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Resumo

A escuridão a envolvia, cercando seu ser frágil e ameaçando consumi-la. A neblina também não ajudava; tudo o que ela conseguia ver era ele — olhando para ela com seus olhos amarelos brilhantes, grande e imponente, pronto para atacar. Ele era o lobo de seus sonhos.

Status
Completo
Capítulos
34
Classificação
4.1 9 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

A escuridão a envolveu, cercando seu ser frágil e ameaçando consumi-la. O nevoeiro também não ajudava; tudo o que ela conseguia ver era ele, olhando-a com seus olhos amarelos brilhantes, grande e alto, pronto para atacar. Ele era o lobo dos seus sonhos.

Ele se aproximou, parecendo duas vezes maior que ela, rugindo e lhe causando medo. Selina vinha tendo esses pesadelos há algum tempo, especialmente com a proximidade do seu aniversário de 18 anos. Eles nunca tinham sido tão vívidos ou aterrorizantes antes. Toda noite, ela acordava suada, com o coração acelerado de medo.

Aquela noite não foi diferente. Com a lua cheia brilhando lá fora, ela notou que seus pesadelos muitas vezes coincidiam com essas fases lunares. Não era incomum; as pessoas geralmente tinham pesadelos durante a lua cheia, e ela pensava que era igual a qualquer outra pessoa.

Mas, no fundo, Selina era diferente de muitas maneiras que ela ainda não entendia. Sua mãe, Maya, sabia. Ela reconhecia os sinais dos pesadelos de Selina, evidentes nos olhos da filha todas as manhãs.

Maya não sabia os detalhes dos pesadelos, mas sentia o peso deles e temia por Selina, especialmente com seu aniversário de 18 anos chegando em poucos dias.

Selina nunca conheceu o pai — ele morreu antes de ela nascer, e sua mãe evitava todas as conversas sobre ele, até mesmo sobre os pais dele e os avós de Selina. Era um assunto proibido. Maya acreditava que era o melhor, escolhendo criar Selina sozinha, sem ninguém mais em suas vidas. Mas agora, ela questionava essa escolha enquanto via a filha sucumbir aos pesadelos.

Maya também crescera sozinha, como uma órfã, trabalhando duro até conhecer seu marido. Ela achava que poderia lidar com a mesma situação novamente, criando Selina sozinha. Mas Selina não era uma humana comum; ela era especial, assim como seu pai tinha sido. Era por isso que sua mãe mantinha segredo, por medo.

Desde que Selina era pequena, sua mãe, Maya, lhe dava medicamentos, alegando que eram para seus músculos. Isso era uma mentira; os comprimidos eram supressores. Maya acreditava que Selina era frágil e administrava as drogas por medo pela vida da filha. Era estranho que elas vivessem tão perto da floresta, longe da escola e de outras pessoas. Parecia que Maya queria algo diferente para Selina, como se seus instintos a estivessem guiando para agir daquela maneira.

Selina odiava tomar a medicação e estava determinada a parar quando fizesse 18 anos, sabendo que sua mãe não poderia fazer nada a respeito então. Ela se sentia bem — seus músculos eram fortes e ela ia para a escola a pé todos os dias sem nenhum problema. Então, por que deveria tomar algo prejudicial? Além disso, sua mãe lhe dava esses comprimidos, apesar de Selina nunca ter ficado doente ou visto um médico na vida. Embora tivesse dúvidas sobre a medicação, ela as guardava para si; não queria chatear sua mãe, que era tudo para ela.

Selina não tinha amigos, mas não era porque se isolava dos outros. Ela se dava bem com todos, mas lhe faltava um amigo verdadeiro. No fundo, ela sentia que algo nela era diferente. Sua aparência atraía garotos, mas ela não estava interessada neles — pelo menos, não até agora. Pesadelos sobre um lobo a assombravam, o que a fazia pensar se ter alguém para proteção seria benéfico, mas ela não buscava nada além disso.

Apesar de ser atraente — com seu cabelo loiro, olhos azuis escuros grandes e uma figura pequena —, ela não se importava com aparências ou fofocas. Ela se identificava como uma geek, ansiando por algo maior na vida do que o emprego de garçonete que sua mãe tinha. Selina queria mais para as duas.

Havia um vizinho chamado Dean, um rapaz alto e bonito que era o sonho de toda garota. Ele morava um pouco mais adiante na rua e tinha a mesma idade de Selina. Ocasionalmente, eles iam para a escola juntos quando ele tinha problemas com o carro ou algum outro imprevisto, mas ele não tinha nenhum interesse romântico nela. Embora reconhecesse que Selina era atraente, ele deixava claro que ela não fazia seu tipo, já que ele se interessava mais por garotos. Selina estava bem com isso, pois significava que ele não a incomodava.

O sonho desta noite foi mais vívido do que o habitual. Um grande lobo prateado estava se aproximando dela, e ela sentiu um medo instintivo de que ele pudesse mordê-la ou devorá-la; ele era enorme. Suas mandíbulas estavam abertas e ele rugia para ela, parecendo pronto para dar o bote. Logo então, ela acordou em pânico, encharcada de suor e ofegante. Selina só podia esperar não ter gritado durante o sono, pois isso acordaria sua mãe, e ela não queria isso.

Seu alarme ainda estava tocando, e ela lutou para desligá-lo, mas conseguiu no final. Ela correu para o banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes, esperando esconder qualquer sinal de sua noite inquieta. Cansada, ela olhou no espelho e notou as olheiras ao redor de seus lindos olhos — ela não gostava nada delas. "Droga de pesadelos!", ela murmurou para si mesma.

Maya estava na cozinha, assando panquecas para Selina, quando notou sua filha entrar.

"Outro pesadelo?", ela perguntou, sabendo a verdade. Toda noite, ela ouvia Selina andar pelo corredor no meio da noite, especialmente depois que Selina ia ao banheiro lavar o rosto. Isso parecia acontecer toda lua cheia, e isso assustava Maya.

"O quê? Não!", Selina negou, mas Maya não estava convencida.

"A lua cheia sempre me afeta, então durmo menos, só isso, mãe. Não precisa se preocupar", mentiu Selina.

"Hm, se você diz, mocinha. Pensou sobre seu aniversário? Talvez convidar alguém da sua turma ou da escola, como o Dean?", perguntou Maya.

"Não!", respondeu Selina rapidamente. "Não vou comemorar nada. É apenas um aniversário. Nunca comemorei com meus supostos amigos, então por que me dar ao trabalho agora?"

"Porque é seu aniversário de 18 anos, por isso", disse Maya. "Já avisei ao meu chefe que vou tirar uma folga, e as meninas do trabalho vão assar um bolo para você."

"Faça como quiser, mas sem festa, mãe. Preciso ir ou vou me atrasar para a aula", respondeu Selina, pegando uma panqueca e correndo para a porta.

Maya sentiu uma onda de emoção tomar conta dela, e lágrimas começaram a cair de seus olhos.

"Deus, me ajude", ela sussurrou para si mesma.