como sua voz envolveu meu nome, o jeito como seus olhos pairaram sobre mim como se eu fosse algo digno de estudo.

É ridículo. Mal conheço o cara. E, ainda assim, o calor do olhar dele permanece na minha pele como um toque fantasma.

— Terra chamando Anna — diz Samantha, cantando e me cutucando enquanto nos preparamos para a ronda.

Olho para ela, franzindo a testa. — Quê?

Ela sorri, com os olhos indo em direção ao meu bolso. — Seu celular acabou de vibrar de novo.

Hesito, mas antes que eu possa ignorar, ela solta um suspiro dramático. — Ai meu Deus, é ele? O cara do café?

— Pare de chamá-lo assim — murmuro, mas meu estômago dá voltas enquanto dou uma espiada na tela.

Adam: Espero que seu dia esteja sendo bom.

Não é nada, apenas uma mensagem simples. Mas ainda assim faz meus dedos apertarem o celular.

Bloqueio a tela antes que Samantha consiga pegá-lo.

O sorriso dela aumenta. — Vocês estão trocando mensagens? Anna, esse homem tem você na mão.

Eu rio, tirando as luvas. — É apenas uma mensagem.

— Uma mensagem — ela repete, com a voz carregada de diversão. — Você está perdida.

Reviro os olhos e enfio o celular bem fundo no bolso. — Podemos nos concentrar? Tenho um trabalho real para fazer.

Samantha pisca. — Como quiser, Doutora Wilson.

Antes que eu possa responder, uma voz ecoa pelo interfone do hospital.

“Todos os internos e residentes, por favor, compareçam ao saguão principal para um anúncio.”

Olho para Samantha. — Isso é estranho.

Ela dá de ombros. — Vamos descobrir.

O saguão principal já está lotado quando chegamos — internos, residentes, enfermeiros e até alguns médicos assistentes. Há um zumbido de curiosidade no ar, todos sussurrando sobre o que está acontecendo.

Então, a multidão se abre quando Ursula Jones sobe no pequeno palco na frente da sala.

Ela é autoridade pura, seu olhar aguçado varrendo a todos nós enquanto os murmúrios diminuem. Então, ela sorri, uma rara expressão de calor humano.

— Sei que todos vocês estão se perguntando por que os chamei aqui — ela começa. — Hoje, damos as boas-vindas a um novo integrante em nossa equipe. Alguém que treinou nos hospitais mais prestigiados da Europa. Um cirurgião em quem confio para liderar este departamento com a mesma excelência e dedicação que mantemos aqui.

Mudo o peso do meu corpo, levemente curiosa. Outro assistente, provavelmente.

— Gostaria que todos dessem as boas-vindas ao nosso novo Cirurgião Geral, Dr. Adam McCarter.

Adam? Mas não pode ser o meu Adam, certo?

Meu estômago afunda.

Não.

Não, não, não, não.

Levanto a cabeça bem na hora em que a multidão começa a aplaudir — bem na hora de vê-lo dar um passo à frente.

Adam.

Tão bonito quanto eu me lembrava de minutos atrás.

Da cafeteria. Do meu celular. Da mensagem estúpida que ainda está no meu bolso.

E ele me vê também.

Por meio segundo, ele hesita. Seus passos não param, mas a surpresa é inegável. Seus olhos azul-gelo se prendem aos meus, e há algo ali — reconhecimento, choque, algo mais que não consigo nomear.

Mal ouço Samantha sussurrar ao meu lado. — Que diabos foi isso?

Engulo em seco, mantendo meu rosto neutro.

— É ele — murmuro.

Ela vira a cabeça para mim. — Espera... o quê?

Antes que eu possa dizer qualquer coisa, Adam pega o microfone. Sua expressão agora está perfeitamente composta, fria e profissional, como se não tivéssemos acabado de compartilhar um momento de descrença mútua.

— Obrigado, Dra. Jones — ele diz suavemente. Sua voz ecoa facilmente pela sala, firme e controlada. — Estou honrado em estar aqui. Espero trabalhar com todos vocês.

Meu coração ainda martela enquanto os aplausos diminuem.

Ursula dá um passo à frente novamente, sorrindo. — O Dr. McCarter supervisionará nossos internos de cirurgia geral. Sua equipe designada inclui Anna Wilson e Francis Moore.

Quase engasgo.

Os olhos de Samantha se arregalam. — Ai meu Deus.

Não consigo me mexer. Não consigo respirar.

E então eu ouço — uma risada debochada vindo do lado.

Francis Moore.

Claro. A única pessoa neste programa que absolutamente me odeia.

Ela me lança um olhar afiado como uma lâmina. — Parece que vamos passar muito tempo juntas, Wilson.

Forço um sorriso, mesmo com o estômago revirando. — Mal posso esperar.

Quando olho para Adam novamente, seu rosto está inexpressivo. Mas algo permanece em seu olhar quando ele me encara — algo que diz que ele sabe exatamente o quão complicada essa situação acabou de ficar.

E talvez, só talvez, ele se arrependa de ter pedido meu número.