Sombra Noturna (Disponível no Kindle)

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Resumo

Estamos no ano 8088, e naves espaciais são tão comuns quanto carros. Cinco melhores amigas partem para umas férias despreocupadas entre as estrelas, até que seu cruzeiro de lazer cai em Aetheris Prime, um mundo alienígena oculto onde os machos superam as fêmeas em número... e cada mulher humana é vista como um presente inestimável dos deuses. É cafona, é assumidamente sem noção e é extremamente divertido. Perfeito para fãs de shameless smut with plot, alien romance, found family, banter, somno play, alien monster mating rituals, primal hunting, knotting, tails, tentacles, himbos, virgin males, possessive mates e uma pitada de BDSM.

Status
Completo
Capítulos
22
Classificação
4.8 17 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

Prólogo


08 de agosto de 8088

A Starflower estremeceu violentamente ao romper a atmosfera de Aetheris Prime. O casco gemia como uma fera ferida. Os alarmes dispararam e as luzes internas piscaram uma, duas vezes, antes de se renderem à escuridão. Um batimento cardíaco depois, o sistema de emergência entrou em ação, banhando a cabine em um brilho vermelho-sangue que pintou todos os rostos aterrorizados com sombras e tons de carmesim.

Lyra não vacilou. Ela apenas ficou parada, em silêncio, enquanto faíscas estalavam pelo console. O gosto de cobre surgiu em sua língua; ela havia mordido o lábio novamente. Um hábito nervoso. Um que ela achava ter superado. Pelo visto, não.

É isso, pensou ela. Seus dedos tremiam enquanto ela empurrava os óculos para cima na ponte do nariz arrebitado. Suas pernas balançavam sem controle, e as vibrações dos motores falhando subiam pelo piso até chegarem aos seus ossos. Era para ser uma aventura. Uma fuga rápida e selvagem do cotidiano. Mas aquilo? Aquilo não era uma viagem de garotas.

“Bom, isso é simplesmente fucking fantástico”, Sloane disparou, sua voz cortando o caos como uma lâmina. Ela deu um tapa na juba de cachos loiros selvagens, com mechas grudando em seu gloss labial. “Alguém tem um Plano B?”

Kaia soltou um escárnio seco. “O quê, tipo a pílula? Querida, já passamos do ponto desse tipo de controle de danos.”

Do outro lado do corredor, Chloe agarrava o apoio de braço, com os nós dos dedos brancos. Mas seus olhos, de um tom castanho profundo e estável, permaneciam fechados. Não por negação, mas por disciplina. Ela inspirou lentamente, forçando seu coração a se acalmar. Quando abriu os olhos, encontrou Elodie ao seu lado, pálida e trêmula, com sua compostura geralmente impecável começando a rachar.

Chloe estendeu a mão, entrelaçando seus dedos nos de Elodie, tentando ancorar as duas. “Nós vamos ficar bem.”

Elodie assentiu, mas seu maxilar tremia. “Espero que você esteja certa.”

Kaia resmungava sozinha, sua coleção de pulseiras de festival tilintando a cada movimento brusco, enquanto os padrões de suas tatuagens de mangas completas se moviam como sombras.

“Vamos, vamos, vamos”, Kaia cantou baixinho, com os olhos fixos na janela.

Lá fora, o mundo estava borrado. Uma explosão de cores e selvageria avançava contra elas rapidamente, rápido demais. A nave deu um solavanco violento e o metal guinchou conforme o piso inclinava. Elas iriam cair.

Lyra se preparou, com os dedos espalmados nos apoios de braço e o coração martelando contra as costelas. Mechas de seu cabelo castanho-cervatil, que batia nos ombros, levantavam-se a cada respiração ofegante, enrolando-se em seu rosto. A luz vermelha pulsava mais forte até ser a única coisa que conseguiam ver, espalhando-se pela pele delas e transformando todas em fantasmas.

E então — o impacto.

A Starflower atingiu o solo com um estrondo ensurdecedor. O mundo se fragmentou. O metal gritou. Os corpos foram jogados para frente nos cintos de segurança enquanto a nave derrapava pelas planícies densas e exuberantes de Aetheris Prime. Poeira embaçou as janelas. Faíscas choveram do teto. O mundo parou de girar. E o silêncio caiu.

Por um longo e atordoado batimento cardíaco, ninguém se moveu. O único som era o zumbido agonizante dos sistemas da nave.

As mãos de Lyra foram as primeiras a se mover, já soltando o cinto, com seu corpo agindo por instinto. “Estão todas bem?”, ela perguntou, com a voz baixa e nivelada. Nivelada demais.

“Ainda respirando”, Sloane resmungou, abrindo a fivela com um movimento prático. “Vamos dar o fora daqui.”

Chloe e Elodie ainda seguravam as mãos uma da outra. “Estamos bem”, disse Chloe baixinho, com alívio e descrença.

Kaia assentiu uma vez, já de pé. “Vamos.”

Mas antes que pudesse alcançar a escotilha, a mão de Chloe disparou. “Espere. Nem sabemos se conseguimos respirar lá fora.”

Lyra caminhou em direção à janela, limpando a poeira do vidro com a manga. Suas sobrancelhas arqueadas e suaves se franziram enquanto ela estudava o terreno, a inocência do formato delas sendo intensificada pelo foco em seu olhar.

