INTRO
Willow-Rose
O céu sobre a Inglaterra estava cinzento. Pesado e baixo, como se não tivesse decidido se ia chover ou se apenas sufocaria tudo com aquele silêncio. Era a combinação perfeita para a fortaleza de pedra, fria e antiga, que surgia ao longe.
“Lugarzinho alegre”, murmurei, mudando de posição enquanto o carro reduzia a velocidade.
“Nem começa, querida.” Minha mãe sorriu suavemente, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto. “Vamos pelo menos ver o interior da casa antes de você começar a detonar o território do Rei Lycan.”
Meu pai riu no banco da frente. “Para ser justa, ela não está errada. Este lugar é… intenso.”
Intenso era uma palavra para descrevê-lo. Gótico, sombrio, aterrorizante — todas serviam também.
Enquanto nosso motorista — um guerreiro rígido e silencioso chamado Maddox — passava pelos altos portões de ferro, o peso total da situação me atingiu: aquilo era real. Não era uma viagem de férias nem uma visita temporária. Estávamos nos mudando para o território dele.
O território de Leo Damaris. O Rei Alfa Lycan.
Eu não sabia muito sobre ele, apenas o que tinha ouvido em histórias e sussurros. Que ele era poderoso. Impiedoso. Que as pessoas se curvavam quando ele entrava em uma sala. Que ninguém ousava encarar seus olhos por muito tempo.
E que ele tinha matado o próprio tio aos dezesseis anos para tomar o trono.
Nada demais.
“Willow”, disse minha mãe gentilmente, estendendo a mão para apertar a minha, “vai ficar tudo bem”.
Dei a ela um sorriso pequeno, escondendo o nó que se formara no meu estômago, um nervosismo digno de um nó de marinheiro. “Eu sei. Estou bem.”
Eu não estava. Mas eu era boa em fingir que estava.
O carro entrou em uma estrada menor que se ramificava da fortaleza principal. Fileiras organizadas de casas de pedra ficavam escondidas sob coníferas imponentes. Hera crescia pelas paredes e chaminés. Um grande corvo nos observava de uma cerca como se tivesse algo contra nós.
“É aqui que os membros do conselho ficam”, disse papai, virando-se levemente. “Deram-nos uma casa bem ao lado do Alto Guardião Caelan Idris.”
“Ele era próximo do antigo Alfa”, acrescentou mamãe. “Aparentemente, ele pediu que ficássemos perto dele.”
O carro parou.
A casa era linda, com um ar de chalé medieval levemente assustador. Pedra coberta por hera. Persianas verde-escuras. Fumaça saindo da chaminé.
Antes que eu pudesse alcançar a maçaneta, meu pai já tinha saído e dado a volta no carro para abrir a porta para minha mãe, como sempre. Ela saiu com uma risada calorosa, sua trança longa balançando nas costas enquanto ela se inclinava para beijá-lo no rosto.
“Ainda charmoso, Doutor Vale”, ela brincou.
“Ainda de tirar o fôlego, Sra. Vale”, ele murmurou.
Eles eram nojetamente apaixonados. Eu não trocaria isso por nada.
Saí para o ar frio, puxando meu casaco para mais perto do corpo. Minhas botas estalaram sobre o cascalho enquanto eu olhava ao redor. Algumas outras casas pontilhavam a rua, cada uma grandiosa e um pouco estranha, como o cenário de um conto de fadas logo antes de o monstro aparecer.
De algum lugar mais profundo na floresta, atrás das casas do conselho, um uivo baixo e distante ecoou.
Eu parei.
Havia algo nele que não era apenas animal. Era... controlado. Como se servisse para lembrar a todos quem mandava naquele lugar.
“Aquele foi—” comecei.
“Sim”, disse meu pai baixinho. “Esse seria o Alfa.”
Meu coração deu um solavanco traidor. Engoli em seco.
“Bem”, eu disse, com o tom mais leve que consegui forçar, “ele parece ser um doce.”