A Alpha Princess Adormecida

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Resumo

A Alpha Princess Lyra Valen desperta após 150 anos sob uma maldição — apenas para descobrir que seu trono desapareceu, seu lobo está em silêncio e um Alpha agora usa sua coroa. Rowan Dareth é poderoso, implacável e irritantemente moderno — tudo o que ela despreza. E, ainda assim, cada confronto com ele desperta algo selvagem. Algo elétrico. Algo que nenhum dos dois consegue ignorar. Ele diz que o mundo seguiu em frente sem ela. Ela planeja incendiar tudo e retomar o que é seu. Mas quanto mais Lyra investiga o passado, mais claro fica: sua queda não foi destino — foi traição. E aqueles que conspiraram contra ela ainda não terminaram. Inimigos no poder. Fogo entre eles. E um trono banhado em sangue e segredos. Deixe que pensem que ela é apenas uma relíquia. Ela mostrará a eles o que um verdadeiro Alpha faz.

Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
4.8 20 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

POV: Lyra

A primeira coisa que sinto é dor.

Não é uma dor aguda — não, algo agudo seria mais gentil. Esta é surda, profunda, como se algo antigo estivesse se partindo dentro de mim. Como ossos que esqueceram como carregar um nome. Como se eu nunca devesse ter acordado.

Então vem o frio. Não o arrepio do vento ou do inverno, mas o da pedra sob a pele. A terra acima de mim. Um caixão de magia.

Meus pulmões travam. Eu ofego — e o ar, que não sabia o que era respiração há mais de um século, abre caminho pela minha garganta. Queima. Tudo queima.

Meu corpo se arqueia.

Mas eu não a ouço.

Minha loba…

Ela está… silenciosa.

Sem presença, sem calor sob minha pele. Sem patas caminhando dentro das minhas costelas. Sou apenas eu. E não sei se estou viva ou se esta é a vida após a morte que me prometeram em canções de batalha e rituais de sangue.

Bato os punhos contra a tampa acima de mim.

A pedra racha.

A luz atravessa a escuridão, cegando-me à medida que o sarcófago cede com um som como se a terra estivesse se partindo ao meio. O teto não me é familiar — vigas de metal reforçadas e painéis elétricos piscando. Não é o templo onde eu estava escondida. Não são as criptas sagradas da Linha Alpha. Não.

Este não é o meu mundo.

Eu me arrasto para cima, com os membros trêmulos, mais fracos do que deveriam estar. Tudo dói. Minha visão está embaçada, mas vejo entalhes ao longo da parede — o brasão da minha família, distorcido. Pintado por cima. Reivindicado.

A tampa se estilhaça com um gemido de pedra e magia, derramando luz na cripta. Forço-me a ficar de pé, com o corpo trêmulo e os pulmões queimando. O espaço é vasto — tetos arqueados esculpidos com luas, símbolos antigos brilhando fracamente sob a poeira. Um templo da Deusa da Lua.

E no seu centro, meu túmulo.

Um sarcófago feito de obsidiana com veios de prata e pedra sagrada — criado para a realeza. Para mim.

Passos ecoam — não um, mas vários. Botas de aço. Vozes abafadas. Homens.

Eles entram correndo, com armas em punho, e congelam ao me ver. Três guardas em uniformes modernos escuros, seus cheiros aguçados com confusão e adrenalina. Não são lobos que eu conheça.

“Quem é você?” um deles exige, levantando um dispositivo estranho que brilha na palma de sua mão.

Eu me levanto, lentamente, cada movimento cheio de fogo doloroso e orgulho teimoso. Minha voz arranha o ar como um trovão sobre céus parados.

“Eu sou a Princesa Lyra Valen, filha do Rei Alpha Lohan e da Rainha Alara da Primeira Linha. Herdeira do Reino Alpha.

Levanto o queixo, desafiando qualquer um deles a contestar.

“E exijo ser tratada com o respeito devido à minha posição.”

Eles trocam olhares. Sussurram coisas que acham que não vou ouvir.

“Deuses,” um deles murmura. “É ela… das histórias. Ela acordou.”

Então, mais alto: “Você não é uma princesa. Você é um mito. Um fantasma.”

Meu sangue ferve. “Um fantasma não sangra,” rosno, com a voz áspera e carregada de um poder que mal me lembro de como usar.

“Eu quero o meu trono.”

A única coisa em que consigo pensar é no meu povo e no voto gravado em minha alma — o dever de liderar.

