Painite

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Resumo

|18+|Dark Romance|Second Chance|BDSM|🌶️| ~~~> Her past refuses to let her go and move on, but she wants to move on. Raven makes her want to move on. The question is: can she? “The rarest gem in the world is called a painite. You are a Dom’s most wanted possession...” “…You exude dominance, but what you really want, what you really need, is someone to take control for you.”

Gênero
Romance
Autor
Alpha
Status
Completo
Capítulos
59
Classificação
4.9 12 avaliações
Classificação Etária
18+

1 🐦‍⬛ Vida Nova - Analese

Está chegando aquela época do ano de novo. Tantos eventos em volta de um único dia. Estou hiperventilando. Preciso de ar. São os mesmos fantasmas que me assombram todas as noites.

Suspiro, esperando conseguir voltar a dormir, mas não consigo; fico me revirando na cama. Pego meu celular e percebo: ótimo, posso fazer um treino rápido antes da minha reunião com o advogado.

Coloco um conjunto de moletom e um top, prendo o cabelo num coque bagunçado e vou para o elevador, em direção ao saguão.

“Bom dia, Sra. Frasier”, diz o porteiro com um sorriso.

“Oi, Z. Tchau, Z.” Sorrio de volta, saindo do prédio.

Meu lugar.

Meu... lugar... ainda parece estranho chamar assim.

O único lugar que conheci nos últimos vinte anos foi um subúrbio perdido na Virgínia. Mudar para Chicago foi impulsivo, mas eu precisava disso. Eu precisava sair de lá. Precisava de um recomeço. Estar na Virgínia era um lembrete constante demais do que eu tinha e do que se foi.

Do que foi tirado de mim.

Paro na entrada da Master Boxer e tento me preparar. Forço um sorriso no rosto para que aquele velho de merda não consiga me ler como um livro aberto, como ele faz toda vez que venho aqui.

“Pense em coisas felizes... coisas... felizes...”, murmuro para mim mesma, com os dentes cerrados. “É... isso não convence ninguém.”

Entro pela porta e vejo o Old Man carregando caixas para a recepção.

“Oi, Old Man”, digo com um sorriso enorme que tirei do fundo da alma só para enganá-lo.

“Qual é o problema, Baby Girl? Não conseguiu dormir?” Ele solta as caixas e vem observar meu rosto.

Reviro os olhos. “Sorri demais, não foi?”

Ele dá uma risada. “É. Mostrou dentes demais. Além disso, são quatro e quarenta e cinco. Você está cedo.”

“Bom, é... não há descanso para os perversos, né? Então aqui estou”, digo, relaxando o rosto e torcendo para que ainda reste algum tipo de sorriso.

Ele dá um sorriso de lado. “Vamos lá, Baby Girl, treine comigo.” Ele aponta com a cabeça para o ringue.

“Tudo bem, Old Man.” Concordo, caminhando até o ringue.

“Posso ter 60 anos, mas vou acabar com esse teu rabo”, diz ele, deixando o sotaque irlandês transparecer.

Quando me mudei para Chicago, andei muito pela cidade, sem rumo, de manhã cedo e tarde da noite. Acabei tropeçando na Master Boxer, uma academia que ficava lotada das oito da manhã até o fechamento, por volta das quatro. Se você entrar naquela entrada com cheiro de suor durante a hora abismal das cinco, no entanto, ela está maravilhosamente vazia, mas aberta.

Tornei-me uma reclusa; onde antes eu gostava de atividades públicas e de estar com pessoas, agora prefiro boxear antes do sol nascer, trocando provocações com um velho irlandês em uma das maiores metrópoles do mundo. Mas não sei. Parece o lugar certo para viver minha próxima vida.

Na primeira vez que vim, paguei por uma visita avulsa. Fui direto para a pera de boxe. Sem aquecimento, só para liberar a tristeza e a frustração contidas que eu sentia.

Old Man me observou por um minuto, veio até mim e disse que minha postura e técnica eram uma porcaria. Fiquei chocada, mas depois ri muito. Sua franqueza era e é refrescante porque é genuína e vem de um lugar de carinho.

E, embora eu nunca admita, eu preciso disso agora. Neste momento, estou caindo em um abismo e não sei como sair dele.

“Então me conte qual é o problema”, diz Old Man enquanto corrige minha postura e o fechamento do punho.

“Eu...” Solto um suspiro pesado. “Nada.”

“Lese...” ele diz em tom de aviso, enquanto desvia do meu primeiro soco.

“Nada.”

Desfiro outro soco.

Por um momento, ninguém fala nada. Apenas o som da carne e os grunhidos ecoam pela academia. De vez em quando, o ranger dos nossos tênis, enquanto um desvia do outro, quebra o silêncio.

Ele finge um golpe, então agarra meu punho esquerdo e o segura firme.

Ele olha no fundo dos meus olhos e diz: “Baby Girl, conheço você há 6 meses e vou ser sincero: seu jeito misterioso me deixou curioso. Você pode me achar um velho, mas eu sei como computadores funcionam”.

“A revelação do século”, brinco.

Ele dá um sorriso de lado e diz: “Você não precisa me contar. Eu já sei”.

Lanço meu punho direito contra ele, atingindo seu peito fracamente, já que não é minha mão dominante. Respiro fundo e meus olhos se enchem de lágrimas. Ele se aproxima e me abraça forte.

Seu abraço quente me transforma em uma criança precisando de consolo. Então, como uma criança, eu deixo tudo sair. Meus pais nunca foram do tipo carinhoso, e eu não podia contar com ninguém além de mim mesma. Mas agora, especificamente neste mês, preciso de alguém por perto.

Ele me leva até a recepção para termos um pouco de privacidade. “Não estou brava porque você me pesquisou. Honestamente, você demorou até demais”, digo entre soluços. “Eu só não estou pronta para falar sobre isso.”

“Está tudo bem, Baby Girl. Li o suficiente. Você passou por muita coisa e, quando estiver pronta, estarei aqui. Tudo bem?”

Os polegares dele limpam as lágrimas que escorrem. Concordo em silêncio, aproveitando a sensação de estar em seus braços.

Os próximos dias serão muito difíceis para mim. Meu 14º aniversário, meu dia de nascimento e a morte deles. Tudo isso cai sobre mim como uma tonelada de pedras, me enterrando viva.

17 de dezembro.

O dia em que nasci e o dia em que morri.