Capítulo 1
1. A única regra que eu nunca pensei que quebraria
Existem duas coisas que eu jurei que nunca faria no ensino médio.
1. Me apaixonar por um jogador de futebol americano.
2. Me envolver no mundo dos garotos populares e no drama do baile de formatura.
No entanto, aqui estou eu, no meio do caos que é a Westbridge High, observando Zane Mercer — o quarterback estrela da escola e paquerador profissional — exibir seu sorriso característico para mim, como se ele tivesse o universo inteiro no bolso.
E a pior parte?
Eu senti alguma coisa.
Foi passageiro, quase imperceptível, mas o suficiente para fazer meu coração dar um pulo estúpido que eu quis ignorar imediatamente.
Porque eu conhecia o tipo dele.
Zane Mercer era o tipo de cara que colecionava corações como se fossem troféus. Ele era o nome sussurrado pelos corredores, o cara que tinha uma seção inteira das arquibancadas dedicada a garotas vestindo sua camisa, o garoto que podia entrar em qualquer lugar e dominar o ambiente sem nem tentar.
E eu?
Eu era apenas Tessa Hartwell. Eu não fazia parte das líderes de torcida nem do grupo das populares. Eu não tinha uma lista de ex-namorados ou uma reputação de ser qualquer coisa que não fosse... eu mesma. Eu gostava dos meus livros, do meu trabalho na cafeteria e do meu cantinho tranquilo, onde eu não precisava competir pela atenção de ninguém.
Então, quando Zane se encostou no meu armário, com os braços cruzados e um sorriso presunçoso, eu já sabia que aquilo seria um problema.
2. Zane Mercer: O problema que vive aparecendo
“Hartwell,” ele disse arrastado, com a voz cheia de diversão. “Você está me seguindo?”
Eu nem olhei para ele. “Ah, sim. Com certeza. Acordo todo dia pensando: ‘Como posso planejar meu dia inteiro em torno do Zane Mercer?’”
O sorriso dele aumentou, esbanjando confiança e malícia. “Lisonjeiro.”
Fechei meu armário com um estrondo e joguei a mochila no ombro. “Delirante.”
Era sempre assim.
Desde o segundo ano, quando Zane tentou seu charme em mim pela primeira vez e falhou miseravelmente, caímos nesse jogo estranho e silencioso.
Ele dava em cima de mim.
Eu dava um fora nele.
Ele sorria de lado.
Eu revirava os olhos.
E o universo continuava exatamente como deveria ser.
Pelo menos, era o que eu pensava.
Até hoje.
Porque hoje, ele não estava apenas sendo o seu eu paquerador e irritante de sempre. Hoje, havia algo a mais nos olhos dele — um brilho de curiosidade, como se eu fosse um quebra-cabeça que ele tinha acabado de decidir que queria montar.
E eu não gostei nada disso.
Nem um pouco.
3. O guia não oficial de sobrevivência a jogadores de futebol americano
Se você estudava na Westbridge High, havia uma regra implícita sobre lidar com jogadores de futebol.
Regra 1: Nunca faça contato visual no corredor. Para eles, isso é basicamente um convite para flertar.
Regra 2: O sarcasmo é a linguagem do amor deles. Não entre no jogo. Sério. (A menos que você seja eu, e aparentemente, sarcasmo seja um reflexo que não consigo controlar.)
Regra 3: Se um jogador de futebol, especialmente o quarterback, falar com você, prepare-se — sua vida está prestes a ficar desnecessariamente complicada.
E Zane Mercer era o pior de todos.
Ele tinha esse dom de fazer qualquer pessoa se sentir o centro do universo — por uns cinco minutos. E então, com a mesma facilidade, ele seguia para a próxima.
Eu não estava disposta a ser a distração de cinco minutos de ninguém.
Foi exatamente por isso que ignorei a forma como o sorriso dele fez meu estômago dar voltas e foquei em sair dali o mais rápido possível.
4. A interrupção que mudou tudo
Dei um passo em direção à biblioteca.
Um passo.
Mas então o braço dele surgiu, bloqueando meu caminho como se ele tivesse todo o direito de fazer isso.
“Espera aí.” A voz dele era leve, provocadora. “Qual é a pressa?”
Estreitei os olhos para ele. “A pressa é eu tentando sair desta conversa.”
Zane apenas deu um sorriso. “Que pena. Estou me sentindo falante hoje.”
Claro que estava.
Algumas garotas passaram por nós, sussurrando. Eu podia sentir os olhares delas queimando em mim. Esse era exatamente o tipo de situação que eu tentava evitar.
Mas Zane não se importava. Ele era o Zane. Ele adorava a atenção.
Cruzei os braços. “O que você quer, Mercer?”
Ele me analisou por um segundo e então disse: “Baile de formatura.”
Pisquei. “O quê?”
“O baile”, ele repetiu. “Vá comigo.”
5. O dilema do baile
De todas as coisas que eu esperava que ele dissesse, essa não era uma delas.
Eu encarei. Ele sorriu. Eu encarei com mais força.
Isso era uma piada. Tinha que ser. Zane Mercer não convidava garotas para o baile desse jeito.
Publicamente? Casual? Na frente das pessoas? Não. Ele fazia cena. Ele fazia gestos grandiosos.
O que significava... que isso não era real.
Era um jogo.
E eu não estava jogando.
“Não estou interessada.”
Ele inclinou a cabeça, como se eu tivesse acabado de falar outro idioma. “Qual é, Hartwell. É só um baile.”
“É, e eu só estou dizendo não.”
Os lábios dele tremeram. “Acho que você está com medo.”
Levantei uma sobrancelha. “Com medo de quê?”
“Medo de que você possa realmente se divertir.”
Eu ri com desdém. “Medo de ser apenas mais uma garota na sua lista, você quer dizer?”
O sorriso brincalhão de Zane vacilou — só por um segundo.
E foi aí que eu percebi... eu toquei na ferida.
6. O olhar que quase me pegou
Por um breve momento, Zane pareceu... diferente.
Menos quarterback convencido, mais uma pessoa de verdade.
Mas antes que eu pudesse entender o motivo, ele cobriu isso com outro sorriso preguiçoso. “Você me fere, Hartwell.”
Suspirei. “Olha, convide uma das garotas do seu fã-clube. Tenho certeza de que há uma lista de espera.”
“Mas eu quero você.”
As palavras foram casuais, brincalhonas, mas algo na forma como ele as disse fez minha respiração falhar.
E esse era o problema com o Zane Mercer.
Ele sabia exatamente o que estava fazendo.
7. O plano de fuga (ou a falta dele)
Eu precisava sair dali.
Antes que eu fizesse alguma besteira.
Como... sorrir.
Então eu fiz a única coisa lógica: virei as costas e fui embora.
Zane riu atrás de mim. “Isso não é um não!”
Eu o ignorei.
Porque, honestamente?
Eu já não tinha tanta certeza assim.