O guarda se enrijece. “O trono não é mais seu. É do Alpha.”

“Eu disse…” dou um passo à frente, trêmula, mas queimando. “Levem-me até o seu Alpha. Agora.

O mais alto hesita, depois assente uma vez. “Tudo bem. Mas não espere que ele se curve.”

Não respondo. Não me importo se ele se curva ou não.

Eu só preciso ver o rosto dele.

Seja ele quem for…

Ele está vivendo no meu reino.

Vivendo a minha vida.

Cada passo é uma agonia.

Os guardas quase me carregam pelos corredores, suas mãos firmes sob meus braços. Meus músculos gritam, minha respiração vem em arquejos curtos e mordo o interior da bochecha só para permanecer consciente.

Mas eu vou entrar na minha sala do trono andando com as minhas próprias pernas.

Quando as portas se abrem, eu sinto antes de vê-lo.

Poder. Presença. Alpha.

E então—

Um homem.

Sentado no meu trono.

Ele se levanta lentamente ao me ver.

Sua expressão muda e, por um batimento cardíaco — apenas um — há algo cru em seus olhos. Choque.

“Não pode ser,” ele murmura, quase inaudível. “Não é possível…”

Sua descrença corta o ar como uma lâmina. Ele não estava esperando por isso. Não por mim. Não agora.

Bom.

Mas não dou a ele tempo para se recuperar.

“Você vai se levantar,” digo, cada palavra tremendo, mas revestida de aço. “Você está sentado no trono dos reis. Do meu pai. Da minha linhagem.”

Ele se levanta, tornando-se imponente agora — mais alto do que imaginei, ombros quadrados, braços tensos ao lado do corpo. Seu rosto é marcante, com traços rígidos e uma sombra de barba, a mandíbula cerrada como se estivesse segurando o mundo. E aqueles olhos — frios, aguçados, azuis como o inverno.

“E você deve ser o fantasma,” ele diz. “Lyra Valen. A princesa adormecida.”

“Eu não sou nenhum fantasma,” rosno. “Eu sou a herdeira deste reino. Você vai sair do meu trono.”

Ele solta um suspiro lento e dá um passo à frente, com a voz irritantemente calma.

“Não.”

“Não?” Meus dedos se fecham em punhos. “Você não pode dizer não.”

“Eu governo esta terra há mais tempo do que você esteve consciente,” ele diz. “Meu avô a reconstruiu das ruínas. Eu a impedi de colapsar novamente. Seu reinado terminou antes mesmo de começar.”

Ele me olha como se eu fosse uma história que ganhou vida — linda, impossível e um obstáculo.

“Você não tem exército. Não tem conselho. Não tem poder,” ele diz.

Eu me solto dos guardas.

As mãos deles pairam, incertas, mas levanto uma palma trêmula. “Deixem-me.”

“Princesa—”

“Eu disse deixem-me.”

Eles recuam. Eu cambaleio para frente com as pernas tremendo, meu corpo protestando. Ele não se move. Apenas observa enquanto me aproximo.

E quanto mais perto chego, mais eu o sinto.

Seu cheiro me atinge como uma onda — cedro, geada e algo selvagem. Ele envolve minhas costelas, invade meus pulmões. Ele tem cheiro de casa, de perigo e de tudo o que há entre eles. Ele é ainda mais irritantemente lindo de perto — alto, forte e inabalavelmente composto.

Sua energia emana dele em ondas. Alpha. Puro e inegável.

Mas não vou deixar que isso me enfraqueça.

“Eu o desafio,” sussurro. “Pelo trono. Meu trono.”

Suas sobrancelhas sobem. E então… ele dá uma risada. Um som profundo e quente que sinto por toda a extensão da minha coluna.

“Você mal consegue ficar de pé,” ele diz. “E acha que pode me desafiar?”

“Eu não acho,” suspiro. “Eu sei.

Mas então—

Meus joelhos cedem.

Minha visão vacila.

O mundo inclina para o lado.

E antes que eu atinja o chão, seus braços me seguram.

Fortes. Quentes. Inabaláveis.

Seu cheiro me afoga agora, aguçado, próximo e em toda parte.

Tento falar. Lutar. Ficar com raiva.

Mas a escuridão me engole por completo.

O mundo volta em fragmentos.

O zumbido de algo baixo e constante.

Um bipe suave.

O toque frio de um tecido estranho contra minha pele.

Um cheiro que não conheço — limpo, aguçado, estéril… mas com um toque quente e terroso.