“Isso parece ser as planícies próximas às coordenadas que traçamos antes da falha total do motor. Devemos estar perto da zona de pouso principal.” Ela semicerrou os olhos. “Aetheris Prime tem uma atmosfera respirável.”

“Não por muito tempo”, Sloane murmurou, tossindo na manga enquanto Elodie pegava um frasco rosa e borrifava em si mesma generosamente.

“Se eu for morrer, vou morrer fabulosa”, Elodie bufou, jogando o frasco de volta na bolsa. “E se eu não morrer, vou encontrar um parceiro Aetheriano gostoso. Não vou morrer solteira.”

Chloe levantou-se abruptamente. “Quer saber? Hell yeah”, disse ela, puxando o spray de volta da bolsa de Elodie.

Kaia engasgou, balançando a mão na frente do rosto como se estivesse espantando abelhas. “Certo. Porque nada mascara o fedor da desgraça como frutas sintéticas e negação.”

Sloane gemeu, esfregando os olhos. “Incrível. Agora estamos fazendo um pouso forçado em um planeta alienígena no meio de uma crise de pânico E inflamáveis. Adoro isso para nós.”

Lyra sorriu, apenas um pouco. A pequena brecha entre seus dentes da frente apareceu, um contraste rústico à suavidade carnuda de seus lábios franzidos. Graças às estrelas por Elodie, que sempre quebrava a tensão sem nem tentar.

Elas estavam um desastre. Machucadas, feridas, com os corações acelerados, mas estavam vivas.

Lyra sempre fora a intelectual do grupo. Ela se movia pelo mundo como uma tempestade silenciosa, observadora, pensativa e infinitamente curiosa. Ela não falava muito, mas quando o fazia, suas palavras atingiam o alvo. Ela sentia mais do que demonstrava e carregava tudo isso em silêncio. Esta viagem fora ideia dela. Uma fuga espontânea. Uma pausa na monotonia da vida na Terra, que começara a parecer uma prisão.

No ano 8088, naves espaciais eram tão comuns quanto carros. As pessoas não pensavam duas vezes antes de pegar um cruzador e passar um fim de semana em uma lua distante ou relaxar em um planeta praiano com areia neon. Passar férias fora do planeta era normal, uma maneira de deixar o estresse para trás e voltar com um bronzeado com o qual ninguém na Terra conseguia competir. Mas, assim como os carros, as naves espaciais tinham seus limites. Elas quebravam. Às vezes faziam isso silenciosamente, outras vezes de forma espetacular. E, quando isso acontecia durante o voo, uma viagem de garotas podia se transformar em algo completamente diferente.

Kaia fora a primeira a topar a viagem, sua sede de aventura superando qualquer necessidade de lógica. Kaia ardia com uma energia selvagem, cheia de alegria imprudente e emoções intensas. Ela era a viajante, a aventureira, a caçadora de experiências. Passara a infância vagando de um lugar para o outro, aprendendo cedo a correr antes que as raízes pudessem se formar. Como adulta, movia-se como se tivesse nascido para o movimento, perseguindo emoções, perseguindo mudanças. Mas, às vezes, na quietude entre os momentos, algo mais profundo despertava. Um anseio que ela não sabia nomear. Um lugar que ela ainda não havia encontrado.

Sloane concordara por capricho, recém-saída de um coração partido e desesperada por uma distração. Sloane era o coração rebelde do grupo. Sarcástica, destemida e teimosamente leal. Ela escondia sua ternura atrás de uma inteligência afiada, nunca sendo do tipo que segue quando pode liderar, mesmo que isso significasse arrastar todo mundo para o caos com ela.

Elodie seguira rapidamente, armada com spray corporal brilhante e expectativas irreais. Elodie era a energia de golden retriever do grupo. Doce, estilosa e muito mais inteligente do que as pessoas lhe davam crédito. Com seu sorriso suave e charme refinado, ela tinha um jeito de trazer luz para qualquer ambiente, mesmo enquanto mantinha as coisas unidas em silêncio.

E Chloe… a doce e cautelosa Chloe, que só dissera sim porque não queria ser deixada para trás. Lyra podia ver o arrependimento em seus olhos agora. Chloe era a calma, a simples, até que você olhasse um pouco mais de perto. Ela nutria os outros com uma confiança silenciosa, nunca forçada, sempre no controle, como se soubesse exatamente do que as pessoas precisavam antes mesmo delas. Na superfície, ela parecia submissa e tímida. Mas Chloe era um iceberg, toda graça calma acima e profundidade insondável abaixo. Uma profundidade que inquietava algumas pessoas, mesmo que elas não conseguissem explicar o porquê.

A escotilha gemeu ao ser liberada, a pesada porta de metal abrindo-se para revelar um mundo que parecia um sonho. Vastos campos se estendiam diante delas, cobertos por uma flora brilhante que cintilava com bioluminescência. Orbes estranhos, semelhantes a vaga-lumes, flutuavam preguiçosamente pelo ar, e o perfume de flores exóticas as envolvia.

Elas entraram no desconhecido, cinco mulheres humanas encarando o coração de um planeta que as mudaria para sempre. Elas apenas não sabiam disso ainda.