Pisco os olhos e a luz perfura meu crânio como uma lâmina. Solto um gemido.

“Ela está acordando,” diz uma voz feminina — suave, calma, confiante.

Tento sentar. Arrependo-me instantaneamente.

Cada músculo grita.

Cada membro está pesado, como se eu estivesse me arrastando por areia movediça.

Onde—

O que—

Viro a cabeça e congelo.

Este não é o meu quarto.

As paredes são brancas. Brancas demais. Há vidro e metal por toda parte, runas brilhantes — ou seriam janelas? — em caixas estranhas, e uma cama que chia suavemente quando me mexo. Sem tapeçarias. Sem pisos de pedra. Sem braseiros ardendo com chamas sagradas. Apenas bordas elegantes e luzes piscando.

Máquinas. Que lugar é este?

Minha voz está rouca, mas consigo falar.

“Isso é… magia?”

Uma risadinha. Feminina. Não é hostil. “Não, não é magia. É tecnologia.”

Estreito os olhos para a mulher parada perto do pé da cama. Ela é marcante — cabelo ruivo preso em um coque alto, pele pálida, olhos verdes brilhantes e um casaco preto elegante com símbolos brilhantes bordados na manga.

Ao lado dela está ele.

O Alpha.

Imponente, braços cruzados, olhos fixos nos meus como se eu pudesse desintegrar se ele desviasse o olhar.

Sua presença se enrola firmemente na sala, toda a pressão de um Alpha e um silêncio indecifrável.

A mulher se aproxima.

“Sou a Dra. Strauss. Você passou por muita coisa, Princesa,” ela diz gentilmente. “Como está se sentindo?”

“Como se tivesse sido pisoteada por um cavalo de guerra,” respondo com a voz rouca.

Ela sorri suavemente, verificando uma das máquinas estranhas ao meu lado.

Ela pressiona algo — um vidro brilhante — e o bipe suave desacelera.

“Eu vejo a sua magia,” ela murmura, quase para si mesma. “Mas não a sua loba. Você a sentiu desde que acordou?”

Isso me deixa paralisada.

Eu procuro. Para dentro. Em direção ao lugar onde costumava senti-la… o pulsar das patas sob minha pele, o zumbido baixo do instinto e do fogo.

Mas não há… nada.

“Eu… não.” Engulo em seco. “Ela não está lá. Ela está… quieta.”

Strauss assente como se esperasse por isso. “Isso é normal. Você acabou de acordar de um coma induzido magicamente que durou um século e meio. Sua loba precisará de tempo para ressurgir. Você ainda está se ajustando, e ela também.”

Um século e meio.

Eu ainda não consigo assimilar.

“Como estou viva?” sussurro.

“Você é uma metamorfa,” ela diz. “Seu DNA retardou a degeneração. Sua loba — sua magia — protegeu você. Mas seu corpo está fraco. Seus músculos atrofiaram com a imobilidade. Você precisará de fisioterapia. Treinamento de força. Tempo.”

Assinto lentamente. “Então não estou… quebrada?”

“Não.” Ela sorri. “Você só está se curando.”

Rowan se aproxima então, sua sombra roçando a borda da cama.

“Obrigado, Dra. Strauss,” ele diz. Sua voz é mais suave do que antes. Menos cortante.

Ela assente. “De nada, Alpha Rowan.”

O título tira o fôlego dos meus pulmões.

Ele usa a coroa agora.

Ele comanda este reino.

A Dra. Strauss se vira para sair, mas eu franzo a testa, algo cutucando o fundo da minha mente.

“Espere,” digo. “Seu nome. Strauss. Isso é… familiar.”

Seus lábios se curvam de forma consciente. “Sou descendente de Gordon Strauss.”

Minha respiração falha.

“Gordon era um curandeiro,” murmuro. “Ele serviu à minha mãe… e a mim. Ele salvou minha vida uma vez.”

Ela sorri. “Ele era meu bisavô. Segui seus passos. Sou médica agora, e curandeira também. Eu uno os dois mundos — magia e medicina.”

Não sei o que dizer. É demais. Estranho demais. Novo demais.

Mas assinto. “Então estou em boas mãos.”

Strauss se curva levemente. “Voltarei amanhã. Descanse, Princesa.”

E ela se vai.

Deixando-me sozinha com ele.

O Alpha que vive no meu reino.

Que detém o meu trono.

Que me segurou quando caí.

E cujo cheiro ainda permanece no meu sangue como um feitiço que não consigo ignorar.